Ficha 1 – História: O que é um Concílio?

Ficha 1 – História: O QUE É UM CONCÍLIO?

 

A palavra “Concílio” significa assembleia reunida por convocação e, na Igreja, um concílio sempre teve como objetivo discutir, definir e deliberar sobre questões de doutrina, fé, pastorais e costumes. Antes do século XIX, os concílios eram convocados pelos imperadores e, somente a partir do Concílio Vaticano I, eles passam, então, a ser uma reunião dos bispos convocados pelo papa.

O texto de At 15,6-35, que narra o encontro dos apóstolos reunidos em Jerusalém, onde discutiram a questão da disciplina a ser aplicada aos judeus-cristãos e aos pagãos convertidos à fé cristã, pode ter sido a inspiração para a realização dos concílios. Segundo este texto bíblico, após apresentada a questão, eles a discutiram e depois rezaram invocando o Espírito Santo que suscitou o que eles deviam fazer, e todos acataram aquela decisão como vontade de Deus. Apesar deste encontro ser chamado de “Concílio de Jerusalém”, ele não pode ser considerado um concílio, pois esta nomenclatura passou a existir somente depois do Concílio de Nicéia, no ano 325, o primeiro Concílio da Igreja.

Ao longo do tempo, até os dias de hoje, a Igreja Católica realizou vinte e um Concílios Ecumênicos (Ecumênico aqui no sentido de universal ou global, com representantes da Igreja de distintos lugares, bem como quanto à doutrina e costumes eclesiásticos aceitos como norma para toda a Igreja Católica). Para conhecê-los, cliqueaqui.

Uma pergunta que talvez possa intrigar é: Por que aconteceram tantos Concílios?

A Igreja possui duas naturezas: a divina e a humana. Enquanto instituição terrena, ela é circunstanciada pelo tempo e pelo espaço, e é conduzida por homens que, embora ajam em nome de Deus, são humanos que pela unção do Espírito Santo, buscam acertar. Ao longo da História, para cumprir sua ação evangelizadora, a Igreja procurou se fazer presente no mundo e, com a sua experiência, contribuir na construção da sociedade. Isto implicou em constantes adaptações no seu modo de ser e de agir pastoralmente, o que, consequentemente, exigiu novas formulações doutrinárias, marcando a sua história e, inclusive, a história do ocidente. Por outro lado, sob a ótica da fé, a existência de vinte e um Concílios demonstra a força do Espírito Santo que suscitou novos modos de interpretar as verdades da Revelação para que a Igreja de Cristo continuasse presente no mundo.

As decisões de todos os Concílios foram incorporadas na vida da Igreja, e fazem parte do deposito fidei, ou “depósito da fé”, que é preservado pelo Magistério da Igreja. Os estudos dos concílios mostram que certas questões que num determinado tempo provocaram grandes discussões, hoje são pacíficas, como por exemplo, a questão se Jesus de Nazaré era humano ou divino. É difícil imaginar como isso inflamou os ânimos dos participantes do primeiro Concílio de Nicéia! Na fé, a Igreja reunida no primeiro Concílio da História definiu a consubstancialidade de Jesus, isto é, ela reconheceu, simultaneamente, a humanidade e a divindade  de Jesus Cristo.

Um Concílio não nasce da noite para o dia. Todos foram convocados depois de um longo período de reflexão e, até mesmo, de resistência da Igreja às novas interpelações da sociedade. O Magistério da Igreja, exercido pelos bispos, é responsável pela conservação da doutrina cristã e, justamente por isso, a convocação de um Concílio acontece para tentar impedir que as mudanças sociais modifiquem o modo de pensar e agir dos cristãos.

Os dois últimos Concílios que precederam o Vaticano II, Concílio  de Trento (século XVI) e Vaticano I (século XIX), demonstraram a reação da Igreja diante dos diversos questionamentos que a sociedade moderna lhe fazia. O Concílio de Trento foi mais uma resposta da Igreja às questões de fé, especialmente sobre os sacramentos e a pastoral; enquanto que o Vaticano I  versou sobre a autoridade da Igreja, posicionando-se contra o liberalismo econômico e político, os progressos científicos etc. Não obstante a isto, algumas nações europeias adotaram regimes políticos republicanos e aboliram o Catolicismo como religião oficial do Estado. No início do século XX,  mais preocupada com seus problemas, a Igreja não foi capaz de perceber as mudanças sociais causadas pelo capitalismo, que acabaram desencadeando as duas guerras mundiais nas quais países cristãos se destruíram mutuamente. Às vésperas do Concílio Vaticano II, muitos constatavam que a Igreja precisava se renovar, pois o zelo exagerado pela disciplina eclesiástica, pelas normas canônicas e ritualistas estava comprometendo sua missão no mundo.

Paradoxalmente, ainda no século XIX,  assistiu-se uma tímida mas significativa abertura,  que alimentou as esperanças de novas perspectivas teológicas e eclesiais, com o papa Leão XIII (1810-1903), que incentivou a pesquisa e o estudo dos textos originais da Bíblia – em hebraico, aramaico e grego – e os textos patrísticos, também chamados textos dos Santos Padres. Com isso, logo no início da primeira metade do século XX, surgiram vários movimentos que podem ser vistos como causas remotas ao Concílio Vaticano II. O estudo da Bíblia deu origem ao Movimento Bíblico, que rompeu  com a rigidez de um único sentido literal dos textos bíblicos, trazendo avanços na compreensão da inspiração e da interpretação dos textos. O estudo dos textos patrísticos deu origem ao Movimento Litúrgico que buscou resgatar a liturgia dos tempos antigos, profundamente cristológica (Cristo é o centro), e essencialmente mistagógica, isto é, catequética e espiritual orientada para o mistério de Cristo. Este resgate denunciava a rigidez e a formalidade da liturgia da época. Paralelamente a estes dois movimentos, surge o  Movimento Teológico, como tentativa de refletir teologicamente as experiências do homem moderno diante dos avanços da Ciência, da História, da Literatura e da Filosofia que sempre foram negados pela Igreja. Este Movimento idealizou uma teologia que propiciasse uma moderna compreensão global da existência, da transcendência e do espiritual.

Desde o início do século XX, houve também grandes esforços dos Movimentos Ecumênicos, principalmente entre os protestantes que cada vez mais questionavam a Igreja Católica, de tal forma que, timidamente, dentro da Igreja começam a aparecer simpatizantes da causa, até que em 1960 foi criado o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos que, depois do Concílio Vaticano II, tornou-se PontifícioConselhoparaaPromoçãodaUnidadedosCristãos. A partir destes movimentos, o termo “ecumênico” passou a ter o significado pelo qual o entendemos atualmente: movimento entre diversas denominações cristãs na busca do diálogo e cooperação comum, buscando superar as divergências históricas e culturais a partir de uma reconciliação cristã que aceite a diversidade entre as Igrejas.

Ao se defrontar com o crescente fenômeno da urbanização e da secularização, a Igreja também sofreu mudanças. Até então, sua pastoral se orientava, sobretudo, para o meio rural e agrário e os novos desafios da cidade encontraram um clero despreparado. Com relação ao mundo operário, a Igreja, por meio do papa Leão XIII, ao procurar dar respostas às questões sociais, principalmente ao mundo do trabalho, abriu espaço para o chamado Movimento Social, que recentemente foi identificado como a origem da DoutrinaSocialdaIgreja. Por fim, a Instituição foi percebendo que nos muitos espaços do mundo moderno, aos quais a Igreja não tinha acesso, havia leigos cristãos. É neste contexto, portanto, que surge a Ação Católica como um dos mais importantes Movimentos Leigos da  História da Igreja. Ela tinha como projeto cristianizar a vida pública, através dos leigos orientados pelo clero, e era vista como um exército pacífico a serviço de Cristo Rei, na implantação do seu Reino.

Todos estes Movimentos trouxeram a questão da modernidade para dentro da Igreja, como desafios que emergiram para que ela saísse de uma suposta estabilidade conservadora e abrisse espaços para um diálogo com o mundo moderno. Assim, na segunda metade do século XX, não restava alternativa às Igrejas cristãs, a não ser assumir a necessidade de mudanças internas. Estes diversos fatores influenciaram na convocação e na orientação do Concílio Vaticano II, que possibilitou uma modernização eficaz da Instituição, com a finalidade de tornar viva e atual a mensagem de esperança do Evangelho,  para atender melhor as exigências dos novos tempos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COMBLIN, J. Um novo amanhecer da Igreja? Petrópolis: Vozes, 2002.

CECHINATO, L. Os 20 Séculos de Caminhada da Igreja. Petrópolis, Vozes, 1996.

COMPENDIO DO VATICANO II Constituições, Decretos, Declarações. Rio de Janeiro: Vozes, ed. 4ª 1968.

LORSCHEIDER A., LIBÂNIO J. B., COMBLIN J., VIGIL J. M., BEOZZO J. O. Vaticano II 40 Anos Depois. São Paulo: Paulus, 2005.

MATOS, H. C. J. Caminhando pela História da Igreja. Belo Horizonte: O Lutador, V. III 1996.

________, ANTONIAZZI A. Cristianismo 2000 Anos de Caminhada. São Paulo: Paulinas, ed. 3ª, 1996.

Referências Eletrônicas.

Ney de Souza,ContextoeDesenvolvimentoHistóricodoConcílioVaticanoII

João Batista Libanio:  AmemóriadoConcílioVaticanoII

Perguntas para reflexão:

  1. O que você não sabia sobre os Concílios e o que mais chamou sua atenção?
  2. Diante das colocações acima, você acredita ser importante para os leigos, conhecer mais a história da Igreja? Por quê? E, como você entende agora, a atuação  e as resistências da Igreja, frente ao mundo?
  3. Qual a importância do estudo dos Concílios para as pastorais?

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Orientações para a interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha: Dia 17/08.

Tema: O Evento Concílio Vaticano II

 

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Comentários (22)

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  1. 1. O que você não sabia sobre os Concílios e o que mais chamou sua atenção?
    Eu não sabia para quê serviam os Concílios, e nem que a Igreja Católica havia convocado vinte e um Concílios.
    O que me chamou a atenção foi a forma como a Igreja se coloca em contínuo esforço para se atualizar aos novos tempos e também às novas exigências da humanidade, através dos Concílios.

    2. Diante das colocações acima, você acredita ser importante para os leigos, conhecer mais a história da Igreja? Por quê?
    Eu acho, sim, importante que os leigos conheçam a história da Igreja para que conhecendo possam colocar em prática aquilo que ela espera deles, principalmente o Vaticano II que reconhece a importância do leigo como povo de Deus, atuando nas diversas pastorais e movimentos.
    E, como você entende agora, a atuação e as resistências da Igreja, frente ao mundo?
    Entendo que a Igreja, como Magistério da fé, precisa preservar a sua essência cristológica, encaminhando seus fiéis através da Palavra de Deus e ensinamento de Jesus Cristo que é o Verbo de Deus encarnado, Aquele que permitiu o kenosis para que pudesse ser um entre nós e, assim, exemplo a ser seguido pelos homens. A Igreja não pode se deixar levar pelos anseios exclusivos de um mundo capitalista e egoísta que busca exclusivamente os seus próprios interesses, mas, ao contrário, precisa ser cautelosa e zelosa sempre, preservando a Tradição e exercendo o seu Magistério.

    3. Qual a importância do estudo dos Concílios para as pastorais?
    Os documentos que nascem de um Concílio são a palavra de ordem que toda a Igreja precisa cumprir e obedecer, adaptando-os à sua realidade pastoral, regional e social, sob a luz do Espírito Santo que ilumina seus Pastores. Sendo assim, urge a necessidade de cada agente de pastoral estudá-los para que possa se atualizar e colocar seus dons a serviço da própria Igreja, dentro dos limites e novos desafios estabelecidos por ela, mantendo-se sempre aberto, interessado e disposto para o querígma, centrado na diaconia, na koinonia e na martiria.

  2. Francisco Samuel Fiorese disse:

    Tenho assistido frequentemente às quintas, na Canção Nova, o prof Felipe ,Aquino, que é um grande estudioso da História da Igreja, mas não é suficiente. Por isso acho interessante este material.
    Quanto ao tamanho das letras, se vier igual a este texto, está muito bom.

  3. Francisco Samuel Fiorese disse:

    Vou aproveitar para perguntar se posso apresentar dúvidas de fé que tenho referentes a outros assuntos, pois estou lendo os Evangelhos e anotando as dúvidas, mas não sei a quem dirigí-las.
    A primeira: como foi proclamado o dogma da Assunção de Maria, se nem S. João Evangelista, que foi encarregado por Jesus para cuidar dela não registrou o fato ? Foi só pela tradição ?

    • Olá Francisco. Muito bom que você tenha questionamentos a fazer, pois é através deles e de suas meditações que crescemos na fé. Todavia, este espaço é para refletirmos e meditarmos exclusivamente sobre o Vaticano II e seus documentos, pois que o projeto faz parte do contexto do aniversário de 50 anos do início do Concílio que será comemorado no próximo ano. Este trabalho é, digamos, uma fase preliminar desta comemoração. Mas, você certamente não ficará sem respostas aos seus questionamentos, Temos um grupo no Facebook que é dirigido exatamente para esta finalidade. O Grupo se chama “Bíblia Igreja e Fé – pergunte e responderemos” e é composto por várias pessoas que se dedicam ao estudo da Bíblia, da Igreja e coisas relacionadas à Fé. O Autor deste blog, Prof. Pedro Rigolo, é um dos integrantes deste grupo. Teríamos imenso prazer em acolhê-lo neste grupo e tentar responder ou esclarecer suas dúvidas e por que não também aprender com você. Segue o link para o grupo. ao entrar peça para ser adicionado e, tão logo isso seja feito, você passa a interagir.

      http://on.fb.me/qwr2jx

      Grande e fraterno abraço. Te aguardamos por lá.

      Gazato

    • Oi, Francisco

      Que bom que gostou da primeira Ficha de Estudo. Outras virão! Sem dúvidas, elas serão um excelente material de aprofundamento aos agentes de pastoral.
      O desafio será criar grupos de estudo através da web. Por isso, a sugestão do Gazato e da Rachel.
      Participe e convide outros. Vamos construir uma rede de formação através dos recursos digitais.
      Abraços, Pedro.

  4. Márcia Aparecida Resck disse:

    Pedro e Equipe,

    Primeiramente gostaria de parabenizá-los pela excelente iniciativa de também sentir os sinais dos tempos e colocar à nossa disposição em primeiríssima mão esta riqueza de trabalho sobre o Concílio Vaticano II.

    Ao lermos esta primeira ficha destacamos a importância de se saber os motivos pelos quais um Concílio é convocado pela Igreja e a diferença entre o sentido do ecumênico anteriormente com o nosso entendimento hoje.

    Pelo que vimos a convocação do CVII teve motivações internas e externas, como o avanço das questões sociais, a preocupação com a unidade dos cristãos, o surgimento do movimento dos leigos entre outros, ainda que uma avalanche de tendências continue desafiando a cristandade como o subjetivismo, individualismo, o laicismo e a secularização que continua permeando à vida do homem contemporâneo, a Igreja tem a missão de tornar sempre viva e atual a mensagem de esperança do Evangelho.

    Por tudo isso e muito mais é fundamental que conheçamos a História da Igreja, até mesmo para que compreendamos sempre à luz do Espírito Santo de Deus toda a sua dimensão humana e divina, santa e pecadora e seu valor no espaço e no tempo.
    Para uma Igreja de tradição que tem toda uma História e estrutura de quase dois mil anos, muitas mudanças já aconteceram, outras estão por vir…

    Mas para que haja mudanças é preciso que se conheçam suas propostas e desafios frente ao mundo moderno, que exige posições claras e definidas. Com isso abrir mentes e corações numa compreensão uníssona do papel da Igreja na sociedade, afinal a Igreja somos todos nós e por isso ela continua no mundo e sobrevive à contemporaneidade.

    Uma Igreja comprometida deve ser formada por leigos também comprometidos, que se interessam por sua causa e se abram à formação que ela propõe, inclusive para conhecer seus documentos e alargar seus conhecimentos, daí a importância desse estudo não só para as pastorais; mas para a Igreja como um todo, que deve visar qualidade e não quantidade.
    Para que haja mudança é preciso conhecimento, conhecimento traz comprometimento, comprometimento possibilita mudanças… Acreditamos que é isso que o estudo destas fichas vão nos proporcionar.

    Fraterno abraço,
    Márcia

    • Oi, Márcia

      Este texto produzido pela equipe, da qual você faz parte, introduz bem o contexto histórico do Concílio. Várias interações começam a surgir, o que demonstra que o projeto tem tudo para ser um sucesso.
      Suas respostas são muito profundas! Sugiro que você as partilhe em nossa plataforma de formação.
      Abraços, Pedro

  5. Maria Lúcia Pascoal disse:

    1. Ao ler esta Ficha n. 1, que introduz ao estudo do que é um Concílio e os vários motivos que desencadearam o Concílio Vaticano II, há algo que para mim é muito significativo e dos primeiros aspectos a chamar a atenção: os movimentos que, a partir de reuniões e grupos, compartilharam as mesmas necessidades. O Movimento Bíblico, o Litúrgico e o Teológico trouxeram novas maneiras de ver e se considerar idéias arraigadas historicamente. Colocaram-se diante das experiências do homem moderno nos avanços que nunca pararam de acontecer, aos quais a Igreja sempre teve dificuldade de reconhecer ou até negou. O século 20, celeiro das grandes mudanças em todas as áreas, não poderia deixar a Igreja fora. O Movimento Social, muito forte após as grandes transformações ocorridas desde a metade do século 19, com a Revolução Industrial, entre outros. O Movimento da Ação Católica, que deu abertura aos chamados de leigos, para atuarem lá nos locais onde só eles eram os elos de ligação e informação cristã. Momentos como esses são muito enriquecedores, pois são eles que possibilitam as mudanças, surgidas das necessidades do Povo de Deus, formado por todos os batizados. Sabemos que não é fácil mudar, mas se houve várias atualizações e mudanças na Igreja com o Concílio Vaticano II, muitas foram devidas à atuação desses movimentos.

    • Oi, Maria Lucia

      Muito interessante sua reflexão sobre as mudanças sociais que exigiram novas posturas da Igreja, especialmente sobre a presença dos leigos no mundo. Oxalá o estudo destas Fichas possa contribuir para a formação de leigos conscientes de sua vocação.
      Sua contribuição, como membro da equipe, também, tem sido muito importante na elaboração das fichas.

      Abraços, Pedro.

  6. Nas oportunidades que tenho de testemunhar sobre a minha caminhada cristã, costumo dizer que até quinze anos atrás eu era um “católico de IBGE”, isto é que só aparecia assim nas pesquisas, porque, na realidade, não praticava a religião no sentido que a vejo hoje. A mudança para mim veio através do ECC – Encontro de Casais com Cristo, quando passei a perceber a verdadeira vivência comunitária. A partir daí, passei a me envolver em serviços pastorais e vários questionamentos começaram a surgir. O conhecimento mais profundo dos documentos da Igreja veio com a Segunda Etapa do ECC, nos qual este aspecto é muito evidenciado. A partir de então, venho procurando me aprofundar no conhecimento destes documentos. Nesta caminhada, acabei tendo um conhecimento bastante superficial do Vaticano II, mas como um fato isolado no tempo e no espaço. A partir do estudo desta ficha, conseguimos situá-lo historicamente como um evento que se fez necessário para renovação da Igreja e para sua abertura no diálogo com o mundo. Evento que vinha sendo preparado em função dos vários movimentos citados. Dá para perceber que, ao longo da história, uma força vai guiando os passos da Igreja no mundo, força esta que só pode ser a ação do Espírito Santo conduzindo o Povo de Deus.
    Por tudo quanto já disse, é inegável que é importante para os leigos o conhecimento da história da Igreja, pois este conhecimento nos ajuda a entender os diversos momentos, acontecimentos, eventos e também as diversas “lutas” que a Igreja travou para se manter fiel ao seu papel de anunciadora do Evangelho. Não se pode negar que parte dessa luta se deveu ao posicionamento conservador da Igreja, buscando muitas vezes se fechar ao mundo moderno que trazia muitas novidades supostamente contrárias aos ensinamentos cristãos.
    Para as pastorais, pelo pouco que conhecemos ainda do Concílio, sua importância maior me parece, está no fato de a Igreja se abrir ao mundo em todas as suas instâncias, principalmente no campo social, onde existe um amplo trabalho a ser feito em prol de combater as injustiças e desigualdades, assumindo isto como uma das tarefas da Igreja, através de um laicato comprometido. Ao mesmo tempo, a inserção do laicato como protagonista, ao lado dos ministérios ordenados e dos religiosos leva a esse comprometimento, pois passamos a ser, efetivamente, componentes ativos da Igreja e não meros espectadores como éramos no passado.
    Creio que nós, os leigos, ainda estamos em fase de lapidação para o pleno entendimento do papel que nos cabe no seio da Igreja e, para que esta lapidação se acentue, é de fundamental importância a formação.
    De forma que esta iniciativa da Arquidiocese de Campinas em estudar o Concílio Vaticano II é altamente auspiciosa neste sentido, pois creio que nos possibilitará uma visão bastante acurada dos Documentos Conciliares e quiçá, nos estimule ao aprofundamento e estudo dos demais documentos, como por exemplo, a Doutrina Social da Igreja.
    Que possamos aproveitar muito bem esta oportunidade e que tenhamos ampla adesão do laicato campineiro, pois uma adesão maciça estimulará nossa Arquidiocese a outras iniciativas como esta. Que Deus nos ilumine nesta caminhada!

    • Oi, Gazato

      Sua partilha demonstra como o nosso processo de formação é gradual. Não esperamos saber tudo para depois participar da comunidade. Participando, na comunidade ou em um organismo eclesial, nós vamos aprendendo cada dia mais. De outro lado, quem persevera em um grupo cristão, vai, aos poucos, sentido necessidade de formação, até para melhor servir. Sempre é tempo de aprender. A cada dia mais, descobrimos que ainda pouco sabemos. Assim é nossa vida!
      De fato, pouco sabemos sobre o Concílio! Devagar, vamos crescendo!
      Sua contribuição, como membro da equipe, também, tem sido muito importante na elaboração da fichas.

      Abraços, Pedro.

  7. Adriano Martins disse:

    1. O que você não sabia sobre os Concílios e o que mais chamou sua atenção?
    Entre muitas coisas que não sabia, a informação que já foram realizados 21 Concílios Edumênicos foi interessante, pois, o mais “comentado e discutido” é o Concílio Vaticano II.
    E isso mostra a importância dele, pois, foi aí que nós leigos começamos a participar ativamente da nossa Igreja Católica.

    O que me chamou a atenção foi sobre o significado da palavra “Ecumênico” no qual mudou o sentido num determinado momento da história.

    2. Concerteza. Devemos sempre ler, debater e discutir sobre nossa igreja. Acredito que estamos seguindo em frente. Um dia, através de um Concílio, podemos ver uma mulher “padre” ou um “padre, podendo constituir uma família”. Sei que será muito discutido mas acredito que o Espírito Santo está nos guiando e o melhor será feito.

    3. Concílio nos dá o caminho a seguir….e acredito que muitas situações que nós Católicos não concordamos, mas respeitamos a posição da nossa Igreja serão discutidos nos próximos Concilios.

    Abraço
    DECOLORES

    • Olá Adriano. Bom vê-lo por aqui. Verifiquei que você já se inscreveu no AVF, o que é muito bom, pois lá teremos oportunidade de melhor refletir e debater sobre este estudo. Sugiro então que você poste a sua reflexão acima lá no AVF também, no link “partilhe aqui sua reflexão”.

      Fraterno abraço DECOLORES

    • Oi, Adriano

      Quem bom que você se interessou pelo projeto. Também já vi que você se inscreveu para interagir na plataforma de formação. Como membro do Cursilho, você terá muito o que contribuir neste projeto.

      Se puder, convide outras pessoas.
      Será legal!

      Abraços, Pedro

  8. Maria Lúcia Pascoal disse:

    2. Acredito e espero que cada vez mais os que são chamados leigos ampliem seus conhecimentos sobre a história da Igreja para, a partir desse fato saberem tomar decisões e formar ideias mais claras sobre a atuação dos cristãos. É aqui que se situa a importância de um estudo como esse, que vem trazer tanta informação a todos nós. Sou uma iniciante no assunto, porém quanto mais me aproximo, mais me encanto! Por exemplo, penso que muito das resistências da Igreja frente ao mundo, foram devidas ao seu fechamento em si mesma e a não consideração de quem estava vivendo os problemas na realidade. Podem ter tido seus motivos, porém hoje é inadmissível. Complementando o que respondi no n. 1., é possível ver aí a força que tiveram os movimentos sociais e o que influíram para haver o Concílio VII.

    3.As Pastorais de hoje precisam muito de se abastecer no conhecimento do que foi debatido e produzido no CVII, para assim iluminar sua ação hoje e abrir-se ainda mais para as necessidades da Igreja no século 21. Há ainda muito a se debater a respeito do que são os ‘leigos’na vida cristã.

    • Oi, Maria Lucia

      O estudo nos ajudará a compreender que, enquanto Instituição humana, a Igreja foi, e continua sendo, circunstanciada pelo tempo e pelo espaço no qual esteve, ou está inserida. Isso longe de ser um prejuízo, revela a presença silenciosa do Santo Espirito que a sustentou, e a sustenta, apesar das muitas fragilidades das pessoas que a constituíram ou a constituem. Lendo a bonita passagem do Evangelho sobre o medo dos discípulos que, estando na barca com Jesus, julgaram que ela poderia afundar diante das adversidades do tempo, lembramos que Jesus prometeu que estaria sempre com os seus!
      Abraços, Pedro

  9. Como católico considero de extrema importância conhecer os documentos que regem a doutrina e o magistério. Estou iniciando minha caminhada de vida católica, participei o ano passado do Encontro de Casais com Cristo que abriu meus olhos para a “verdade” da vida cristã e estou tentando seguir os passos de Jesus e participar mais de minha paróquia e comunidade. Por isso, conhecer estes documentos e a história da Igreja, mesmo que superficialmente, pois são mais de 2000 mil anos é importante para entender o passado, viver o presente e construir uma Igreja melhor, ou seja, ainda mais concreta na fé, sem deixar de manter os ensinamentos dos antepassados sempre atualizados. Bons estudos a todos… Fiquem com Deus

    • Oi, Antonio
      É sempre bom a chegada de novas pessoas na Igreja e o ECC têm ajudado muitos cristãos em um novo engajamento na comunidade. Se desejar participar conosco é só nos avisar pelo formulário Contato.
      Abraços, Pedro.

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