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Ficha 86 – O meio ambiente e o homem – DSI (31ª)

| 27/05/2015 | 0 Comentário

F. 86Ao longo da publicação dessas 30 fichas da DSI, percebemos que o Compêndio contempla todos os setores da vida humana, e fez isso, assumindo os quatro grandes temas propostos na segunda parte da Gaudium et Spes: a família, a comunidade política, a comunidade internacional e a paz, sendo que esta última será abordada em Ficha futura. A partir da Segunda Conferência das Nações Unidas (1992) sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Eco-92”, que despertou a sociedade para os graves problemas causados pelo homem ao meio ambiente, o tema da ecologia foi incluso, no capítulo X: “Salvaguardar o ambiente”. Seu objetivo é afirmar que, proteger o mundo, “a casa” comum onde vivemos, é condição necessária para a sobrevivência da família humana. Nessa Ficha, serão abordadas as três primeiras partes: Aspectos bíblicos, O homem e o universo das coisas e A crise na relação homem-ambiente.

A primeira parte, os “Aspectos Bíblicos”, nos conduz aos fundamentos da relação da humanidade com o meio ambiente, pois a Palavra divinamente inspirada nos revela o projeto ou “o Plano de Deus” para a humanidade. Deus fez o projeto e deu início à sua realização, criando a natureza e a vida animal, delegando ao ser humano a sua direção e a construção final, dando-lhe plena liberdade para isso.

A narração da criação do mundo, no livro do Gênesis, deixa claro que ele foi criado em função do ser humano que constrói sua identidade na medida em que interage com o mundo criado, com o seu semelhante e com Deus. Os bens não estão à disposição do homem para que faça deles o que lhe aprouver, mas, ao contrário, nesses três âmbitos relacionais, o ser humano descobre a sua vocação. Porém, o homem não se mostrou aberto a tal projeto, criou entraves, revoltou-se contra o seu Criador e alterou o plano traçado; quis ser o dono e o autor do projeto; quis furtar a autoria. Introduziu no mundo o pecado, a soberba, o desejo de ser maior que seu Criador que na sua infinita bondade e misericórdia, ao longo da história, buscou resgatar o sentido original da criação, fazendo e refazendo alianças com o seu povo. Jesus retomou o mandato divino, também nesse sentido de reconciliação do homem com a natureza: “atravessando a morte e nela inserindo a novidade resplendente da Ressurreição, Jesus inaugura um mundo novo, no qual tudo é submetido a Ele” (1Cor 15,20-28), e restabelece aquela relação de ordem e harmonia que o pecado havia destruído.

A consciência dos desequilíbrios entre o homem e a natureza deve ser acompanhada pelo conhecimento de que, em Jesus, realizou-se a reconciliação do homem e do mundo com Deus, de sorte que cada ser humano consciente do Amor divino, pode reencontrar a paz perdida: “A natureza, que fora criada no Verbo, por meio do mesmo Verbo, feito carne, foi reconciliada com Deus e pacificada (Cl 1,15-20)”. Portanto, seguir a Cristo é também se reconciliar com a natureza, deixando-se guiar pelo amor, princípio de uma vida nova, que restitui o mundo e o homem ao projeto das suas origens. “[…] o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro. Tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3, 22-23).

A segunda parte, “O Homem e o universo das coisas” afirma que a visão bíblica deve inspirar a atitude dos cristãos em relação ao uso da terra e dos recursos naturais. O desenvolvimento da técnica e da ciência que são, acima de tudo, dons de Deus e fazem do homem partícipe da luz da inteligência divina, deram ao ser humano grande poder, que deve ser usado para proteger o mundo, e os ecossistemas, como garantia de sobrevivência de todas as espécies e, principalmente, da espécie humana, a quem Deus tudo confiou.

Para a DSI, o ponto de referência central para a ciência e a técnica é o respeito à integridade do ser humano, incluindo as demais criaturas viventes e a natureza. Entretanto, infelizmente, algumas intervenções tecnológicas já causaram impactos negativos ao homem e ao meio ambiente, tais como os defensivos agrícolas e os alimentos transgênicos, criados apenas para alcançar maior produtividade, tendo em vista o lucro. O homem não pode submeter a natureza à sua absoluta vontade, sem qualquer tipo de precaução: desenvolver, sim; destruir, jamais.

A relação que o homem tem com Deus é que determina a sua relação com os seus semelhantes e com o seu ambiente, eis porque a cultura cristã sempre reconheceu nas criaturas que circundam o homem, outros tantos dons de Deus que devem ser cultivados e conservados, com sentido de gratidão para com o Criador. Em particular, as espiritualidades beneditina e franciscana têm testemunhado essa espécie de unidade do homem com o ambiente da criação, alimentando, naquele, uma atitude de respeito e cuidado para com toda a realidade do mundo circunstante, tal como nos lembraram as Campanhas da Fraternidade da CNBB de 1979 (“Preserve o que é de todos”), 2004 (“Fraternidade e água”), 2007 (“Fraternidade e Amazônia”), 2011 (“Fraternidade e a vida no planeta”), e as várias “Romarias da Terra e das Águas”, promovidas pela Comissão Pastoral da Terra, as quais alertaram a sociedade sobre a defesa do meio ambiente e ressaltaram a profunda conexão existente entre ecologia ambiental e “ecologia humana”.

Como vimos nas Fichas anteriores, sobre o importante papel da Comunidade Internacional, cabe recordar a intervenção dela na luta pela manutenção e preservação do meio ambiente. A Eco-92 apresentou uma proposta de desenvolvimento sustentável aos países participantes, não apenas para diminuir a produção de bens de consumo, mas, também, para incentivar o desenvolvimento a partir de práticas de uma cultura de consumo sustentável e, para isso, foi aprovada a Agenda 21 e a elaboração da Carta da Terra, que só foi publicada no ano 2000, e que se constitui como um dos mais importantes referenciais para a luta em defesa do meio ambiente, com 4 grandes eixos ou princípios: 1) Respeitar e cuidar da comunidade de vida; 2) Integridade ecológica; 3) Justiça social e econômica; 4) Democracia, não-violência e paz.

Em 2012, na cidade do Rio de Janeiro, ocorreu a Rio+20 que, resgatando algumas questões do Fórum Social Mundial 2012, defendeu que a luta pelo desenvolvimento sustentável passa pelo enfrentamento das questões políticas, econômicas e sociais. Reconheceu-se que cresceu a consciência do mundo sobre os graves problemas do meio ambiente, mas que quase nada avançou desde a primeira Conferência, e um dos maiores exemplos disso é a quebra do Protocolo de Kyoto, firmado em 1997, com o compromisso de que de todos os países diminuiriam a emissão de gases na atmosfera, com o objetivo de diminuir o aquecimento global, mas que ainda hoje não é respeitado. A principal razão desse fracasso são os interesses econômicos dos grandes países.

A terceira parte, “A crise na relação homem-ambiente” destaca que a intervenção egoísta do ser humano na natureza provoca uma crise que atinge o próprio homem. Ao Magistério eclesial, cabe apontar os problemas que se apresentam e identificar suas origens, denunciando o que se convencionou chamar de “estruturas de pecado”, pois a pretensão humana de exercer domínio ilimitado e incondicional sobre as coisas criadas, atinge todos os que dependem do ecossistema violado. No curso da história, a ação inescrupulosa e predatória do homem contra a natureza foi se acentuando, marcada pela cobiça e sede de poder, culminando, na época moderna, em intensa intervenção transformadora, na busca pela conquista e exploração dos recursos naturais, de forma invasiva e destruidora e, como bem salientou São João Paulo II, no Discurso aos participantes do Congresso sobre “Ambiente e Saúde”, em maio de 1997: “o ambiente como «recurso» corre o perigo de ameaçar o ambiente como “casa”. Por causa dos poderosos meios de transformação, oferecidos pela civilização tecnológica, parece às vezes que o equilíbrio homem-ambiente tenha alcançado um ponto crítico”.

Para o homem moderno, mais que em qualquer outra época, infelizmente, a natureza e o meio ambiente são considerados meros instrumentos a serem manipulados de forma indiscriminada, especialmente para servir à técnica e à ciência, causando efeitos nefastos, já que grande parte dos recursos naturais não são renováveis. Na Encíclica Sollicitudo rei socialis, São João Paulo II destacou que o ato de explorar os recursos naturais, como se eles fossem ilimitados e renováveis, demonstra que o homem transformou a natureza em objeto de consumo, prevalecendo a ideia que para ele é mais importante ter a posse da natureza do que ser integrado a ela, o que gera alienação humana (SdR 26). Tal visão reducionista revela a imanência da cultura centrada no homem, como se tudo o que existe fosse apenas para o proveito dos habitantes desse momento histórico. Por isso, o CDSI afirma que o equilíbrio se alcança apenas pela transcendência, isto é, o homem deve perceber que ele é parte do mundo e não o dono, e que não deve destruí-lo, mas usufruir dele de forma a garantir que gerações futuras também tenham acesso aos recursos naturais.

Embora a natureza deva servir ao homem, ela não pode ser reduzida a mero objeto de manipulação; por outro lado, não se pode entronizá-la como ente divino e intocável, como pretendem alguns movimentos ecológicos. Para o Magistério eclesial, de forma simples e direta, a natureza deve servir ao homem nas suas necessidades básicas, mas deve ser respeitada enquanto parte da criação.

Seguindo a lógica do livro do Gênesis, de que toda a criação é dom de Deus, a DSI reafirma que o meio ambiente deve ser preservado integralmente, pois somente através do equilíbrio entre “casa” e “recurso” a vida humana estará assegurada, e insiste que tal responsabilidade pertence ao homem. Destacando a esperança do ser humano, o CDSI regasta o discurso de São João Paulo II, aos participantes do Congresso sobre “Ambiente e Saúde, de 1997: “A humanidade de hoje, se conseguir conjugar as novas capacidades científicas com uma forte dimensão ética, será certamente capaz de promover o ambiente como casa e como recurso, em favor do homem e de todos os homens; será capaz de eliminar os fatores de poluição, de assegurar condições de higiene e de saúde adequadas, tanto para pequenos grupos como para vastos aglomerados humanos. A tecnologia que polui pode também despoluir, a produção que acumula pode distribuir de modo equitativo, com a condição de que prevaleça a ética do respeito pela vida e a dignidade do homem, pelos direitos das gerações humanas presentes e daquelas vindouras”.

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Para Refletir:

1) Como você julga que deva ser a relação do homem com a natureza?

2) O que significa crer em Deus num mundo em processo de destruição ambiental? Qual deve ser o comportamento do cristão?

 

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

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c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 10/06/15 – Ficha 87 – A responsabilidade comum em relação ao meio ambiente – DSI (32ª)

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