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Ficha 97 – Ação Evangelizadora e Misericórdia “Misericordiosos como o Pai” (3ª)

| 12/11/2015 | 0 Comentário

F.97Esta Ficha reflete sobre a razão da existência da Igreja no mundo  e, por consequência, de cada um dos cristãos, o que remete à missão de toda a Igreja, que está relacionada às várias orientações ou mandatos que Jesus ressuscitado dá a seus discípulos, dentre eles, para que se mantenham unidos e anunciem a Boa Nova do Reino (Evangelho Mt 28,19-20; Mc 16,15; Jo 17,17-22).

O Concílio Vaticano II definiu que a Igreja é “como que sacramento” de Cristo, Luz dos Povos, isto é, ela existe para indicar que o Reino já está entre nós no mundo, mas ainda não de forma definitiva. Esta tensão, entre a presença do Reino e o fato de que ele ainda há de vir, pede que a Igreja seja testemunha, através de atos e palavras, da fé que anuncia, e busque formas de evangelizar que correspondam às reais necessidades de cada tempo e lugar.  Não há como negar que muitas vezes, até sem perceber, a Igreja se afasta de sua missão e tem dificuldades para ser sinal do Reino que ela deve anunciar. Apesar das dificuldades, deverá ser sempre o lugar da graça misericordiosa de Deus.

Ação Evangelizadora e Misericórdia

O Papa Francisco ao proclamar o Jubileu Extraordinário, através da Bula Misericordiae Vultus (MV), recorda os ensinamentos da Encíclica Dives in Misericórdia (DM), sobre a urgente missão de  anunciar e testemunhar a misericórdia na cultura atual, que parece opor-se ao Deus da misericórdia, na tendência de separá-la e tirá-la da vida e do coração humano. Ele deseja que a Igreja reencontre o sentido da missão que o Senhor lhe confiou no dia da Páscoa: ser sinal e instrumento da misericórdia do Pai (Jo 20,21-23).

A Exortação Evangelli Nuntiandi (EN), sobre a Evangelização do Mundo  Contemporâneo, resgata a interpretação sobre a Missão  proposta pelo Concílio Vaticano II e enfatiza que evangelizar vai muito além da promoção de ações pastorais para as pessoas que buscam as paróquias e as comunidades. Evangelizar é ir ao encontro dos que aspiram pela Boa Notícia do Reino e apresentar-lhes a pessoa de Jesus Cristo, não só através da Palavra, mas fundamentalmente com o testemunho pessoal  e comunitário,  o que desencadeou a “Nova Evangelização”,  como uma nova compreensão da missão eclesial. Em razão disso a EN se constitui como eixo fundamental do magistério, e ainda se configura como uma das principais inspirações para textos sobre a Missão da Igreja, especialmente a Encíclica Redempotoris Missio (RM), a Exortação Evangelii Gaudium (EG) e a Bula Misericordiae Vultus que apresentam uma Igreja mais próxima das realidades humanas, mais misericordiosa, essência de Deus e da Boa Nova da Salvação, e que apontam provocações desafiadoras à ação evangelizadora.

Nesse sentido, toda a ação evangelizadora deve estar fundamentada nos ensinamentos de Jesus Cristo, que, segundo Lc 4,17-20, atualizam as palavras do profeta Isaías: levar uma palavra e um gesto de consolação aos pobres; anunciar a libertação aos prisioneiros das novas escravidões da sociedade contemporânea; devolver a vista a quem já não consegue ver porque vive curvado sobre si mesmo; e restituir a dignidade àqueles que dela se viram privados. A Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar dessas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Será determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe ela mesma, essa misericórdia, para penetrar no coração das pessoas e desafiá-las a voltar para os braços do Pai.

Misericordiosos como o Pai

O Ano Santo tem como lema: “misericordiosos como o Pai”. Ele refere-se ao ensinamento de Jesus, que diz: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).  Trata-se de um programa de vida para todos os que, ouvindo sua voz, são chamados a se tornar misericórdia. Isso significa adquirir a perfeição do amor do Pai, aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.  Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará” (1Cor 13,4-8). A misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas também a sua manifestação na ação de seus filhos, uma vez que todos são chamados a vivê-la. Ensina que, para ser capaz de misericórdia, é preciso colocar-se à escuta da Palavra de Deus e no silêncio interior meditá-la, contemplando o mistério em sua plenitude e assumi-la como próprio estilo de vida, rico de alegria e paz.

Por isso, o papa convoca todos os batizados a uma conversão missionária, pede uma Igreja em saída para testemunhar a alegria do Evangelho, principalmente àqueles que se encontram na tribulação, sozinhos e abandonados, sem esperança de serem perdoados e de sentirem-se amados pelo Pai. Será para a Igreja uma oportunidade de retomar os ensinamentos do Concílio Vaticano II, sendo mais atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, profética e samaritana.

Lugares da misericórdia

Em todos os lugares onde a Igreja estiver presente,  deve ser evidente a misericórdia do Pai,  mostrando que nela qualquer pessoa pode encontrar um oásis de misericórdia. Nas paróquias, comunidades, associações e nos movimentos, todos devem sentir-se próximos das fontes de misericórdia do Salvador, das quais a Igreja é depositária e dispensadora: na acolhida, na escuta da Palavra, na Eucaristia e também nos vários aspectos de conversão e reconciliação, oração e espiritualidade; sobretudo no tempo da quaresma, em que missionários da misericórdia serão enviados para serem anunciadores da alegria do perdão  e em especial a iniciativa “24 horas para o Senhor” proposto pelo papa Francisco.

De fato, no Sacramento da Reconciliação, Deus perdoa os pecados, porque sua misericórdia é maior do que qualquer pecado. O perdão sacramental, então, expressa o quanto Deus é indulgente para com o pecador arrependido e que se converte, libertando-o das consequências do pecado, e habilitando-o a agir com caridade e a crescer no amor. A conversão permanente faz parte da peregrinação de todo homem sobre a terra (DM 13) e se constitui na meta a ser alcançada pelas pessoas, segundo as próprias forças, como sinal de que a própria misericórdia exige empenho e sacrifício. Nesse processo, o confessor terá papel fundamental de acolher os fiéis como um pai estreitando a si aquele filho arrependido que volta à casa e exprimindo a alegria por o ter reencontrado. Como o pai da parábola, não hão de fazer perguntas impertinentes, mas, interromperão o discurso preparado pelo filho pródigo, porque saberão individuar, no coração de cada penitente, a invocação de ajuda e o pedido de perdão. Da mesma forma a Igreja deve ir  ao encontro do outro filho, que ficou fora, incapaz de se alegrar, para lhe explicar que o seu juízo severo é injusto e sem sentido diante da misericórdia sem limites do Pai. Somente esse amor misericordioso é capaz de debruçar-se sobre todos os filhos pródigos, sobre qualquer miséria humana e moral. Quando isto acontece, aquele que é objeto da misericórdia não se sente humilhado, mas como que reencontrado e revalorizado (DM,6).

Jesus indica as etapas pelas quais é possível atingir a meta de conversão: “Ame seu próximo como a si mesmo; não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco” (Lc 6,37-38; Lc 10,27), e que ficou conhecida como a regra de ouro: “faça aos outros o que queres que façam a ti”. Não julgar nem condenar significa saber separar o que há de bom em cada pessoa e não permitir que ela venha a sofrer pelo juízo parcial daqueles que julgam saber tudo. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança, são condições necessárias para se viver em paz e feliz. Por isso, pede também para amar e perdoar. Ser instrumento do amor e do perdão, porque primeiro nós o obtivemos de Deus. O homem alcança o amor misericordioso de Deus, na medida em que ele próprio se transforma interiormente, segundo o espírito de tal amor para com o próximo (DM,14). Trata-se de uma proposta pessoal com consideráveis implicações na vida comunitária.

Nessa linha, surge a indulgência [1] preconizada pela passagem pela Porta Santa, retomada pelo Papa Francisco, e almejada pelos cristãos a partir da fé na misericórdia divina. Esse desejo pela indulgência é manifestado por gestos de bondade e pela capacidade de ser tolerante e de perdoar as ofensas recebidas,  bem como associada a alguns gestos litúrgicos, que expressam um novo caminhar cristão.

A misericórdia na ação Evangelizadora

Sintonizada com o magistério do Papa Francisco e, à luz da EG e imediatamente após a publicação da Bula (MV), a Igreja no Brasil através da CNBB, lançou suas Diretrizes Gerais de Ação Evangelizadora 2015-2019 [2], que expressam as orientações da ação evangelizadora e da missão eclesial: evangelizar partindo sempre de Jesus Cristo, sobretudo para ajudar as pessoas a conhecê-Lo, fascinar-se por Ele e, por isso, optar por segui-Lo. Essas diretrizes auxiliarão no planejamento pastoral das Igrejas particulares ou dioceses, nas iniciativas da vida consagrada e nos movimentos eclesiais.  Elas apontam cinco urgências, perfeitamente ligadas aos propósitos do Ano Santo Jubilar, e devem tornar-se prioridade na ação evangelizadora no Brasil: Ser Igreja em estado permanente de missão; Igreja: casa da Iniciação à vida cristã; Igreja: lugar de animação bíblica e da vida pastoral; Igreja: comunidade de comunidades; Igreja a serviço da vida plena para todos.

Os desdobramentos dessas urgências se estendem ao cuidado e à proteção da dignidade humana: no cuidado com a família, com as crianças, os adolescentes e jovens, com os trabalhadores e trabalhadoras. Indica também a necessária atenção aos migrantes e refugiados nas suas diferentes realidades; na promoção de uma sociedade que respeite as diferenças (diálogo ecumênico e inter-religioso); no combate ao preconceito e à discriminação; e no apoio a iniciativas de inclusão social dos pobres, indígenas e afros descendentes, entre outras. Também o papa Francisco tem pedido insistentemente um acompanhamento misericordioso da Igreja, para os que mais necessitam e se encontram em situação de vulnerabilidade, sobretudo para os quem vivem situações familiares difíceis, para os presos, os doentes e as pessoas idosas entre outras.

 É esse testemunho que deve impulsionar a Igreja, “Luz dos Povos”, a estar presente em toda dor, sofrimento, solidão, pobreza, injustiça, exploração, violência etc, não apenas para se compadecer, mas para anunciar a dignidade de toda a pessoa e para servir à sua realização no amor. Assim, o Ano Santo deverá manter vivo o desejo de descobrir os inúmeros sinais do amor misericordioso que Deus Pai tem a oferecer ao mundo inteiro.

Notas

[1]  A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos. Catecismo da Igreja Católica, §147

[2] O arquivo do documento disponibilizado não corresponde integralmente ao texto publicado pela CNBB. Todavia, as alterações e lacunas não prejudicam a compreensão do texto.

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Para Refletir:

1)  Como nos sentimos diante da misericórdia de Deus que nos convida a sermos misericordiosos como Ele? Como a Igreja pode ajudar-nos a sermos misericordiosos como o Pai é?

2) Olhamos a vida e as pessoas com o mesmo olhar misericordioso de Cristo? O que dizer da falta de misericórdia, inclusive na Igreja, com os que sofrem pela exclusão, preconceitos, discriminação e intolerância?

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