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Ficha 49: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil: 2011-15 (IV)

| 18/09/2013 | 1 Comentário

F. 49Igreja: comunidade de comunidades.

Esta 49ª Ficha aborda a quarta urgência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE (2011-2015) com o título: “Igreja: comunidade de comunidades” e a sua perspectiva de ação. (Leia sobre as três primeiras urgências, acessando as fichas 47 e 48).

Ao introduzir o tema, o Documento o faz com a citação: “Às Igrejas da Galácia, a vós graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Gl 1,2s), lembrando que, também hoje, várias são as Igrejas ou comunidades que, com suas diversidades, se mantêm unidas pela mesma fé e refletem o mistério da Santíssima Trindade. No início do Cristianismo a “casa” era o local de partilha da Palavra, da Oração, do Pão e dos bens, onde a comunidade se fortalecia para a missão evangelizadora. Ajudar a recuperar este sentido de comunidade, que ultrapassa as estruturas burocráticas das atuais paróquias, é o objetivo da quarta urgência da CNBB que aqui é apresentada. As DGAE lembram que nesta mudança de época, se verifica, por um lado, um processo de urbanização que tem transformado os modos de viver as relações com forte tendência ao individualismo, e por outro, que há também uma busca pela vivência comunitária como um desejo inato do ser humano.

O ser comunidade pressupõe o convívio marcado por vínculos profundos de afetividade, estabilidade e solidariedade, na busca e concretização de interesses e sonhos comuns, assim como nas alegrias e nas dores. Neste mundo atual, marcado pela crescente urbanização, onde a vizinhança não significa necessariamente convivência, afinidade e solidariedade, mas antes é marcada pelo individualismo, um dos maiores desafios consiste em iluminar, com a Boa Nova, as experiências nestes ambientes.

As DGAE anteriores indicaram que, para a maioria dos fiéis, a relação com a Igreja acontece, preponderantemente, quando eles buscam os chamados serviços paroquiais, o que demonstra que as paróquias continuam tendo um papel fundamental na evangelização. Todavia, a Lumen Gentium destacou que a paróquia é o espaço por excelência onde se manifesta a vida comunitária do “Povo de Deus”, as quais devem se articular entre si na partilha da fé e na missão, unindo-se como verdadeiras redes de comunidades e, por isso, elas devem ser conclamadas a serem comunidades mais vivas e dinâmicas.

No desejo de responder às exigências dos novos tempos, a Igreja tem possibilitado novas formas de comunidades que se distinguem das tradicionais paróquias. Fala-se hoje em comunidades transterritoriais, ambientais, afetivas e virtuais, cada uma delas vivendo o seu carisma ao assumir a missão evangelizadora, conforme a realidade onde está inserida, se articulando de modo a testemunhar a comunhão na pluralidade.

A setorização da paróquia pode favorecer o nascimento de comunidades, pois valoriza os vínculos humanos e sociais. Assim, a Igreja se faz presente nas diversas realidades, vai ao encontro dos afastados, promove novas lideranças, e a iniciação à vida cristã acontece no ambiente em que as pessoas vivem.

Surge aqui um novo desafio, o do pastoreio destas pequenas comunidades e da diversidade dos ministérios leigos que elas acarretam. Sob a orientação do bispo diocesano, os presbíteros, os diáconos, os consagrados e os leigos devem se unir em torno das grandes metas evangelizadoras e dos projetos pastorais que as concretizam, mostrando que as diversas formas de ser comunidade caminham para uma Igreja que testemunha a comunhão de dons, serviços e ministérios.

 Com relação à perspectiva de ação, o Documento indica que para a efetivação de uma “Igreja: comunidade de comunidades”, o diálogo deve ser o caminho permanente para a convivência e o relacionamento entre as diversas vocações e entre a variedade de carismas e espiritualidades, vistos todos como um patrimônio da catolicidade e não como motivos para disputas, competições ou rivalidades. Construir a unidade dentro desta diversidade é um dos grandes desafios para as comunidades.

Embora as paróquias detenham enorme importância na vivência da fé, e sejam para a grande maioria dos fieis o único espaço de integração com a Igreja, a verdade é que muitos se sentem excluídos por não conseguirem participar ativamente da vida comunitária. Esta situação pode ser minorada pela criação de comunidades dentro de uma mesma paróquia. É neste sentido que o Documento de Aparecida afirma que as paróquias precisam de renovação e “reformulação de suas estruturas, para que sejam redes de comunidades e grupos”, capazes de propiciar aos seus membros uma real experiência “de discípulos e missionários de Jesus Cristo, em comunhão”, lembrando que Cristo foi ao encontro das pessoas, foi presença viva e atuante.

Dentre as formas de renovação das estruturas, destaca-se a Setorização das paróquias em espaços menores, com equipes próprias de coordenação e animação, tais como acontece com as CEB’s; os grupos de vida e oração; os grupos de reflexão e estudos bíblicos; os “círculos de casais”, oriundos do ECC (Encontro de casais com Cristo); as pequenas comunidades de fé do Cursilho de Cristandade; a Novena de Natal, a Campanha da Fraternidade, a Semana da Família e outras tantas experiências, que são verdadeiros exemplos de pequenas comunidades. Elas promovem a descentralização e, ao mesmo tempo, favorecem a participação efetiva de todos os integrantes da comunidade.

Já na década de 60, as CEB’s sugeriam a setorização das paróquias em pequenas comunidades com o objetivo de tornar a Igreja mais próxima do povo. Elas contribuíram na transformação da realidade à luz da Palavra de Deus e das motivações religiosas, e se tornaram sinais da vitalidade da Igreja e também presença eclesial junto aos mais simples, partilhando a vida e se comprometendo com ela, em vista de uma sociedade justa e solidária.

Em todas estas formas, percebem-se nitidamente os traços das primeiras comunidades cristãs citadas em Atos dos Apóstolos, disseminando maior conhecimento, estudo e formação, levando a uma vivência efetiva da Palavra de Deus e ao compromisso evangélico, fazendo surgir diversos serviços e atividades para os leigos, não só na evangelização, mas também nas áreas de administração e coordenação.

Daí a importância da presença dos leigos e leigas nos organismos eclesiais tais como nos Conselhos Pastorais e outros, onde podem, com responsabilidade comunitária, contribuir nas decisões colegiadas, sem esquecer aqueles que optam pelo carisma da vida consagrada, cuja colaboração é imprescindível na evangelização.

Finalmente, pensando na missão ad gentes, merece destaque a experiência de ”paróquias irmãs”,  que são as comunidades paroquiais que compartilham recursos humanos e materiais com paróquias de regiões carentes.

Diante dos desafios da pós-modernidade que apresentam novos desafios à fé, a Igreja não pode ser a reduzida a uma instituição prestadora de serviço ou ainda, a uma  ONG, como tem destacado o papa Francisco. A Igreja é a comunidade dos discípulos que, professando a fé na presença viva do Senhor da História, se descobre chamada à anunciar e testemunhar o reino de Deus neste mundo. É nesta perspectiva que as DGAE buscam a recuperação da vida paroquial na formação de pequenas comunidades, possibilitando a participação ativa e o sentido de pertença de todos os fiéis. Edificar a COMUNIDADE DE COMUNIDADES é o grande desafio que se coloca no horizonte da Igreja do Brasil.

 Para Refletir:

1) Quais os passos necessários para que nossas paróquias se transformem em ‘comunidade de comunidades’?

2) É possível ser cristão e não participar da vida da comunidade? O que fazer para aumentar a consciência de pertencer à Igreja, Povo de Deus?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 02 de outubro – Doc 94 -DGAE  no Brasil – 2011-15  (V)

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