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Ficha 127 – A ação transformadora dos leigos e leigas no mundo (CNBB 105, 08)

| 07/06/2017 | 0 Comentário

Nesta Ficha refletiremos sobre a missão dos leigos e leigas, chamados a serem sal e luz do mundo na tarefa de transformá-lo, segundo a proposta do Plano de Deus. Para sua realização, o Documento 105: “Cristãos leigos e Leigas na Igreja e na sociedade”, da CNBB, apresenta uma reflexão sobre essa urgente tarefa e propõe a necessária mudança de mentalidade e das estruturas eclesiais vigentes para que ela possa ser implementada. Somente assim os cristãos leigos e leigas poderão ser considerados sujeitos eclesiais, na condição de discípulos missionários e cidadãos do mundo.

“A ação transformadora do cristão no mundo”

O Reino de Deus, anunciado e inaugurado por Jesus Cristo já está entre nós (Lc 17,21) ele é dom que deve ser acolhido e perpetuado cotidianamente pela Igreja. Desta missão recebida de Jesus ninguém está excluído, especialmente os cristãos leigos e leigas presentes nas estruturas do mundo. Os campos e modos da ação laical se destacam: o testemunho, como presença que anuncia Jesus Cristo; a ética e a competência no exercício que qualquer atividade profissional; o anúncio querigmático, em toda e qualquer oportunidade; os serviços pastorais ministeriais e outras expressões organizadas; a inserção na vida social, através das diversas pastorais sociais; os meios de organização e atuação na vida cultural e política.

Ao abordar a ação transformadora dos cristãos no mundo, o Documento indica alguns critérios apontados pelo Papa Francisco na Encíclica Evangelli Gaudium: o primeiro, que nessa ação faz parte a Igreja, a sociedade e cada uma das pessoas; o segundo, que tal ação exige discernimento sobre a realidade, o funcionamento e os problemas da sociedade; o terceiro, que os cristãos não tenham receio enfrentar desafios; o quarto, que ela inclua a opção preferencial pelos pobres, a solidariedade, a defesa da vida humana; o quinto, que se busque o diálogo como expressão da cultura do encontro e a inclusão do outro na vivência da fraternidade; e, finalmente, o sexto, que a ação evangelizadora considere a “primazia do humano” sobre qualquer outra. O papa ainda destaca algumas concepções cristãs que questionam a mentalidade moderna: O tempo é superior ao espaço, ou seja, não agir pensando apenas em resultados imediatos, pois a esperança cristã confia no tempo favorável de Deus (2 Cor. 6,2) e semeia em todos os lugares (Mc 4,3-9); A unidade prevalece sobre os conflitos: (Jo 17,1); A realidade é mais importante do que as ideias, ou seja, os apelos do sofrimento humano devem ter prioridade e iluminar os planejamentos as reuniões, nunca o contrário(Lc 9,13); O todo é superior à parte: é necessário evitar todas as formas de isolamento e de relativismo individualista, pois a construção da nova sociedade é o mais importante (1Cor 3, 4).

 A necessária mudança de mentalidade e de estrutura

Para que a ação transformadora seja eficaz, faz-se necessário uma mudança de mentalidade e de estruturas eclesiais, que promovam e incentivem a ação dos cristãos no mundo como comunidade que se abre permanentemente para as urgências do mundo; que mostra a fraternidade de ajuda e serviço mútuo, com especial atenção às pessoas mais frágeis e necessitadas; uma Igreja em saída, de portas abertas, que vai em direção aos outros para chegar às periferias humanas e acompanhar os que ficaram caídos à beira do caminho.

 Tentações da missão e discernimentos necessários

Inseridos no mundo, os cristãos necessitam de contínua renovação e conversão, para vencerem as tentações que os fazem desviar de sua missão, dentre elas o Documento 105 destaca: ideologizar a mensagem evangélica para defender interesses pessoais; reduzir a Palavra de Deus a partir da ótica puramente social; entender o encontro com Jesus Cristo como uma dinâmica psicológica de autoconhecimento; buscar uma espiritualidade de “católicos iluminados” para ser superior aos outros; buscar a solução dos problemas sem contar e nem recorrer à graça de Deus; apostar na função e na prosperidade do plano pastoral, fazendo com que os sacramentos e a evangelização se constituam em função burocrática, sem conversão, transformando a Igreja numa ONG; assumir posições cleralizadas para dominar os outros; o individualismo, que isola pessoas e comunidades e não busca a inclusão ou a comunhão; o comunitarismo sectário, quando somente a minha fé é verdadeira e a dos outra é falsa e só os que fazem parte desse grupo se veem como salvos, enquanto os outros serão condenados; o secularismo, que é a negação da religiosidade como dimensão do ser humano, bem como o pessimismo estéril; acomodação; o isolamento; a desvalorização de outros leigos, especialmente da mulher e dos jovens e idosos.

Além das tentações, os cristãos leigos devem ter alguns discernimentos e evitar: a Oposição entre fé e vida: a fé em Deus se expressa em todas as dimensões da vida humana, portanto, não se pode separar a fé da vida; Oposição entre sagrado e profano: Profano é aquilo que seria separado de Deus ou indiferente à dimensão religiosa; Oposição entre a Igreja e o mundo: a Igreja está comprometida com este mundo, como sacramento e sinal da salvação misericordiosa de Deus; Oposição entre identidade eclesial e ecumenismo: o ecumenismo não significa a perda de identidade católica, pois nele que está uma das maiores manifestação da caridade cristã, segundo o apelo de Jesus ao Pai: “que todos sejam um”.

A missão do cristão leigo e leiga é atuar no mundo buscando a transformação das estruturas que geram injustiça e opressão. É libertar o mundo dos pecados que atentam contra a vida e contra a dignidade humana. Para isso, é preciso discernir entre as coisas positivas e as negativas, ficando com as primeiras e rechaçando as segundas, vencendo as tentações da missão para criar uma mudança de mentalidade e estruturas e eliminar os entraves à verdadeira vivência cristã.

Peregrinar é andar sem rumo e sem destino; peregrinar com fé é acreditar que um mundo novo é possível, abrindo caminhos para que a fraternidade e a solidariedade sejam a estrada da vida plena e abundante.

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Para Refletir

  1. Qual o maior desafio para os cristãos assumirem a missão de ser fermento, sal e luz na sociedade moderna?
  2. Você acha que a Igreja incentiva os cristãos a se envolveram na transformação da sociedade. Por que?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 21 de junho de 2016 – Ficha 128: Areópagos modernos: Missão e desafios  dos cristãos leigos e  leigas do século XXI  (CNBB 105, 9)

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