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Ficha 48: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil: 2011-15 (III)

| 04/09/2013 | 2 Comentários


jesus-e-a-samaritanaIgreja: casa da iniciação à vida cristã e lugar de animação bíblica da vida e da pastoral

 

Continuando a abordagem sobre ‘as urgências e as perspectivas da ação evangelizadora’, apresentadas nos Capítulos III e IV do Documento 94: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2011-2015) (DGAE), esta 48ª Ficha  refletirá sobre a segunda e a terceira urgências: ‘Igreja: casa da iniciação à vida cristã’ e ‘Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral’, e indicará as respectivas pistas de ação. (Leia sobre a primeira urgência, acessando a Ficha 47)

Estas urgências resgatam uma das mais antigas e bonitas expressões usadas para se referir à Igreja. Trata-se da expressão “casa”, lugar onde as primeiras comunidades cristãs nasceram e que, ainda hoje, continuam nascendo. A Igreja é a casa onde  os discípulos se reúnem para celebrar, na alegria, a fé e os sacramentos, alimento para a missão. A segunda urgência, ‘Igreja: casa da iniciação à vida cristã’, indica a  casa do encontro com Jesus através do convívio entre os irmãos e, por isso, é lugar propício para a Iniciação à Vida Cristã. A terceira urgência lembra que a Igreja é a ‘casa da Palavra’, lugar onde a comunidade se alimenta da Palavra para discernir os apelos de Deus, presentes  na realidade. Ela é, portanto, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral.

Com relação à segunda urgência ‘A Iniciação à Vida Cristã’, o Documento afirma que ela é um dos mais urgentes desafios da ação evangelizadora da Igreja. Antigamente, as pessoas nasciam, cresciam e se formavam dentro de uma sociedade permeada por uma cultura cristã que dava a impressão de que todos eram cristãos, sendo assim, a ação eclesial se preocupava mais com a purificação e a retidão doutrinais, com a moral e com os sacramentos. O Concílio Vaticano II, porém, mostrou que a sociedade mudou e se tornou pluralista, diversificada e secularista. Desde então, o magistério da Igreja tem insistido que, mesmo aquelas pessoas que se afirmam cristãs, precisam ser reevangelizadas. A Conferência de Aparecida compreendeu bem o alcance disto quando destacou que na Evangelização nada pode ser dado como pressuposto e que, por isso, as comunidades precisam descobrir que são chamadas a serem mistagógicas [1], preparadas para permitir que o encontro com Jesus Cristo seja contínuo e constante. Esta percepção faz, portanto, explícita menção à necessidade contínua da formação dos cristãos como “discípulos missionários de Cristo”, e indica que a Iniciação Cristã possui uma dimensão dinâmica e permanente, conforme foi apresentado no Estudo 97 da CNBB ‘Iniciação à Vida Cristã, um processo de inspiração catecumenal’.

Esta ação evangelizadora apresenta uma série de exigências para a Igreja: ela deve cuidar da acolhida como preparação para o anúncio; deve buscar o diálogo para apresentar Jesus Cristo; deve promover a partilha como forma de testemunho e compromisso com o que celebra; e deve ser, antes de tudo, ouvinte da Palavra de Deus. Por outro lado, estas exigências implicam na criação de condições e estruturas para que a Iniciação Cristã possa acontecer (formação de grupos, horários flexíveis etc). Por fim, isto demandará  num novo perfil de agentes, os introdutores e os catequistas, que ajudarão as pessoas a fazerem a experiência do Cristo vivo.

Como perspectiva de ação, as DGAE destacam que a implantação do processo da Iniciação Cristã nas comunidades e paróquias é fundamental, e lembram que se trata de  um projeto que deve ser  assumido por toda a Igreja. Para isto, é necessário que haja agentes bem preparados para o acompanhamento dos catecúmenos, ou dos cristãos que pedem a formação, e um itinerário catequético integral e permanente, a fim de que todos tenham clareza do processo formativo.

O Documento lembra que a Iniciação à Vida Cristã deve ter inspiração bíblica, catequética e litúrgica, pois, são nos momentos de oração, nas celebrações litúrgicas, na experiência comunitária e no compromisso apostólico que o Cristo se dá a conhecer. Nesta perspectiva, a Iniciação Cristã não pode ser reduzida à realização de cursos,  que também são muitos importantes, mas que apenas fazem parte do processo maior da formação cristã.

 Com relação à terceira urgência, ‘Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral’, as DGAE lembram que o povo tem direito de ser formado adequadamente no que diz respeito à Palavra de Deus. Neste processo, a Iniciação à Vida Cristã tem um papel fundamental, pois é no contato com as Escrituras que o discípulo se encontra com o Cristo e descobre os apelos de Deus para sua vida.

O conhecimento da Palavra de Deus se coloca como condição essencial e indispensável para encontrar a pessoa de Cristo e a sua mensagem, base de toda a ação pastoral, unida intimamente à Iniciação à vida cristã. Essa aproximação com a Palavra de Deus é, porém, um desafio no mundo de hoje, repleto de dispersões causadas por ruídos, incertezas, crises de referências, excesso de informações, entre outras dificuldades. O conhecimento da Palavra se dirige a todas as gerações e requer concentração e estudo para seu aprofundamento, é como “escutar a voz de Cristo em meio a tantas outras vozes” (CNBB, Doc. 85, n. 60), para poder ser entendida e vivida. É aí que se situa a Igreja, como lugar de animação bíblica, na informação, na partilha da vida e nas ações pastorais.

Como um ouvinte da Palavra (Is 50, 5), o discípulo missionário terá a função de reconhecer e testemunhar como ela deverá ser acolhida e posta em prática, não isoladamente, mas em comunhão com a Igreja, na comunidade. As homilias e o Ministério da Palavra terão sua continuidade no Espírito que já fez surgir movimentos como os Círculos Bíblicos, os Grupos de Quadra, os Grupos de Reflexão e Estudo, que procuram propagar a Palavra de Deus e proporcionam momentos de riqueza evangelizadora. São vários os métodos de leitura praticados para aproximação à Sagrada Escritura, mas a Conferência de Aparecida destacou um como privilegiado: a Leitura Orante, conhecida também como Lectio Divina, que se realiza através de quatro momentos: leitura do texto bíblico (compreender o que o texto diz), meditação (o que Deus ensina através do texto), oração (a resposta a Deus) e a contemplação (ação de Deus na vida da pessoa).

Como perspectiva de ação, as DGAE destacam que a animação bíblica de toda a pastoral ultrapassa a criação de uma Pastoral Bíblica especializada no estudo da Palavra de Deus, pois ela deve permear todas as atividades pastorais e acontecer sempre e em todos os momentos; e que todas as ações eclesiais devem estar fundamentadas na Palavra de Deus. Para isto, lembra que a  Igreja deve: promover a divulgação da Sagrada Escritura, bem como oferecer condições para que as pessoas a conheçam, fomentando a formação dos agentes de pastoral, leigos e presbíteros para que sejam dignos servidores da Palavra, além de facilitar e proporcionar a todos, encontros, retiros, cursos, formações e subsídios para leituras e meditação da Palavra de Deus.  Em tempos de comunicação rápida (e com as novas tecnologias digitais), os últimos papas têm destacado, também, a Internet e as Redes Sociais como um espaço privilegiado para fazer ressoar o Evangelho.

A Igreja como casa da ‘Palavra’ deve privilegiar a Liturgia, lugar onde Deus fala à Comunidade, e esta, meditando, descobre sua vocação no mundo. Através da meditação da Palavra, o discípulo descobre a exigência  de dialogar com o mundo e a servi-lo, tornando-se anúncio da proposta de Jesus.

Por fim, as DGAE lembram que os serviços eclesiais, chamados de Pastorais, devem ser iluminados pela Palavra de Deus. Toda a ação Evangelizadora realizada pela Igreja e na Igreja, são frutos decorrentes dos apelos de Deus na história presente. Portanto, a ação da Igreja é fundamentada na Sagrada Escritura.

Ao concluir a reflexão sobre a Igreja como ‘casa da Iniciação Cristã e casa da Palavra, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral’, se deseja enfatizar que a Igreja é a casa de formação dos cristãos. Nela, os discípulos de Jesus fortalecem a sua vocação, alimentam a fé e a esperança para assumirem a missão. Esta missão não é outra coisa senão o testemunho de fé que revela a fidelidade de cada um às propostas de Jesus Cristo. Somente assim ela será uma Igreja em estado permanente de missão.

Nota

[1] Mistagogia: Introdução aos mistérios sagrados. Para os cristãos trata-se do mistério divino, que se encerra na Trindade Santa e que nos transmitido através da história da salvação, contida nas Sagradas Escrituras, e que continua a ser revelado pela constante ação do Espírito Santo em sua Igreja. Portanto, ‘comunidades mistagógicas’ se refere ao caminho espiritual das comunidades em direção ao mistério, rumo a uma busca de intimidade com Deus e, por consequência, à sua missão de propiciar aos catecúmenos, e aos cristãos que a buscam,  o encontro com Jesus Cristo.

Para Refletir:

1) O que o conhecimento e a reflexão sobre estas duas urgências podem contribuir em sua comunidade?

2) Para você, o que chama mais a atenção na urgência  ‘Igreja: casa da iniciação à vida cristã’?

3) Para você, o que chama mais a atenção na urgência ‘Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral’ ?

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a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 18 de setembro – Doc 94 -DGAE  no Brasil – 2011-15  (IV)

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