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Ficha 51: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil 2011-15 (VI)

| 16/10/2013 | 2 Comentários

planejamentoINDICAÇÕES DE OPERACIONALIZAÇÃO E COMPROMISSO DE UNIDADE E MISSÃO

Finalizando o Estudo das DGAE 2011-2015, esta Ficha apresenta as “indicações de operacionalização”, isto é, os passos a serem dados na efetivação das cinco exigências propostas pela CNBB através do Plano de Pastoral e o compromisso de unidade na missão que deve ser assumido por todos.

A implantação das DGAE exige um processo de planejamento pastoral que envolva todos os segmentos eclesiais. Em muitas dioceses, este planejamento recebe o nome de Plano de Pastoral [1], ou seja,  uma espécie de direcionamento para todos os organismos diocesanos: comissões, paróquias, pastorais, movimentos e comunidades ambientais. Se as urgências não estiverem contidas no Plano de Pastoral Diocesano, corre-se o risco de ficarem apenas no papel, isto é, de se tornarem irrelevantes ou de pouca importância para  os que irão colocá-lo em prática. Neste sentido, o Plano de Pastoral começa pela sensibilização dos Discípulos Missionários para que descubram a importância de se planejar a ação pastoral, pensando no antes, no durante e no depois, para um eficaz resultado  e um melhor aproveitamento de todas as potencialidades dos agentes pastorais. Para isso, as DGAE definem uma metodologia de sete passos. São eles:

1º. Onde Estamos: Tendo como ponto de partida a realidade, com os pés no chão, a pergunta que deve nortear todo planejamento da ação evangelizadora é: quais são as urgências encontradas em cada local, seja de cunho social, político, econômico ou ecológico, e em onde o Evangelho é mais necessário? Assim como Jesus pergunta ao cego de Jericó, “Que queres que eu te faça?” (Mc 10,51),  a Igreja local deve sempre questionar o que é esperado dela.

2º. Onde precisamos estar: O segundo passo se refere à proposta do Evangelho aos “Discípulos Missionários” como resposta ao chamado do Senhor. As DGAE indicam o tríplice múnus ministerial de todos eles: Palavra,  Liturgia e Caridade. Quando os discípulos André e João perguntam para Cristo, “Mestre, onde moras?”, a resposta de Jesus é imediata: “Vinde e vede!” (Jo,38-39), indicando claramente que, para colocar em ação as diretrizes evangelizadoras é necessário estar presente em todos os lugares, sair do comodismo de ser Igreja apenas dentro dos muros físicos do Templo e ir ao encontro do Cristo, presente na pessoa do próximo, na comunidade daqueles que creem, ou na sociedade como um todo, no ministério da Palavra, da Liturgia  e da Caridade.

A vivência do tríplice múnus se dá no “âmbito da pessoa, da comunidade e da sociedade”, isto é, o Evangelho precisa estar encarnado nestas três realidades. A primeira lembra que a proposta de Jesus é pessoal, todos têm o direito à dignidade humana; a segunda lembra que toda vocação cristã se realiza na comunidade; e, por fim, a terceira lembra que a missão da comunidade é fermentar a sociedade para transformá-la segundo o projeto de Deus.

3º. Nossas urgências pastorais: As DGAE explicitam cinco urgências: ‘Igreja em estado permanente de missão’; ‘Igreja casa da iniciação à vida cristã’; ‘Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral’; Igreja comunidade de comunidades’; e ‘Igreja a serviço da vida plena para todos”. O questionamento que deve ser feito em cada Igreja local é: quais destas urgências demandam maior atenção, e se outras, além destas, precisam ser levadas em consideração na composição dos objetivos a serem traçados.

Dentro do método “Ver, Julgar e Agir”, estes  três primeiros passos realizam o ‘VER’, que é a  interpretação da realidade,  tal qual foi apresentado no Capítulo II, “Marcas de nosso tempo” (cf. Ficha 46) e no Capítulo III “Urgências na ação Evangelizadora” (Cf a primeira parte das Fichas 47, 48, 49 e 50).

De acordo com o  do “AGIR”, que foi apresentado no Capítulo IV “Perspectiva de Ação (Cf a primeira parte das Fichas 47, 48, 49 e 50),  o Documento indica o 4º passo: O que queremos alcançar. As DGAE trazem a proposta do objetivo geral para a ação evangelizadora que deve funcionar como um farol a indicar rotas para a comunhão das Igrejas particulares na busca de seus objetivos específicos, no contexto de uma pastoral orgânica de conjunto, de forma que, sem prejuízo de sua autonomia, cada uma elabore seu Plano Pastoral em sintonia com os Planos Pastorais Regionais.

5º. Como vamos agir: Independentemente da diversidade de realidades, é possível definir critérios comuns para a ação que, quando adaptados aos desafios específicos têm se mostrado bastante eficazes. Depois de 1975, iluminada pela   Exortação Apostólica Evangelli Nuntiandi, a CNBB fixou quatro exigências da ação Evangelizadora: ‘serviço’,  ‘diálogo’,  ‘anúncio’ e o ‘testemunho da comunhão’.  Este  passo indica a comunhão que as Dioceses devem ter ao acolher as Diretrizes da Ação Evangelizadora  indicadas pelos bispos brasileiros.

6º. O que vamos fazer: Depois da profunda reflexão propiciada pelos passos anteriores, é necessário definir os programas, projetos e ações que irão permitir que os objetivos traçados sejam alcançados na elaboração do Plano de Pastoral Diocesano. Estes devem aterrissar na prática, definindo as suas metas (o quê?), os passos (como?), os responsáveis (quem?), os recursos (com quê?), as datas (quando?) e os lugares (onde?).

E, para garantir a realização deste  Plano, a CNBB indica  A renovação das estruturas como o e último  passo.  As estruturas existem para permitir que os objetivos traçados sejam alcançados, e a estrutura eclesial mais conhecida é a Paróquia onde, fundamentalmente, através dela as pessoas têm o primeiro contato com a Evangelização, o que nem sempre acontece satisfatoriamente. Aqui, comumente se esbarra na forma como as paróquias estão organizadas para realizarem a sua Missão. Ainda perdura o comodismo, seja do clero ou do laicato, que julgam que tudo deva ser mantido com sempre foi e que nada precisa ser mudado. As Diretrizes apontaram que é preciso uma profunda conversão Pastoral pessoal e das estruturas para que a Igreja seja Missionária. Jesus ensina que para armazenar o vinho novo são necessários odres novos, caso contrário os velhos odres se rompem e todo o vinho se perde (Mt 9,16-17). Cabe, portanto, à comunidade eclesial, se renovar constantemente, e aos discípulos, com humildade, se posicionar dentro das novas estruturas onde melhor possam contribuir na Missão, seguindo o exemplo do profeta Samuel que, quando solicitado, responde: “Eis-me aqui Senhor” (ISm 3, 10). A Conferência  de Aparecida sugere que as Paróquias sejam subdividas em células menores para facilitar o convívio entre as pessoas e promover uma maior participação delas. O grande desafio indicado às paróquias é o de serem mistagógicas, de se constituírem espaços para a iniciação cristã e lugar de celebração dos Sagrados Mistérios, para que após fazer a experiência do Cristo vivo, cada Discípulo possa anunciá-lo por palavras e atos, promovendo e defendendo a vida constantemente aviltada.

Passados 50 anos do Concílio Vaticano II, muitas das mudanças propostas ainda não foram implementadas. As urgências do mundo, em especial aquelas destacadas nas DGAE, demandam uma ação conjunta de todos aqueles que professam a fé no Ressuscitado. O grande apelo é a unidade dos “Discípulos Missionários”, iluminados pela Palavra, alimentados pela Eucaristia e  pelos testemunhos de tantos Santos e Santas. Como dito pelo Papa Francisco em entrevista durante a sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (2013): temos, todos nós cristãos, independentemente dos diferentes credos, que nos encontrarmos na ação, nos trabalhos que são urgentes na sociedade. Será por essas obras de misericórdia, e não pelas diferentes teologias, que seremos julgados.

O Estudo das DGAE ajuda a perceber que a Evangelização é obra de toda a Igreja, o que por sua vez exige a comunhão entre os discípulos missionários. Elas são uma proposta de caminho para todas as Dioceses brasileiras que, alimentadas pela Palavra e pela Eucaristia, buscam ser expressão do Reino de Deus. Com ela está Maria, modelo de ação evangelizadora  para a Igreja e para todo discípulo missionário.

 Nota:

[1] A Arquidiocese de Campinas está no seu 7º Plano de Pastoral Orgânica (PPO) que dividiu suas 16 propostas de trabalho em três grandes linhas, ‘Igreja que Acolhe’, ‘Igreja que se Renova’ e ‘Igreja do Serviço Solidário’.

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Para Refletir:

1- Qual a importância que sua comunidade tem dado ao Plano de Pastoral Diocesano? O que ela tem feito para assumi-lo? Os objetivos deste plano são claros e aderentes às cinco urgências apresentadas nas DGAE?

2- A partir dos passos citados acima, em qual deles  você sente que a sua comunidade tem maior dificuldade?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá  interagir na sala de aula virtual  “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.

 

Aguarde a publicação da próxima Ficha: 30 de outubro – Estudo 104 – CNBB – “Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia” (I)

Acesse o cronograma das próximas Fichas de Estudos.

 

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