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Ficha 94 – Por uma civilização do amor – DSI (39ª)

| 30/09/2015 | 0 Comentário

F.94Com a ficha 94, chega-se à Conclusão do texto do CDSI. Em uma grande síntese, ela mostra como a proposta da Igreja, povo de Deus, a partir da fé em Jesus Cristo e da vivência do seu Evangelho, abre caminhos ao homem contemporâneo para desenvolver uma firme esperança e viver o projeto de construção da “civilização do amor”. Fundamenta-se na vivência das primeiras comunidades cristãs, nos documentos do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes (GS) e Lumen Gentium (LG), entre outros, para colocar a necessidade de uma transformação missionária, a qual só é possível se vivida nas bases da fé, da esperança e da caridade.

A ajuda da Igreja ao homem contemporâneo

Uma das grandes inquietações do ser humano é a procura de sentido e significado tanto da vida como da morte. No mundo contemporâneo, diante das questões sobre o sentido e o fim da aventura humana confiadas unicamente ao progresso científico e tecnológico, qual o papel da Igreja? Composta pelos que são chamados a formar a família dos filhos de Deus na história humana, a Igreja, ao mesmo tempo “agrupamento visível e comunidade espiritual”, responde com o Evangelho de Cristo e caminha com a humanidade, como fermento e alma da sociedade dos homens (LG 8,38). O Evangelho anuncia e proclama a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus; rejeita toda a espécie de servidão; respeita a dignidade da consciência; estimula o serviço e recomenda a caridade. O Concílio Vaticano II lembrou que a Igreja sabe que “só Deus pode responder às aspirações mais profundas do coração humano que nunca se satisfaz com o mundo, mas sabe também que o homem nunca será totalmente indiferente ao problema religioso […] o homem sempre desejará saber qual é o significado da sua vida, da sua atividade e da sua morte. […] Mas só Deus, que criou o homem à sua imagem e o remiu, dá plena resposta a estas perguntas, pela revelação em Cristo seu Filho feito homem. Aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se mais homem” (GS, 41). Como disse o Papa Bento XVI, na Carta Encíclica Spe Salvi, sobre a esperança cristã: não é a ciência que salvará o homem, é o amor. Quando alguém experimenta em sua vida um grande amor, conhece um momento de redenção, que dá um novo sentido à vida (SS 26).

A fé em Cristo, uma firme esperança

Às graves formas de injustiça social e de exploração, reflexos de causas econômicas, políticas, sociais e culturais, o sentido religioso contrapõe a fé na palavra de Jesus Cristo: “Eis que eu estou com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Concentra-se aí o sentido e o fundamento cristão, que derivam da certeza de que Cristo redimiu o homem e resgatou-o por um “alto preço” (1 Cor 6, 20). Tal acontecimento abre à humanidade o Reino de Deus e, apesar do pecado que marca profundamente a história humana, acende uma esperança. Na Enciclíca Sollicitudo rei socialis, São João Paulo II recordou que a  Igreja não nega a força da iniqüidade no mundo (2 Ts2,7), mas sabe, também, que há na pessoa humana infinita capacidade para construir um mundo novo, pois a  “bondade”, dom de Deus para com sua criatura, que a fez  sua imagem e semelhança, “enche o mundo” e  vence o mal, tal como Jesus Cristo derrotou e venceu a morte (1Cor 15: 22) (SRS 47). Os cristãos, especialmente os fiéis leigos, são exortados a fazer brilhar a força do Evangelho na vida quotidiana, familiar e social. Esta esperança  não deve ser escondida no interior da alma, mas expressa através das estruturas da vida social, por uma renovação contínua e pela luta “contra os dominadores deste mundo tenebroso e contra os espíritos do mal” (LG 35). É essa esperança que  impulsiona o compromisso do cristão no campo social, empenhando sua vida na construção do reino de Deus ainda nesse mundo, ao lado de todos as pessoas de “boa vontade”, mesmo que essas não compartilhem a esperança cristã.

Construir a “civilização do amor”

A finalidade da DSI é propor os princípios e valores que possam sustentar uma sociedade digna do homem. Entre esses princípios e valores, destaca-se o da solidariedade, que sintetiza os demais e, segundo São João Paulo II, é “um dos princípios basilares da concepção cristã, da organização social e política” (Centesimus Annum, 10). É a solidariedade que vem de “amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês” (Jo 15, 12) e, nas palavras de S. Paulo, “E acima de tudo, vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição” (Col 3, 14). Esse amor vai iluminar o comportamento da pessoa, para que dê seu testemunho e mostre, com a sua vida, a força sempre presente e que pode penetrar todas as relações sociais. Ampliando o conceito de perfeição pessoal, a visão cristã procura condicionar reciprocamente o desenvolvimento pessoal ao crescimento social. Entre outros textos, no Decreto Apostolicam Actuositatem, do Concílio Vaticano II, encontram-se os termos “caridade social” ou “caridade política”, estendidos a todo o gênero humano (AA, 8). É a caridade evangélica, a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, de modo que todos possam viver com dignidade.

Para atingir essa sociedade mais humana e mais digna da pessoa, é necessário revalorizar o amor na vida social – nos planos político, econômico, cultural – fazendo dele a norma constante do agir. Como lembra São João Paulo II, na mensagem pelo Dia da Paz, em 2004, as relações humanas não podem ser reguladas unicamente pela justiça. Somente o amor contido na caridade faz com que as pessoas generosamente se comprometam com a justiça e a paz exigidas para a efetivação do bem comum.

Ao analisar a dimensão social da evangelização, as palavras inspiradoras do Papa Francisco ensinam que “o querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros. Questões como a inclusão social dos pobres, o diálogo com a sociedade e as culturas, incluindo as outras religiões e a paz mundial são fundamentais, na busca do desenvolvimento integral para todos e para o futuro da humanidade. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão imediata, cujo centro é a caridade” (Evangelli Gaudium, 177-185).

O “estado permanente de missão”, de que fala o Documento de Aparecida (DA, 551), completa-se no sonho do Papa Francisco de “uma opção missionária capaz de transformar tudo” (EG, 27). Trata-se da convivência pacífica e respeitosa das diferenças em nome de um projeto conjunto, que promova os direitos humanos, pessoais e sociais, econômicos e políticos, incluindo os direitos das nações e dos povos. Todos são chamados a ocupar-se com a construção desse projeto de um mundo melhor, do futuro da civilização. É disso que trata a DSI, um pensamento propositivo e construtivo que orienta uma ação transformadora, sinal de esperança que brota do coração amoroso de Jesus Cristo (EG 183). O anúncio do Evangelho pelo povo de Deus no mundo atual passa pela alegria e a misericórdia, frutos do amor encarnado pela pessoa de Jesus Cristo, a força capaz de construir a “civilização do amor”.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, 2015-2019, da CNBB, retomando o Documento de Aparecida, as Exortações Apostólicas “Verbum Domini” e “Evangelli Gaudium”, propõem que a Ação Evangelizadora da Igreja seja toda ela permeada pela missionariedade e pelo testemunho dos Discípulos missionários, convite a todo cristão católico a assumir a sua vocação no mundo.

Ao encerrar o estudo sobre o CDSI é mister retomar o expressivo título da conclusão que nomeia esta Ficha. O respeito às culturas de todos os povos, o desejo de incluir a todos, a defesa plena da vida expressam o compromisso de uma Igreja que deseja ser servidora e colaboradora na construção de uma civilização do amor, presença viva do reino definitivo entre nós.

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Para Refletir:

1. O que propõe o Magistério Social da Igreja, sobre as realidades humana e social?

2. Podemos mudar a sociedade? Como ajudar na construção da civilização do amor?

Orientações para a Interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha: Aguarde a publicação da próxima ficha: 14/10/15– Ficha 95 – Jubileu Extraordinário da Misericórdia – Tempo de Graça (1ª)

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