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Ficha 91 – A  DSI e o  compromisso dos cristãos leigos – DSI (36ª)

| 19/08/2015 | 0 Comentário

F.91Essa Ficha continua a reflexão iniciada anteriormente na Ficha 90, em sua segunda parte do último capítulo: “Doutrina social e compromisso dos cristãos leigos”. O CDSI destaca que o cristão leigo tem por vocação a missão de ser Igreja no mundo secularizado. Na formação dessa vocação de ser sal e luz do mundo, a DSI entra como parte fundamental, cuja base encontra-se na teologia do laicato, desenvolvida a partir da experiência da Ação Católica, explicitada nos ensinamentos do Concílio Vaticano II, especialmente nas reflexões das Constituições Lumen Gentium (LG) e Gaudium et Spes (GS), no Decreto sobre o Apostolado dos leigos Apostolicam Actuositatem (AA), nas Exortações Evangelii Nuntiandi (EN) e Christifideles Laici (ChL) e no Catecismo da Igreja Católica (CIC). Todas as fontes evidenciam o fundamental papel dos leigos na evangelização do mundo moderno, pois estão presentes nas mais diversas realidades e, portanto compete a eles a missão de transformá-lo, segundo as exigências do Evangelho, reafirmadas pelo recente magistério eclesial. Nesta ficha, refletiremos sobre estes quatro primeiros itens: “O cristão leigo”; “A espiritualidade do cristão leigo”; “Agir com prudência” e “Doutrina social e experiência associativa”; os demais serão tratados na sequência desta.

Segundo a LG, os fiéis leigos estão incorporados a Cristo pelo Batismo, e, juntos com os que recebem o sacramento da Ordem e com os religiosos(as), constituem o Povo de Deus, e participam das funções do próprio Cristo: sacerdote, profeta e rei. Por vocação, são chamados a exercer a seu modo a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. A Exortação Evangelii Nuntiandi (EN) diz claramente que: “O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, das comunicações sociais, e outras realidades abertas à evangelização, como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento” (EN 70). Portanto, a ação evangelizadora dos leigos contribui para a transformação dessas realidades e para a criação de estruturas justas, segundo os critérios do Evangelho. Na Igreja, são chamados a participar na ação pastoral das comunidades eclesiais, paróquias e dioceses, primeiramente com o testemunho de vida e, em segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e outras formas de apostolado, segundo as necessidades locais, sob a guia de seus pastores. Além de tais atividades, são também encorajados a participar nas tomadas de decisões pastorais, nos Conselhos Paroquiais, Diocesanos, Administrativos e Econômicos, Assembleias, bem como estar presentes nos sínodos e concílios particulares.

Em suas reflexões sobre o laicato, as Conferências Episcopais latino-americanas, fomentaram o protagonismo dos cristãos-leigos ao assumirem o desafio de tarefas em favor: da humanização da sociedade e do progresso dos mais pobres (Medellin, 15); da promoção da justiça (Puebla, 777); da promoção humana e da cultura cristã (Santo Domingo, 97), sempre e atuando como “discípulos e missionários de Jesus Cristo”, promovendo, através de ações sociais e políticas organizadas, a transformação da sociedade (Aparecida, 283).

A identidade e a motivação dos cristãos leigos nascem da graça divina dos sacramentos e deles se alimentam e, em força desses, assumem a tarefa de anunciar o Evangelho. Por isso, são chamados a cultivar uma espiritualidade apropriada à sua vocação, isto é, segundo o Espírito de Jesus: capaz de olhar para além da história, sem dela se afastar, e de cultivar um amor apaixonado por Deus, sem tirar o olhar dos irmãos. São João Paulo II exortou que a vida cristã deve estar incorporada em todas as realidades humanas, não havendo separação entre a vida espiritual com seus valores e exigências e a secular (ChL 59). Por isso, a relação entre a fé e a vida exige um caminho a ser percorrido, através do itinerário cristão: conhecimento e reflexão da Palavra de Deus; oração pessoal; participação nos sacramentos, de modo especial a Eucaristia; vivência de uma autêntica experiência eclesial no exercício das virtudes sociais e no perseverante esforço de uma formação contínua. Portanto, são meios espirituais que agem no cristão levando-o a uma ação em favor do mundo, do próximo, da Igreja e dele próprio, como homens e mulheres novos, imersos no mistério de Deus, como santificados e santificadores.

Essa espiritualidade cristã implica uma atitude na qual o fiel leigo deve pautar suas ações, segundo as exigências ditadas pela prudência, que permite tomar decisões com coerência, realismo e responsabilidade. Além de ser uma virtude humana, torna-se medida para as outras virtudes, como a justiça, a fortaleza e a temperança (CIC 1805), tal como as ações de Cristo. Desse modo é que os cristãos leigos deverão impregnar e penetrar as realidades temporais, testemunhando Cristo em todas as circunstâncias, inculturando a fé, sendo animadores e promotores do diálogo social como contribuição para a paz.

A liberdade de ação e de organização dos leigos é explicitada, no decreto AA, como direito de fundarem grupos, associações e movimentos que auxiliem a obra apostólica da Igreja. Prioriza-se uma formação que não seja apenas espiritual, mas integral, que tenha como princípios a relação Igreja-mundo-Reino, a dimensão comunitária, a opção pelos pobres, o respeito às questões de gênero, a inculturação, a relação teoria e prática, a pedagogia libertadora e participativa (Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade -Estudo 107 da CNBB), sendo orientada para a atuação nas transformações sociais, procurando dar respostas à sua presença cristã no mundo. Por isso, a DSI apoia e ilumina o papel de grupos/associações/movimentos que agregam docentes católicos, juristas, empresários, trabalhadores, desportistas, ecologistas e outras pessoas oriundas de novos movimentos, empenhados em vivificar de modo cristão os vários setores da ordem temporal. A GS orienta que vale, em cada caso, a distinção entre aquilo que os cristãos, individualmente ou em grupo, fazem em seu nome, como cidadãos levados pela consciência cristã, e aquilo que, em união com os seus pastores, fazem em nome da Igreja. Destaca-se aqui a riqueza e a diversidade dessa presença e atuação: As CEBs, as Pastorais da Juventude; as Pastorais Sociais (da Criança, da Saúde, da Pessoa Idosa, da Educação, CPJP, CIMI, CPT, CEFEP, Cáritas, IBRADES, MCC, TLC, entre outras). Todas essas formas organizativas contam com o apoio do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), associação que congrega movimentos, pastorais e diversas associações, cujo objetivo é representá-los nas demais instâncias da Igreja e na sociedade; e, também, do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), organismo eclesial, que auxilia o Papa nas questões relacionadas a eles e sua missão na Igreja, seja como pessoas individuais, seja através das organizações/associações.

Desde o Concílio Vaticano II, não é mais possível pensar a Igreja sem a participação e a corresponsabilidade dos leigos(as), por isso, a importância de se consolidar um laicato maduro e comprometido com a missão eclesial. O Papa Francisco tem convocado insistentemente os cristãos leigos para a consciência de sua pertença eclesial e de sua missão, sobretudo em relação à cultura pós moderna, mercantilista, hedonista, individualista e autoritária, que precisa do testemunho cristão para tornar o Evangelho credível no mundo. É o que deseja a Igreja, ao entender o cristão leigo como sujeito eclesial, protagonista da sua missão: “como homens e mulheres do mundo no coração da igreja e homens e mulheres da igreja no coração do mundo. Onde vive e atua um cristão, ali precisa existir a vida e a atuação do próprio Cristo” (Documento de Aparecida, 209). É nesse contexto que o conteúdo da DSI revela sua eficácia formativa e, diante da consciência de cada pessoa, desempenha um precioso trabalho de amadurecimento cristão, em conformidade com sua fisionomia eclesial.

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Para Refletir:

1) Qual a importância da missão e da organização dos cristãos leigos para a vida eclesial e social? Por quê? Quais as consequências desse tema para nossa vida em comunidade?

2)  Dê sua opinião sobre o ensino da DSI como agente de transformação no mundo.

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 02/09/15 – Ficha 92 – A presença do leigos na promoção humana e no serviço à cultura – DSI (37ª).

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