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Ficha 126 – A organização e a formação dos cristãos leigos e leigas (CNBB 105, 07)

| 24/05/2017 | 0 Comentário

Esta Ficha reflete sobre a organização e a formação do laicato no Brasil, apresentada no Doc. 105 da CNBB “Cristãos Leigos e Leigas na Sociedade”. O Concílio Vaticano II (CVII) inspirou iniciativas que contemplaram o laicato e sua organização, resgatando o papel fundamental dos leigos e leigas como membros do Povo de Deus e protagonistas da Evangelização. As propostas conciliares tiveram ampla aceitação dos bispos, os quais, em sua maioria, esforçaram-se para organizar o laicato em suas dioceses. Nesse processo de organização era preciso capacitar os cristãos com uma sólida formação doutrinal, bíblico-teológica, pastoral e espiritual que fosse fundamentada nos documentos do Magistério, na Doutrina Social da Igreja, nas Conferências do CELAM e nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB. Tal formação tinha, e tem, como objetivo fornecer os critérios e valores para o leigo e a leiga, sujeitos eclesiais, atuarem como discípulos missionários, nos mais variados organismos eclesiais e, sobretudo, no vasto mundo que da política, da realidade social, da economia, das ciências, das artes, da ecologia, nas relações internacionais e nos atuais meios de comunicação social (MCS). São objetivos da formação: preparar os leigos e leigas para a acolhida aos irmãos, para o diálogo e a transformação da sociedade, os quais se constituem no grande desafio da Evangelização.

 Presença e organização dos cristãos leigos e leigas

O laicato é o conjunto de agentes eclesiais, presente em diversos campos da Igreja e da sociedade, estruturado pelo eixo da comunhão e participação, configurando um novo modo de ser Igreja. Desde a Ação Católica (1935), a Igreja percebeu a necessidade de organizar os leigos e leigas conforme sua vocação, decorrente do batismo. Na década de 1970, foi idealizado e instituído na Igreja do Brasil, o Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB), um organismo de articulação, diálogo e integração das diversas organizações de leigos, que busca despertá-los para a consciência crítica e criativa, estimulando a sua participação como sujeitos eclesiais. Seu rápido sucesso desencadeou a estruturação em Conselhos Regionais e Diocesanos, agregando movimentos e associações laicais em todas as regiões do Brasil, realizando encontros nacionais e regionais, construindo caminhos de unidade e comunhão com a Igreja e a sociedade. A riqueza e a diversidade dessa organização possibilitaram o surgimento de inúmeras iniciativas, das quais destacamos as  Comunidades Eclesiais de Base – CEBs e as Pastorais Sociais, tais como: Pastoral da Criança, da Saúde, da Terra, dos Sem Tetos, da Moradia, do Menor, da Mulher Marginalizada, do Povo de Rua, Universitária, dos Migrantes, da Educação, da Pessoa Idosa, Carcerária, Afro-Brasileira, Sobriedade, entre outras. Além dessas, destacam-se várias outras entidades como: a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP); o Conselho Indigenista Missionário (CIMI); a Comissão Pastoral da Terra (CPT); a Comissão Pastoral Operária (CPO); o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (IBRADES); o Centro Nacional de Fé e Política “D. Helder Câmara” (CEFEP), a Cáritas Brasileira, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS). A Igreja conta ainda com a atuação do laicato em diversas organizações, como grupos ligados à espiritualidade das ordens e congregações religiosas, às novas comunidades e às associações de leigos, serviços e pastorais, que a partir dos carismas, objetivos e modos próprios de organização e ação, seguem critérios eclesiais, contribuindo também para a edificação da Igreja na construção de uma sociedade justa e fraterna, sinais do Reino de Deus.

Formação do laicato brasileiro

A formação, como educação permanente da fé, é um direito dos leigos e um dever da Igreja, para que eles possam assumir plenamente a responsabilidade de sujeitos eclesiais, “chamados para crescer, amadurecer continuamente, e, dar cada vez mais fruto, tal como a imagem evangélica da videira e dos ramos” (Jo 15,5 – Exortação Apostólica Christifideles laici (ChL) 57).

O objetivo da formação é ajudar os membros da Igreja a se encontrarem com Cristo, e assim reconhecerem, acolherem, interiorizarem e desenvolverem a experiência e os valores que constituem a própria identidade, vocação e missão cristã no mundo (Documento de Aparecida (DAp) 279). Ela é uma exigência da condição humana, da busca permanente da compreensão e da vivência da fé e, precisa ser integral, considerando as dimensões humana e espiritual, teológica e pastoral, teórica e prática, onde os bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e lideranças leigas de um modo geral, são os primeiros responsáveis. Tal formação, feita pela Igreja e na Igreja, deve privilegiar lugares importantes, tais como: a família cristã, as paróquias e as pequenas comunidades eclesiais, as escolas e universidades católicas,os movimentos eclesiais, as novas comunidades e as associações de leigos (DAp, 302-314).

Do ponto de vista metodológico, no processo formativo devem estar presentes temas como: a pessoa e a prática de Jesus Cristo; a missionariedade e a relação Igreja-Mundo-Reino; a análise da realidade à luz da Doutrina Social da Igreja (DSI); a dimensão comunitária; a opção pelos pobres; a educação para a justiça; a relação fé e política; a antropologia cristã, especialmente o relacionamento humano, a sexualidade e a afetividade humana. Além disso, ela deve ser: mistagógica em relação a catequese, a liturgia e a vida, para favorecer a conversão pessoal e pastoral; integral para responder às questões da fé, da razão, da emoção e da espiritualidade; missionária e inculturada para que os já conscientes da vocação e missão possam ir ao encontro dos demais; articuladora para superar as dicotomias entre fé e vida, Igreja e mundo, clero e leigo; prática para que o leigo insira na sua realidade social; dialogante para contribuir com a relação madura e respeitosa entre os sujeitos eclesiais; específica para atender às necessidades dos sujeitos eclesiais; permanente e atualizada para acompanhar e responder com prontidão os desafios da realidade global e local; planejada para organizar e garantir que os recursos utilizados nos projetos elaborados sejam capazes de responder positivamente à proposta da formação laical de que “quanto mais somos formados, mais nos tornamos capazes de formar outros” (ChL, 63).

O Documento de Aparecida e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil (1999-2000/2015-2019) enfatizam que “A formação dos leigos e leigas precisa ser uma das prioridades da Igreja Particular”. Também ressaltam que, cada diocese desenvolva um projeto de formação,que contemple: objetivos articulados com o plano de pastoral; formação básica de todos os membros da comunidade e formação específica de acordo com a atuação; aprimoramento bíblico-teológico; presença de cristãos leigos e leigas na execução do projeto; diálogo com as diferentes formas organizativas presentes na diocese; união entre fé, vida e liturgia para a autenticidade da vida comunitária e testemunho evangélico na transformação da sociedade. Na Igreja do Brasil, grande parte deste processo formativo já é realidade, através da proliferação das escolas de fé e cursos de teologia para leigos, em diversas dioceses; da formação pelos MCS, especialmente pela internet, com inúmeros cursos gratuitos, palestras formativas dos movimentos e associações, como do CNLB, etc.

Para a evangelização do mundo atual há questões às quais só os cristãos leigos e leigas, portadores de uma espiritualidade encarnada, devidamente organizados e formados podem responder. É isso que os habilita a inserir-se de modo qualificado nas realidades urgentes de nossos dias, como discípulos missionários de Cristo no mundo.

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Para Refletir:

  1. Qual a importância da organização dos cristãos leigos e leigas para a evangelização? Como estão organizados na sua realidade local, como atuam?
  2. Como você vê a proposta de formação laical da sua Diocese/Paróquia/Comunidade? Ela tem contribuído para a maturidade do leigo/a na formação de uma consciência crítica e comprometida com a transformação social?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 07 de junho de 2016 – Ficha 127 – “A ação transformadora dos leigos e leigas  no mundo” (CNBB 105, 08)

Acesse o cronograma das próximas Fichas de Estudos.

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