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Ficha 95 – O Jubileu Extraordinário da Misericórdia – Tempo de Graça (1ª)

| 14/10/2015 | 0 Comentário

F.95 No dia 11 de abril de 2015, véspera do 2º Domingo da Páscoa, também chamado Domingo da Divina Misericórdia, a Igreja foi mais uma vez alegremente surpreendida pelo papa Francisco que, através da bula Misericordiae Vultus – o Rosto da Misericórdia, convocou a Igreja para um Ano Santo, chamado por ele “Ano Extraordinário da Misericórdia”. Este Jubileu será iniciado em 8 de dezembro de 2015, na Solenidade da Imaculada Conceição, com a abertura da primeira Porta Santa na Basílica de São Pedro, e encerrado em 20 de Novembro de 2016, Solenidade Litúrgica de Jesus Cristo Rei do Universo. No domingo seguinte, 3º Domingo do Advento, dia, 13/12/15, será aberta a Porta Santa na Catedral de Roma (Basílica de São João do Latrão) e nas catedrais do mundo para todos os fiéis, como um momento extraordinário de graça e renovação espiritual.

O Jubileu católico está associado à tradição do Jubileu bíblico, um grande evento celebrado a cada cinquenta anos e que tinha a função de recomeço, de perdão das dívidas, libertação dos cativos etc. Em razão do caráter renovador, o Jubileu bíblico representava a ação misericordiosa de Javé e, por isso, era considerado ”tempo da graça” (Lv 25, 10). O cristianismo iniciou a tradição de convocar Jubileus em momentos especiais na vida da Igreja a partir do ano 1300, tendo sido o primeiro, realizado em Roma, junto aos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. A partir de 1400, o Jubileu passou a ser convocado a cada 25 anos, sendo que o último foi o grande Jubileu do ano 2000, convocado pela Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente, chamado também Jubileu do Milênio. Segundo a tradição, um novo Jubileu seria proclamado em 2025, mas o papa Francisco desejou convocar um Jubileu “extraordinário” para esse ano, com ênfase na Misericórdia. O principal motivo dessa convocação é o apelo que, segundo o papa, emerge do momento crítico em que vive a humanidade. “Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes”. Por outro lado, a escolha pelo dia 08 de dezembro coincide com os 50 anos de conclusão do Concílio Vaticano II, que indicou a necessidade da Igreja buscar novas formas para ser presença eficaz no mundo. Segundo a Constituição Pastoral Gaudium et spes (GS), a Igreja deveria participar das alegrias e esperanças do povo como sinal de Misericórdia.

O Jubileu da Misericórdia, também, traz a marca do pontificado do papa Francisco e é visto por muitos teólogos como parte programática do seu ministério pastoral. Desde sua eleição, seu jeito simples e acolhedor têm tocado multidões, mostrando uma Igreja mais atenta e sensível às angustias e sofrimentos humanos.

 A Misericórdia – Expressão da Revelação de Deus

O papa inicia a bula com uma afirmação cristológica: Jesus Cristo, o rosto da misericórdia do Pai, é a síntese da fé cristã. “Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”.

Recordando a Revelação bíblica, o papa destaca inúmeras passagens que narram a misericórdia de Deus. Ela está presente no Primeiro Testamento desde a criação, perpassando toda a história do povo de Deus e, especialmente, nos Evangelhos, que são concordes em afirmá-la em diversas parábolas, destacando a misericórdia de Jesus para com o povo cansado e abatido, abandonado à própria sorte como “ovelhas sem pastor” (Jo 10,10).

O papa inclui também uma bonita interpretação sobre a indulgência, tornando-a quase sinônimo de misericórdia, pois “Deus está sempre disponível para o perdão, não Se cansando de o oferecer de maneira sempre nova e inesperada” e sua misericórdia de Deus, é maior que qualquer pecado.

Ação Evangelizadora e Misericórdia – Misericordiosos como o Pai

O papa Francisco afirma que a base da Ação Evangelizadora da Igreja é a misericórdia, recordando que, sem essa dimensão, a Igreja se transforma em uma ONG, uma prestadora de serviços da sociedade, mas não sinal da bondade do Pai. O papa, com humildade, também reconhece que a Igreja, muitas vezes, preferiu o caminho da lei e ofuscou a sua missão de portadora da mensagem amorosa do Pai, por isso, ele conclama o Jubileu como prática do perdão de Deus.

Ele faz isso, retomando o ensinamento de S. João Paulo II que, na Encíclica Dives in misericórdia, enfatizou que a missão da Igreja é proclamar a misericórdia divina, principalmente nesses tempos modernos, quando o homem, ao alcançar tamanha tecnologia, julga tudo poder dominar, inclusive a natureza, os animais e os seus irmãos mais pobres. Para S. João Paulo II, a presença da misericórdia nessa realidade sem coração, faria as pessoas recordarem que a vocação humana é ser em relação aos outros, seus irmãos.

Através do lema do Jubileu, “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36), o papa conclama o povo de Deus para um programa de vida rico de alegria e paz a ser vivenciado nesse período, como resposta pessoal e comunitária aos apelos da Palavra de Deus.

Para a realização desse ano, o papa recorda alguns sinais que expressam o desejo de muitos homens e mulheres de fé, de caminharem ao encontro da Misericórdia.

O primeiro deles é a peregrinação até um determinado local referencial em cada diocese, geralmente uma igreja, identificada como Porta Santa. O símbolo da Porta, como um local de passagem, expressa um sinal de conversão. Por isso, o papa indica a abertura gradativa de várias Portas Santas nas principais igrejas de Roma, bem como em todas as dioceses, como sinal de unidade das Igrejas particulares para com a Igreja Universal.

O segundo é a vivência do perdão de Deus nos níveis pessoal e sacramental. Na caminhada em direção à Misericórdia, todos são chamados a viver o perdão, perdoando e sendo perdoados. Na vida comunitária são convidados a participar das celebrações penitenciais e, especialmente na quaresma, como um tempo propício para meditar e confrontar a própria vida com a proposta de Jesus Cristo, de ser, também, sinal da misericórdia do Pai. Em função disso, o papa pede que, em todas as dioceses, ocorra as “24 horas para o Senhor” a ser celebrada na sexta-feira e no sábado anteriores ao 4º Domingo da Quaresma; e pede que os padres, aqueles que ele chama de “missionários da misericórdia”, estejam dispostos a ouvir o povo para perdoá-lo.

As obras de Misericórdia – Justiça e Misericórdia

Na tradição da Igreja, a misericórdia pode ser testemunhada através de obras praticadas pelos cristãos. O papa Francisco indica que elas constituem o terceiro sinal daqueles que desejam caminhar ao encontro da Misericórdia.

Segundo o catecismo de São Pio X, as obras de misericórdia se dividem em corporais e espirituais. As corporais são, em sua maioria, aquelas indicadas em Mateus 25,34-40: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos (somente esta é indicada no livro de Tobias). As obras de misericórdia espirituais fazem parte da tradição da Igreja e objetivam contribuir na formação espiritual da pessoa, bem como a formação de sua consciência cristã: ensinar o caminho da fé através da catequese, aconselhar os duvidosos, advertir os pecadores, suportar os erros pacientemente, perdoar as ofensas dos irmãos, confortar os aflitos e sofredores e rezar para os vivos e para os mortos.

Por serem práticas sugeridas pela Igreja do século passado, com o passar do tempo, foram sendo esquecidas e deixadas de serem praticadas e ensinadas. Porém, o papa diz que não deve ser assim, e que é preciso redescobrir o valor das obras de misericórdia, especialmente das corporais, e que isso “será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina”. Dentre as obras de misericórdia, o papa recorda a necessidade da justiça que cabe a cada cristão fazer. Recordando o Evangelista Lucas, ele diz que o Espírito do Senhor está sobre cada cristão para que ele também vá e anuncie o ano da graça, pois em cada um destes «mais pequeninos», está presente o próprio Cristo.

Por fim, o papa faz a relação entre justiça e misericórdia, tanto no nível pessoal quanto social. Ele apela para que as pessoas não caiam no legalismo, “mistificando o sentido original e obscurecendo o valor profundo que a justiça possui” e lembra que, na Sagrada Escritura, a justiça é concebida essencialmente como um abandonar-se confiante à vontade de Deus, e que devem praticar a vontade do Pai de sempre perdoar (“Misericórdia é o que quero…” Os 6,6). Profeticamente, o papa lembra que a misericórdia é maior que a justiça dos homens, pois a justiça é um acerto de contas, enquanto que a misericórdia é um convite à conversão àqueles que experimentam o perdão de Deus, que não se cansa de Se oferecer de maneira sempre nova e inesperada.

Pelo fato da misericórdia não ser um atributo ou valor apenas cristão, mas presente em várias religiões, é de se esperar que o Ano Jubilar favoreça o encontro de todas as pessoas que praticam e promovem a misericórdia, a fim de que predomine o diálogo e a abertura às diferenças, para que findem todas as formas de fechamento e desprezo, e e todas as formas de violência e discriminação sejam eliminadas.

O rosto materno da misericórdia

Ao explicitar a presença de um Deus misericordioso que assume as feições de mãe, o papa faz uma referencia à Mãe da Misericórdia, aquela que, ao se fazer Mãe e discípula da misericórdia encarnada, participou intimamente no mistério do amor do Pai. A presença bondosa de Maria nos faz pensar em tantas mulheres discípulas de Jesus, no ontem e no hoje de nossa história, que testemunharam a infinita misericórdia de Deus. Também são as mulheres que sustentam as nossas comunidades e dão um rosto feminino à Igreja de Jesus Cristo, a qual também é apresentada na Bíblia e no Catecismo da Igreja como esposa “Imaculada do cordeiro sem mancha, a qual Cristo amou e Se entregou para santificá-la” CIC 757. A Bula de proclamação do Jubileu recorda, ainda, todos os santos e beatos que fizeram de suas vidas sinais da divina misericórdia, muitos com o sacrifício da própria vida.

Por fim, o papa expressa seu desejo para que o Ano da Misericórdia seja assumido como programa da ação Evangelizadora da Igreja através do testemunho de seus membros, e que todas as ações, dentre elas as litúrgicas, possam ser expressão de acolhida aos que buscam a misericórdia divina.

 Leituras Complementares

Bula de proclamação do Jubileu extraordinário da Misericórdia

Site do Ano da Misericórdia

Explicação do logo e do lema do Ano da Misericórdia.

Apresentação da Bula- D. Pedro Cipoline

Calendário do Jubileu da Misericórdia

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Para Refletir:

  1. Quais os benefícios que o Ano Santo trará para a “Igreja, povo de Deus”?
  2. Dentre as obras de Misericórdia, quais as mais desafiadoras? Por quê?

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