As Gerações “Y” e “Z”, os migrantes digitais e as exigências para o 7º PPO
Você sabe o que são as gerações Y e Z ? Você é nativo ou migrante digital? O que isso tem a ver com o 7º PPO?
Desde o inicio do milênio se fala das gerações “Y” e “Z”. Provavelmente, pouco de nós, agentes de pastoral, já tenhamos ouvido falar sobre isso!
Geração Y, ou os nativos digitais, são as pessoas que nasceram depois de 1980, a chamada era tecnológica, e portanto, são os que estão totalmente integradas com a WEB. Dentre estas, os que têm menos de quinze anos já são chamados de Geração Z. Ambas usam a maioria dos recursos digitais coma a maior naturalidade, não “desgrudam” do celular, são “vidradas” nas redes sociais, e passam horas e horas diante do computador usando as teclas “ctrl C” e “ctrl V”, navegando em vários sites e se relacionando virtualmente. Por tais comportamentos são acusados de anti-sociais, desatentos e egoístas, o que é um certo exagero ou, ao menos, uma posição unilateral; de quem não se pergunta pelo lado bom da internet. Já os que nasceram antes da era tecnológica, mas possuem uma boa relação com a web são denominados de migrantes digitais. Mantêm com ela uma relação de dependência necessária, pois buscam tirar o maior proveito da rede e, na maioria das vezes, usam-na por interesse profissional. Claro, dentre estes, há os que dela se “enamoraram” tanto, a ponto de se comportarem; digitalmente falando, tais como um verdadeiro nativo digital da geração Y.
Como não é minha intenção me alongar nesta reflexão sugiro os artigos: Os Filhos da Era Digital publicado na Revista Época, em agosto de 2008, Geração Y publicado pela Revista Galileu, em outubro de 2009 , Dias de 36 horas publicado por Betina Von Staa em seu blog, em agosto de 2010 e a apresentação:
Queiramos ou não, gostemos ou não, esta realidade está aí, e se revela plena de mudanças culturais as quais exigem novas atitudes daqueles que dedicam atenção à estas novas gerações, sejam pais, educadores e, dentre estes, as nossas comunidades que buscam formas para evangelizar os jovens.
Estas duas novas gerações (Y e Z) citadas acima colocam em cheque diversos valores, inclusive religiosos, mas ao mesmo tempo, e justamente por causa de suas relações virtuais na WEB,valorizam a interatividade e a colaboratividade, ainda que nas relações virtuais.
Neste momento em que estamos preparando nossos projetos para o 7º PPO, será que esta nova realidade cultural não deve questionar nossa pratica eclesial? Será que não devemos acolher, assumir e a partir daí, Evangelizar.
Como fazer isso se a maioria de nós ainda é estrangeiro “neste território” ? A web 2.0 nos lembra que, na modernidade, se não houver a colaboração e interação pouco se avançará. Empresas modernas valorizam as capacidades pessoais e apostam na colaboração de funcionários pró-ativos que buscam soluções, revelando que o tempo das relações de submissão de meros cumpridores de rotinas já passou! No âmbito eclesial, a Constituição Conciliar Lumen gentium resgatou um paradigma eclesiológico da comunidade primitiva: a Igreja é composta por todos os batizados e, nela, todos são ministros do Evangelho. O que distingue são apenas os diversos ministérios concedidos pelo Santo Espírito que, em ultima análise, são complementares na ação Evangelizadora da Igreja. A CNBB há décadas insiste na “construção” de uma Igreja de Comunhão e Participação. Afinada com esta eclesiologia, nossa Igreja Arquidiocesana manifestou na segunda proposta do eixo: Igreja que se Renova do 7º PPO, que deseja ser uma igreja toda ministerial. Portanto essencialmente participativa!
Creio que a resposta à pergunta do parágrafo anterior está implícita nesta eclesiologia. De forma surpreendente, o Conselho Pontifício das Comunicações Sociais e o papa Bento XVI, em sua mensagem para o 43º dia mundial das Comunicações Sociais, 2009, Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade , apontam que a web é, e será, um importante recurso na evangelização! A mensagem dirigida especialmente aos jovens, os convida a serem protagonistas nesta ação, afirmando que os nativos da web devem contribuir na evangelização de outros nativos.
Em nossa Igreja de Campinas, há um número bastante grande de pessoas jovens, da chamada geração Y, que estão inseridas em vários organismos pastorais, dentre eles a PJ e a Catequese de Adolescentes e Crisma que podem contribuir numa eficiente Evangelização. Delas se espera uma efetiva colaboratividade na partilha dos dons que Deus lhes deu. Entretanto para isto, a Igreja deve desejar esta presença e, adequadamente, preparar e dar condições para estes novos missionários nativos da web.
Pedro Rigolo Filho (pedrorigolo@gmail.com)
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Mônica Moreira
qua 13th out 2010 at 21:24
Muito interessante este texto, vejo que somos na maioria (agentes de pastorais) da geração migrantes digitais que literalmente precisam invadir a “praia” (Web) das gerações “Y” e “Z” para cumprir as exigências do 7 PPO.
Pedro Rigolo Filho
qui 14th out 2010 at 6:16
Oi, Mônica
Sim, nós somos migrantes! Trata-se de um mundo totalmente novo para a grande maioria das pessoas com mais de 30 anos! Mas para nós, entrar neste mundo tem uma motivação diferencial. A convicção de que a Web é, e será, um grande bem para a Igreja! Abraços, Pedro.
Rosangela Maria Coral
sex 15th out 2010 at 13:00
Olá Pedro e Mônica
Somos realmente da geração migrantes digitais, mas agora com o curso “A Web e a Evangelização”, promovido pela Arquidiocese de Campinas e com a Luz do Espírito Santo vamos poder dar a nossa contribuição para Evangelização neste Mundo Virtual.
Um abraço,
Rosangela
Pedro Rigolo Filho
seg 18th out 2010 at 14:51
Oi, Rosangela
Justamente porque somos migrantes digitais que nós criamos este curso! Oxalá, haja novos interessados por ele, para que, assim, possamos vocacionalizar, mais e mais, pessoas neste trabalho pastoral tão urgente na Igreja.
Abraços, Pedro
Angela Maria Caixeta Andriani
sex 15th out 2010 at 16:23
Não é fácil acompanhar esta geração. Para nos que começamos a vivenciar este novo mundo na idade adulta muitas duvidas ocorrem e são eles desta nova geração que estão prontos a nos ajudar. Estou falando isto por mim, mas acredito que para a grande maioria dos migrantes isto acontece.
Pedro Rigolo Filho
seg 18th out 2010 at 15:01
Oi, Angela
Realmente é grande o número dos “migrantes digitais”, mas isso pode ser, traquilamente, superado. Maior problema é, e será ainda por muitos anos, a exclusãodigital, que é só uma faceta da urgente inclusão social.
Creio que os “migrantes digitais”, embora, não tenham a mesma intimidade com a web tal qual um “nativo digital”, possuem a experiência e a visão de que nesta vida, os recursos materiais são meios e não fins em si mesmos!
Que o conhecimento da WEB nos ajude a lutarmos para erradicar a exclusão social!
Abraços, Pedro