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Ficha 80 – Uma nova economia na globalização (DSI 25ª)

| 04/03/2015 | 0 Comentário

F.80Esta 80ª Ficha aborda a recente visão do magistério da Igreja sobre a economia diante do fenômeno da globalização. Da mesma forma que a Ficha 76 indicou que o Compêndio da DSI abordou as “res novae” do mundo do trabalho, ela também apresenta a sua visão sobre as características da economia no processo de globalização, e o faz numa perspectiva de abertura, destacando que esses novos tempos podem gerar uma economia mais integradora e mais servidora dos povos.

 A globalização: as oportunidades e os riscos

A globalização é designada como um fenômeno social recente, provocado pelas várias mudanças científicas, tecnológicas, políticas e econômicas que ocorreram no mundo, criando a sensação de que o mundo ficou menor, a ponto de ser chamado de “aldeia global”. Como qualquer fenômeno social, a globalização, em si, não é boa e nem ruim, por isso comporta oportunidades e riscos para a humanidade.

As oportunidades podem ser percebidas na acessibilidade aos meios de comunicação e transportes, bem como nos avanços tecnológicos, que têm permitido a integração de pessoas e países, transpondo barreiras físicas e políticas em todo o mundo, colaborando na conscientização a respeito dos direitos humanos e nas articulações sociais em defesa do povo. Os avanços científicos mostram que o mundo é capaz de superar os mais diversos problemas e encontrar saídas para a cura de várias doenças, para o problema de saneamento básico e da fome. Se a inteligência humana é capaz de criar as mais maravilhosas invenções, deve ser capaz, também, de sanar os problemas.

Por outro lado, essa integração entre os povos, que deve ser vista como algo muito positivo, esconde sérios problemas e riscos, pois revela o poderio econômico das nações mais desenvolvidas. Mesmo no aspecto cultural, a supremacia econômica se reflete em uma padronização nos costumes e modos de vida dos povos. O sistema capitalista, ao qual a globalização está ligada, tem incentivado o consumismo, afetando, sobretudo, a questão da exploração dos recursos naturais, que são finitos e precisam ser usados de forma racional e econômica a fim de evitar o aquecimento global, a poluição do ar, do solo, da água, a devastação das florestas, afetando o meio ambiente. Trata-se, portanto, de uma supervalorização da economia, fundamentada nos mercados financeiros, e não na produção de alimentos, bens e serviços. Isso contribui para o aumento da desigualdade entre países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento, ocorrendo também o mesmo no âmbito interno dos países, gerando o crescimento da pobreza. Nessa perspectiva, o processo de globalização, ao invés de reduzir as diferenças entre os países, acaba aumentando a distância entre eles e mesmo entre as diversas camadas sociais dentro desses países.

O campo comercial, que é fundamental para o crescimento produtivo e econômico da maioria dos países, se corretamente orientado nas relações internacionais, poderia e deveria ser um importante motor para o desenvolvimento, com a criação de novos empregos e fornecimento de recursos. Todavia, como o Magistério eclesial tem destacado constantemente, ele acaba sendo manipulado pelas políticas protecionistas praticadas pelos países desenvolvidos, com a discriminação dos produtos produzidos pelos países mais pobres, dificultando ou impedindo as atividades industriais e a transferência ou aquisição de tecnologia. Observa-se assim, o abandono dos critérios éticos da busca do bem comum e da destinação universal dos bens e da equidade nas relações comerciais, além da desatenção aos direitos e às necessidades dos mais pobres nas políticas comerciais e de cooperação internacional.

São João Paulo II, em seu discurso aos membros da Fundação “Centesimus Annus”, sintetizou brilhantemente o pensamento cristão diante das perspectivas desse processo: “O zelo pelo bem comum exige que se aproveitem as novas ocasiões de redistribuição de poder e riqueza entre as diversas áreas do planeta, em benefício das mais desfavorecidas e até agora excluídas ou à margem do progresso social e econômico”. Tal zelo se expressa na sensibilidade e compaixão, que tornam possível comover as pessoas, movendo-as a assumirem a responsabilidade para com o futuro da humanidade e do planeta; isto é, a adotarem uma nova prática social, assentada sobre o senso do dever, numa ética de respeito, solidariedade e cooperação.

 A proposta da DSI

 Frente a essa globalização, a Igreja propõe uma economia regida pela ética e responsabilidade social, marcada pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos. Nesse quadro, a DSI, seguindo o pensamento conciliar da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, reclama uma solidariedade que se adapte à nova era da globalização, com a criação de uma autoridade pública internacional para a efetiva defesa dos direitos humanos, da liberdade e da paz, denunciando a hesitação da comunidade internacional na consecução desse objetivo; conclamando as organizações da sociedade civil a atuarem efetivamente nesse processo na condição de sujeitos internacionais, como as corporações, ONGs, instâncias multilaterais e outros, buscando alternativas que favoreçam a grande família humana, como uma comunidade de destino único, respeitando-se as especificidades locais e as diversidades culturais, bem como as riquezas ambientais.

 O sistema financeiro internacional

Reconhecendo a importância dos mercados financeiros como mecanismo de disponibilização de poupanças para o investimento no financiamento das atividades produtivas e sua participação no crescimento econômico, a DSI enfatiza que a economia financeira tem como função originária e primordial a prestação de serviços à economia real e, consequentemente, às pessoas e às comunidades humanas.

 O papel da comunidade internacional na época da economia global

Diante de um esvaziamento do poder politico dos Estados em face do poder econômico internacional, a DSI destaca a importância da comunidade internacional, que em função de sua missão, deve recuperar o sentido de uma economia que promova uma justa regulação da economia e do comércio mundial, tendo em vista o bem comum global, sendo auxiliada pela política, para assegurar o respeito à dignidade do homem e seu completo desenvolvimento.

 Um desenvolvimento integral e solidário

O objetivo de qualquer atividade só pode ser compreendido se direcionado para o desenvolvimento do ser humano ou, como frisou Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, para “promover todos os homens e o homem todo”. Para isso, é necessário que a economia internacional propicie a distribuição equitativa dos recursos. Estão aí os problemas de ordem social atingindo todos os recantos do planeta (guerras, drogas, doenças, etc.) e nenhum Estado conseguirá enfrentá-los e erradicá-los sozinho. É preciso superar a cultura individualista, para o que a solidariedade mundial se faz necessária, levando à construção de uma vida mais digna para todas as pessoas.

 A necessidade de uma grande obra educativa e cultural

Em vista do progresso técnico e econômico, e dos processos de produção e consumo, o Magistério da Igreja propõe uma grande obra educativa e cultural para resgatar a imagem integral do homem. Essa obra deve abranger, necessariamente, a educação dos consumidores para um consumo responsável, além da responsabilidade dos produtores, dos profissionais em comunicações e das Autoridades públicas.

Concluindo, no capítulo III da segunda parte da GS, os padres conciliares indicaram que a Vida Econômico-Social deve zelar pelo desenvolvimento econômico das nações e de toda a humanidade, pois o ser humano é seu único protagonista: o que gera a economia é o trabalho humano, não a especulação financeira. Cabe à comunidade internacional, aos políticos, às organizações civis e a todas as pessoas de boa vontade buscar uma nova economia que garanta o desenvolvimento humano, pois a construção de uma sociedade melhor passa também pela atividade econômica social. Também o papa Bento XVI, nos recorda: “A razão positivista, que se apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já não queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus. E no entanto não podemos iludir-nos, pois em tal mundo autoconstruído bebemos em segredo e igualmente nos “recursos” de Deus, que transformamos em produtos nossos. É preciso tornar a abrir as janelas, devemos olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo.” (Papa Bento XVI)

Portanto, é preciso que nos voltemos para o centro da criação, que é o homem e a mulher. É para eles que tudo deve existir e não o contrário. A economia diz respeito à administração dos bens que Deus, em sua bondade, concedeu a humanidade. Necessitamos urgentemente refletir a respeito da sobrevivência do ser humano e não a dos mecanismos por ele criado. O humano, ao se fazer criador, está destruindo parte da humanidade e do planeta.

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 Para Refletir:

1) Depois de ter lido e refletido sobre a Ficha, quais seriam as condições necessárias para que surja uma economia que seja realmente nova, segundo a perspectiva da DSI?

2) Dentre os desafios apontados na Proposta da DSI para a construção de uma economia mais a serviço da humanidade, qual o item você julga mais instigante/provocador e por quê?

Orientações para a Interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 018/03/15 – Ficha 81 – A comunidade política – aspectos bíblicos e objetivos – DSI (26ª)

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