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Ficha 119 – Contemplar a Criação a partir da espiritualidade franciscana (LS-16)

| 30/11/2016 | 0 Comentário

f-119Ao encerrarmos o Estudo da Encíclica Laudato si, somos convidados pelo Papa Francisco a refletirmos sobre a contemplação. Para explicitar a ligação entre contemplação e Ecologia, ele nos propõe refletir sobre a realidade sacramental e sobre a Santíssima Trindade. Tais realidades não podem ser compreendidas a partir da racionalidade, mas somente a partir da fé, do coração agradecido que reconhece que tudo o que existe deriva da bondade de Deus.
O senso comum diz que contemplar é admirar, ver graça e beleza em alguma coisa ou, mesmo, em uma atitude ou um pensamento. Na experiência cristã, a contemplação expressa um momento espiritual sublime, no qual, através do olhar da fé se experimenta algo que flui do mais íntimo do ser humano, por isso, se diz que a contemplação é o transbordamento de uma felicidade que brota do coração. São Boaventura, que também foi franciscano, dizia que a contemplação alcança o seu nível mais elevado quando se tem condições de reconhecer Deus nas outras criaturas, isto é, para ele, somente após sentir a presença de Deus em si mesmo, é que ela tem condições de percebê-lo nos outros. A contemplação só é possível ocorrer no coração de uma pessoa que sente gratidão a Deus pelo bem que recebeu. Ela está profundamente ligada a “Ecologia integral” pois se tudo está interligado ela não pode ser restrita a prática ritualista da religião, mas deve levar o cristão a uma profunda comunhão com todas as outros seres. Foi o que viveu São Francisco: toda a criação lhe ‘falava’ de Deus, por isso ele chamava todos de irmãos. Sua forma de viver uma nova relação contemplativa com a natureza, inspirou uma espiritualidade do cuidado, da fraternura e da paz que se transformou num modelo da causa ecológica para toda a humanidade. Também o
papa Francisco tem se mostrado como um contemplador de Deus nos pobres, nos que sofrem e nos marginalizados, afirmando que os desprezados deste mundo, foram os escolhidos por Deus para eternizar sua mensagem (1Cor 1,27-28). Ele os vê a partir do lugar social de cada um e, percebendo a necessidade de mudança da sociedade, na direção da equidade e da justiça, os acolhe como um pai, e se apresenta como um carinho de Deus a eles. O Papa, então, nos ensina que servir ao Cristo implica ir ao encontro dos nus, famintos, encarcerados, crianças, órfãos, viúvas e estrangeiros. Não por acaso, uma de sua mais recentes atitudes foi criar o dia “Dia Mundial dos Pobres” a ser celebrado no penúltimo domingo do ano litúrgico. É preciso aprender a contemplar Deus
nos pobres.
Os sacramentos ajudam a compreender o que significa contemplar, pois constituem um modo de perceber, através dos “olhos da fé”, a transformação de um elemento da natureza em uma realidade divina. A tereza-de-cacultaágua, no batismo, já não é só água, é graça santificante do Divino Espírito, que inunda e banha os seres, lavando-os do pecado. O pão e o vinho já não são comida e bebida para o corpo, mas assumem-se corpo e sangue do Cristo, para os Discípulos de Jesus, para que estes, cumprindo o mandamento de repartir os dons recebidos, se façam alimento para os que têm fome. O óleo, utilizado nos sacramentos do batismo, crisma, unção dos enfermos e ordem, representam a força que vem de Deus, para fortalecer aqueles que se consagram no serviço aos irmãos. O consentimento dos noivos ultrapassa as juras de amor do casal e expressam a união de Cristo com sua Igreja. A imposição das mãos, presente em todos os sacramentos, não se trata apenas de uma benção, mas a ação do próprio Jesus Cristo, que transforma a realidade material em realidade espiritual, é também instrumento do amor de Deus, que veio Se fazer nosso companheiro. Só quem vê tais realidades como ação do próprio Jesus Cristo, entende o sentido da contemplação.
Utilizando elementos naturais, a Igreja, através dos sacramentos abraça o mundo num plano espiritual e entra em comunhão com todo o universo cósmico, no qual todas as criaturas encontram o seu sentido em Jesus Cristo. Dos sacramentos, o mais sublime é a eucaristia, nela Jesus se faz carne e se dá a quem Dele tem fome. Na perspectiva da ecologia integral, São João Paulo II dizia que este sacramento é celebrado sobre o altar do mundo, porque reconstrói os laços desfeitos entre o homem e o mundo criado, onde toda ação destrutiva é redimida por Jesus Cristo. Da eucaristia brota o mandamento do serviço, expresso no lava-pés, daquele que se compromete a seguir o mestre e fazer tal como ele fez, a exercer o Discipulado, isto é, atualizar a prática salvadora e redentora de Cristo. Por isso, ela nos chama a ser guardiões da criação. Guardar a criação é recordar que Deus criou o mundo e descansou. Desta afirmação de fé e na dimensão da ecologia integral, compreendemos que todas as criaturas precisam de descanso. Não por acaso, a Igreja transformou o dia da ressurreição como dia do descanso. Não se trata, como se afirma na pós modernidade, de um dia ocioso, mas um dia dedicado ao repouso restaurador junto à família e ao louvor a Deus, na comunidade.
A Trindade nos ensina que Deus Pai, e Deus Filho e Deus Espírito Santo compõem a melhor e a maior comunidade. Nela há uma profunda interligação entre as três pessoas. Elas nos ensinam que tudo que existe no mundo deve estar em comunhão, porque desde o início da criação do mundo tudo já existia em Deus.Disso nasce a certeza de que o ser humano se constrói como pessoa, quando sai de si para se relacionar com Deus, com outros e com a natureza, pois tudo o que existe no mundo, existe por obra e vontade de Deus. Assim, o menor dos seres, como criação de Deus, tem seu propósito no plano da Salvação. Da percepção de que tudo está interligado brota a espiritualidade da solidariedade global, a qual, por sua vez, nasce do mistério da trindade, a melhor comunidade.
Nessa comunhão universal, a Igreja nos ensina que Maria ocupa um lugar de destaque. Ela é a mãe de Deus, a rainha de toda a criação. Maria, ao cuidar e zelar pela vida do menino Jesus, cuidou e zelou de toda a criação. Ela é então modelo para aqueles que são chamados a serem cuidadores do mundo.
A fé nos dá certeza da ressurreição, quando todos nos encontraremos no Cristo. Jesus nos chama a transformar o mundo para que ele se transforme no sinal da realidade do Reino, já presente, mas não de forma plena. Desta certeza nasce a esperança de que o mundo pode ser transformado, porque nos planos de Deus, ele foi pensado para ser o Paraíso.
Como expressão da contemplação, nasce a oração de agradecimento e louvor. O papa Francisco criou, no final da sua Encíclica uma “Oração pela nossa Terra” que deve ser conhecida por todos, pois encoraja práticas e valores que dão sentido à vida, à união com a natureza, com o universo e com Deus.
Encerremos a nossa reflexão sobre a Encíclica, rezando, meditando esta oração composta pelo Papa e, depois, façamos o nosso coração contemplar as maravilhas da criação divina.

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Para Refletir

1) De que forma a contemplação contribui para uma espiritualidade ecológica?
2) Qual o ensinamento que fica pra você após refletir sobre a Encíclica Laudato Si.

 

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

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