Car@s amig@s

A partir de novembro de 2016, os textos e as Fichas de Estudo do Ambiente Virtual de Formação serão publicados apenas no novo site da Arquidiocese de Campinas,

Clique aqui para acessar o site, depois role a barra até encontrar o banner do AVF" A coordenação do AVF.

A celebração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II

| 06/08/2012 | 0 Comentário

Nos três anos do Concílio Vaticano II (1962-1965), bispos de várias partes do mundo participaram de quatro sessões que resultaram em 16 documentos, divididos em 4 Constituições, 9 Decretos e 3 Declarações. O estudo mais aprofundado sobre cada um destes documentos revela tensões, lacunas e descontinuidades, mas, também, é possível constatar um fio condutor que expressa o desejo de renovação da Igreja para, consequentemente, dialogar com o mundo e ser um sinal eficaz do reino. Este anseio por mudanças já se fazia presente desde o final do século XIX, nos vários movimentos de renovação (bíblico, litúrgico, ecumênico e teológico, entre outros) que foram se manifestando no interior da Igreja de tal forma que o beato Papa João XXIII soube acolhê-los e assim, com a luz do Divino Espírito Santo, convocar e instalar o Concílio, que foi concluído por seu sucessor Paulo VI.
Dentre as principais mudanças provocadas por este grande evento pode-se destacar: a centralidade cristológica na liturgia; o uso da língua vernácula; a percepção de que Deus continua se Revelando na história; a confirmação da importância da Sagrada Escritura na compreensão do mistério da Revelação para a efetiva construção da comunidade eclesial; da colegialidade nos vários organismos eclesiais; da ministerialidade que brota do batismo, sacramento fonte da vida e de todos os ministérios; e da importância dos leigos e leigas na vida da Igreja.
Além da palavra de ordem de João XXIII, aggiornamento – atualização e adaptação da tradição da Igreja à evolução do mundo contemporâneo -, que marcou a convocação e os trabalhos do Concílio, duas outras expressões podem ser vistas como chaves de leitura para compreender o alcance social daquele evento. A primeira, homens de boa vontade, foi usada por João XXIII para se referir à existência de pessoas de bem que não estavam necessariamente dentro dos círculos católicos, mas dispostos a contribuir na construção de um mundo melhor. Através desta expressão, o papa demonstrava que para ele, a missão da Igreja no mundo era fundamentalmente dialogar e associar-se a pessoas e organismos que desejam as mesmas coisas que ela, ainda que impulsionados por motivações não religiosas.
A outra expressão, Paz é o novo nome do desenvolvimento, aparece explicitamente na Carta Encíclica Populorum Progressio (1967) de Paulo VI. Todavia, dois anos antes, em 04 outubro de 1965, ela já aparecia implicitamente em seu discurso na primeira visita de um pontífice à ONU. Para expressar o voto de confiança que a Igreja depositava naquela instituição, ele exortava que a promoção da Paz, a principal missão da ONU, somente seria alcançada quando todas as nações tivessem acesso ao pleno desenvolvimento político, econômico, social e cultural. Segundo Paulo VI, a ameaça à Paz não estava apenas nas guerras, mas na pobreza que condenava países inteiros à exclusão social. Cabe destacar, que a percepção de que a missão da Igreja brota da realidade social injusta do mundo que precisa ser evangelizada, aparece explicitada nos três últimos capítulos da segunda parte da Gaudium et Spes, a quarta e última Constituição do Concílio, que foi publicada dois meses depois daquela visita.
Passados 50 anos, a missão eclesial assinalada no Concílio Vaticano II ainda é desconhecida por muitos, inclusive dentro da própria Igreja. Grandes passos já foram dados para a percepção de que a ‘Igreja’ é ‘povo de Deus’, mas não o bastante para compreender o alcance e a necessidade da participação de todos aos apelos da missão da comunidade eclesial. As quatro Conferências do Episcopado Latino Americano pós Concílio confirmam isto e, especialmente, a Conferência de Aparecida (2007) convoca toda a Igreja para assumir o ‘mandato missionário’ como ‘discípulos de Jesus’, com o intuito de que os cristãos sejam presença evangelizadora no mundo além das ações pastorais no interior da comunidade.
Eis, pois o convite para conhecer, estudar e aprofundar os documentos do Concílio Vaticano II, atualizando-os com os diversos documentos produzidos pela Igreja nestes 50 anos. Isto ajudará as Comunidades Cristãs a compreenderem os apelos do “Reino de Deus” para o nosso tempo e a serem sinais do próprio Cristo na História.

Duas sugestões:
A Arquidiocese de Campinas, desde Agosto de 2011, está publicando “Fichas de Estudo” sobre os Documentos do Concílio Vaticano II, em comemoração ao seu cinquentenário, oferecendo subsídios de estudo para todo o povo de Deus.  Confira, acessando o link acima.

Recentemente, D. Demétrio Valentini publicou um livro, pequeno mas muito significativo: “Revisitar o Concílio Vaticano II”, que ajuda na releitura deste importante evento que atualizou/renovou a Igreja. Vale, a pena, lê-lo.

Este texto foi publicado originalmente no Boletim Informativo “A Tribuna” 3889 de julho de 2012, com algumas alterações!

Registre seu comentário

Registre seu comentário