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Ficha 88 – A promoção da Paz – DSI (33ª)

| 24/06/2015 | 0 Comentário

F.88A questão da paz, abordada de forma sistematizada no capítulo V da Gaudium et spes (GS), denominado “A promoção da paz e a comunidade internacional”, foi retomada no Capítulo XI da segunda parte do CDSI, com o título “A promoção da Paz”. O documento conciliar afirma que a paz é uma das mais altas aspirações do gênero humano e que a sua natureza consiste na superação da violência, em favor da paz na justiça e no amor, no respeito à integridade da criação, propondo o caminho da solidariedade. Esse tema será apresentado em duas partes: “A promoção da paz” (Ficha 88) e “A construção da paz: missão de todos” (Ficha 89). Essa 88ª Ficha reflete sobre os “aspectos bíblicos” e “a paz, fruto da justiça e da caridade”.

Na primeira parte, “Os aspectos bíblicos”, destaca que na revelação bíblica a paz se refere à aliança que Deus fez com a humanidade; trata-se, portanto, de uma aliança de paz e para a paz, que está unida à vida, da qual é a plenitude. A palavra hebraica “shalom” usada como saudação entre as pessoas, significa o desejo mútuo de paz, harmonia, bem estar e prosperidade; na referência a povos e nações significa o dom divino dado a todos, que comporta obediência à Aliança com Deus criador de todas as coisas, formando um conjunto harmônico; e individualmente, significa a paz interior da pessoa que se submete à vontade divina (eu habitarei nele). Portanto, a paz bíblica (Shalom) abrange muitos significados: gera fecundidade, bem-estar, ausência de medo, alegria profunda, prosperidade e vida longa e relações sociais equilibradas; além de harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus. É a vida como Deus quer e como deve ser toda convivência social; mais precisamente, uma condição à qual não falta nada. Porém, o mundo marcado pelo pecado afastou-se de Deus e, consequentemente, perdeu essa paz. E, um mundo novo de paz encontra cumprimento na pessoa de Jesus, “nossa paz”; Ele uniu o que estava dividido, reconciliando os homens com Deus, pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade, dando-lhes a salvação pela ressurreição. Esse é o amor que Deus tem pela humanidade, um amor que salva, funda a paz e redime o mundo.

Por isso, a paz de Cristo é antes de tudo a reconciliação com o Pai, realizada na missão apostólica, e se inicia com o anúncio da boa nova da paz (At 10,36), dirigida a todos os homens: “A paz esteja com vocês” (Lc 24,36), paz que nutre o amor e infunde atitudes geradoras da própria paz, como o desejo de querer para o outro a segurança que se deseja para si mesmo, aberta ao diálogo, à tolerância, à concórdia e o perdão. Por isso, a paz é também reconciliação com os irmãos, porque Jesus, na oração do «Pai Nosso», ensinou que o perdão pedido a Deus está associado ao oferecido aos irmãos: «perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam» (Mt 6,12). Com esta dupla reconciliação, o cristão pode tornar-se artífice da paz e, portanto, partícipe do reino de Deus, tal como Jesus proclama: “Felizes os que promovem a paz: porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Os promotores da paz percebem que, no Reino de Deus a lógica da paz é uma lógica de solidariedade e reciprocidade, convertidas pela graça de Deus, isto é, na alegria de viver.

A segunda parte “A paz, fruto da justiça e da caridade” retoma o magistério eclesial sobre a Paz. A Encíclica Pacem in Terris, antes mesmo do Vaticano II, afirma que a paz sobre a terra, pela qual tem ansiado os homens de todos os tempos, não pode ser fundada e assegurada senão quando a ordem estabelecida por Deus for, conscienciosamente respeitada. Ela é fundada sobre uma correta concepção da pessoa humana (Centesimus Annum, 51) e exige a edificação de uma ordem segundo a justiça e a caridade; é um valor e um dever universal; encontra o seu fundamento na ordem racional e moral da sociedade; e tem suas raízes no próprio Deus.

Desse modo, a paz não pode ser buscada por ela mesma, pois é, antes de tudo, uma obra da justiça (Is 32,17), entendida como o respeito ao equilíbrio e ao desenvolvimento integral dos indivíduos, resultando na essencial defesa e promoção dos direitos humanos. Nesse sentido, a justiça pressupõe a igualdade de todos e a busca do bem comum defendida por São João XXIII. Sua função é remover os obstáculos para a paz e os danos causados. Para a GS, a paz é também fruto do amor que vai além daquilo que a justiça consegue alcançar, pois a verdadeira paz é fruto da caridade (ato de amor), vivido a partir do sentimento de responsabilidade fraterna e solidária, que não exclui ninguém; tal como o jeito samaritano (Lc 10,25-37), na ajuda concreta, buscando condições objetivas, para as pessoas usufruírem de seus direitos, sobretudo no que diz respeito à dignidade da vida. Nesse sentido, é absolutamente necessário que a paz comece a ser vivida como valor mais profundo no íntimo de cada pessoa (paz interior), estendendo-se nas famílias e com os mais próximos, no mundo do trabalho, na escola e na sociedade, na defesa do meio ambiente, até envolver toda a comunidade política (CIC 2317), fazendo amadurecer uma autêntica cultura de paz, capaz de difundir-se também na Comunidade Internacional.

O beato Paulo VI em sua visita a ONU, em 1965, afirmou que só haveria verdadeira Paz se houvesse desenvolvimento. Ele desafiava aquela comunidade Internacional a promover a Paz, enfrentando os graves problemas econômicos e políticos que impediam, e que ainda impedem, o desenvolvimento de nações inteiras cujo custo social recai sobre os mais pobres. Nesse sentido, promover a paz é desenvolver políticas publicas que garantam, a um maior número de pessoas, o acesso às mínimas condições de vida.

Assim, a Igreja proclama o “Evangelho da paz” (Ef 6,15) e está aberta à colaboração com todas as autoridades nacionais e internacionais para cuidar desse bem universal. Ela entende a necessidade de se projetar uma cultura de paz que privilegie o diálogo como forma de encontro, a busca de consenso, de acordos, e de uma sociedade sem exclusões (Evangelli Gaudium, 239). Isso passa pelo reconhecimento dos direitos de todos, pelo cuidado com os mais vulneráveis, pela superação da miséria e da fome, por uma justa distribuição de renda, pela correta administração dos bens públicos e honesta aplicação da justiça, pela conservação da integridade do meio ambiente, por relações internacionais justas, pela existência de uma classe política solidária que trabalhe para elaborar leis que promovam o bem comum (CF 2005: “Felizes os que promovem a Paz’”). São desafios para a consciência mundial e exigem um exercício de cidadania ao alcance de todos. Pensando nisso a Igreja no Brasil, através da CNBB proclamou em 2015 o Ano da paz, com o tema “Somos da Paz”, propondo reflexões para superar a violência e despertar para uma convivência mais respeitosa e fraterna entre as pessoas.

Consciente de sua missão, a Igreja proclama com a convicção da sua fé em Cristo, reiterando a mensagem de São João Paulo II «que a violência é um mal inaceitável como solução para os problemas, e não é digna do homem, pois se opõe à verdade da nossa fé e da nossa humanidade; destrói o que ela defende: a dignidade, a vida, a liberdade dos seres humanos» (Discurso em Drogheda, Irlanda). Contrariamente a qualquer tipo de violência que tente justificar a paz, merece louvor o testemunho de pacíficos profetas e mártires que, com caridade evangélica, colocam em risco a própria vida, para proteger os direitos do homem. É, pois, na justiça que se expressam os direitos e os deveres dos homens: dar a cada um o que lhe compete, e isso é um processo que não pode ser entendido como já assegurado, por isso, a paz deve ser continuamente conquistada.

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Para Refletir:

1) De que forma é possível viver a vida de paz que Deus quer e que é também anseio do homem?

2) Como construir uma cultura de paz num mundo em constante desordem?

 

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 08/07/15 – Ficha 89 – A construção da paz: missão de todos- DSI (34ª)Acesse o cronograma das próximas Fichas de Estudos.

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