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Ficha 58 – A Pessoa Humana no Desígnio de Deus – DSI (3ª)

| 12/03/2014 | 0 Comentário

DS3Esta Ficha aborda o tópico III: “A Pessoa Humana no Desígnio de Amor de Deus, do 1º capítulo da DSI, dando continuidade ao assunto abordado na Ficha anterior: a correta concepção da pessoa humana e de seu valor único no desígnio de Deus, segundo a  Constituição Pastoral Gaudium et Spes e da Declaração Dignitatis Humanae. O Catecismo da Igreja Católica, em seu nº 1 diz: “Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem aventurada”. Ou seja, o homem foi criado por Deus para um fim feliz, para nele, com ele e por ele possuir a vida, e vida em plenitude (GS:16). Esta é a vontade que o Filho Jesus veio cumprir, anunciando a palavra salvífica (Jo 14,24). Desta mesma palavra a Igreja se faz porta-voz, continuando na história o “diálogo de salvação” iniciado por Deus para toda a humanidade.

 a) O Amor trinitário, origem e meta da pessoa humana

Toda a pessoa é por Deus criada, amada e salva em Jesus Cristo, e se realiza tecendo multíplices relações de amor, de justiça e de solidariedade com as outras pessoas, na medida em que desenvolve a sua multiforme atividade no mundo. Aí reside a razão da sua dignidade. Por isso, “Ser pessoa à imagem e semelhança de Deus comporta um existir em relação, em referência ao outro” (João Paulo II, Carta Ap. Mulieris Dignitatem:7), porque Deus mesmo, Uno e Trino, é comunhão de amor e reciprocidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É por esta experiência de Deus, que nunca deixa de mostrar o Seu amor e a Sua Providência para com os Seus filhos que a pessoa humana descobre a origem e a meta da sua existência e da história.

Desta forma, o Compêndio desejou destacar que a dignidade da pessoa humana é sagrada, pois todo o ser humano traz em si a centelha divina e, por isso, cabe à Igreja, através de sua ação pastoral, defender a vida desde a concepção até a sua morte natural. Esta é a compreensão eclesial da pessoa humana, da sociedade e da história. A sociedade pós-moderna, neoliberal, tecnicista, tem reduzido a pessoa na produção e no consumo, excluindo quem não se adapta a ela. Por isso, torna-se urgente resgatar essa dignidade e recriar espaços para uma forma humanitária de ser e agir, tal como o desígnio do Criador. A esta contraposição entre a noção cristã de pessoa, a Igreja chama de pecado social, que deve ser sempre combatido pois, em última análise, nada mais é do que a exploração de irmãos por irmãos, sempre denunciada na história da salvação.

 b) A salvação cristã: para todos os homens e do homem todo

A salvação dirige-se a todos os homens, é salvação universal e integral, em todas as suas dimensões: pessoal e social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente, por isso, requer a sua livre resposta e adesão. Nisso consiste a fé, “pela qual o homem se entrega livre e totalmente a Deus” (DV:5), respondendo ao Amor providencial e sobreabundante de Deus (1Jo 4,10) com o amor concreto aos irmãos. Como ensina Jesus  no primeiro de todos os mandamentos: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe” (Mc 12,28-31). Assim, a salvação, doada em Jesus Cristo, exige que a relação que a pessoa é chamada a ter com Deus esteja vinculada à responsabilidade ética para com o próximo.

É na dimensão espiritual do homem que Deus se manifesta e produz transformações, despertando-o para a justiça, a solidariedade e para a edificação de uma vida social, econômica e política conforme o desígnio divino, de tal modo que ele se sente  chamado a testemunhar esse amor com palavras e obras. A criatura humana começa a experimentar esta manifestação do Amor de Deus já na sua vida, mas o seu cumprimento, porém, encontra-se no futuro que Deus nos reserva, quando formos chamados, com toda a criação (Rm 8), a participar da Ressurreição de Cristo e da comunhão eterna de vida com o Pai.

Neste tópico, concebe-se uma visão ecumênica, para além das expressões religiosas e culturais, e profundamente promotora da dignidade humana que norteou a ação pastoral da Igreja pós-Concílio, reproduzida nos vários documentos das Conferências Latino-Americanas e da CNBB. A ação ecumênica e o diálogo inter-religioso tem como objetivo promover a vida de todos, e isso é percebido nos setores populares, onde as comunidades vivenciam os problemas sociais que afetam, indistintamente, a todos. A busca por soluções para resolver tais problemas desencadeiam ações práticas de ecumenismo e diálogo inter-religioso. Nesses espaços, a solidariedade, a ajuda mútua e a busca por uma vida digna revelaram que a luta pelo bem comum se fundamenta na certeza da salvação para todos!

 C) O discípulo de Cristo, uma nova criatura

O ser humano é recriado em Cristo para poder responder ao apelo de Deus, tornando-se uma nova criatura pela força da graça. Deus oferece ao homem a graça para ajudá-lo a superar os fracassos, para arrancá-lo do perigo do amor desordenado de si,  da mentira e da violência, para sustentá-lo e incentivá-lo a tecer de novo, com espírito sempre renovado e disponível, a rede das relações verdadeiras e sinceras com os seus semelhantes (CIC:1889).

Como nova criatura, ele fica habilitado na graça a caminhar em “uma vida nova” (Rm 6, 4). Tal caminho, porém, “vale não apenas para os que creem em Cristo, mas para todos os homens de boa vontade, no coração dos quais, invisivelmente, opera a graça”. Acredita-se que o Espírito Santo a oferece a todos, de um modo que só Deus conhece a possibilidade de serem associados ao Mistério Pascal (GS 22): “Resgatado por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo” (Rm 6,4), significa a transformação interior da pessoa humana, na sua progressiva conformação a Cristo e à sua missão.

O Compêndio lembra que a dimensão missionária é fundamental para a Igreja  pós-Concílio. Não foi por acaso que a GS e os Decretos Ad gentes e Apostolicam Actuositatem insistiram no dever  de anunciar Cristo a todos. Sem comprometer a noção de missão às nações (ad gentes), o Concílio destacou a necessidade da missão ser realizada cotidianamente pelos cristãos, nos ambientes onde estão.  Em 1975, através da Evangelli Nuntiandi, o papa Paulo VI abordou a urgente necessidade de redimensionar a Evangelização do Mundo a partir das diversas realidades. A exortação indicava os caminhos para a Evangelização, o seu conteúdo, os destinatários, bem como quem eram os missionários, marcando profundamente a Igreja Latino-Americana. Em 1978, na abertura da Conferência de Puebla: “A Evangelização no presente e no futuro da América Latina”, o papa João Paulo II apresentou a visão antropológica que deveria nortear aquela assembleia: ”a defesa do direitos dos pobres”. Em 2007, a Conferência de Aparecida destacou que os cristãos são os principais agentes da Missão e os chamou de ”Discípulos Missionários”, aqueles e aquelas que tornam visíveis o amor misericordioso do Pai. O Documento lembrou que a missão nasce do encontro com o Cristo que faz novas criaturas e as impulsiona para o testemunho de fé. Aparecida lembrou que todos são, simultaneamente, ouvintes e anunciadores da Palavra, e que ser discípulo não se restringe apenas às práticas religiosas, mas no cotidiano testemunho de fé, através da solidariedade com os que sofrem com o pecado do mundo.

 d) Transcendência da salvação e autonomia das realidades terrestres

A pessoa humana, em si mesma e na sua vocação, transcende o horizonte do universo criado, da sociedade e da história: o seu fim último é o próprio Deus (CIC 22440), que se revelou aos homens para convidá-los e recebê-los na comunhão com Ele (DV:20). A Encíclica Centesimus Annus diz que “O homem não se pode doar a um projeto somente humano da realidade, nem a um ideal abstrato ou a falsas utopias. Ele, enquanto pessoa, consegue doar-se a uma outra pessoa ou outras pessoas e, enfim, a Deus, que é o autor do seu ser e o único que pode acolher plenamente o seu dom” (João Paulo II, CA:41). Por isso,  ”alienado é o homem que recusa transcender-se a si próprio e viver a experiência do dom de si e da formação de uma autêntica comunidade humana, orientada para o seu destino último, que é Deus. Alienada é a sociedade que, nas suas formas de organização social, de produção e de consumo, torna mais difícil a realização deste dom e a constituição dessa solidariedade inter-humana” (João Paulo II, CA:41). A pessoa humana não pode e não deve ser instrumentalizada por estruturas sociais, econômicas e políticas, pois todo homem deve ter a liberdade de orientar-se para o seu fim último.

Trata-se de uma relatividade escatológica, ou seja, do final dos tempos, no sentido de que o homem e o mundo vão ao encontro do fim, que é o cumprimento do seu destino em Deus; e de uma relatividade teológica, enquanto o dom de Deus, mediante o qual se cumprirá o destino definitivo da humanidade e da criação, supera infinitamente as possibilidades e as expectativas do homem. Qualquer visão totalitária da sociedade e do Estado, e qualquer ideologia puramente intramundana do progresso são contrárias à verdade integral da pessoa humana e ao desígnio de Deus na história.

De importância fundamental para compreender a DSI são os capítulos III, IV e V da GS que abordam respectivamente, “A vida econômico-social”,  “A vida da comunidade política” e “A construção da Paz e a promoção da comunidade dos povos”. Logo após o Concílio, o papa Paulo VI afirmou na Encíclica Populorum Progressio que a construção da Paz dependia do esforço das nações em contribuir para o desenvolvimento sociopolítico e econômico das nações mais pobres, mostrando a concepção antropológica de valorização do ser humano em relação ao capital. O Estado, a sociedade civil, as diversas organizações e cada indivíduo singular, têm a missão de se comprometer sócio e politicamente na transformação da sociedade e do Estado.  Na América Latina, cabe lembrar os esforços das Dioceses depois das Conferências de Medellin e Puebla, bem como da CNBB para implantar ações pastorais voltadas para a promoção da vida, conhecidas como  pastorais sociais (CPT, Pastoral da Criança, Pastoral da Mulher Marginalizada, Pastoral Operária, Pastoral Carcerária, Pastoral Indígena etc).

Em síntese, a “chave interpretativa” para a compreensão da Dignidade Humana reside na Revelação Divina, ou seja, encontrar em cada pessoa humana o rosto de Jesus Cristo, que sendo divino assumiu a condição humana e a redimiu tornando-a partícipe da sua divindade.

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Para Refletir

1) Qual dos quatro tópicos desta ficha chama mais a atenção na compreensão da DSI? Por quê?

2) O texto dá grande destaque à participação dos leigos e leigas na construção da sociedade civil. De que forma o conhecimento da DSI contribui nesta ação?

3) Como superar a tendência à autossuficiência e ao individualismo presentes em nossa vida e em nossa comunidade?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 26/03/14 – Ficha 59 – A pessoa humana e a missão da Igreja – DSI (4ª)

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