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Ficha 59 – A pessoa humana e a missão da Igreja – DSI (4ª)

| 26/03/2014 | 1 Comentário

DSI -4Esta Ficha aborda o IV e último tópico: “Desígnio de Deus e Missão da Igreja”, do 1º capítulo da DSI. Dando continuidade às reflexões das Fichas anteriores, o título escolhido para esta Ficha: “A pessoa humana e a missão da Igreja” deseja explicitar que o foco da DSI é a pessoa humana em sua extensa teia de relações sociais, e para ela deve se voltar toda a Missão da Igreja.

a) A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana [1]

Prefigurada no povo de Israel, sedimentada na vida de Jesus, principalmente na instituição da Eucaristia, a Igreja nasce pela graça do Espírito Santo no evento de Pentecostes, para ser sinal e voz de Deus no mundo, mantenedora, continuadora e anunciadora da mensagem salvífica. Esta mensagem afirma que a vocação do ser humano é participar da divindade do Pai. Assim, a comunidade Igreja ultrapassa  a noção de comunidade social ou politica, pois a sua principal característica é ser uma comunidade de crentes que se reconhecem amados por Deus e esperam o dia final para contemplar plenamente o Reino, vivendo no presente em comunhão com a Trindade Santa e com os irmãos.

O termo grego Eclésia expressa originalmente a assembleia dos escolhidos ou convocados ou, em outras palavras, dos cidadãos. No cristianismo nascente, o termo passou a designar a comunidade daqueles que são convocados pelo Cristo Ressuscitado, colocando-se no seguimento do caminho traçado por Ele, aderindo aos ensinamentos dos Apóstolos e abrindo-se à ação do Espírito Santo. Aliás, Igreja do Caminho foi o primeiro nome dado aos seguidores de Jesus. Fundada por Ele, esta Igreja é formada pelo duplo elemento humano e divino e colabora para a compreensão do mistério do homem, nas suas dificuldades e limitações, tendo o próprio Cristo como centro e fim de toda a história humana, a fonte e a razão pela qual o homem atinge toda a sua plenitude (GS, n.n. 10, 22 e 40).

É de importância vital o entendimento de que a Igreja, nesse sentido, não é apenas a instituição hierárquica, mas sim, toda a comunidade de fiéis que se reúne em torno da Eucaristia em todos os lugares do mundo (LG). A missão da Igreja é, portanto, a missão de toda a comunidade de fiéis. De fato, como ensina a GS, a Igreja, constituída e organizada por Cristo, “tem um fim salvador e escatológico, o qual só se poderá atingir plenamente no outro mundo. Mas ela existe já atualmente na terra, composta de homens que são membros da cidade terrena e chamados a formar já na história humana a família dos filhos de Deus, a qual deve crescer continuamente até a vinda do Senhor” (GS, n. 40). Além de sua finalidade salvífica e escatológica, a Igreja é impelida a contribuir com a sociedade, no sentido de torná-la mais justa, fraterna e solidária, principalmente para com os que mais sofrem, impondo-se como baluarte contra toda e qualquer pretensão totalitarista e exclusivista. No seguimento de Jesus, a Igreja reconhece que fora dela, no coração de todos os homens de boa vontade, pode-se encontrar sinais do Reino, mas cabe aos cristãos intensificarem estes sinais no cumprimento da lei nova do amor.

Como comunidade de fiéis renovados em Cristo, a Igreja é sinal e instrumento da transcendência da pessoa, enquanto afirmação da vocação humana à santidade. Como Igreja Servidora, ela assume a tutela ou salvaguarda dessa transcendência na medida em que, através de sua missão de anunciar e comunicar o Evangelho e de constituir comunidades, contribui para que  o ensinamento de Jesus se faça presente como sinal do Reino, afim de que os membros da sociedade realizem integralmente a vocação humana. Os cristãos, com a sua presença no mundo do trabalho, do ensino e como membros da comunidade politica, são chamados a testemunhar através de palavras e ações, a fé que professam. Dessa forma o que difere na ação de um  cristão e um não cristão, não é o engajamento no mundo ou a sua ação, mas a motivação com que o fazem.  A promoção da dignidade humana para os cristãos, antes de ser uma afirmação dos Direitos Humanos, ligados à ideia de Democracia, é uma exigência da fé e da razão.

b) Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais

Na Audiência Geral do dia 15 de janeiro deste ano, na catequese sobre o Batismo, o Papa Francisco ressaltou a dimensão comunitária da vida cristã. Ele disse: “Somos uma comunidade de fiéis, […] e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para ser «canais» da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma «moldura», um «contorno», mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização”.

Percebe-se, assim, que a salvação não é oferecida apenas à pessoa individualmente, mas também aos relacionamentos sociais, pois a vida em Cristo, no seu seguimento, faz aflorar plenamente a sociabilidade do ser humano, tornando a comunidade um ambiente de comunhão, de testemunho e de missão, conforme o espírito evangélico. Assim, transformar a realidade torna-se tarefa de toda comunidade cristã, que passa a atuar como fermento na massa, atentando tanto aos sinais que lhe envia o dinamismo do mundo em sua constante busca pela perfeição, como aos princípios da lei natural, inerente à obra do Criador.

Entendendo que o mundo atual clama por uma transformação radical, o Magistério Social da Igreja busca oferecer respostas para sanar os graves problemas da humanidade, pois em Cristo e com Cristo aprendemos que a lei fundamental é o novo mandamento do amor, já que Ele nos revelou que “Deus é Amor”. A vivência do amor é o instrumento de transformação pessoal e social, sinal de transcendência.

c) Novos céus e nova terra

Ser cristão é fazer parte do povo da esperança, virtude que nos foi ofertada pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, no qual todos somos herdeiros das promessas de Deus. Essa esperança está fundada na certeza de que todos nos encontraremos na morada eterna que o Senhor nos preparou, libertos da fraqueza e da corrupção terrena. Entretanto, junto com essa esperança, o cristão tem também a certeza de que a chave dessa morada deve ser conquistada já nesta fase terrena da nossa vida, através do amor, que nos leva à prática de boas obras. Assim, ao invés de nos tornarmos indiferentes para as coisas do mundo, à espera do paraíso, essa esperança nos impulsiona a buscar a transformação e a conversão na nossa realidade atual, de trabalhar pela instauração do Reino no aqui e agora.

De Cristo, através do Evangelho ouvimos: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim (…) todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 34-36.40). Nesta Palavra temos a garantia da graça do Pai sobre a humanidade, do seu amor e da sua justiça, que resplandecerá plenamente na Pátria eterna, mas temos também a clara noção de nosso dever na caminhada terrena para alcançar a plena realização pessoal. É no agir humano, aberto ao dom do Espírito Santo, que as relações interpessoais vão se aperfeiçoando na prática da justiça e na busca da paz, configurando a pessoa ao Cristo Redentor.

d) Maria e o seu “fiat” ao desígnio de amor de Deus

O “sim” de Maria ao desígnio de amor de Deus, acolhendo o enviado do Pai, o Salvador dos homens, e o seu canto – o “Magnificat” devem nos ajudar a, também, expressarmos o nosso sim ao projeto de Deus. O canto de Maria é uma denúncia contra toda a opressão, contra todo o egoísmo e toda anti-fraternidade, proclamando que Deus é Aquele que derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes, sacia de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, dispersa os soberbos e conserva a Sua misericórdia para aqueles que O temem (cf. Lc 1, 50-53).  Sendo assim, a opção pelos pobres não é um modelo  interpretativo e sociológico que apareceu depois de Medellín e Puebla, mas a adesão da Igreja de Jesus que está na América Latina ao projeto de salvação de toda a humanidade. Esta opção continua sendo como um cântico atual das comunidades que acreditam na encarnação e na razão da manifestação do Filho de Deus na história; fruto do Amor misericordioso de Deus que continua olhando a pobreza do seu povo e vem socorrê-lo. O cristão é desafiado também a dizer o seu sim ao plano divino, a se renovar, a se transformar em verdadeiro discípulo missionário, tal como Maria, que, totalmente dependente de Deus e toda orientada para Ele, com o impulso da sua fé “é o ícone mais perfeito da liberdade e da libertação da humanidade e do cosmo” (Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Libertatis conscientia, nn. 97).

A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, sobre a transformação missionária da Igreja, pode ser vista como retomada destas proposições do compêndio. Na esteira da Conferência de Aparecida, que nos convida a repensar a Igreja a partir da missão, e a repensar a missão a partir do mistério da Igreja, o documento papal aborda uma Igreja que sai de si, do chamado e do envio, cujo dinamismo Deus quer provocar nos crentes. Cabe à Igreja, comunidade de fiéis, lançar-se ao mundo, testemunhando sua fé no Ressuscitado. Ela será sinal da transcendência humana e zeladora de sua dignidade se assumir a sua participação de direito na comunidade sociopolítica em que se insere e, desta forma, exigir a efetivação das leis que promovam a liberdade, a igualdade e a fraternidade entre todos os homens.

 Nota:

[1] A palavra “tutela”, da qual deriva tutor e tutora, se refere ao conjunto de obrigações assumidas por alguém ou por alguma instituição, em substituição ao responsável original, como por exemplo, o tutor que substitui o pai em relação ao filho menor ou o caso do Ministério Público, que em ação coletiva defende os direitos da sociedade. No caso da Igreja, ela recebe de Cristo o mandato para continuar sua obra salvífica. No texto, acrescentamos os complementos “salvaguarda” e ”zeladora” como formas de explicitação da noção de tutela.

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Para Refletir:

1. Como você entendeu a afirmação que a Igreja é sinal e ao mesmo tempo ‘tuteladora’ (salvaguarda) da transcendência humana?

2. Como isto contribui para que os cristãos tomem consciência de sua missão?

3. Qual a mensagem que o “Magnificat”  propõe como projeto evangélico no campo ético-religioso, sociopolítico e econômico?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 09/04/14 – Ficha 60 – Evangelização e Doutrina Social da Igreja – DSI (5ª)

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