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Ficha 116 – O serviço evangélico da política: diálogo e transparência (LS 13)

| 19/10/2016 | 0 Comentário

f-116Esta Ficha continua a reflexão da Ficha anterior (LS 12) e conclui o capítulo V da Encíclica Laudato Si, no qual o Papa Francisco apresenta o diálogo como grande resposta para a crise atual. Somente um diálogo com princípios sólidos e fundamentais, possibilita o discernimento de políticas que conduzam verdadeiramente a um desenvolvimento integral. Esse diálogo pressupõe o vivo interesse de toda a sociedade entre política e economia e também entre as religiões e as ciências, para que, em conjunto, alcancem o Bem comum. É através desse serviço evangélico da política, comprometida com o bem, que será possível construir uma sociedade justa, solidária, plural e planetária.

Diálogo e transparência nos processos decisórios

A encíclica reflete sobre a necessidade do diálogo diante do grave problema da corrupção, que deve ser enfrentado através de processos políticos transparentes e participativos. Muitas vezes o impacto ambiental de um projeto não é discutido por causa de interesses que ficam ocultos à população e impedem um debate profundo, para que todos possam avaliar as vantagens e desvantagens que o mesmo trará ao Bem comum da sociedade. Para tanto sugere algumas perguntas: Para que fim? Por qual motivo? Onde? Quando? De que maneira? A quem ajuda? Quais são os riscos? A que preço? Quem paga as despesas e como o fará?

Para enfatizar tal questão, o Papa Francisco toma emprestado o “princípio da precaução” da Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente (15) da Eco-92, que afirma: quando a sociedade tem dúvidas se um determinado projeto ambiental é benéfico à sociedade e ao próprio meio ambiente, ele deve ser interrompido ou modificado, até que seus responsáveis provem o contrário. Tal princípio não defende apenas o meio ambiente, mas todos os que dele dependem, inclusive as próximas gerações, ficando claro que a rentabilidade não pode ser o único critério a ser levado em conta. Cabe lembrar que no ano passado, o  Projeto de Lei (PLS 654/2015) que previa o licenciamento ambiental para empreendimentos de infraestrutura nos sistemas viário, hidroviário causou polêmica no Senado justamente porque,  para que para muitos, sua aprovação poderia prejudicar ainda mais o meio ambiente.

Através da LS, a Igreja não pretende definir as questões científicas nem se substituir à política, mas julga que é sua função ouvir e incentivar o debate honesto e transparente, para que as necessidades particulares ou as ideológicas não lesem o Bem comum.

Política e economia em diálogo para a plenitude humana

A política é compreendida como ação pelo Bem comum e a economia como modo de organizar e sustentar a vida. Por isso é preciso que a política e a economia dialoguem entre si e se coloquem decididamente ao serviço da vida humana. A política não deve se submeter à economia, e esta, por sua vez, não deve se submeter aos ditames do sistema econômico vigente, que promove interesses especulativos e inverte a função da economia, que deveria buscar saídas através da diversificação e melhoria da produção, para que as empresas cresçam e possam aumentar postos de trabalho.

O Papa Francisco reafirma o que já fora dito por São João Paulo II (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 2010), sobre a necessidade de converter o modelo de desenvolvimento global e propõe refletir sobre o sentido da economia e dos seus objetivos, para corrigir suas disfunções e deturpações. Dado que o crescimento ilimitado não será a solução para todos os problemas, é preciso investir no desenvolvimento sustentável que poderá proporcionar benefícios econômicos a médio prazo. Para a realização dessas propostas, ele lembra que o Estado deve cumprir sua função de subsidiariedade com a sociedade civil. Cabe a ele incentivar todos e exigir responsabilidade em vista do Bem comum, principalmente daqueles que possuem mais poder. A Exortação Apostólica Evangelii gaudium recorda que não convém que o econômico seja determinante a ponto de não se preocupar com a integração dos mais frágeis, porque, “no modelo ‘do êxito individualista’ em vigor, parece que não faz sentido investir para que os lentos, os fracos ou os menos dotados possam também singrar na vida” (EG, 209). O papa finaliza, desafiando os políticos a restaurarem a própria credibilidade, promovendo uma abordagem sincera e transparente sobre os problemas atuais. O apelo é feito àqueles que detêm cargos políticos, para que se distanciem da lógica eficientista e imediatista hoje dominante e, mais ainda da corrupção, que, ao favorecer determinados políticos e governantes com contratos astronômicos, acaba desviando dos cofres públicos recursos destinados às políticas públicas de saúde, educação, trabalho, etc. É urgente uma política que pense com visão ampla e busque sinceramente uma reformulação integral, que promova um diálogo abrangente e interdisciplinar e integre os vários aspectos da crise.

As religiões no diálogo com as ciências

Ao supervalorizar as ciências empíricas, o utilitarismo do mundo pós moderno não reconhece que as religiões também constroem um sentido de compreender e interpretar o mundo. O sentimento religioso e a fé ajudam na percepção de que a natureza possui mistérios que não podem ser alcançados plenamente pela ciência. Daí que as ciências devem considerar que as religiões podem contribuir para a compreensão da essência das criaturas; do conjunto da realidade e da importância da vida em sociedade, contribuindo, assim, para a construção de uma ética mundial. Animadas pela fé e pela vida comunitária, as pessoas são impulsionadas a pensarem e buscarem viver na perspectiva do Bem comum. Se a humanidade perde esse rumo e se esquece das grandes motivações e valores de uma vida ética e harmônica, que orienta a convivência social, o sacrifício e a bondade, de que adiantarão as soluções técnicas que as ciências pretendem oferecer?

Diante da gravidade da crise ecológica, o Papa afirma a necessidade de que as religiões dialoguem entre si, pensando no cuidado com a natureza, na defesa dos pobres, na construção de uma rede de respeito e fraternidade; do mesmo modo, as próprias ciências precisam dialogar e cooperarem entre si. Ainda, do mesmo modo, torna-se necessário um diálogo aberto e respeitador dos diferentes movimentos ecológicos, unindo-se para superar as lutas ideológicas.

À luz da Doutrina Social da Igreja, a LS destaca a responsabilidade comum e diferenciada de todos (comunidade internacional, nacional, regional e local) pela vida humana e pelo planeta. Ao priorizar o valor da pessoa humana e do Bem comum, ao se buscar o caminho do diálogo que une política e economia, ciência e religião, ao se propor uma ética global das relações, a sociedade encontrará mais facilmente soluções justas para os problemas ecológicos e sociais.

O Papa Francisco não se cansa de recordar que “a realidade é superior à ideia”, a realidade é o que “é” e a ideia “elabora-se”, por isso, é preciso evitar que a ideia acabe por separar-se da realidade, não podendo ficar apenas no imaginário, mas partir para a ação. Este é o critério que deve impelir o cristão a pôr em prática a Palavra de Deus, realizar obras de justiça e caridade, tornando-a sempre fecunda.

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Para Refletir:

1- Qual o papel da Igreja nas questões políticas, econômicas e ambientais?

2-Você concorda que as Ciências e as religiões podem dialogar e trabalhar juntas para salvar o planeta? Como?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 02 de Novembro de 2016 – Ficha 117 – Educação e espiritualidade ecológica (LS 14)

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