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Ficha 57 – O amor de Deus e seu cumprimento em Jesus Cristo – DSI (2ª)

| 26/02/2014 | 1 Comentário

DSI-2Esta Ficha abordará os tópicos I e II: “O agir libertador de Deus na história de Israel” e  “Jesus Cristo cumprimento do desígnio de amor do Pai”, do 1º capítulo (I Parte) da DSI: “O Desígnio de amor de Deus a toda a humanidade”.  Na perspectiva do Concílio Vaticano II, eles destacam a centralidade da Revelação Divina, expressa na Constituição Dogmática Dei Verbum. O Antigo Testamento (Primeiro Testamento) narra a experiência do povo de Israel, que se descobre amado por Deus, e o Novo Testamento (Segundo Testamento), a Revelação de Deus na Pessoa de Jesus Cristo e o evento salvífico da Sua morte e ressurreição, além do chamado “tempo da Igreja”, através da qual Deus continuou, e continua ainda hoje, revelando sua obra.

No início da primeira parte do Compêndio, lê-se a seguinte epígrafe: “A dimensão teólogica revela-se necessária para interpretar e resolver os problemas da convivência humana” [João Paulo II, Centesimus annus, 55]. Isso indica que a DSI, como fruto tardio do Vaticano II, deseja consolidar o interesse do cristianismo pela dimensão socialfundamentada na Sagrada Revelação e expressa na Bíblia Sagrada, cuja continuidade se dá através do Magistério da Igreja.

 I. O agir libertador de Deus na História de Israel

“Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa dos seus opressores. Sim, eu conheço os seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo sair do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel” (Ex 3, 7-8).

Essa passagem traz a revelação de um Deus que se envolve e se compromete de tal forma com a história humana, a ponto de propor uma Aliança, principalmente com os que estão marginalizados e, aliado a eles, construir uma nova história, na qual o povo possa viver a liberdade e encontrar a vida. Essa proposta pressupõe novas relações políticas, econômicas, sociais e religiosas, entre si e com outros povos. Israel, o povo escolhido para ser testemunha da ação de Deus na humanidade, descobre o Deus único, criador do mundo a partir do “nada”, o “Eterno e Todo-Poderoso”. A Sua proximidade gratuita apresenta-se, então, como dom na libertação da escravidão e na promessa da terra, e é concretizada na aliança com o seu povo, no Monte Sinai, através do Decálogo, os dez mandamentos que constituem “as regras primordiais de toda a vida social” [João Paulo II, Veritatis Splendor, 97]. Na verdade, eles apresentam um caminho que indica as condições mais seguras para uma existência livre do pecado; um ensinamento da verdadeira humanidade, que aponta os deveres essenciais e fundamentais, inerentes à natureza da pessoa humana e necessários à construção de uma sociedade nova que seja justa e fraterna. Do Decálogo brota a chamada “legislação mosaica”, da qual deriva um compromisso, não só com relação à fidelidade ao Deus único e verdadeiro, mas também com relação ao convívio social, definidas como leis “do direito do pobre”,  tornando-se como que o princípio fundante da vida social, política e econômica de Israel e, para todo o povo de Deus de todos os tempos, uma norma de vida que regula as questões relacionadas à pobreza econômica e às injustiças sociais. Trata-se de um princípio invocado para transformar continuamente a vida do povo e conformá-la ao desígnio de Deus.  Os preceitos do ano sabático [1] e jubilar [2] não eram, então, uma mera norma ligada à liturgia, mas uma orientação socioeconômica que buscava regulamentar a questão da posse e propriedade, das dívidas, das prestações de serviço e dos bens, classificado pelo papa  como o principio da “Doutrina Social” [João Paulo II, Tertio Millennio adveniente,13].

A Sagrada Escritura, especialmente os livros proféticos e sapienciais, tiveram a finalidade de registrar a “história da salvação” e o amor de Deus,mostrando que toda experiência do mal origina-se tão somente no coração humano,  tendo levado o homem à desobediência e à ruptura de sua comunhão com Deus, o que, por sua vez, levou à ruptura da unidade interior da pessoa humana. Ela também apresenta uma história de crítica e denúncia contra  situações de pecado, sempre defendendo os menos favorecidos (estrangeiros, viúvas, escravos, crianças e os marginalizados em geral). Mas a profecia aponta também a visão d’Aquele que viriapara salvar Israel e estabelecer um novo reinado de paz e fraternidade. Deus enviaria o Messias, o “Filho do Homem”, o cordeiro no meio de lobos.

 II. Jesus Cristo, cumprimento do desígnio de amor do Pai

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).

Em Jesus, Deus realiza o seu desígnio de Amor, conforme Ele manifestou: “aquele que me viu, viu também o Pai” (Jo 14, 9). O Verbo que se fez carne manifesta definitivamente quem é Deus e como Ele se comporta com os homens.

Como Homem, Jesus anuncia o Amor misericordioso de Deus a todos aqueles que se encontram no Seu caminho, a começar pelos pobres, pelos marginalizados, pelos pecadores. Ao agir com o amor misericordioso do Pai, Jesus torna-se exemplo e modelo para os discípulos, que foram chamados a viver como Ele, n’Ele e d’Ele, principalmente, depois de Sua Páscoa de morte e ressurreição, quando Ele envia seu Santo Espírito. E é graças ao dom superabundante do Espírito Santo que se interioriza nos corações o estilo de vida do próprio Cristo.

O mandamento que Jesus define como novo e Seu: “como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34) é a exigência da reciprocidade do amor que traça o caminho para viver em Cristo a vida trinitária na Igreja, Corpo de Cristo, e transformar com Ele a história até ao seu pleno cumprimento na Jerusalém Celeste.

Esse mandamento é o que constitui a lei de vida do povo de Deus, e deve ser inspiração, de todas as relações humanas na vida social e política, pois a imagem e semelhança do Deus trinitário são a raiz de toda a relação humana, que deve conter um conjunto de hábitos e ações que visam o bem comum, cuja essência é o amor. Os vínculos que unem a família humana devem ser inspirados no supremo modelo de unidade, reflexo da vida íntima de Deus, uno em três Pessoas, a comunhão Perfeita.

A Igreja é chamada a continuar a ação do Cristo, através da Evangelização. Essa não se restringe apenas à doutrinação, mas implica uma efetiva ação pastoral da Igreja, segundo  as orientações da DSI. Da mesma forma como Deus, na Sua Pessoa e na Pessoa de Jesus, agiu em seu tempo, a Igreja é chamada a testemunhar o amor de Deus, participando das alegrias e esperanças do povo (GS), anunciando o Reino prometido.

 Notas

(1) Ano sabático. Refere-se ao ano quando se completava um período de sete anos. Nele o escravo hebreu tinha direito de recuperar a liberdade (Ex 21,2-6); os campos, vinhas e olivais deviam ficar inexplorados (Ex  23,10s) para dar descanso à terra. Ver Lv 25,2; Dt 15,1; Jr 34,8 e respectivas notas.

(2) Ano jubilar. A expressão jubilar decorre de Lv 25,8-17 e, portanto, está associada a mesma noção do ano sabático. O ano jubilar era celebrado a cada cinquenta anos, depois de decorridos sete anos sábáticos (7 x 7). Ele tinha, basicamente, os mesmos objetivos do ano sabático, porém era vivenciado de uma forma mais intensa, pois se tratava de uma data especialíssima. A Igreja Católica assumiu a prática do ano jubiliar, nomeando-o como Ano Santo.

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 Para Refletir

1) O que mais lhe chamou a atenção nesta Ficha sobre a relação entre Revelação  de Deus e Doutrina Social da Igreja (DSI)?  Por quê?

2) Na vivência comunitária, os mandamentos são considerados um freio ou um caminho para a liberdade?

3) Você considera que conhecer a DSI pode levar a comunidade a responder aos desafios sociais,  conduzindo-a a uma vivência mais profunda do amor de Deus em seu dia a dia?  Por quê?

 Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 12/03/14 – Ficha 58 – A pessoa humana no desígnio de Deus – DSI (3ª)

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