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Ficha 132 – Mística Cristã: Oração e contemplação a partir da vida (03)

| 30/08/2017 | 0 Comentário

Neste tempo em que as relações humanas tornaram-se superficiais e descomprometidas, o Documento 107 “Iniciação à Vida Cristã”, na perspectiva da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, aponta como desafio de preparar os cristãos para serem sujeitos da evangelização, e discípulos conscientes e missionários atuantes no seguimento de Cristo. Nesse processo formativo, despertá-los para a prática da oração, da contemplação e o cultivo da mística, é exigência fundamental para que se tornem testemunhas no mundo.

A palavra “mística” vem do verbo grego “muein”, do qual originou a palavra “mystikos” que, por sua vez, remete a “mistério”, isto é a capacidade de se comover diante do inefável, daquilo que não vem da razão, mas do coração. E a mística cristã consiste em fazer a experiência de intimidade com o mistério amoroso do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, através da contemplação dos sinais de Deus no hoje da história. Trata-se de uma experiência espiritual que busca “ver” a realidade, as pessoas e o mundo com os olhos e os sentimentos de Deus. Místico, então, é aquele que vê a beleza da criação na natureza, mas principalmente, na vida humana, e se compadece daqueles que mais sofrem.

Para o Papa Francisco, todo anúncio deve ser precedido pela experiência da oração e da contemplação. Esta consiste em deter o olhar no rosto de Cristo, Aquele que nos amou primeiro, ir a seu Evangelho e fazer com Ele o itinerário da vida; encantar-se com a proposta do seu Reino e deixar-se transformar; e, assim, como discípulo missionário, viver de Cristo para saber comunicá-lo e fazer com que outros tomem parte n’Ele, promovendo uma verdadeira experiência de fraternidade. Em 2013, em uma homilia para os jovens na praça São Pedro, o mesmo Papa destacou que “a evangelização se faz de joelhos”, isto é, a ação evangelizadora possui uma mística, enquanto fruto da inspiração divina, pois é Deus que infunde no coração do crente o desejo da missão. Toda a vida de Cristo fala à nossa vida pessoal e é preciso recuperar este espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, a cada dia, que somos depositários de um bem que humaniza e ajuda a levar uma vida nova (EG 264).

Os Evangelhos narram que em tudo que Jesus disse e fez, transparece a experiência de amor que Ele mesmo teve de Deus, como “Abbá”, Pai querido, reconhecendo a paternidade divina. Jesus cultivava o silêncio e a oração em momentos de intimidade com o Pai para assim fortalecer-se no foco de sua missão. Ao verem seu modo de se relacionar com o Pai, os discípulos lhe pediram: “Senhor, ensina-nos a rezar” e Ele lhes ensinou a oração do Pai Nosso (Lc, 11 1-4). Nessa oração, Jesus ensina que somos todos irmãos, que em função de nossas inclinações e desejos é preciso deixar Deus agir em nós, para que façamos o que deve ser feito e não só, o que queremos. Para que o seu Reino venha é preciso que todos compreendam que tudo deve ser partilhado e em comunhão com Deus e com os irmãos: “O Pai”, “o pão” e “o perdão”! Os Evangelhos nos ensinam que, como os pássaros do céu, não devemos nos preocupar com o futuro, pois quem vive da fé, confia na providência de Deus, que quer o bem de todos os seus filhos e filhas (Mt 6,26). Jesus sabia que a partilha era um dos gestos mais difíceis, por isso, ensinou a repartir o “ser” e o “ter” e ainda hoje, muitos não aprenderam a partilhar os bens necessários à dignidade da vida.

Para o Papa Francisco, a fecundidade do Evangelho está em sair de si mesmo, em dar-se, para fazer a experiência da fraternidade que humaniza. Para ele, o amor fraterno é uma força espiritual que favorece o encontro em plenitude com Deus e com os irmãos e a única luz que “ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá coragem de viver e agir”. Perceber esse apelo que brota do coração de Deus é a verdadeira contemplação, pois aquela que deixa de fora os outros, é uma farsa (EG 281). Toda contemplação deve, então,  provocar a uma profunda compaixão com a vida dos pobres e sofredores, assim como a mística iluminada pela prática de Cristo, deve considerar o contexto sócio-político-econômico e cultural de todo um povo, para motivar a luta pela construção de uma sociedade justa e fraterna e no cuidado com a nossa casa comum. Eis a exigência fundamental para os discípulos missionários: cultivar na oração e na contemplação a inspiração para a ação, a prática do direito e da justiça, do perdão e da paz, da compaixão e do cuidado. Desse modo, o discípulo missionário deve ser um místico no coração do mundo, que acolhe os sinais de Deus na vida cotidiana, para saber discernir e transformar o mundo à luz da Boa Nova de Cristo.

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Para Refletir:

1- O que esta ficha nos leva a dizer a Deus?

2- Nosso modelo de oração e contemplação têm nos tornado discípulos conscientes e missionários atuantes no seguimento de Cristo ?

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Aguarde a próxima publicação: 13 de setembro de 2017. Ficha 133- O encontro com Cristo nos irmãos (4)

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