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Ficha 128: Areópagos modernos: Missão e desafios dos cristãos leigos e leigas do século XXI (CNBB 105, 9)

| 21/06/2017 | 0 Comentário

Na continuidade da Ficha anterior que abordou a urgente missão dos leigos e leigas no mundo, esta Ficha destaca as realidades que devem ser evangelizadas, segundo o Documento 105: “Cristãos leigos e Leigas na Igreja e na sociedade”, da CNBB. A expressão “modernos areópagos” foi utilizada por São João Paulo II na Encíclica Redemptoris Missio (RM) quando, ao se referir aos novos desafios da missão evangelizadora, ele recordou que a Igreja primitiva já havia se deparado com o desafio de anunciar o Evangelho em ambientes aparentemente incomuns à religião. Paulo sentiu-se desafiado a pregar a mensagem do reino no areópago, um espaço fundamental da cultura ateniense onde se reuniam filósofos e conselheiros (At 17,22-31). Com isso o Papa desejou destacar que, da mesma forma que no passado, hoje os cristãos têm a missão de sair do conforto da comunidade e lançar-se em várias frentes para anunciar a proposta do Reino, os novos areópagos (RM, 12).

A fé e tudo o que dela decorre, apesar de ser uma resposta pessoal, possui uma dimensão social. A espiritualidade cristã deve conduzir o cristão a desenvolver a consciência crítica e senso coletivo, desejando que os outros também conheçam a fé e a graça redentora e a empenhar sua vida na defesa da dignidade humana. (Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, (Sca) 89). Os cristãos devem ter a consciência de que o mundo moderno, apesar de inúmeras facilidades e benefícios, traz consigo uma crise de sentidos e faz aumentar as condições precárias a que muitas pessoas são submetidas, especialmente, nas grandes cidades. A Doutrina Social da Igreja oferece critérios ético-sociais para uma efetiva participação nessas realidades em vista da construção de uma sociedade justa, cidadã e ecológica. Estes novos areópagos exigem o uso de uma linguagem própria e adaptada, o que demonstra o desejo de dialogo com as várias experiências culturais, expressando a  missionariedade ao sair em busca de quem dela precisa.

Entre tais realidades, o Documento 105 enumera sete e, ao final, indica outros. A família, por ser a Igreja doméstica, é considerada o areópago primordial para os cristãos, pois nela ocorre a primeira evangelização. Como comunhão de amor, ela é sinal do que se deseja ao mundo, que ele se converta numa imensa família, onde todos se sintam em casa e entre irmãos. Cabe aos cristãos defender a dignidade humana desde o ventre materno se posicionando contra o aborto. Também a Igreja deve ter um olhar especial para as novas realidades de união entre pessoas, as quais se autodenominam família, onde todos devem se sentir acolhidos pela Igreja, especialmente as crianças.

A segunda realidade é o Mundo da política. Como cidadãos, todos os homens e mulheres são políticos, mesmo quando dizem que não o são. Os leigos e leigas devem se sentir interpelados pela fé para defenderem os projetos de vida (Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (EG), 205). São João Paulo II lembrou que “os fiéis leigos não podem abdicar da participação na política destinada a promover o bem comum” e cabe à Igreja ajudá-los a exercer militância política (Exortação Apostólica Christifideles Laici,2, CNBB, 82). Três elementos são fundamentais: formação, espiritualidade e acompanhamento, os quais devem ser oferecidos pelas dioceses e paróquias. Cabe aos organismos eclesiais promover cursos de fé e política, incentivar os cristãos a se candidatarem e acompanhar os que exercem mandatos políticos; e estimular a construírem mecanismos de participação que contribuam com a democratização do Estado, tais como: nos Conselhos paritários de Políticas Públicas, nos movimentos sociais, associações, nos conselhos de escola, na coleta de assinaturas para projetos de lei de iniciativa popular, nos comitês de combate à corrupção eleitoral e da Lei da Ficha Limpa, dentre outras formas de manifestações coletivas voltadas ao bem comum. Ainda na mesma linha da política, o terceiro areópago são as políticas públicas. Há inúmeros “Conselhos de Direitos” empenhados em favor da saúde e da educação, do emprego e da segurança, da mobilidade urbana e do lazer, entre outras urgências, nos quais os leigos cristãos, em nome da fé, podem e devem atuar.

O quarto areópago moderno é o mundo do trabalho, que segundo a DSI é um direito fundamental da pessoa humana. Diante dessa realidade, as Igrejas Particulares se esforcem para apoiar os cristãos trabalhadores através das Pastorais do Mundo do Trabalho urbano e rural (PO e CPT), e oferecer-lhes formação e espiritualidade adequadas para permanecerem firmes na fé e na defesa dos direitos, especialmente no combate ao trabalho escravo e/ou infantil no campo e na cidade.

O quinto areópago é o mundo da cultura e da educação. Neste ambiente ainda há forte resistência que associa a fé à ignorância, como se a fé se opusesse à cultura e à ciência. São João Paulo II na encíclica Fides e Ratio recordou que a fé e a ciência não se opõem, antes se complementam, porque ajudam a compreender a humanidade. Mais recentemente, o Papa Francisco destacou que “crentes e não crentes podem dialogar sobre os temas fundamentais da ética, da arte e da ciência, e sobre a busca da transcendência” (EG, 257).

O sexto areópago é o vasto e complexo mundo das comunicações (MCS).  A grande maioria das pessoas, em algum momento do seu dia a dia, se conecta a um meio de comunicação social: radio, TV, internet, especialmente as redes sociais . Os cristãos não podem se isentar de formar uma consciência crítica sobre tais meios e colaborar para que outras pessoas também a desenvolvam. O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil (CNBB, Doc. 99) é uma fonte inspiradora e orientadora para a ação dos cristãos que querem, e podem agir, no mundo das comunicações. Cabe às dioceses e paróquias, implantar a Pastoral da Comunicação (PASCOM) para auxiliar os cristãos que utilizam os inúmeros MCS.

A Encíclica Laudato Si destacou a Casa Comum como o sétimo areópago moderno que deve ser evangelizado. Com a acelerada exploração dos recursos naturais, as pessoas tomaram consciência da urgente necessidade de defender a “casa comum”. Com animada espiritualidade, educação e consciência responsável, contribuirão para gerar uma civilização centrada na simplicidade, no cuidado da vida e na interdependência de todas as criaturas.

Por fim, o documento enumera outros campos de ação ou areópagos modernos: as grandes cidades; as migrações; os refugiados políticos ou de guerra ou de catástrofes naturais; a pobreza; o empenho pela paz; o desenvolvimento e a libertação dos povos, sobretudo o das minorias; a promoção da mulher e da criança; o respeito aos idosos; a força da juventude; as relações internacionais; o turismo, os militares e outros. São inúmeras realidades a serem iluminadas e transformadas pela ação evangélica dos cristãos leigos e leigas na “igreja em saída”

Oxalá o estudo desse documento ajude os cristãos assumirem a missão de evangelizar tantos areópagos modernos para que mais pessoas possam conhecer, amar e servir Jesus Cristo.

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Para Refletir

  1. Por quê a Igreja deve sair de si e buscar os novos areópagos?
  2. Dos areópagos modernos, qual você julga mais necessário para receber o anúncio do Evangelho, Por quê?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 05 de julho de 2016 – Ficha 129: Uma Igreja de portas abertas, “em saída”.  (CNBB 105, 10)

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