Ficha 133 – Comunidade, lugar de encontro com Cristo e com os irmãos (4)

| 13/09/2017 | 0 Comentário

Após termos refletido sobre a dimensão pessoal da fé e a mística da fraternidade apresentada no Documento 107 “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários”, esta Ficha abordará a dimensão comunitária e eclesial. Em um tempo em que os valores individuais, inclusive na própria religião, se sobrepõem aos do grupo, fica bem recordar que a dimensão comunitária é elemento fundamental para o cristianismo. Bem sabemos que, infelizmente, nossas comunidades se transformaram mais em agências prestadoras de serviço do que em lugares de encontros de pessoas, que se reúnem para celebrar a fé. Nelas, a impessoalidade, a falta da acolhida e a indiferença tem esvaziado o sentido da comunidade e desestimulado a participação das pessoas.

Dentro das cinco urgências assumida pelas Diretrizes Gerais 2015-2019, a CNBB ofereceu dois importantes documentos para a compreensão da proposta da Iniciação à Vida Cristã. No primeiro, “Comunidade de Comunidades, uma nova paróquia” destacou as pequenas comunidades como espaços privilegiados para a transmissão da fé, onde se aprende que elas são “casa de irmãos”, “casa da Palavra”, “casa do Pão” e “casa da Caridade”. No segundo, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade” destacou o protagonismo dos leigos e leigas e os incentivou a tomarem parte no processo de evangelização. Agora, o Documento 107 propõe um itinerário catequético para formar discípulos missionários, dentro das pequenas comunidades, com a decisiva atuação dos cristãos leigos e leigas, indicando a superação da impessoalidade, da indiferença e da pastoral de manutenção. Ele destaca que a comunidade é o lugar favorável e fundamental para o fortalecimento da Vida Cristã, pois a exemplo da Santíssima Trindade, ela deve buscar a convivência harmoniosa, a acolhida, o testemunho e o envolvimento de seus membros, na partilha dos dons e carismas, onde todos amadurecem a fé e o compromisso do serviço aos irmãos (105-106). Tendo presente que a dimensão missionária é a razão de sua existência, a comunidade eclesial se esforçará para ser acolhedora, peregrina, samaritana e misericordiosa. Agindo assim, ela será mistagógica, enquanto reconhece o Cristo nos irmãos e querigmática, pois na medida em que se esforça para viver o que professa com coerência, se torna também evangelizadora, indicando o caminho que seus membros devem trilhar (107-111). Ainda que seus os membros não sejam pessoas perfeitas, o testemunho de cada um deles é importante sinal de Deus para os irmãos seguirem o caminho. (n. 159).

Duas passagens bíblicas do livro do Atos dos Apóstolos 2, 42-47 e 4, 32-35 ajudam a compreender como deve ser uma comunidade. Nelas, se indica que a comunidade primitiva não devia ser muito grande, que todos se conheciam e se ajudavam e que todos davam testemunho da fé. No segundo texto, se acrescenta que os cristãos viviam a experiência da Igreja em saída, pois iam nas casas, visitavam os necessitados e, em razão disso, cativavam até os que não pertenciam à comunidade. Por fim, destaca: “e o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.”  Estes dois textos podem ser usados para verificar se a comunidade que conhecemos é, de fato, uma comunidade de vida onde as pessoas gostam de participar, onde se dá testemunho da alegria, da solidariedade e da fraternidade, e da mútua ajuda e do perdão.

O Vaticano II ensinou, que a Igreja deve ser portadora da alegria e da esperança que vem do Cristo ressuscitado (Constituição Pastoral Gaudium et Spes). Passados mais de cinquenta anos daquele evento, muitas comunidades são bastante fechadas e mais se parecem com repartições públicas, do que como lugar de acolhida. Na Encíclica Lumem Fidei (LF), o Papa Francisco lembrou que “é impossível crer sozinho”, pois é o vínculo da fé que une os cristãos o os faz irmãos. A comunidade não é uma realidade isolada, mas compartilhada. Ela existe para ajudar as pessoas a crescerem na fé e a olharem o mundo com os olhos de Deus. A abertura ao “nós” deve estar em sintonia com a comunhão das pessoas da Santíssima Trindade, a comunidade perfeita, onde não há individualidade, mas a comunhão plena entre as pessoas. Aquele que experimenta dessa alegria, deve convidar outros para participarem dela (LF,39). Na comunidade ninguém é, e nem está, sozinho! Em razão disso, a Iniciação à vida cristã deve retomar, com todo o vigor, a afirmação de Tertuliano sobre a formação dos Discípulos de Jesus: “pessoa alguma nasce cristã, torna-se uma!” (Tertuliano, Apologia, XVIII)

Para concluir, retomamos o Documento 107 que, segundo a tradição da Igreja, usa a bonita imagem da mãe para se referir à comunidade, pois é nela que nasce o cristão e é ela que deve ajudá-lo a crescer na fé para assumir o chamado a ser Discípulos do Senhor. Na Igreja, o modelo de Mãe é a Virgem Maria, aquela que gerou, educou e acompanhou Jesus até a sua glória. Oxalá, a Igreja possa assumir sua missão de mãe dos cristãos e que nela haja um só coração e uma só alma.

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Para Refletir:

  1. Qual a importância da comunidade para os cristãos?
  2. O que a vivência em comunidade pode ensinar ao mundo?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 27 de setembro de 2017. Ficha 134 – Comunidade, sinal do amor de Deus (5)

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