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Ficha 99 – O Rosto Materno da Misericórdia – (5ª)

| 08/12/2015 | 0 Comentário

F. 99A 5ª e última Ficha sobre o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, propõe uma reflexão sobre a missão de Maria e de todos os que se colocam a serviço do reino, especialmente os santos e santas abordadas na Bula Misericordiae vultus. Ela, que ao encarnar em sua vida o Verbo de Deus, contribuiu para que a  Igreja e o mundo  conhecessem o rosto materno da misericórdia.

A figura de Maria sempre foi de extrema importância para  a Igreja, a qual, através de seu magistério, a apresentou como modelo de fidelidade cristã. O  Concílio Vaticano II também dedicou um capitulo todo à Mãe de Jesus: “A Bem-Aventurada Virgem Maria no mistério de Cristo e da Igreja”, da Lumen Gentium, colocou Maria em sua relação com Cristo e com a Igreja na história da salvação. Na Exortação Apostólica Marialis Cultus, o Papa Paulo VI, na mesma linha do Vaticano II, reafirma a importância da Virgem Maria na Vida da Igreja,  apresentando justificativas bíblicas e teológicas para o culto mariano.  Na oportunidade da festa litúrgica da Imaculada Conceição, desse ano, o Papa Francisco propõe à Igreja um tempo especial da graça do Senhor. Um verdadeiro kairós de misericórdia para todos, a fim de se tornar um tempo novo de conversão, que pede um novo modo de relação humana com as pessoas, com as coisas criadas e com o Criador, e assim, redescobrir a alegria da ternura de Deus.

Virgem Maria, a mãe da misericórdia

A Virgem Maria foi escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, e preparada desde sempre pelo amor do Pai, para ser Arca da Aliança entre Deus e os homens. Guardou, no seu coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus e conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor. O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia de Deus, que se estende «?de geração em geração?» (Lc 1, 50), como um ato de quem confia plenamente no projeto de Deus. Podemos dizer que também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas da Virgem Maria, e o que Deus realiza nela, continua a realizar hoje em nós: sua misericórdia infinita. Isto nos servirá de conforto e apoio no momento de atravessarmos a Porta Santa para experimentar os frutos da misericórdia divina.

Em Maria resplandece o projeto divino sobre a criatura humana. Nela encontramos atitudes preciosas e universais, modelo para todos os fiéis, homens e mulheres: primeiramente a fé, como abertura amorosa para o Outro (Lc, 1,38); a disponibilidade para amar e servir o próximo (Lc 1,39); a humildade, que reconhece a sua radical pobreza e nela se alegra, porque lhe permite depender inteiramente de Deus (Lc 1,46-47); a castidade, que liberta da luxúria, abrindo-a para as verdadeiras alegrias da vida, na realização da vocação ao amor e à maternidade (Lc 1,32); a solidariedade, que intui e sai ao encontro das necessidades alheias (Lc 1,56; Jo 2,3); a fidelidade, totalmente voltada para fazer a vontade de Deus, ao assumir a tarefa de realizar a vida nova em Cristo (Lc 1,46-55);  a fortaleza moral, que sustenta a esperança nas horas de dor (Lc 2,7; Mt 2,14; Jo 19,25); a comunhão, que conserva unida a família e a comunidade (At 1,14). Assim foi Maria, mulher do sim incondicional a Deus, que podemos contemplar, a partir dos dados da Escritura e da tradição; uma mulher  íntegra, livre e libertadora; não apenas como mãe, por ter gerado a Cristo, mas como  aquela que acompanha fielmente o Filho, com total dedicação, e sempre  apontando para a pessoa dele: “Façam o que ele mandar” (Jo 2,5).

As mulheres e a misericórdia

O Papa Paulo VI, na Marialis cultus, propõe Maria como ícone para a mulher que busca na figura evangélica e profética de Maria conotações que correspondam a seus ideais específicos de libertação, de como transformar a realidade injusta de exclusão, discriminação, desigualdades e incompreensão, realidade tão sofrida por grande parte das mulheres do nosso tempo. A entrega total de Maria, sua fé e fidelidade, devem penetrar toda a vida cristã, ensinando a não aceitar passivamente as injustiças e a alienação, mas a lutar por um mundo mais justo e humano. O papa Francisco tem exclamado que “ninguém pode permanecer inerte frente à necessidade urgente de cuidar da dignidade da mulher, ameaçada pelos fatores culturais e econômicos!” Causados pela indiferença, pobreza, escravidão, tráfico humano, prostituição, mercantilização do corpo, violência familiar e social,  desvalorização da maternidade e da família, etc. É um grito ao qual nem a Igreja e nem as instituições eclesiais podem fechar os ouvidos, recordando que a misericórdia é o ato supremo com o qual Deus vem ao encontro, é o caminho que abre o coração à esperança de sentirem-se amadas, respeitadas e valorizadas; inclusive no sentido de oferecer um ampliado espaço para elas na Igreja. Quantas Marias, a começar por Maria Madalena, anunciaram Jesus ao mundo! Quantas Marias não estão agora na família, no trabalho nas nossas comunidades paroquiais, cuidando com zelo, disponibilidade, alegria e profecia! Por isso, o Fiat e o Magnificat são uma resposta de Maria à misericórdia do Pai, para com os que reivindicam os direitos de Deus, e com isso, sinal da misericórdia para com todos. Sabe compadecer das fraquezas humanas e  jamais, cessa de interceder por nós junto ao seu filho, como a mãe da misericórdia. Seu projeto evangelicamente revolucionário continua propondo mudanças, de ordem material, moral, social, espiritual ou mesmo de conversão pessoal e comunitária de todos aqueles que querem ser discípulos/as de Cristo.

Nossa Senhora na vida da IgrejaF. 99b

O Papa João Paulo II na Encíclica Redemptoris Mater, acentua Maria no centro da vida da Igreja: “existe uma correspondência singular entre o momento da Encarnação do Verbo e o momento do nascimento da Igreja” , e conclui que ela está constantemente na caminhada de fé do Povo de Deus. Seja através da piedade popular e das devoções, nos diversos títulos, gestos, romarias, santuários, orações e cânticos marianos.  “A Igreja mantém em toda a sua vida, uma ligação com a Mãe de Deus que abraça, no mistério salvífico, o passado, o presente e o futuro; e venera-a como Mãe da humanidade”. A renovação trazida pelo Concílio Vaticano II, inseriu a memória mariana no ciclo litúrgico anual dos mistérios de Cristo, como: Maria no advento; Maria no tempo do Natal; Maria na Anunciação do Senhor; Maria ressuscitada e assunta ao céu, referente às principais verdades dogmáticas proclamadas pelo magistério eclesial.

A Virgem, que no Natal permitiu que a misericórdia de Deus se encarnasse, ao pé da cruz, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus, que não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém.

Nós a invocamos na antiga, e sempre nova, oração da Salve-Rainha,   pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus. E a nossa oração estenda-se também a tantos Santos e Santas,  Beatos e Beatas, que souberam viver de modo misericordioso; em particular, o pensamento volta-se para a grande apóstola da Misericórdia, Santa Maria Faustina Kowalska. Ela, que foi chamada a entrar nas profundezas da misericórdia divina, interceda por nós e nos obtenha a graça de viver e caminhar sempre no perdão de Deus e na confiança inabalável do seu amor.

A Igreja como mãe misericordiosa

Como na Lumen Gentium, a Conferência de Puebla apresenta Maria como “Mãe e modelo da Igreja”, e recentemente em Aparecida, modelo de discípula missionária, nela o Evangelho penetrou a feminilidade, redimiu-a e exaltou-a (DP 299). “A mãe de Deus  é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo.  À sua imagem, a Igreja contemplando a santidade misteriosa de Maria, imitando a sua caridade, e cumprindo fielmente a vontade do Pai, pela palavra de Deus  fielmente recebida, torna-se também ela mãe: pela pregação da Palavra e pelo Batismo gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus” (LG 63-64). Como mãe, a Igreja gera para uma vida de comunhão com Deus e com todos os seus filhos, que pelo batismo, são incorporados ao Corpo de Cristo; alimenta com o pão da Palavra de Deus, que ela transmite como maior tesouro que lhe foi confiado, e o pão da Eucaristia que incorpora-nos a Cristo, tornando-se o pão da vida; perdoa os pecados pelo sacramento da penitência, reconciliando-nos com Deus através da reconciliação com os irmãos. Em sua maternidade santa e fecunda faz nascer Cristo em nós, gerando sempre novas criaturas, sobretudo os santos e santas que souberam fazer da misericórdia sua missão vital. É o lugar onde se manifesta e atua de maneira visível e eficaz, o amor misericordioso de Deus, manifestado em Jesus Cristo, e que ela na atualidade, sente fortemente, a urgência de anunciar.

Que a Mãe da Misericórdia, nos acompanhe neste Ano Santo Jubilar, e que as palavras do Magnificat  nos ajudem a transformar relações e sentimentos, atitudes e práticas sintonizadas com o Evangelho da Misericórdia. E que as grandes coisas, que Deus realizou em Maria, sejam realizadas também na Igreja, para que ela nunca se canse de oferecer misericórdia, sendo sempre paciente para acolher, confortar e perdoar, principalmente os que mais precisam.

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Para Refletir:

1) Quais os desafios hoje, para quem busca fazer a vontade de Deus?

2) Como a figura de Maria pode inspirar a Igreja e a cada um de nós a viver e a experimentar da misericórdia de Deus?

3) A nossa devoção à Maria tem também o aspecto de compromisso com os pobres e injustiçados?

 

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