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Ficha 43: A Conferência Episcopal de Aparecida

| 29/05/2013 | 1 Comentário

CAEsta 43ª Ficha apresenta o Documento de Aparecida, resultado da quinta e última Conferência Episcopal Latino Americana e do Caribe, realizada e celebrada aos pés da Mãe de Deus, no Santuário de Aparecida, São Paulo – Brasil, em 2007, dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos a partir do Concílio Vaticano II.

Em função de certo retraimento ocorrido na Conferência de Santo Domingo (SD) e das orientações da Santa Sé, o clima de expectativa da Conferência de Aparecida não era dos melhores. Havia murmúrios que o Papa João Paulo II desejava realizar aquele encontro em Roma. Depois de sua morte (02/04/2005), o Papa Bento XVI assumiu o pontificado e a Conferência no Brasil foi confirmada, coincidindo com a sua primeira viagem apostólica ao país. Ao contrário das expectativas negativas, a visita do Papa Bento XVI ao Brasil foi um sucesso e, especialmente, no Santuário de Aparecida ele se mostrou muito próximo dos romeiros e animado com o tema da missionariedade dos discípulos, proposto para a Conferência.

Os bispos reunidos quiseram impulsionar uma renovação da ação da Igreja, como um novo Pentecostes, chamando todos os seus membros a serem discípulos e missionários de Jesus Cristo e, para isso, se debruçaram e refletiram detidamente sobre os problemas, deficiências e perspectivas para a Igreja Latino Americana e Caribenha, à luz do tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos Nele tenham vida. Eu sou o Caminho a verdade e a Vida (Jo. 14,6)”. O Documento que possui dez capítulos divididos em três partes retomou o tradicional método do “Ver, Julgar e Agir” que havia sido preterido em SD, ficando mais alinhado com a produção teológica latino-americana.

 Na sua primeira parte, sob o título “A vida de nossos povos hoje”, o documento busca ver a realidade, os dons recebidos pela graça e fé que nos fazem seguidores de Jesus em vista de uma missão! No primeiro capítulo aparece o hino de louvor e a ação de graças: ”Os discípulos missionários” chamados “para manifestar e comunicar a caridade de Deus a todas as pessoas e povos”. O segundo capítulo ingressa no “Ver”, com o “Olhar dos discípulos missionários sobre a realidade”, considerando as grandes mudanças que estão acontecendo no nosso continente e no mundo, e que interpelam a evangelização e a atuação da Igreja na vida do povo. Destacam-se aqui as análises das situações: sociocultural; socioeconômica; sociopolítica; étnicas; ecológicas; e os grandes desafios da era moderna, como a globalização, a injustiça estrutural, a crise na transmissão da fé e outros. Considerando a difícil situação de nossa Igreja nesta hora de desafios, faz um balanço dos sinais positivos e negativos, das luzes e sombras.

 A segunda parte, ingressando no “julgar”, com o título “A vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários”, aponta para a beleza da fé em Jesus Cristo como fonte de vida para os homens e as mulheres que se unem a Ele e percorrem o caminho do discipulado missionário. Tomando como eixo a vida que Cristo nos trouxe, são tratadas, em quatro capítulos sucessivos, grandes dimensões inter-relacionadas que concernem aos cristãos a condição de discípulos missionários de Jesus Cristo. O terceiro capítulo – o primeiro desta segunda parte – destaca a alegria de ser chamado para anunciar o evangelho, com todas as suas repercussões, como ‘Boa notícia’ na pessoa e na sociedade, na família, no trabalho, na ciência, na tecnologia e na ecologia, em nosso continente. Com esta convocação, nos diz o quarto capítulo que os discípulos de Cristo são chamados à Santidade, para se conformar e parecer com o Mestre e, então, enviados para anunciá-Lo com a Vida, animados pelo Espírito Santo e, o capítulo quinto explicita como acontece a necessária Comunhão dos Discípulos Missionários através das Dioceses, Paróquias, CEB’s, Conferências Episcopais, e do diálogo ecumênico, partindo das vocações específicas: bispos, presbíteros, diáconos (permanentes), leigos e leigas, e consagrados(as). O sexto capítulo aborda o caminho de formação dos discípulos na sua espiritualidade trinitária e no encontro com Jesus Cristo, invocando o seguimento de Maria, dos apóstolos e dos Santos como exemplos neste processo formativo, ressaltando a importância da iniciação à vida cristã e da catequese continuada, auxiliadas pela família, como caminhos seguros.

 Finalmente, a terceira parte, entrando no “agir”, com o título “A Vida de Jesus Cristo para nossos Povos” , o documento ingressa plenamente na missão atual da Igreja Latino-Americana e Caribenha. O sétimo capítulo, apresenta uma grande opção da Conferência: converter a Igreja em uma comunidade mais missionária, pois tem sua origem na missão de Deus que, através do envio de Jesus Cristo ao mundo, adquiriu visibilidade. Jesus de Nazaré nos revela o rosto paterno e materno de um Deus misericordioso e justo, que caminha não só no meio de seu povo, mas  se identifica com o setor mais vulnerável desse mesmo povo, constituindo uma nova lógica nas relações entre Deus e a humanidade e entre as pessoas humanas. É a lógica de Deus-Amor!  Com esta finalidade, se fomenta a conversão pastoral e a renovação missionária das Igrejas Particulares, das comunidades eclesiais e dos organismos pastorais, e impulsiona uma missão continental que tem por agentes as dioceses e os episcopados. (Ad gentes). O oitavo capítulo analisa alguns âmbitos e algumas prioridades que se quer impulsionar na missão dos discípulos entre nossos povos, na aurora do terceiro milênio, e com o tema: “O Reino de Deus e a promoção da dignidade humana” confirmando a Opção Preferencial pelos Pobres e excluídos que remete Medellín, a partir do fato de que, em Cristo, Deus se fez pobre para enriquecer-nos com sua pobreza, reconhecendo novos rostos dos pobres (por exemplo, os desempregados, migrantes, abandonados, enfermos e outros) e buscando promover a justiça e a solidariedade internacional – visão integral do homem! O nono capítulo, com o título “Família, pessoas e vida”, constata a necessidade de que, a partir da Boa Nova que anuncia a dignidade infinita de todo ser humano, criado à imagem de Deus e recriado como filho de Deus, se deve promover uma cultura do amor no matrimônio e na família, e uma cultura do respeito à vida na sociedade. Ao mesmo tempo, destaca o desejo de acompanhar pastoralmente as pessoas em suas diferentes condições de criança, jovens e idosos, de mulheres e homens, fomentando o cuidado do meio ambiente como casa comum. No último capítulo, sob o título: “Nossos povos e nossa cultura”, as opções pela evangelização da cultura e a evangelização inculturada de Puebla e de Santo Domingo são atualizadas, e trata dos desafios pastorais da educação e da comunicação; dos novos areópagos e dos centros de decisão; da pastoral das grandes cidades; da presença dos cristãos na vida pública, especialmente o compromisso político dos leigos por uma cidadania plena na sociedade democrática; a solidariedade com os povos indígenas e afrodescendentes; e uma ação evangelizadora que aponte caminhos de reconciliação, fraternidade e integração entre nossos povos, para formar uma comunidade regional de nações na América Latina e no Caribe. Aparecida, enfim, convoca a Igreja para a grande “missão continental”, buscando a transformação das estruturas que, de diversas formas escravizam o ser humano, atentando contra a sua dignidade de filho de Deus.

Nas “Considerações Finais”, o Documento quer renovar em todos os membros da Igreja, convocados a ser discípulos missionários de Cristo, ‘a doce e confortadora alegria de evangelizar’ (EN 80), e com as palavras dos discípulos de Emaús e com a oração do Papa em seu discurso inaugural, conclui com uma prece dirigida a Jesus Cristo: ‘Fica conosco porque é tarde e o dia declina’ (Lc 24,29).

 Referências Eletrônicas:

Documento de Aparecida

Comblin,  José, O Projeto de Aparecida

Ferraro, Benedito, Conversa sobre a Conferência de Aparecida

Libanio, João B., Formação dos Discípulos Missionários

Para Refletir:

1. O Documento de Aparecida nos convoca a sermos missionários. O que você entende por ser discípulo missionário?

2. Como você entende a “Missão Continental”?

3. Com este último  Documento do Magistério Latino Americano, você entende que as diretrizes de Aparecida estão sendo estudadas e aplicadas?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 12/06 –  A Conferência Episcopal de Aparecida  (II)

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