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Ficha 11 – Vocação Universal da Santidade da Igreja e Índole Escatológica da Igreja – LG (4ª)

| 21/12/2011 | 1 Comentário

Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM 

A Luz dos Povos,  a Luz das gentes 

 Vocação Universal da Santidade da Igreja

e     Índole Escatológica da Igreja (LG  04)

 

Esta décima primeira Ficha,  quarta sobre a LG, aborda os capítulos V e VII sobre a ‘Vocação à Santidade’ e a ‘Índole Escatológica da Igreja’, respectivamente.

 A vocação à Santidade

O capítulo V recorda que todos os cristãos, estejam onde estiverem, são chamados à santidade, isto é, a uma vida de profunda comunhão com o Senhor, e adesão ao  projeto anunciado por Jesus Cristo. Este é o maior testemunho e a maior obra da Igreja! [1]

Falar da vocação à santidade universal da Igreja significa refletir no chamamento à santidade do Povo de Deus. Cremos que a Igreja é indefectivelmente santa, pois Cristo a amou como esposa, entregou-Se por ela, para santificá-la (cf. Ef 5,25-26), e uniu-a a Si como Seu corpo, cumulando-a com o dom do Espírito Santo. Esta santidade  se manifesta nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis; exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com edificação do próximo; e aparece de modo especial na prática dos conselhos chamados evangélicos. A prática destes conselhos, develevar ao mundo um admirável testemunho e exemplo desta santidade (LG 39).

 Cristo, Mestre e modelo de perfeição, sempre pregou a santidade de vida que Ele é autor e consumador: “Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste” (Mt 5,48). Todos aqueles que no batismo da fé foram feitos verdadeiros filhos de Deus e participantes da natureza divina, são destinados à santidade que receberam na graça, devendo conservá-la e aperfeiçoá-la. Sejam os clérigos, os religiosos ou os leigos, todos são igualmente chamados à santidade, cada qual, de acordo com seu estado de vida. A LG exorta toda a Igreja a viver conforme a santidade pregada por Cristo, consistente no amor incondicional a Deus e ao próximo, na caridade e fraternidade, na prática constante da oração e no exercício das virtudes cristãs (LG 40).

 Escrevendo sobre a santidade, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, lembra:

“Desde a Antiga Aliança, com os Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: ‘Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo’” (Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26), e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd 1,15-16).”[2]

Os caminhos e os meios para a santidade passam, em primeiro lugar, pela caridade que Deus difundiu em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado; em seguida, para que a caridade frutifique, é necessária a escuta atenta da Palavra de Deus e, com seu auxílio, cumprir nas obras a Sua vontade; participar ativa e frequentemente dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, e nas demais celebrações litúrgicas, aplicando-se constantemente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço fraterno atuante e no exercício de todas as virtudes (LG 42).

Especialmente os cristãos, leigos e leigas, são chamados a viverem a santidade nos espaços onde estão inseridos. A começar pela família, a Igreja doméstica,  os esposos devem viver a santidade no amor mútuo e no serviço um ao outro e aos filhos, proporcionando-lhes educação cristã que os insira no mundo como sal e luz. No trabalho, na política e na sociedade, homem e mulher são chamados a darem testemunhos das virtudes cristãs e de uma fé inabalável na presença salvífica do Senhor na História. Assim testemunharão a santidade da Igreja presente no mundo como luz para iluminar aqueles que jazem nas trevas.

Viver a vocação cristã é estar aberto ao chamado de Deus para realizar o que Ele pede, tal como na oração do Pai nosso que rezamos: ‘seja feita a Vossa vontade’.

Índole escatológica da Igreja

O capítulo VII aborda a índole escatológica da Igreja. Etimologicamente, escatologia diz respeito à teologia do final dos tempos, mas isso não significa que a Igreja pregue o fim do mundo. Para a doutrina católica, a escatologia diz respeito à promessa da vinda de Cristo quando, então, Ele resgatará todos, definitivamente, para o seu Reino. Enquanto isso, a Igreja espera dando testemunho de que o Reino já está entre nós. Disso nasceu a imagem da Igreja peregrina ou militante!

O texto da carta aos Filipenses (1,20-24) expõe de maneira clara que, se o Reino é o lugar definitivo para o cristão, ‘‘o morrer é lucro”, mas todos tem a missão de viver e testemunhar Cristo na Terra, enquanto viventes. Paulo reflete: “Fico na indecisão: meu desejo é partir desta vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. “No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver” (Fl 1,23-24).

No comentário de D. Henrique Soares da Costa, bispo auxiliar de  Aracaju, lemos o seguinte sobre a Índole escatológica da Igreja:

“Sendo Povo de Deus peregrino, a Igreja nunca pode esquecer que sua pátria é o céu e é para lá que ela deve conduzir a humanidade toda. Por isso mesmo, ela tem um papel importantíssimo neste mundo, que ninguém, a não ser ela, pode realizar: ser sinal do Reino que está para acontecer plenamente na glória. A Igreja deve despertar nos homens a saudade do céu e a fidelidade ao Cristo na terra! Por isso, tudo quanto de bom os homens construírem, tem a aprovação e solidariedade da Igreja… mas ela sabe, que a plenitude do Reino somente se dará na Glória”[3].

Esta ‘saudade do céu’ que o bispo descreve, não é de forma alguma negação deste mundo, mas certeza e esperança de que ele deve ser transformado segundo os critérios do Reino. Disso nasce a missão da Igreja de empenhar-se junto a outros organismos sociais na construção de uma nova sociedade. Nesta perspectiva, os cristãos são chamados a se engajarem em movimentos alternativos que assegurem maior dignidade aos filhos de Deus. Uma música das CEB’s diz: “Queremos terra na terra, já temos terra no céu!”. É a certeza de que a maior Glória que pode ser dada a Deus é que a vida de seu povo seja defendida! [4]

Ao adentrar na Índole Escatológica da Igreja peregrina e sua união com a Igreja Celeste, a LG inicia pela índole escatológica da vocação de todos os cristãos, na Igreja, explicitando que, ‘a Igreja, para a qual somos todos chamados em Cristo Jesus e na qual pela graça de Deus adquirimos a santidade, só se consumará na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas (At 3,21), e quando com o gênero humano, também o mundo todo, que  está ligado intimamente com o homem e que por ele chega ao seu fim, será perfeitamente restaurado em Cristo.’ Esta restauração começou já em Cristo, foi impulsionada com a vinda do Espírito Santo e continua por meio d’Ele na Igreja – que nos faz descobrir na fé o sentido da própria vida temporal – à medida que vamos realizando, com esperança nos bens futuros, a obra que o Pai nos confiou no mundo, e vamos operando a nossa salvação (LG 48).

Enquanto estamos neste mundo como Igreja peregrina, nós nos mantemos profundamente unidos aos que já morreram e que contemplam “Deus face a face” na Igreja Celeste, através das celebrações litúrgicas e orações pessoais; e à multidão de santos e santas que nos precedeu e intercede por nós. Todos os que são de Cristo formam uma só Igreja, corpo místico, e n’Ele estão unidos entre si, por isso, a união dos que estão na terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo, de maneira nenhuma se interrompe. A certeza desta união e os santos exemplos deixados por aqueles que seguiram fielmente a Cristo e muitos que o fazem ainda hoje, ajudam na santificação da Igreja, pois, todos aqueles que são constituídos em Cristo formam uma só família unida em caridade e louvor à Trindade Santa (LG 49-51).


E-referência

Costa, Henrique Soares da, Dom: A Lumen Gentium

João Paulo II, Parusia – A Segunda Vinda de Cristo  – Jornal L’Osservatore Romano, n. 17 de 25/4/1998, transcrito em  http://www.universocatolico.com.br/index.php?/parusiaasegundavindadecristo.html

Madalena, Gabriel de Sta. Maria. Vocação a Santidade em Intimidade Divina. São Paulo: Loyola, 1988, pp. 25-26, transcrito em  http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=3186

Pe. Reinaldo, Eucaristia é Parusia

 

Para refletir:

  1. Somos chamados à santidade em Cristo. Como podemos e devemos atender a este chamamento?
  2. Ao falar de índole escatológica, a Igreja prevê que no futuro, no final dos tempos, haverá uma restauração de todas as coisas. Como você entende esta afirmação?
  3. O que você aprendeu nesta ficha e que não conhecia anteriormente? Isso vai interferir no seu modo cristão de viver, a partir de então? Por quê?

 

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 28 de Dezembro: 28 de Dezembro: A Bem-Aventurada Virgem Maria (BLOCO 03 – Tema: Lumen Gentium)

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