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Ficha 120: Quem são, o que fazem e onde estão os leigos e leigas? (CNBB 105, 1)

| 01/03/2017 | 0 Comentário

Iniciamos a reflexão sobre o documento 105 da CNBB: “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”  perguntando: Quem são, o que fazem e onde estão, os leigos e leigas? No “mundo secular”, o leigo ou a leiga é aquele/aquela que não conhece sobre determinado assunto. Desde a Idade Média até o Concílio Vaticano II, era esse o sentido que se dava ao leigo na Igreja: aquele cristão ou aquela cristã que nada sabia das coisas sagradas.

Com a renovação trazida pelo Concílio Vaticano II, formou-se a base para a compreensão da vocação e da missão dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade e, desde então, os termos leigo e leiga adquiriram nova conotação, despertando uma nova consciência sobre a importância deles na ação evangelizadora, renovando o modo de ser Igreja. A Constituição Dogmática Lumen Gentium afirma que a Igreja é formada pelo Povo de Deus (LG 2 e 4) e Constituição Pastoral Gaudium et Spes realça, a importância da ação eclesial dos leigos e leigas no mundo (GS 3 e 4). Posteriormente, se destacam a Exortação Apostólica Cristifideles Laici (sobre os fiéis leigos); o magistério do episcopado latinoamericano, principalmente o Documento de Aparecida que convoca os “discípulos e missionários de Cristo” para a “grande missão”; e, por fim, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco, sobre a alegria de se anunciar o Evangelho no mundo atual e o seu recente apelo para que a Igreja assuma a posição de saída, isto é, buscando servir os que dela precisam.

A palavra leigo

A palavra leigo vem da palavra grega “laikós” que identificava as pessoas simples da sociedade ou o povo. O sentido dado pela Igreja à mesma palavra vem da palavra “laos”, usada no Antigo Testamento para expressar os povos que, de alguma forma, se relacionavam com Deus. Segundo a LG, a expressão “Povo de Deus” significa uma profunda unidade, uma comum dignidade e a fundamental habilitação de todos os membros da Igreja para a participação na vida eclesial e à corresponsabilidade na missão. Constatamos que em nossas comunidades, muitas pessoas se dispõem a ajudar em algum serviço ou fazer alguma tarefa laboral, mas não acreditam ter a capacidade para falar e agir em nome de Jesus. Muitas vezes, isso se dá devido à mentalidade que somente os bispos, os padres e os religiosos são os conhecedores das coisas de Deus porque estudaram, e os leigos e leigas, ao contrário, não estariam capacitados para tal missão, justamente porque nada ou pouco estudaram.

O papa Francisco tem trazido um grande alento para a Igreja, no sentido de convocar todos os fiéis a darem testemunho da alegria de serem batizados, cristãos e discípulos de Jesus, saindo ao encontro dos irmãos e irmãs, em um mundo que clama por vida. Ele tem destacado que o testemunho cristão não está relacionado ao conhecimento ou à cultura católica, mas à adesão de fé dos seguidores de Jesus Cristo. Todo aquele que crê em Cristo é chamado a testemunhá-lo.

Quem são os leigos e leigas? – O rosto do laicato

No documento 105 há uma parte muito bonita chamada o “Rosto do Laicato” (Doc 105, 55-62). Nela, os bispos afirmam que todos os batizados que escolheram Jesus como seu Senhor, sem distinção, são leigos e leigas que participam do sacerdócio de Cristo na Igreja e no mundo, de diferentes modos, como um direito e como uma consequência natural dos sacramentos da iniciação cristã (batismo, eucaristia e crisma). Assim, as crianças, os jovens, os casais que escolhem a vida matrimonial, as mulheres, os homens, os idosos, os viuvos e viuvas, todos são leigos e leigas. Todas as pessoas que, se foram batizadas e buscam fazer o bem por causa de Jesus, são testemunhas do seu Reino. O Evangelho diz que todo aquele que der um copo de água por causa do nome de Jesus a alguém necessitado, será lembrado por Ele (Mt 10,42).

Vemos, então, que ser cristão, discípulo/discípula ou leigo e leiga, implica em uma atitude de quem segue e anuncia a Cristo por meio de ações e palavras, dando testemunho de Jesus, estejam onde estiverem, tendo a consciência de que tudo o que fazem por causa de sua fé em Cristo, é obra evangelizadora. Da mesma forma, são leigos e leigas, aqueles que se sentem chamados a viver a sua vocação como agentes de pastoral, assumindo algum serviço ou ministério na Igreja! Portanto, para agir, o leigo e a leiga não precisam de mandato de ninguém, pois Jesus já deu a ordem: Ide pelo mundo e pregai o Evangelho! (Mc 16, 15).

O que fazem os leigos e leigas ?

O documento 105 recorda os ensinamentos de Jesus, lembrando que os cristãos são sal e luz do mundo (Docto 105, 13). Ora, se o sal serve para salgar e a luz para iluminar, os cristãos, então, estão no mundo para dar sabor e iluminar o que está escuro. O mundo atual, em que vivemos, parece ter se esquecido de Deus, e a vida humana parece que não vale mais nada. O dinheiro e os bens materiais tomaram o lugar D’Ele no coração das pessoas e isso tem causado muitas dificuldades no mundo. Especialmente, os pobres têm fome de pão, fome de justiça, fome de amor, fome de esperança. Deus, ao nos dar a vida, fez um grande e maravilhoso milagre e nos pede que façamos da nossa vida, comida, alegria, consolo, palavra amiga para quem precisa. Deus não nos deu a vida para vivê-la somente em benefício próprio, mas para ajudarmos, também, aqueles que precisam de nós (Lc 10, 30-37). Ser cristão leigo e leiga é cumprir as obras de misericórdia e se comprometer nas várias esferas da sociedade moderna (economia, política, ciência e técnica, cultura, comunicação etc.), pois dessa forma serão testemunhas do amor de Cristo no mundo, colaborando na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, tal como destaca a segunda parte da GS.

Podemos nos perguntar: A forma como os cristãos e cristãs vivem é igual ou diferente daqueles que não são cristãos? Como podemos identificar um cristão? E, indo mais a fundo: Você que está lendo esta Ficha, no que é que você é diferente dos que não tem fé?

 Onde estão os leigos e leigas?

O documento 105 diz que a Igreja, obra de Deus-Trindade, em sua manifestação salvadora da inteira humanidade (Encíclica Redemptoris Missio), está dentro do mundo, tal qual o fermento na massa. O leigo e a leiga são Igreja, pois onde eles estão, aí está a Igreja. Tal como o sal remete a uma ação invisível, uma forma de atuar no mundo, pelo testemunho da força do Evangelho, por outro lado a luz, existe para brilhar e ser uma presença visível, que através do anúncio explícito faz chegar o Evangelho ao mundo, no qual o cristão é chamado a ser presença diferenciada, humanizando as relações e comprometendo-se com uma sociedade mais justa. Assim, atuam de duas formas diferentes de presença na missão, agindo pelo amor mútuo, com caridade para com os mais pobres e com alegria contagiante conforme conclama o Papa Francisco. Os cristãos devem estar no mundo, dar sabor ao que, constantemente, perde o sabor.

Crédito da imagem: Via Crucis latino-americana – Adolfo Pérez Esquivel

 

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Para Refletir:

  1. Depois de ler esta Ficha, o que muda em sua visão sobre a missão do leigo e leiga?
  2. Tente enumerar quantas pessoas você conhece que dão alegre testemunho de fé em Jesus Cristo no meio em que vivem ou onde trabalham. O que eles testemunham para você?

 

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

 

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