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O Ser Humano não foi criado para a Inércia

Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra.” Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.” (Gênesis 1, 26-28).

No próximo ano a Igreja Católica Apostólica Romana comemora 50 (cinquenta) anos da abertura do Concílio Vaticano II. Considerado por muitos (e não sem razão), como o maior evento da Igreja no Século XX, o Concílio nos legou uma série de documentos, de fundamental importância para atender ao lema de seu idealizador, o Papa João XXIII.

A palavra de ordem para o Concílio era “aggiornamento”, que expressava o desejo de João XXIII de que a Igreja Católica saísse atualizada daquele evento, que ela se adaptasse ao mundo contemporâneo, ao progresso da humanidade.

Ensina a Bíblia que quando Deus abençoou o primeiro casal de humanos, lhes disse para frutificar, multiplicar e dominar a terra. Embora, de certa forma, o homem tenha entendido a terceira determinação para além da intenção divina, pois passou a dominar também seus semelhantes, a verdade é que tais ordens divinas estão sendo cumpridas desde o início da criação. Frutificar e submeter a terra trás implícita a idéia de evolução. Ou seja, foi determinação divina de que a humanidade evoluísse e, para isso, Deus colocou à nossa disposição todos os meios necessários, incutindo em cada ser humano uma qualidade única e um sentimento que nos levasse a descobrir e utilizar esses meios. A qualidade foi a inteligência e o sentimento a curiosidade. A partir destes dois elementos, o ser humano passou a descobrir os meios que Deus colocou a sua disposição para a evolução.

O homem não inventou a eletricidade, o magnetismo, o ferro, o cobre, e todos os demais materiais e forças naturais. Eles sempre estiveram presentes em nosso meio ambiente. Com a inteligência e curiosidade que Deus lhes deu, os homens foram descobrindo e utilizando os meios e suas possibilidades. Portanto, podemos perceber que a natureza do ser humano é evoluir em obediência à ordem divina.

O Papa João XXIII, açodado pelo Espírito Santo, cumpria a determinação divina quando, contra tudo que se esperava dele, resolveu convocar o Concílio Vaticano II, para buscar exatamente a atualização da Igreja de Cristo, sua renovação e sua evolução, para que estivesse acompanhando a evolução e o progresso da humanidade.

Todavia, lamentavelmente, o sonho do velho Papa, que sequer viu o final do Concílio, esbarrou-se no equívoco da humanidade, quando Deus mandou dominar a terra. Talvez por medo, temor ou receio de perder as rédeas do poder, a Igreja voltou a se encolher, negando-se a evoluir. Os belíssimos documentos do Concílio Vaticano II são exaustivamente estudados por teólogos e fiéis católicos, mas quase não praticados por alguns setores da Igreja.

É certo que algumas mudanças aconteceram, especialmente na liturgia, que passou a ser celebrada na língua de cada povo, com participação dos fiéis, mas se percebe um forte movimento para se retornar ao pré-concílio neste aspecto.

Porém, as mudanças fundamentais para a renovação, tais como: a ministerialidade, pois como podemos notar a estrutura eclesial continua sendo pensada dentro do binômio clássico – hierarquia e laicato – e não em termos de comunidade – carismas e ministérios; a questão da inculturação do evangelho, como se afirma nos documentos conciliares e pós-concliares e nas conferências epsicopais; a efetividade do diálogo ecumênico e interreligioso; as questões relativas à ética e moral, à miséria no mundo, à desigualdade social; a questão ecológica; entre tantas outras, são tarefas pendentes, que reclamam urgência e atenção.

A magnífica expressão “Povo de Deus”, tomada do Antigo Testamento para designar a igual dignidade de todos os membros deste povo dormita tranquila e serena nos textos da Lumen Gentium, quase como letra morta. Tantos outros ideais dos textos conciliares estão no mesmo caminho.

Pelo que sabemos a inércia já levou a Europa a praticamente se desvincular do cristianismo e, se não sairmos desta inércia, o mesmo acontecerá em breve na América Latina e no Brasil.

Esperamos que as comemorações dos cinquenta anos do Vaticano II nos faça acordar deste sono letárgico, nos abrirmos à ação do Espírito e cumprir a determinação divina: frutificai!

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Comentários (3)

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  1. Monica disse:

    Belíssimo e atual texto Gazato, parabéns.

  2. Antonio Gazato Neto disse:

    Pedro e Mônica, grato pelo estímulo. Só espero que esta iniciativa sirva de incentivo para o grupo do AVF. Afinal, o resto de Israel deve ressurgir das cinzas…

  3. Maria Lúcia Pascoal disse:

    Obrigada por seu texto, Gazato!!É uma bela reflexão, que nos incentiva a ressurgir das cinzas… Abr,

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