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Ficha 110 – Jesus Cristo, o sentido da comunhão universal (LS-7)

| 29/06/2016 | 0 Comentário

F110Esta Ficha conclui a primeira parte do “Julgar” a realidade, apresentada na Encíclica Laudato si (LS), a qual lançou um olhar teológico sobre a ecologia. Ela destaca a prática de Jesus Cristo e a proposta do seu Reino como sentido da comunhão universal. Apesar d’Ele não ter pregado, especificamente, sobre a ecologia, podemos constatar nos Evangelhos uma ampla defesa de todas as formas de vida e um ensinamento que todas as criaturas são destinatárias do Reino de Deus. Dessa forma, a Encíclica propõe uma ecologia integral que, além das questões ambientais, abrange também as questões econômicas, sociais e culturais, demonstrando a íntima relação com que se entrelaçam todas essas dimensões da vida humana.

Uma comunhão universal

Segundo a compreensão cristã, presente desde o Novo Testamento, o destino de todas as criaturas deste mundo passa pelo mistério de Cristo, que a todos uniu através de sua vida, morte e ressurreição, inserindo-nos na comunhão universal. São Paulo, em suas cartas, testemunha a crença de que Jesus Cristo participa dos mistérios da criação: “Assim temos somente um Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos, e um só Senhor Jesus Cristo, por quem tudo existe e por quem nós somos” (1Cor 8,6). A propósito, o Papa recorda a Exortação Apostólica Evangelium Gaudium, 215: “Deus uniu-nos tão estreitamente ao mundo que nos rodeia, que a desertificação do solo é como uma doença para cada um, e podemos lamentar a extinção de uma espécie como se fosse uma mutilação”. Esta comunhão universal não implica em equiparar todos os seres vivos no mesmo patamar de dignidade e responsabilidade, e nem mesmo em divinizar a terra e outros elementos da natureza. Na ordem da criação, o ser humano possui um valor peculiar por ser a única criatura dotada de inteligência e consciência, o que implica na sua missão, dada por Deus, de proteger a terra e a natureza.

A Encíclica não isenta o ser humano de responsabilidades diante dos demais seres vivos, mas afirma que ele deveria se indignar sobretudo com as enormes desigualdades existentes na sociedade que, comumente, apresenta uma mentalidade de que alguns têm mais direitos que outros. A LS nos lembra, ainda, que um sentimento de defesa dos outros seres da natureza que não se compadeça das dores e sofrimentos humanos, não pode ser autêntico. Da mesma forma, lembra a “incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano por vingança ou rancor”. Tais atitudes comprometem o sentido da luta pelo meio ambiente e da verdeira comunhão universal. Defender o meio ambiente é defender a vida de todos, pois tudo e todos se inserem no amor do Pai. Na Ficha anterior foi destacado que toda a criação faz uma peregrinação maravilhosa, entrelaçada pelo amor que Deus tem por cada uma das suas criaturas e que une toda a humanidade também, com terna afeição, ao irmão sol, à irmã lua, ao irmão rio e à mãe terra.

O destino comum dos bens

É senso comum que a terra é uma herança para toda a humanidade. Para os que creem, o destino comum dos bens é uma questão de fidelidade ao Criador, porque Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos, de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos, segundo a justiça amparada pela caridade. Para os não crentes, reconhecidos pela Igreja como “pessoas de boa vontade”, ou seja, com elevado sentimento humanitário é uma questão de justiça social. Em razão disso, a Encíclica insiste que toda a abordagem ecológica deve integrar uma perspectiva social que tenha em conta os direitos fundamentais dos mais desfavorecidos. A base para essa afirmação reside no ensinamento e na prática de Jesus, expressos nos quatros Evangelhos que foram reinterpretados e incorporados no magistério da Igreja ao longo da tradição, e que continua a reafirmar que a propriedade privada não pode ser considerada superior ao destino universal dos bens. A encíclica Centesimus Annus afirmou que “Deus deu a terra a todo o gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém”. O Papa lembra que não basta o direito à terra, mas é preciso assegurar o direito aos meios que possibilitam o seu uso: formação técnica, financiamentos seguros e acesso ao mercado. Essas colocações atingem frontalmente boa parte da humanidade e alguns povos e nações que não reconhecem o pecado da ganância e do egoísmo e, consequentemente, não respeitam a dignidade dos demais, negando-lhes um desenvolvimento que respeite e promova os direitos humanos, pessoais, sociais, econômicos e políticos.

O olhar de Jesus

Durante a maior parte de sua caminhada terrena, Jesus trabalhou com suas mãos, em contato direto com materiais da natureza, desenvolvendo sua capacidade criativa de artesão, santificando o trabalho humano como um valor peculiar de amadurecimento. Os Evangelhos mostram Jesus ligado à terra e em profunda harmonia com a criação, e em suas pregações, sempre recorria a imagens ligadas a esse universo: ”o Reino do Céu é semelhante a um campo…(Mt 13,24) “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda…” (Mt 13:31).

O dogma fundamental da fé cristã é a crença no Deus Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, em perfeita e eterna relação. Se a criação nasce do seio da Trindade Santa que é eminentemente relação, tudo o que foi criado no universo é também relação. Portanto, o destino de toda a criação passa pelo mistério de Cristo, pois Ele está presente desde a origem, como a Palavra divina que tudo cria, o Logos de Deus, como ressalta o Evangelho de João (1, 1-18) e também a Carta aos Colossenses (1, 16): “Todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele”.

A fé cristã e os ensinamentos de Jesus nos convidam a perceber que tudo no mundo não é apenas uma realidade meramente natural, “porque o Ressuscitado a envolve misteriosamente e a guia para um destino de plenitude”. Mas, a brevidade para que isto ocorra, depende em grande parte da própria humanidade, à qual Deus emprestou total autonomia. Por isso, o papa Francisco alerta: É preciso uma “conversão ecológica”, uma “mudança de rumo”, para que o homem assuma a responsabilidade com o cuidado da casa comum ; um compromisso para erradicar a miséria humana e promover, a todos, a igualdade de acesso aos recursos do planeta.

A Encíclica encerra o “julgar”, à luz da fé, com uma belíssima frase se referindo a Jesus Cristo: “As próprias flores do campo e as aves que Ele, admirado, contemplou com os seus olhos humanos, agora estão cheias da sua presença luminosa”. Que possamos, com o Papa Francisco, perceber em Jesus Cristo, o sentido da comunhão universal.

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Para Refletir:

  1. Reconhecemos nossa vocação cristã? A partir dela, de que forma podemos enfrentar as raízes da crise ecológica que estamos enfrentando?
  2. Como os ensinamentos de Cristo podem nos ajudar a melhor entender e tratar o meio ambiente como um bem comum?

 

Orientações para a Interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha:

Aguarde a publicação da próxima ficha: 10 de Agosto: Ficha 111 – O domínio do paradigma tecnocrático (LS 8)

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