Car@s amig@s

A partir de novembro de 2016, os textos e as Fichas de Estudo do Ambiente Virtual de Formação serão publicados apenas no novo site da Arquidiocese de Campinas,

Clique aqui para acessar o site, depois role a barra até encontrar o banner do AVF" A coordenação do AVF.

Ficha 118: Conversão ecológica: cidadania planetária (LS-15)

| 16/11/2016 | 0 Comentário

f-118Estamos chegando ao final do nosso percurso de reflexões sobre a  Encíclica Laudato si. Nesta penúltima Ficha, refletiremos em três tópicos sobre a espiritualidade que deve conduzir o agir dos cristãos em busca do equilíbrio ambiental. O primeiro tópico trata da conversão ecológica necessária para mudar os rumos no nosso planeta; o segundo sobre a alegria e paz, entendidas como estados de vida quando conduzidos por um profundo senso moral; e o terceiro do amor civil e político, que nada mais é do que a prática da caridade, da fraternidade e da solidariedade com toda criação.

A conversão ecológica

Conversão quer dizer mudança de rumo. Nesse sentido, conversão evangélica, significa abandonar o pecado em seu aspecto ético e moral na relação entre a pessoa e Deus e entre as pessoas (rupturas com Deus, consigo mesmo e com o próximo) e convergir para os ensinamentos do Evangelho. A Encíclica acrescenta à palavra conversão o adjetivo “ecológica”. Para entender a conversão ecológica, precisamos recordar que para a Encíclica, na Ecologia Integral, tudo está inter-relacionado e interdependente. Portanto, se todo pecado, como qualquer ação humana, tem consequências no mundo, ele também possui conotação ecológica, que se traduz na ruptura com a natureza, que implica na necessidade de uma conversão, dado que todo pecado interfere na vida ambiental do planeta. Conversão ecológica, então, está ligada a Ecologia integral.

Não se trata de novas ideias, mas, em retomar as motivações que derivam da espiritualidade Cristã para alimentar uma paixão pelo cuidado do mundo. Nem sempre aproveitamos e fizemos frutificar as riquezas dadas por Deus à Igreja, nas quais a espiritualidade não está desligada do próprio corpo, nem da natureza e nem das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas em comunhão com tudo que nos rodeia. Muitos cristãos, até comprometidos e engajados na prática da evangelização, não se preocupam com as questões ambientais, seja por omissão ou por passividade.

A conversão ecológica se traduz como parte essencial de uma existência virtuosa, pautada pelo senso de responsabilidade pela justiça, pela paz e pela integridade de toda a criação. Recordando São Francisco de Assis, o Papa propõe uma saudável relação com a criação como dimensão da conversão integral de toda pessoa, que reconhecendo os próprios erros, pecados, vícios, negligência e omissões, arrepende-se de coração e mudando de vida, a partir do próprio interior. Conversão exige atitudes positivas. A primeira delas é de gratidão e gratuidade pelo reconhecimento do mundo como dom recebido do Pai, cuja consequência será a prática gratuita de renúncia e gestos generosos, mesmo que ninguém os veja, nem os agradeça, pois só Deus, a quem nada é oculto, pode dar a recompensa. (Mt 6, 3-4). Outra atitude é criar uma consciência amorosa de estar ligado às demais criaturas, formando com elas uma comunhão universal. A conversão ecológica faz crescer as capacidades e os dons que Deus deu a cada um, a fim de resolver os dramas do mundo, na humildade de quem se reconhece simples criatura, mas com uma capacidade que lhe impõe uma grave responsabilidade, derivada de sua fé. Várias convicções da fé cristã desenvolvidas em toda a Encíclica ajudam a enriquecer o sentido dessa conversão, principalmente a consciência de que cada criatura reflete algo de Deus e que tem uma mensagem para nos transmitir e ainda o reconhecimento de que Deus criou o mundo inscrevendo nele uma ordem e um dinamismo que o ser humano não tem direito de ignorar.

Alegria e paz

Refletindo sobre alegria e paz, podemos lembrar que a natureza produz o suficiente para nossa sobrevivência e bastaria que cada um buscasse apenas o necessário para eliminar a fome dos demais. Isso depende do cultivo do amor, que se fosse praticado por todos acabaria com as guerras e todas as formas de injustiças e violência.

 “A espiritualidade cristã encoraja um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo”. Além da integridade dos ecossistemas é preciso tratar da integridade da vida humana, da necessidade de incentivar e conjugar os grandes valores que estão relacionados com o sentido da vida, que não está em criar riqueza, mas fraternidade, não em ter/acumular, mas ser solidário e compassivo com todos os seres da criação.

A isso pode-se chamar de sobriedade e simplicidade, virtudes que permitem saborear as pequenas coisas, agradecendo todas as possibilidades que a vida oferece, sem apegos e tristeza por aquilo que não possuímos, vencendo o hedonismo e valorizando as coisas mais simples e com elas se alegrar. Nos leva a reduzir o número de anseios insatisfeitos e a melhor controlar o cansaço e a ansiedade e a perceber que a vida é graça e nos coloca numa atitude de gratidão ao criador.

Amor civil e político

Há quase 40 anos, o Beato Papa Paulo VI propôs ao mundo o ideal de uma “civilização do amor” em sua “Mensagem para o dia mundial da Paz de 1977”. A LS recupera essa proposta ao falar do amor civil e político, lembrando que, com Jesus descobrimos que temos Deus como nosso Pai comum, o que nos torna a todos irmãos. É próprio do amor fraterno a gratuidade e se, em Jesus, somos todos irmãos, é possível então falar de uma fraternidade universal que implica no esforço de todos para alcançar o bem comum.

Diante da complexidade da situação que o mundo enfrenta, não é suficiente que cada um seja melhor isoladamente, é preciso dar centralidade ao bem comum, acima dos bens particulares. Isso quer dizer que não se combate os problemas sociais com a mera soma dos bens individuais, mas sim com redes comunitárias, exigindo uma verdadeira conversão das comunidades.

Nessa teia fraternal, torna-se necessário o sentimento de dependência, de que precisamos uns dos outros e que temos uma responsabilidade para com os demais e para com o mundo, que vale a pena sermos leais, bons e honestos. Precisamos superar a degradação moral que impera no mundo, sobrepondo-se à ética, à bondade, à honestidade e até mesmo sobre a fé, destruindo todo fundamento da vida social e colocando-nos uns contra os outros na defesa dos próprios interesses, despertando várias formas de violência e crueldade contra os semelhantes e contra a natureza.

A Encíclica sugere que o amor marcado por pequenos gestos de cuidado mútuo se transforme em amor civil e político, capaz de construir um mundo melhor. Nem todos são chamados a trabalhar de forma direta na política, mas floresce na sociedade uma grande variedade de associações que se dedicam em prol do bem comum na defesa do meio ambiente natural e urbano. Isso revela que interagir com os outros nas atividades sociais é um exercício do amor social, que amadurece o cristão. No Brasil, vê-se nos últimos tempos, grande número de grupos que se unem informalmente a serviço, geralmente, dos mais pobres e necessitados, desenvolvendo, desta forma, um crescimento no sentido de solidariedade.

São ações comunitárias feitas com amor e carinho, que se transformam em intensas experiências espirituais e indicam que estamos no processo da conversão integral.

download

 Faça o download do texto em PDF

 

Para Refletir

  1. Qual é a relação entre ecologia e conversão?
  2. Como deve ser a atitude humana diante das demandas da nossa cultura ecológica mundial?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima Ficha: 30 de Novembro de 2016 – Ficha 119 –  Virtudes ecológicas, aprender com a espiritualidade franciscana (LS16)

Acesse o cronograma das próximas Fichas de Estudos.

Para colaborar com Equipe do AVF na produção e edição das Fichas, acesse este link ou escreva para avf@arquidiocesecampinas.com

Para receber as Fichas de Estudos e/ou outras publicações da Arquidiocese de Campinas, preencha o cadastro.

Ao fazer uso deste texto, favor citar a fonte

Registre seu comentário

Registre seu comentário