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Ficha 21: A Dignidade do Matrimônio e da Família, e a Promoção da Cultura – GS (4ª )

| 23/05/2012 | 2 Comentários

Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES (GS)

Sobre a Igreja no mundo de hoje


 

Esta 21ª Ficha aborda sobre as reflexões pastorais e orientações que a Igreja quis manifestar sobre algumas realidades e/ou ’problemas mais urgentes’ que afetam profundamente a humanidade, especificamente “A promoção da dignidade do matrimônio e da família” e “A reta promoção da cultura”, citados nos capítulos I e II da 2ª parte da GS. Estas reflexões pastorais e orientações da Igreja se concluirão na próxima Ficha, em que serão abordadas as questões relativas à vida socioeconômica e política, à comunidade internacional e à paz universal, sobre as quais devem resplandecer os princípios e as luzes de Cristo para iluminar os homens na busca de soluções.

 A Dignidade do Matrimônio e da Família

Toda pessoa humana nasce de uma família humana, aquela pensada pelo Criador a partir da união do homem e da mulher, colaboradores de Deus na obra da criação; e toda família deve ser construída sobre a comunhão e o amor, tal qual a Santíssima Trindade, sendo considerada a primeira manifestação da comunidade humana, cuja expressão do amor maior se manifesta na geração de uma nova vida. Com Cristo, a família alcança nova dimensão no Sacramento do Matrimônio, marcado pela entrega, renúncia e doação que Cristo dedicou à humanidade. Neste sentido, Cristo é o esposo, cuja esposa é a Igreja. Cristo, aquele que ama, redime e cuida da Igreja, torna-se modelo de relação matrimonial.

Para a Igreja, o matrimônio e a família são instituições fundamentais para a preservação da vida e para a constituição e a manutenção da sociedade, por isso se compromete na defesa contra a poligamia, o divórcio, o amor livre, o egoísmo, o hedonismo e o controle de natalidade. E afirma, ainda, que as condições econômicas, sociais e políticas também causam diversas perturbações na família e na sociedade. Ela entende a família como uma escola de humanização que orienta os filhos para seremcapazes de seguir com responsabilidade a sua vocação, por isso, exorta toda a  sociedade e especialmente os cristãos a promoverem a dignidade do matrimônio e da família, a fim de garantir que a sociedade possa se perpetuar segundo os valores da vida.

Em 1973, o Papa Paulo VI criou o Comitê para a Família e, em 1981, o Papa João Paulo II instituiu o Pontifício Conselho para a Família, responsável pela promoção deste apostolado e pela divulgação do magistério eclesial, que organizou o primeiro Encontro Mundial das Famílias [1] em Milão, na Itália,  no Ano Internacional das Famílias (1994), lançando, desde a sua criação, vários documentos sobre a família, sendo o primeiro deles a Exortação Apostólica Familiaris Consortio “sobre a função da família cristã no mundo de hoje” (1981) que, na sua quarta parte, indica orientações para a intensificação da Pastoral Familiar. Ela destaca o cuidado com as  mais variadas situações que atingem as famílias, o que se caracteriza como um grande desafio à Igreja, que são: os matrimônios mistos, as uniões civis, as segundas uniões, os divorciados e os sem família. Esta preocupação com a dura realidade de muitas  famílias contribuiu para a solidificação da Pastoral Familiar e dos vários movimentos familiares, que já existiam na maioria das dioceses. Em 1983, a Santa Sé publicou a Carta dos Direitos da Família, como um grande apelo às autoridades e à sociedade civil  para protegerem e garantirem os direitos da família.

Todas as Conferências Episcopais Latino-Americanas (CELAM) valorizaram a família e incentivaram a promoção da Pastoral Familiar. Especialmente, a Conferência de Aparecida tratou dos desafios que se apresentam à família, como a desvalorização das tradições culturais; o surgimento das “ideologias de gênero e a subjetividade individual” que enfraquecem os vínculos comunitários; o exacerbado apego aos bens materiais; e o desrespeito à dignidade humana, no que se refere à falta de condições básicas como trabalho, moradia, educação, saúde e transporte.

No Brasil, a Comissão Nacional da Pastoral Familiaré responsável pela coordenação e animação da Pastoral Familiar nas dioceses, e em algumas delas já existe o Acolhimento aos casais de segunda união.

A Promoção da Cultura

 A GS é o primeiro documento eclesial que faz uma reflexão pastoral sobre a importância da cultura na vida dos mais variados povos. Os bispos afirmam que as ‘culturas’representam o patrimônio das comunidades humanas, nas quais, no processo de integração, vão se ligando umas às outras através da comunicação e das relações comerciais, propiciando a divulgação e o progresso das mesmas. Na edificação de um mundo mais fraterno e humano, a Igreja, ao destacar a importância da cultura na vocação integral do homem, indica que o conhecimento pode e deve ajudar a humanidade a elevar as concepções mais sublimes da verdade, do bem e da beleza. A cultura contribui para que o ser humano construa uma sociedade fundamentada na verdade, na justiça e na responsabilidade.

Quanto às ciências, elas contribuem muito para o crescimento da cultura nos vários países e no mundo. Dentre os valores positivos, se pode citar o gosto pelasinvestigações, a necessidade de mútua colaboração entre os pesquisadores, o sentimento da solidariedade internacional em vista da promoção da dignidade humana, especialmente dos mais necessitados. Por outro lado, a especialização e o progresso da técnica e da ciência acabam não penetrando até às causas últimas das coisas e levam o homem a julgar que se basta a si mesmo, deixando de lado a procura pela transcendência.

A Igreja lembra que entre a mensagem da salvação e a cultura humana existem muitos laços, pois Deus falou segundo a cultura própria de cada época, e ela mesma emprega os recursos das diversas culturas para fazer chegar a todas as gentes a mensagem de Cristo, e se esforça para entrar em comunicação com as diversas formas de cultura, promovendo um enriquecimento mútuo. Para ela a cultura deve orientar-se para a perfeição integral da pessoa humana, para o bem da comunidade e de toda a sociedade.

Entendendo que a cultura exige respeito, liberdade e autonomia para se desenvolver, a Igreja exorta as autoridades públicas a favorecerem e colaborarem para o desenvolvimento cultural. De forma surpreendente, a Igreja apregoa que todos têm o direito à cultura e ao pleno desenvolvimento conforme as qualidades e tradições próprias de cada um, independentemente de raça, sexo, nação, religião ou situação social. Na perspectiva de outros documentos do Vaticano II, a Igreja manifesta que a cultura é um bem inestimável e que ela é fundamental para promoção da fraternidade e da dignidade humana.

O Concílio exorta a necessidade de uma estreita união entre os homens, buscando a compreensão do  modo de pensar e sentir expresso por cada cultura, conciliando os novos conhecimentos das ciências e das doutrinas, a fim de que a prática religiosa e a retidão moral acompanhem neles o conhecimento científico e o progresso técnico, e sejam capazes de apreciar e interpretar todas as coisas com autêntico sentido cristão. De modo bastante pertinente, o Papa João Paulo II  lembrou que: “a ciência pode purificar a religião do erro e da superstição, e a religião pode purificar a ciência das falsas verdades absolutas”.

Em 1982, o Papa João Paulo II criou o Pontifício Conselho para a Cultura que emana orientações  sobre a ação da Igreja no campo da Cultura, sendo a principal delas ‘‘Para uma Pastoral da Cultura’ (1999).

No Brasil, a Comissão Episcopal para Educação e Cultura, da CNBB, é a responsável pela organização e animação pastoral da cultura nos três setores, os quais ela está subdividida: Universidade, Educação e Ensino Religioso.

Nota

[1] O Encontro Mundial das Famílias é realizado a cada três anos. O Brasil o acolheu, em 1997, no Rio de Janeiro. Em 2012, ele será realizado novamente em Milão, Itália.

 Referencias Eletrônicas

 Conselho Pontifício para a Família – Carta dos Direitos da Família (em espanhol)(em português)

Conselho Pontifício Da Cultura Para Uma Pastoral da Cultura

Conselho Pontifício Da Cultura Presença da Igreja na Universidade E na Cultura Universitária

Compêndio da Doutrina Social da Igreja

João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio

João Paulo II, Carta às Famílias

Paulo VI  Exortação Apostólica Evangelli Nuntiandi

Para refletir:

1) Qual a importância da família cristã na sociedade moderna?

2) Na sua opinião, em quais aspectos a dignidade do matrimônio e da família devem ser defendidos e/ou promovidos?

3) Você concorda que o acesso à Cultura é um direito humano, tal qual expressa a GS?

4) Porque na GS a Igreja considera que Ciência e a Cultura são importantes no desenvolvimento social?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 06 de junho – Desenvolvimento econômico, politico e social:  o  Novo nome da Paz (GS05)

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