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Ficha 20: A Vocação do Homem e da Igreja no Mundo Contemporâneo – GS (3ª)

| 09/05/2012 | 0 Comentário

 

Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES

Sobre a Igreja no mundo de hoje


 

Esta 20ª Ficha aborda os capítulos III e IV da GS: o “Sentido da Atividade Humana” e a “Função da Igreja no mundo de Hoje” que tratam, explicitamente, da vocação de toda pessoa e da comunidade eclesial no mundo, por isso, ela foi intitulada ‘A Vocação do Homem e da Igreja no Mundo Contemporâneo’.

O Sentido da Atividade Humana no Mundo

Este capítulo se refere à toda atividade humana, enquanto vocação humana, pois, segundo a fé cristã, o homem foi chamado por Deus a transformar o mundo através de sua ação e, especialmente, com o seu trabalho[1]. A Bíblia afirma que o trabalho é muito importante, pois ele está ligado a todos os momentos da vida; ele é como o sal que realça o sabor das coisas. Nele, a pessoa encontra o sentido da vida e se realiza, vivenciando uma importante parcela de sua vocação, pois é ‘dom de Deus que o homem possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho’ (Ecl 3,13). A GS enfatiza que o trabalho existe para o homem e não o contrário, e que  tem uma dimensão social, pois se orienta para a busca e a construção do bem comum. Nesta perspectiva, ele é visto como condição para assegurar ao homem sua dignidade, sendo, portanto, um direito humano. Passados 50 anos do Concílio, se constata a percepção que os bispos tiveram sobre a realidade socioeconômica da maioria dos países, nos quais o trabalho humano era considerado apenas como uma mercadoria que a cada dia perdia mais o seu valor o que, por consequência, atingia a compreensão do ser humano, ferindo sua dignidade. Eis o motivo da GS ter sido considerada a Carta Magna da Pastoral Social, o que alimentou e alimenta a luta pela defesa da vida.

Constata-se que, graças à inteligência, à técnica e à ciência, o homem alcançou muitos bens que contribuíram para melhorar a qualidade da vida, todavia, isto parece ter contribuído para a perda do significado antropológico do trabalho e da própria vocação humana, pois desta realidade brotam perguntas tais como: Qual o sentido e o valor do trabalho? Como os bens produzidos devem ser usados? Onde chegará a mentalidade que associa o trabalho ao consumo? E, para responder a isto, a Igreja, à luz do depósito da Palavra de Deus, expõe sua concepção sobre o trabalho humano (GS33).

 Para os que têm fé, toda atividade humana, individual ou coletiva,corresponde ao Plano de Deus, pois decorre do mandado divino de submeter a terra. Logo, ela é como um prolongamento da atividade divina na construção do mundo. A mensagem cristã existe para conscientizar que esta participação na obra de Deus implica na responsabilidade social de buscar o bem estar, também, de seus semelhantes (GS34), pois, da mesma forma que o trabalho procede do homem, assim para ele se ordena. Trabalhando, o ser humano transforma  o mundo e a sociedade, mas também se constrói enquanto pessoa humana e, assim, descobre que sua vocação é ser para os outros. Neste sentido, de forma profética, a GS afirma que, o que o homem faz para  promover a justiça, a fraternidade e o bem comum é muito superior a qualquer progresso técnico, que só alcança seu fim social com a participação e desejo do próprio homem ao responder à sua vocação integral, não se deixando dominar pelas coisas passageiras e nem pelo aparato técnico e institucional que criou (GS35).

 Muitos veem a religião como um obstáculo à autonomia da atividade humana, especialmente a ciência, mas o Concílio afirma que  tanto a religião quanto a ciência procedem de Deus e por isso, elas não são incompatíveis. Cabe aos fiéis, no entanto, entender que esta autonomia não significa afastar Deus da atividade humana, pois sem o Criador a criatura não subsiste; e que se faz necessário haver caridade para com aqueles que acreditam na evolução humana sem a intervenção divina (GS36).

 A Sagrada Escritura ensina que o progresso, apesar de grande bem para o homem, pode levá-lo a inverter a ordem de valores, misturando o bem com o mal e considerando apenas o que é seu, esquecendo o que é dos outros, abandonando a verdadeira fraternidade. Por isso, a Igreja anseia ajudar as pessoas a ordenarem a busca pela felicidade, reconhecendo a importância do progresso sem, no entanto,  se acomodarem somente com as coisas do mundo (GS37). Todo esforço de construir um mundo novo e fraterno adquire novo sentido na fé em Jesus Cristo que nos revela que “Deus é amor” e nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana é a vivência do mandamento do amor (GS38). A certeza do Reino não deve acomodar o cristão, mas estimulá-lo a contribuir num mundo que seja sinal do Reino definitivo (GS39).

O que deve ser destacado neste capítulo é a visão otimista da Igreja que acredita na capacidade do ser humano de fazer o bem e de transformar o mundo, e a missão que disso decorre, isto é, anunciar o amor de Deus que quis associar a criatura humana à obra da Salvação quando deu a cada ser humano o dom da liberdade e da vocação de transformar o mundo com sua vida.

A Igreja no Mundo Atual

 Este capítulo se refere à compreensão do Concílio sobre a atividade da Igreja no mundo. Ao termos presente que a GS é uma Constituição Pastoral, já se anuncia que a Igreja deseja explicitar  sua missão de pastora, aquela que cuida e conduz o rebanho, confiado pelo seu Senhor, neste mundo. Com isto, a Igreja deseja apresentar-se como servidora do mundo, a exemplo de seu Fundador. Eis, pois, a razão do título deste capítulo ser, também, o subtítulo desta Constituição.

Embora convicta de seu fim escatológico, a Igreja de Cristo neste mundo, organizada como sociedade, é uma comunidade visível que deseja caminhar com a humanidade e ajudar, através de seus ensinamentos, a tornar a família humana fraterna e solidária (GS40). Assim, a Igrejaentende que, apesar do desenvolvimento humano e da afirmação de seus direitos, os quais ela proclama e apoia os que os promovem, ela existe para ajudar o homem na busca pelo significado da sua vida, da sua atividade e da sua morte, e na compreensão da Revelação Divina (GS41).

 A Igreja sabe que a missão que lhe foi confiada por Cristo não é de ordem política, econômica ou social, mas de ordem religiosa. Dos apelos do Evangelho surgem as obras sociais de amparo aos necessitados e, além disso, ela se coloca a serviço da humanidade como promotora, orientadora e colaboradora daquelas instituições, pessoas e associações que buscam preservar a dignidade e bem estar de todos. Fiel ao mandato de Cristo, a Igreja anuncia o Plano de amor para a humanidade e denuncia tudo e todos que se opõem a isto (GS42).  Estas palavras foram  de grande incentivo às chamadas Pastorais Sociais que surgiram depois do Concílio, especialmente na América Latina.

O principal destaque deste capítulo está na afirmação de que a Igreja se faz presente no mundo através da ação dos leigos que conscientemente assumem a sua vocação de serviço no mundo como um serviço religioso. Assim, para a Igreja não existe oposição entre ‘fé professada’ e vida ‘cotidiana’. Cabe, pois, aos leigos, evangelizar onde exercem as suas atividades. O texto diz: “Ao negligenciar os seus deveres temporais, o cristão negligencia os seus deveres para com o próximo e com o próprio Deus, e coloca em perigo a salvação eterna”. Assim, serão testemunhas de Cristo exercendo no  mundo sua funçãocomo membros da Igreja. Caberá aos ministros ordenados o ensinamento da mensagem cristã a fim de quetodas as atividades dos fiéis sejam iluminadas pelo Evangelho (GS43).

 Para continuar sua missão e manter sua mensagem sempre atual, a Igreja continuará necessitando do auxílio daqueles que vivem no mundo e conhecem profundamente o espírito e o conteúdo das várias instituições e disciplinas, a fim de alcançar cada vez mais a percepção da Palavra revelada (GS44).

 Todo bem que a Igreja  pode prestar ao mundo deriva do fato de ela ser ‘o sacramento universal da salvação’. Através dela, o próprio Senhor continua a dizer: ‘Eu sou o alfa e o ômega, o primeiro e o último, o começo e o fim’ (Ap 22,12-13) (GS 45). ‘Eis que faço novas todas as coisas…’, esta é a certeza do Evangelho para ‘as aspirações, esperanças e angústias do mundo de hoje’.

 Concluindo, a vocação de todo cristão e também da Igreja é ser sinal do Reino de Cristo no mundo. Muitas são as formas de serviço, mas a principal delas é testemunhar que a vida humana deve ser defendida e protegida. Os leigos devem fazer isso atuando no mundo em todas as oportunidades que tiverem, e a Igreja que, como disse o Papa Paulo VI, é especialista em humanidade, por sua vez, exerce sua missão anunciando e denunciando tudo aquilo que vai contra as propostas do Reino.

  Nota

[1] Cf. Cap. VI do Compêndio da Doutrina Social da Igreja – O Trabalho Humano

Gravura:  Igreja Missionária e Peregrina

Referências Eletrônicas

Constituição Pastoral Gaudium et Spes

CNBB,Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, (docto 62), 1999.

Gonçalves, Alfredo J., A Carta Magna da Pastoral Social

Hummes, D. Cláudio, Cardeal, Contribuições da Gaudium et Spes para a compreensão Pastoral do Homem de Hoje

Pontifício Conselho ‘Justiça e Paz’, Compêndio da Doutrina Social da Igreja

Para refletir:

1)  Qual o sentido do trabalho humano? E por que este sentido tem sido destruído?

2)  Como a vivência da fé influencia o nosso compromisso com as pessoas hoje?

3)  Quais os desafios da Igreja no mundo atual?

4) Viver autenticamente o Evangelho é “estar na mão” ou “na contramão” da cultura pós moderna? Como você entende isso?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 23 de maio – A Dignidade do Matrimonio e da  Família e a Promoção da Cultura (GS04)

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