Ficha 4: Formação Litúrgica – SC (2ª)

| 14/09/2011 | 1 Comentário

Ficha 4 : Formação Litúrgica (2ª da  S. C. )

Este texto sobre a Formação Litúrgica completa o estudo da ficha anterior, referente ao primeiro capítulo da SC: Os princípios gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia.  Ele aborda os tópicos II e V nos quais podemos perceber a nova mentalidade que surgia graças ao Concílio Vaticano II. Estes textos lembram que além da  Missão  de  Santificar, a Igreja também tem a  Missão de Ensinar o Povo de Deus, daí a importância da formação litúrgica dos cristãos e a criação de um estrutura pastoral [1] dedicada à Pastoral Litúrgica nas dioceses e paróquias.

No tópico II – Necessidade de promover a Educação Litúrgica (parágrafos 14-20), o  texto indica que a participação ativa na celebração é um direito e um dever de todos os fiéis. Todavia, para que isto aconteça, é fundamental que haja formação litúrgica, começando pelo clero que, por sua vez, deve multiplicar a formação aos agentes de pastoral e ao povo. Esta ação se insere na grande preocupação do Concílio, de renovar a Igreja e fazer com que a sua prática e o seu discurso sejam significativos ao homem moderno.

No tópico V – A promoção da ação Pastoral Litúrgica (parágrafos 43-44), são apresentadas as condições para que a Pastoral Litúrgica possa se desenvolver e atinja seu objetivo: o cuidado espiritual do Povo de Deus, a quem os Ministros Ordenados existem para servir. O Concílio determinou que em todos os países fossem criados uma Comissão Litúrgica – com especialistas em Liturgia, Música Sacra e Pastoral – e um Instituto de Liturgia Pastoral; e estas duas estruturas deveriam ser reproduzidas nas dioceses e nas paróquias.

Atualmente, é impensável que em uma comunidade e/ou paróquia inexista uma ‘equipe’ de liturgia, ou que não haja a preocupação com a formação litúrgica dos agentes de pastoral, mas esta é uma realidade do nosso tempo. Na época do Concílio não era assim! A própria noção de ‘equipe pastoral’ só nasceu depois deste importante evento que, diferentemente dos outros, preocupou-se muito com a ‘pastoral’.  Esta foi a grande mudança em relação aos outros concílios. Nesta nova forma de organizar a ação eclesial, a Pastoral Litúrgica foi uma das primeiras equipes a serem criadas nas dioceses e paróquias. Com isso, pode-se dizer que as mudanças litúrgicas, sugeridas e implantadas ao longo desses cinquenta anos, contribuíram para fortalecer a nova concepção de Igreja como ‘Povo de Deus’.  Se hoje existem equipes, nas paróquias e comunidades, é porque o Concílio as incentivou e indicou orientações para isso. Também, foi em função da organização pastoral que a Igreja determinou que os Livros Litúrgicos: Missal, Lecionários, Rituais Sacramentais, fossem traduzidos  para as línguas locais. Outra importante orientação do Concílio foi que os bispos considerassem a possibilidade de fazer adaptações das culturas locais na Liturgia.

A Pastoral Litúrgica tem sido uma preocupação presente nas quatro últimas Conferências do Episcopado Latino Americano (CELAM) pós Vaticano II. A Conferência de Medellín (Colômbia – 1968) dedica vários artigos à SC e destaca a necessidade do empenho do clero para que a renovação leve em conta a variedade das culturas locais e sirva para formar e fortalecer as comunidades. A Conferência de Puebla (México – 1978) destaca a importância da Liturgia como um meio para a comunhão e para a participação dos fiéis, bem como reforça a necessidade do empenho de todos para que as reformas propostas aconteçam. Na Conferência de Santo Domingo (República Dominicana – 1992), dentre os três objetivos estabelecidos está o de prosseguir e aprofundar as orientações de Medellín e Puebla, e definir uma nova estratégia de evangelização para os próximos anos, respondendo aos desafios do tempo. Já a Conferência de Aparecida (Brasil – 2007), ao destacar a necessidade de formar os discípulos missionários, implicitamente indica a importância da formação litúrgica, principalmente no que diz respeito a celebrações litúrgicas como lugar de Encontro com o Cristo.  Neste sentido a pastoral litúrgica tem um papel muito importante na formação dos discípulos missionários.

Conforme a SC – Ficha 1 – Sagrada Liturgia, em 1963 foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a linha 4 do Plano de Pastoral de Conjunto, denominada Dimensão Litúrgica, que logo depois tornou-se a Comissão Nacional de Liturgia (CNL). Esta promoveu visitas e cursos em várias Dioceses, de tal modo que, rapidamente, houve a crescente implantação das novas orientações litúrgicas no Brasil, o que produziu uma multiplicação de Equipes de Liturgia capazes de preparar as Celebrações Sacramentais e, especialmente, a Missa, e escolher os cantos litúrgicos apropriados. Atualmente,  o organismo responsável pela Liturgia é a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.

Na perspectiva de promover o direito do povo de celebrar sua fé nos domingos, o Concílio permitiu que todas as comunidades pudessem se reunir nas Celebrações da Palavra, mesmo sem a presença do padre, o que contribuiu para fortalecer e multiplicar as comunidades, especialmente na América Latina.

Como a SC autorizou o uso da língua pátria nas celebrações, a CNBB promoveu um trabalho extraordinário na tradução dos rituais, e na produção de orientações e documentos relativos aos sacramentos. Em  fins de 1974, lançou dois documentos Pastoral da Eucaristia e Pastoral dos Sacramentos da Iniciação Cristã; em 1976,  Pastoral da Penitência e Pastoral da Música Litúrgica no Brasil; em 1977, Diretório para missa com grupos populares; em 1978, Orientações Pastorais sobre o Matrimônio; em 1979,  Pastoral da Unção dos Enfermos;  em 1980, Batismo de Crianças, e em 1989, o Documento 43 – Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Todos estes documentos contribuíram para a unidade pastoral e para a formação dos agentes da Pastoral Litúrgica. Em 2002 a publicação da Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) escrito pela Santa Sé, também muito contribuiu para a formação das Equipes de Liturgia. Destes, o Documento 43 da CNBB: Animação da Vida Litúrgica tornou-se referência para a formação das equipes de liturgia nas comunidades e paróquias, e continua até nossos dias sendo o guia para muitos cursos sobre Liturgia.

As Celebrações Litúrgicas oferecem um profundo ensinamento espiritual numa dimensão formativa que não se dá através das práticas pedagógicas, mas da mistagogia, isto é,  o cristão é inserido no mistério de Cristo e, por conseguinte, da Igreja, Povo de Deus, através da participação ativa nas celebrações. É através dos sinais litúrgicos e, especialmente, através dos sinais sensíveis e visíveis da fé, os Sacramentos, que a comunidade e cada singular cristão experimenta o divino em sua vida. Por isso, a participação nas celebrações não deve ser vista como uma obrigação, mas como fonte e ápice da vida cristã. Na Liturgia os fiéis celebram a fé e são impelidos a viver a prática cristã no cotidiano, dando testemunho por atos e palavras daquilo que dizem crer!


1 – A palavra pastoral deriva de pastor. Ação pastoral católica ou simplesmente pastoral é a ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja realiza a sua missão, que consiste primariamente em continuar a ação de Jesus Cristo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Liturgia em Mutirão – CNBB

Liturgia em Mutirão: subsídios para a formação/2007 – CNBB

Liturgia em Mutirão II: subsídios para a formação/2009 – CNBB

Ione Buyst, Equipe de liturgia, Ed. Paulinas

REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

Equipe de Liturgia:  Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 40

 A  Mística  da  Reunião  Litúrgica:  Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 33

 Catequese  e  Liturgia: Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra –  Ficha 80

 Zelo Litúrgico: Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 79

Pastoral da Música Litúrgica no Brasil

Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Documento 43

Instrução Geral sobre o Missal Romano

Liturgia  em Mutirão- Rede Celebra – CNBB

Fichas Liturgia em Mutirão – CNBB

 Para refletir:

  1. Por que se considera que a Celebração da Liturgia é uma escola de Santidade?
  2. As equipes de liturgia que você conhece se preocupam em ajudar o povo a rezar?
  3. Quais os pontos que você julga fundamentais na formação dos agentes da Pastoral Litúrgica?
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Aguarde a publicação da próxima ficha: Dia 28/09 –  Tema: Sacramentos e Sacramentais

 

 

 


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