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FICHA 60 – Evangelização e Doutrina Social -DSI (5ª)

| 09/04/2014 | 1 Comentário

F-60A Ficha nº 60 trata de “Evangelização e Doutrina Social”, que é objeto do primeiro tópico do Capítulo II do Compendio da DSI: “Missão da Igreja e Doutrina Social”. Seu objetivo é mostrar que tanto a Evangelização quanto a DSI estão fundamentadas na Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo. Ambas se integram e se completam na missão da Igreja que se caracteriza, ao mesmo tempo, como dever e direito: dever porque decorre do mandato de Jesus de evangelizar todos os povos da Terra, e direito, pois o anúncio da mensagem cristã  é constitutiva da essência da Igreja.

a) Igreja, morada de Deus com os homens

Nesse capítulo, o Compêndio usa duas bonitas imagens da Igreja. Primeiro, a nomeia  “morada de Deus”, que não deve ser entendida como  o ‘templo de pedra’, mas  sim como a imagem  Povo de Deus (LG, Cap. II). Deus mora, se encontra em meio ao seu povo que se constitui Igreja. Em um segundo momento, ela é chamada de “ministra da salvação”, enquanto aquela que permanentemente anuncia o Projeto amoroso do Pai. Caminhando com o povo, a Igreja se faz sacramento do amor de Deus e da esperança para a humanidade que aguarda o Reino. Nesta segunda imagem, a Igreja revela a dimensão social da sua missão como a origem e a razão de sua existência, isto é, a evangelização integral do homem.

As palavras de Cristo, “Eis que eu estou com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20), nos levam a compreender que o cristão não se encontra só.  Conforme a consideração de Santo Agostinho, apesar de sua individualidade, todo ser humano é aberto ao relacionamento com outros, tem uma natureza social, sendo chamado a viver em sociedade. Essa natureza o leva a se inserir na rede de relações familiares, entre indivíduos, em grupos de interesses afins, buscando uma melhor qualidade de vida na procura e aquisição do bem comum, formando comunidades que lhes garantem o bem pessoal, familiar e associativo. É, pois, da natureza humana criar comunidades nos vários campos da sociedade, tais como políticas, econômicas, jurídicas, religiosas e culturais, entre outras, que fazem parte de um contexto maior, pois compreendem a rede complexa de relações nas sociedades atuais. Fazendo parte da comunidade cristã que é a Igreja, ministra da salvação e perita em humanidade, dela recebe, através da doutrina social, a palavra de vida e apoio no contexto da própria história e do mundo, na compreensão de sua vocação e suas aspirações, nas suas limitações, nos seus direitos e atividades.

A Igreja sempre esteve atenta ao problema social, através de propostas de atuação na defesa da dignidade da pessoa humana. Já no final do século XIX, o Papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum, definia os direitos e responsabilidades do capital e do trabalho, e analisava a necessidade de agir no combate à causa dos conflitos, na diversidade econômica que se apresentava, e pensava em medidas prontas e eficazes, para auxiliar os que estavam “pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida” (RN,2). Sempre fundamentados na mensagem do Evangelho e na ética cristã, essa consciência está presente no Concílio Vaticano II e nos documentos e atualizações que o seguiram, como o de Puebla, apontando que ao lado das verdades da fé, “há também elementos que são alteráveis e respondem às condições próprias de cada país e de cada época” (Puebla, 472).

b) Fecundar e fermentar a sociedade com o Evangelho

Segundo a DSI, a Igreja entende que sua missão vai além de anunciar o Evangelho. Implica em criar condições para que as propostas evangélicas de Jesus Cristo atinjam a sociedade por inteiro, por isso usa os verbos ‘fecundar’ e ‘fermentar’. Como fermento do Evangelho, a forma mais fecunda de evangelizar uma sociedade consiste na evangelização de sua cultura, de sua ética e de seus valores comunitários, de seus ideais de justiça e verdade, solidariedade e igualdade, reconciliação e fraternidade, promoção e dignidade religiosa e cultural, social e política (Santo Domingo, 20). Dessa forma, a Igreja anuncia e envolve, como em uma rede, toda a sociedade em sua missão salvadora. Ao abordar as dimensões: política, social, econômica e cultural, a Igreja pretende atingir todas as dimensões da sociedade humana,  e tal como a Encíclica Redemptor Hominis nomeia a sociedade como a “primeira e fundamental via da Igreja” (RH, 14). Embora estas dimensões sejam seculares, a Igreja se debruça sobre elas em função de sua missão, que é de salvar integralmente as pessoas e as sociedades, pois cuidar apenas do anúncio seria separar a Encarnação da Redenção.

Na fé cristã, a Redenção de Cristo começa pela Encarnação, pela qual o Filho de Deus assume o ser humano por inteiro, não somente na sua individualidade, como também no conjunto da sociedade. Como sinal universal da salvação, a Igreja percorre esse caminho e  nada do que é humano lhe pode ser alheio para fecundar e fermentar a sociedade com a Boa Nova do Reino de Deus: “O Reino do céu é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (Mt 13, 33). Porém, para esta ação, os desafios são muitos: o século XX viu surgirem sistemas econômicos que privilegiam o lucro, o ser humano privado de sua liberdade, poucas nações muito ricas à custa da pobreza e da miséria de muitos. O Papa João Paulo II, na Encíclica Centesimus Annus adverte: “todo sistema segundo o qual as relações sociais seriam inteiramente determinadas pelos fatores econômicos é contrário à natureza da pessoa humana e de seus atos” (CA, 24). Analisando essa realidade, segundo o olhar dos Discípulos Missionários, o Documento de Aparecida observa como a “atual concentração de renda e riqueza acontece principalmente pelos mecanismos do sistema financeiro”, pois estes buscam o lucro imediato, favorecem a acumulação do capital especulativo e não os investimentos produtivos que seriam em benefício do bem comum (DA 69). A DSI está centrada na defesa da dignidade pessoal do homem, imagem de Deus, e fornece bases para a Igreja assumir sua tarefa e a missão profética no mundo, na medida em que atualiza o anúncio da mensagem de Cristo e atua na denúncia de situações que são contrárias a ela, colocando-se ao lado dos pobres e marginalizados da sociedade.  Com a DSI, a Igreja ensina aos homens exigências de acordo com a sabedoria divina, dispondo-os a cultivar pensamentos e projetos de amor, justiça, liberdade e paz. Nesse sentido, evangelizar o social é infundir no coração humano o real sentido do Evangelho, de modo a promover uma sociedade mais humana, em conformidade com o Reino de Deus.

 c) DSI, evangelização e promoção humana

A  Encíclica Sollicitudo rei socialis  afirmou que a DSI é o coração da ministerialidade da Igreja, pois através do ministério da Palavra e da função profética, ela contribui para a análise da realidade (Ver), para a compreensão dessa realidade à luz da Palavra de Deus  (Julgar) e, por consequência, para encontrar caminhos na sociedade (Agir), método amplamente divulgado pelas Conferências de Medellín e Puebla, e utilizado pela Igreja no Brasil. Segundo a GS, a Igreja se preocupa com o bem comum e procura ensinar um equilíbrio na relação entre a sua mensagem, os bens terrenos e a vida social. A evangelização e a promoção humana estão diretamente ligadas à ação, o que implica no entendimento de que ambas são um serviço  para o qual é chamado todo o Povo de Deus que é a Igreja (LG cap.II e IV), e sob a responsabilidade de todos os batizados. No que diz respeito à atuação pastoral de hoje, o conceito do que é ser um cristão evangelizado está sendo revisto, diante da prática de atos incoerentes de muitos que se consideram cristãos por terem sido batizados na fé católica. Estes temas estão tratados no DA (Cap. VI, 6.3), nos detalhes da iniciação cristã, da formação e da catequese permanente, bem como no Documento 94 “DGAE 2011-15”, nos Estudos 97: “Iniciação à Vida Cristã, um processo de inspiração catecumenal” e 104 “Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia”, da CNBB. A promoção humana também passou a ser renovada, voltada para a promoção humana integral, ou seja: “promover todos os homens e o homem todo” (GS, 76). Nas palavras do Papa Bento XVI, no Discurso Inaugural – DA, “a evangelização vai unida sempre à promoção humana e à autêntica libertação cristã”.

Considerando a ação evangelizadora da Igreja,  o Documento 94 da CNBB, aponta que, no atual período da história em que vivemos, a missão assume um rosto próprio, com três características: urgência, amplitude e inclusão. Urgência, pela oscilação de critérios, e ampla e includente porque reconhece que todas as situações, tempos e locais são seus interlocutores, o que suscita em cada batizado uma forte consciência missionária.

d) Direito e dever da Igreja

A DSI, enquanto essência da missão, é condição para a existência da Igreja. Trata-se, pois, de um direito de ser mestra das verdades da fé e da verdade da natureza humana contidas no Evangelho, na vivência da Palavra (Mt 7, 24; Tg 1, 22) que lhe foi dada por Cristo.  Por outro lado, o texto da 1Cor 9,16 “ai de mim se eu não anunciar o Evangelho”, ajuda a compreender a DSI como um dever. Cabe à Igreja promover meios para que o anúncio da fé encontre eco no coração humano e se torne efetiva prática social de defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana. Dessa forma, ela atualiza a presença do Salvador na humanidade e justifica sua presença no mundo, sobre a qual prestará contas ao seu Senhor. Essa vivência é a que reflete a adesão a Cristo por inteiro, conforme afirmou o papa Francisco, “a Igreja tem o direito e o dever de manter acesa a chama da liberdade e da unidade do homem”.  Um apelo ressoa na consciência dos cristãos: percorrer todos os caminhos com a mensagem de Cristo, a partir da sua condição de discípulos e missionários e, assim, estimular o Evangelho da vida e da solidariedade na ação pastoral, à luz da Doutrina Social da Igreja.

Conclusão:

A DSI, ao assumir as orientações do Vaticano II, traz um grande alento às comunidades cristãs e a todos os homens de boa vontade. De uma Igreja fechada em si mesma, que perpassou vários séculos, ela ingressa numa fase de redescoberta das origens do cristianismo, que busca ser fiel à proposta de Jesus Cristo, descobrindo o seu verdadeiro sentido e seu papel no mundo. Nada pode ser mais importante do que buscar o implemento da verdadeira liberdade, que tem na sua base o respeito à dignidade humana, a solidariedade entre os povos e o amor a Deus e aos irmãos, associado ao anúncio e atualização da Boa Nova.

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 Para Refletir:

1) Como você  entende  a Missão da Igreja como  um direito e um dever?

2) Por que a Igreja é “ministra da salvação” ?

3) O que você entende por cristão ‘evangelizado’?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 23/04/14 – Ficha 61 – A natureza da Doutrina Social da Igreja – DSI (6ª)

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