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Ficha 136 – O encontro com os irmãos que sofrem: A alegria de servir (7)

| 25/10/2017 | 0 Comentário

Em continuidade às reflexões trazidas pelo Documento 107 da CNBB:“Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários”, sobre a “vida cristã” e a “missão da Igreja”, esta Ficha contempla dois aspectos: o encontro e a alegria de servir a Cristo nos irmãos que sofrem, os destinatários da nova evangelização. O conjunto dos ensinamentos do Concílio Vaticano II e das cinco conferências do CELAM, principalmente Medellín (1968) e Aparecida (2007), reverberadas pela Exortação Apostólica Evangelii Gaudium  (EG), reforçaram que a Igreja, por dever evangélico, deve colocar-se ao lado dos pobres e sofredores, como decorrência de sua missão que é anunciar a Boa Notícia a todas as criaturas, em vista de outro mundo possível, cujo centro seja o amor ao próximo, a dignidade da vida e o cuidado com a casa comum.

Em 2013, o Papa Francisco, atento aos sofrimentos do mundo, deu uma entrevista à Revista Civilta Cattolica e assim definiu a urgente missão da Igreja: “Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se ele tem colesterol ou diabetes. Há feridas que precisam ser curadas; depois, se cuida do resto”. A batalha que ele se refere, diz respeito à grave crise antropológica pela qual passa a maioria das sociedades: marginalização social; perseguições contra minorias; guerra; fome; privação de liberdade, de direitos e da dignidade; analfabetismo; falta de saneamento e descuido com a saúde pública; desemprego; tráfico de pessoas; migração forçada; refugiados; crianças sem acesso à educação; velhice indigna; jovens sem futuro; discriminação étnico-racial e de gênero; moradores de rua; agricultores sem terra; degradação ambiental, etc. Isso tudo é fruto das ideologias e economias dominantes, da miséria moral, da indiferença generalizada, da concentração de poder e riqueza nas mãos de poucos, que geram injustiça social, que exploram e oprimem os menos favorecidos.

Esta realidade que inverte os valores humanos, clama por mudanças e desafia o mundo, os homens de boa vontade e, especialmente, a Igreja que é interpelada pelo Seu Mestre e Senhor. Para o Papa Francisco a missão da Igreja se origina no encontro entre as pessoas, o qual se constituiu como lugar por excelência da evangelização, porque nele se valoriza a pessoa e não o que ela representa. O encontro permite a escuta, o diálogo, o anúncio da pessoa de Jesus Cristo, que veio para que todos tenham vida em plenitude. Ele se reveste de fundamental importância quando os outros, são os que sofrem, os desprezados, pois através do serviço a eles, acontece o encontro com Pai. Desde o Vaticano II, a Igreja insiste na dimensão social da Evangelização. A EG ensina que sem ela, a evangelização perde seu sentido, pois uma “fé autêntica comporta um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela (EG, 176, 183).

No texto conhecido como as “bem-aventuranças” (Mt 5,1-12), Jesus ensina que os pobres são felizes porque, privados dos bens materiais, vivem a experiência de se colocar nas mãos de Deus. Ser pobre não significa não possuir, mas fazer a escolha de não acumular bens para si, renunciar ao egoísmo. Para se tornar pobre é preciso despojar-se de ambição, arrogância, poder, domínio sobre os outros, pois destas é que derivam as injustiças, as discriminações e os sofrimentos. Ao proclamar “bem-aventurados” os que sofrem, os aflitos, os marginalizados, os que choram, os injustiçados e os perseguidos, Jesus constata a situação de pobreza, humilhação e submissão das pessoas que sofrem pelo pecado do poder e da ganância. Ao proclamar “bem-aventurados” os mansos, os misericordiosos, os de coração puro e os que promovem a paz, Jesus ensina que estes são os sentimentos que devem marcar a vida de seus discípulos, pois devem colocar toda confiança e esperança em Deus. As “bem-aventuranças” revelam que o caminho para a felicidade se encontra no amor a Deus expresso no amor a todo ser humano, na doação de si no serviço aos irmãos, buscando o bem deles diante do mundo agressivo, violento, intolerante, excludente e injusto. Desse ensinamento deriva a alegria de servir a Cristo nos irmãos, porque naqueles que escolhem ser pobres é que se realiza o Reino de Deus. Nessa compreensão, os “sofredores”, de toda a sorte, impõem à Igreja uma contínua e processual conversão, o que faz, de cada um, deles participantes da ação evangelizadora, pois todo aquele que evangeliza, também é evangelizado, e vice-versa.

A voz da Igreja na sociedade deve ser sempre oportuna e profética. Somente uma Igreja em permanente saída missionária, pode oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Que sua ação pastoral vá até onde estão os que mais precisam, onde haja participação de todos na construção de outra sociedade possível, baseada na prática do bem comum, da justiça social, da misericórdia inclusiva, do respeito mútuo, do diálogo fraterno, do cuidado de uns com os outros e com a Casa Comum, cultivando sempre a cultura do encontro e da paz, onde o respeito, a tolerância e a solidariedade sejam a meta de todos. Eis a razão da sua alegria!

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Para Refletir:

1- Como evangelizar as periferias existenciais do nosso tempo? Podemos ficar indiferentes e omissos?

2- Qual o critério que Jesus usa para dizer que alguém é “bem-aventurado”?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 08 de novembro de 2017: Ficha 137 – Não deixemos que nos roubem a alegria de evangelizar! (8)

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