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Ficha 123 – Igreja, Povo de Deus: Comunhão e Serviço à Comunidade e ao Mundo (CNBB 105, 4)

| 12/04/2017 | 0 Comentário

Nesta ficha continua-se o Julgar, com o tema teologia do laicato e da Igreja. De acordo com o Documento 105:  “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade” se refletirá sobre as concepções de Igreja como Povo de Deus e Igreja comunhão e serviço à comunidade e ao mundo, como expressão do Corpo Místico de Cristo. Ambas as noções complementares estão fundamentadas na teologia bíblica, no magistério eclesial, inclusive latino-americano (CELAM) e brasileiro (CNBB).

 Igreja, “Povo de Deus”

A concepção de “Povo de Deus” tem sua raiz no Antigo Testamento, expressa nas Alianças seladas entre Deus e  Abraão e depois com Moisés, que deu a certeza a Israel de que fora escolhido por Deus para ser o seu povo. Com o advento de Jesus e a proclamação da Boa Nova, a pregação cristã tende a universalizar-se e ganha seu grande impulso a partir do evento de Pentecostes, com a força do Espírito Santo e todos os que aderem à proposta da Boa Nova passam a ser considerados “Povo de Deus”.

A Constituição Lumen Gentium destaca, ainda, que todos os batizados participam do sacerdócio comum dos fiéis e constituem o único povo de Deus, do qual decorre o senso da fé que provém do Espírito Santo. O povo de Deus é chamado a ser os olhos, os ouvidos, as mãos, a boca e o coração de Cristo na Igreja e no mundo; a ser servidor de Cristo, assumindo o forte compromisso ético de cuidado uns com os outros, principalmente com os mais fracos. A noção de “Povo de Deus” expressa a totalidade dos batizados como sujeitos da evangelização e construtores de uma “Igreja onde todos possam ser acolhidos, amados, perdoados e animados a viver a vida boa do Evangelho” (Evangelli Gaudium, 114).

 Igreja “comunhão participação e serviço”

A concepção Povo de Deus está perpassada pela exigência da participação consciente, da organização comunitária ao redor de um projeto comum, da igualdade entre todos, da unidade nas diferenças e da comunhão de todos com todos e com Deus. A imagem eclesiológica da Igreja que melhor expressa a comunhão é a do Corpo Místico de Cristo, no qual todos os batizados tomam parte e são chamados a viver a plena comunhão e o serviço aos irmãos. Essa compreensão aparece fortemente na Conferência de Puebla e foi retomada pela CNBB, 1988, no Documento 40, “Igreja: comunhão e missão na evangelização dos povos, no mundo do trabalho, da política e da cultura”.

 O serviço à comunidade

O serviço à comunidade está entre os muitos desafios em que os leigos e leigas enfrentam para exercerem sua atuação como sujeitos eclesiais. O Documento de Puebla indicou a família e as comunidades eclesiais e os chamou de ”Centros de Comunhão e Participação”(563). O Documento 105 assumiu as mesmas indicações, acrescentou os movimentos eclesiais e os chamou de “espaços de comunhão participação”.

De acordo com a tradição, a Igreja atribui à Família a denominação Igreja doméstica, pois é nela que as pessoas são formadas e experimentam “a beleza de ser amado primeiro”. (Exortação Apostólica Amoris Laetitia,166). Através dela, novos cristãos são incorporados ao corpo “Místico de Cristo” e aprendem a amar e a servir os irmãos. Todavia, o Papa Francisco lembra, nesse âmbito de geração e acolhimento da vida, de numerosas crianças rejeitadas e abandonadas, pela irresponsabilidade e inconsciência de muitas pessoas com os dons de Deus,  que todos são chamados a cuidar e proteger, porque a vida humana é sempre sagrada e inviolável, em qualquer situação e etapa do desenvolvimento.

As comunidades eclesiais (Paróquia, CEBs e Igreja particular) oferecem espaços para o exercício da comunhão e participação, através dos grupos bíblicos, das redes de comunidades, das assembleias pastorais e associações inseridas na pastoral orgânica. Elas proporcionam um aprendizado do que é ser Igreja, fortalecem a unidade e o respeito pela diversidade. Os Conselhos desenvolvem a participação e corresponsabilidade pastoral em todos os níveis, contribuem para a transparência na prestação de contas, no planejamento financeiro e na manutenção das estruturas físicas. Quando não há a presença desses Conselhos, existe o perigo de se desenvolver o clericalismo e a centralização de decisões. Especialmente, as CEBs e pequenas comunidades, oferecem uma atuação especial, como transformar a realidade à luz do Evangelho, na vivência comunitária junto aos habitantes de periferias e bairros mais pobres nas grandes cidades. Elas facilitam a vivência na fraternidade, nos processos de formação na fé e fortalecimento do que é ser apóstolo na sociedade. Para comunicar sua vida e dinamismo precisam estar sintonizadas às comunidades paroquiais, desenvolvendo a “comunidade de comunidades” (Documento de Aparecida, 308).

Os movimentos eclesiais, as associações de fiéis e as novas comunidades indicam outros importantes espaços de comunhão e participação para os leigos como sujeitos eclesiais. Eles representam dons do Espírito para a Igreja. Em todos esses serviços, o Papa Francisco lembra da necessidade de que todos se mantenham fiéis aos critérios de eclesialidade expressas na oração do credo apostólico e que todos se esforcem para manter vínculo com a paróquia local e se integrem na pastoral orgânica da diocese.

Na compreensão da Igreja comunhão e participação, os carismas, serviços e ministérios constituem a unidade na diversidade, pois pela comunhão na fé, o Espírito os desperta como dons, a serem acolhidos e valorizados. A 1ª Carta aos Coríntios, elenca uma série deles, e ressalta o serviço (1Cor 12, 7) no ministério teológico, nas coordenações, assembleias de planejamento, conselhos e demais instâncias de decisão, formando uma comunidade de sujeitos eclesiais com participação consciente, ativa e adulta.

O serviço ao mundo

Chamados a ser sal e luz do mundo os leigos e leigas devem, além do serviço à comunidade, se colocarem a serviço do mundo, na promoção dos direitos e da justiça social, a defesa da vida e da dignidade humana. Tal serviço também prevê a atuação nos campos social e político, através de entidades de classe, conselhos de políticas públicas e outros, exercendo sua cidadania à luz da Doutrina Social da Igreja. O cristão é chamado a estar presente no mundo para humanizar as relações e, como membro do Povo de Deus, dar testemunho de Cristo, que veio ao mundo para servir.

Por fim, cabe aos cristãos leigos e leigas serem promotores de uma cultura da Paz, que seja efetiva e busque saídas para os conflitos econômicos, sociais e políticos. A Paz dada por Jesus aos seus amigos e a paz que o “Povo de Deus” deve oferecer ao mundo através do seu serviço. Que cada leigo e leiga seja portador da Paz de Cristo.

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Para Refletir:

  1. Qual o significado conciliar que a Igreja, “Povo de Deus” traz para os novos tempos? Como você, leigo e leiga, se sente parte do “Povo de Deus”?
  2. Na compreensão de que a Igreja é “comunhão participação” quais os serviços que os leigos e leigas são chamados a desempenhar na comunidade e no mundo, quais os mais importantes e quais os mais desafiadores?

 Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários do texto publicado

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima Ficha:  26 de abril: Leigos e leigas: discípulos missionários na Igreja e no mundo  (CNBB -105, 5)

Acesse o cronograma das próximas Fichas de Estudos.

Colabore com Equipe do AVF na produção e edição das Fichas. Saiba como acessando este link ou escrevendo para avf@arquidiocesecampinas.com

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