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Ficha 50: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil 2011-15 (V)

| 02/10/2013 | 1 Comentário

IGREJA A SERVIÇO DA VIDA PLENA PARA TODOS

F. 50Finalizando as urgências da Ação Evangelizadora, esta ficha aborda a “Igreja a serviço da vida plena para todos”, seguida das respectivas linhas e formas de ação, como um dos principais desafios, para que cada Igreja Particular projete sua  ação pastoral e crie condições para que a vida plena aconteça.

A Constituição Gaudium et Spes e a Declaração Dignitatis Humanae, reiteram que a missão da Igreja consiste  em ajudar na salvaguarda e na promoção da dignidade da vida humana, o grande sacramento de Deus, que é chamada à comunhão com a vida divina. Na América Latina, as Conferências de Medellín e Puebla também recordaram que a Igreja será fiel à proposta de Jesus Cristo – “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10), na medida em que se empenhar para que a dignidade de todos seja minimamente assegurada.

Na Conferência de Aparecida, dedicada à Missão, afirmou-se  que “as condições de vida dos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o Projeto do Pai e desafiam os discípulos missionários a maior compromisso a favor da cultura da vida”, pois nenhuma vida existe apenas para si, mas para as outras e para Deus (DAp 358).  Por isso, a vida humana é sagrada: é um valor absoluto, desde a concepção até a sua morte natural, e ninguém, a não ser Deus, pode dispor dela. Da mesma forma que os filhos de Deus sofrem desrespeito e ameaças à vida, o planeta inteiro também sofre com o risco da degradação [1].

Diante da política neoliberal, em que o valor econômico é colocado acima da vida e do bem comum, a Igreja convoca os discípulos missionários de Jesus Cristo a testemunharem verdadeiramente sua fé. Farão isto, não aceitando situações de morte; não se calando diante da vida impedida de nascer, seja por decisão individual, seja pela legalização e despenalização do aborto; não se calando igualmente diante da vida sem alimentação, casa, terra, trabalho, educação, saúde, lazer, liberdade, esperança e fé.

Na promoção da vida, a solidariedade é fundamental, mas ela não pode ser reduzida a atitudes caritativas, é preciso mais. É preciso que ela se converta em  gestos de acolhida, convivência e relacionamento fraterno; participação, acompanhamento nas dificuldades, serviço e apoio, buscando, a partir das próprias vítimas, a mudança de sua situação, rejeitando portanto qualquer tipo de discriminação e exclusão. Neste sentido, os leigos e leigas são incentivados a participarem ativa e efetivamente no mundo da política, sobretudo nos setores que promovam a justiça social, voltadas para a construção de um mundo justo, fraterno e solidário.

Para promover estas ações, a Igreja deverá rever suas estruturas e prioridades pastorais (DAp 396 e 397), pois desta forma, seguirá os passos de Jesus Cristo, sendo samaritana, pobre e comprometida com os pobres, despojada, sem bolsa nem alforje, colocando sua confiança unicamente no Senhor (Lc 10,3-9) que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza.

 Com relação à perspectiva de ação, as DGAE indicam a necessidade de que toda ação eclesial deve estar permeada pela dimensão social que emerge do Evangelho de Jesus Cristo no chamado aos discípulos missionários, para que também eles lavem os pés uns dos outros. Ela realizará sua missão através de seus grupos, movimentos e associações, animados por uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral.

Dentre tantas exigências, urge reorganizar a Pastoral Familiar, para que a família seja, de fato, lugar de realização humana, de santificação na experiência de paternidade, maternidade e filiação, e também de educação contínua e permanente da fé; promover a articulação da Pastoral da Juventude com uma pastoral infanto-juvenil para que seja dada maior atenção às crianças, adolescentes e jovens, devido a todos os perigos a que estão expostos. Da mesma forma, faz-se urgente, e de modo mais efetivo, a presença da Igreja em regiões suburbanas, especialmente junto às pessoas em condições desumanas de sobrevivência.

É missão da Igreja e de seus membros lutar contra o desemprego e o subemprego, através das pastorais e movimentos, sendo presença evangélica nos sindicatos, associações de classe e lazer, acompanhando as alegrias e preocupações dos trabalhadores e trabalhadoras; criando ou apoiando alternativas de geração de renda: economia solidária, agricultura familiar, agroecologia, consumo solidário, segurança alimentar, redes de trocas, acesso ao crédito popular, trabalho coletivo, desenvolvimento local sustentável e solidário.

No serviço à vida é também missão da Igreja educar para a preservação da natureza e o cuidado com a ecologia humana, através de atitudes que respeitem a biodiversidade e de ações que zelem pelo meio ambiente; incentivar cada vez mais a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos Conselhos de Direitos (cf. Puebla, 515), empenhando-se na busca de políticas públicas que ofereçam condições necessárias ao bem estar das pessoas; fazer com que as comunidades  ajam em parceria com outras instituições públicas ou privadas, com os movimentos sociais e outras entidades da sociedade civil. A ética social além de uma exigência para todos, é contribuição própria da Igreja para a construção de uma sociedade justa e solidária, prioridade nos planos de pastoral e programas de formação.

Como advogada da justiça e dos pobres, a Igreja deve apoiar iniciativas em favor da inclusão social e do reconhecimento dos direitos das populações indígenas e afrodescendentes, denunciando toda prática de discriminação e racismo em suas diferentes expressões; apoiar reivindicações pela defesa de seus territórios, na afirmação dos direitos, da cidadania e de projetos próprios de desenvolvimento e consciência de suas próprias culturas. Urge estabelecer estruturas, em âmbitos nacional, regional e local,  destinadas a acompanhar os migrantes e refugiados que, em busca de sobrevivência, encontram-se excluídos da cidadania, empenhando junto aos organismos da sociedade civil para que os governos tenham uma política migratória que considere os direitos das pessoas em mobilidade.

Mediante um contexto cultural marcado por ceticismo e irracionalidade a evangelização assume também o desafio de aproximar Fé e Razão, com a tarefa de formar pensadores e pessoas que possam dialogar, evangelizando hoje, principalmente nos novos areópagos: no mundo universitário, através da Pastoral Universitária; no mundo da comunicação com investimentos tecnológicos e qualificação de pessoal, através da Pastoral da Comunicação; e no mundo do trabalho com a presença pastoral junto aos empresários, aos políticos, aos formadores de opinião, dirigentes sindicais e comunitários formando pessoas dispostas a ser presença significativa nestes meios; inclusive, incentivar uma Pastoral da Cultura.

Por fim, para a Igreja a serviço da vida plena para todos, o projeto de Deus é válido para todos os tempos. É um grito pela vida! Um apelo para agir na contramão da sociedade materialista e individualista, criando uma verdadeira rede de solidariedade. Todos são chamados a alimentar a chama da vida, somando esforços para buscar condições de vida digna para toda a criação, como “o sopro do Criador, numa atitude repleta de amor”.

 Nota

[1] Em 2008, a Campanha da Fraternidade: Fraternidade e Defesa da Vida Humana com o Lema: Escolhe, pois, a vida (Dt 30,19) teve como objetivo levar a Igreja e a sociedade a defender e a promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e corresponsabilidade de todos, na busca de sua plenificação e do compromisso ético do amor fraterno. Em 2011 com “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22), teve como objetivo ampliar a consciência ecológica, destacando a importância da vida no planeta, no qual vigore o desenvolvimento sustentável e que a vida seja respeitada como dom em todas as suas manifestações.

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Para Refletir:

1) Como você entende a missão da Igreja? Sua Comunidade tem sido sinal e instrumento do Reino de Deus?

2) Existe relação entre fé e compromisso social?

3) Qual deve ser o compromisso de cristãs e cristãos diante de um mundo que vive situações de desrespeito à vida?

 Orientações para a interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual  “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.

 

 Aguarde a publicação da próxima ficha: 16/10  Ficha 50: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil 2011-15 (VI)

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