Ficha 52: Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia (I)

| 30/10/2013 | 1 Comentário

Sta Ceia - Adélia CarvalhoPerspectiva Bíblica

O texto de Estudos da CNBB, nº 104, “Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia”, apresentado em quatro capítulos, tem a finalidade de promover a reflexão sobre a renovação das paróquias, diante das mudanças que estamos vivendo, para que elas se tornem uma Igreja em permanente estado de Missão. Espera-se, por meio dele, que as dioceses apresentem sugestões complementares,que posteriormente serão avaliadas pelos bispos e encaminhadas para a votação final na Assembleia da CNBB, em 2014, quando então deverá se transformar em um documento norteador para as paróquias.

Nesta 52ª Ficha será desenvolvido o Capítulo 1: Perspectiva Bíblica, que destaca a importância da Palavra de Deus na vida da comunidade e na vida do discípulo missionário. A Constituição Dogmática Constituição Dogmática Dei Verbum e a Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini ressaltam que a Palavra de Deus ilumina, na comunidade, a realidade que o discípulo é chamado a transformar, para que a paróquia seja de fato presença viva de Jesus Cristo em meio às pessoas, às famílias e à sociedade. Eis alguns elementos bíblicos que iluminam os desafios de transformar a paróquia em verdadeira escola de comunhão, em “comunidade de comunidades”:

1- Recuperar a comunidade. Segundo o texto, não é de hoje que a tendência ao isolamento atinge as pessoas, as famílias e a comunidade, que muitas vezes se fecham à realidade e aos apelos para uma vida em sociedade. No seu tempo, Jesus ensinou que a comunidade deveria ser exemplo da bondade, do amor e da misericórdia, como expressão da grande família dos filhos de Deus, principalmente às pequenas famílias e às pessoas sozinhas e indefesas. Para Jesus, a comunidade é um dos muitos sinais do Reino de Deus em meio a uma sociedade egoísta e fechada. Ainda hoje, em tempos de forte apelo ao individualismo, ao hedonismo e ao materialismo, onde as pessoas vivem no anonimato, a paróquia é chamada a recuperar seu sentido de comunidade, como lugar de acolhida a todos os que a procuram, incentivando o diálogo, o contato humano e à fraternidade.

2- A nova experiência de Deus: o Abbá. Jesus testemunhava uma grande intimidade com o Pai (Jo 14,9) pela oração, nas reuniões na sinagoga, pelo seu jeito de ser e de viver, de acolher as pessoas e de revelar o seu amor. Era o retrato vivo de Deus, o portador da Boa Nova para todos os seres humanos, sobretudo para os pobres, e é esta experiência que a paróquia deve propiciar ao povo.

3- A missão do Messias, como servo de Deus, “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Jesus revela-se como o Messias que realiza as esperanças dos pobres, fazendo justiça aos oprimidos, dando pão aos famintos, libertando os prisioneiros, abrindo os olhos dos cegos, endireitando os curvados, acolhendo os justos e os pecadores, protegendo os estrangeiros, sustentando o órfão e a viúva, e permanecendo fiel à missão de servo. Da mesma forma a comunidade paroquial deve ser servidora do povo. Esta é a sua vocação!

 4- A novidade do Reino. Da relação entre Cristo e os seus discípulos surge uma nova proposta de vida, que precisa ser acolhida pela humanidade. No relacionamento entre homem e mulher, o máximo de igualdade (Mt 19,7-12); entre os discípulos, o máximo de partilha (Mc 10,28); com os pequenos e excluídos, o máximo de acolhida (Mc 9,41-50); com os bens materiais, o máximo de abnegação (Mc 10,17); com relação ao poder, o exercício do serviço (Lc 22,25-26); com relação ao perdão, a comunidade situa-se como o lugar de perdão e de reconciliação e não de mútua condenação. Eis a prática social que se espera de cada discípulo e da comunidade inteira.

5- Um novo estilo de vida comunitária. O Reino implica em uma nova maneira de viver e de conviver, por isso, Jesus deu quatro recomendações para a vida comunitária:hospitalidade (Lc 9,4; 10,5-6), partilha (Lc 10,7), comunhão (Lc 10,8) e acolhida (Mt 10,8). Atendidas estas recomendações, pode-se proclamar que “O Reino Chegou!”  (Mc 6,7,13). Estes são os sinais que indicam o quanto a comunidade paroquial é sinal do Reino.

6- O novo modo de ser pastor. Jesus vai ao encontro das pessoas onde elas estãoe propõe um caminho de vida (Mt 11,28); não exclui ninguém; supera as barreiras de sexo, religião, etnia e de classe; não se fecha dentro de sua própria cultura; reconhece as coisas boas que existem em todas as pessoas, por isso, se apresenta como o Bom Pastor (Jo 10,11).  Ele é o modelo de pastoral para toda paróquia e comunidade: acolhe, ensina, cuida, guia, promove a comunhão na fé, na esperança e no amor, e se aproxima também dos irmãos de outras tradições.

7- O ensinamento novo. Jesus ensinava de forma simples e direta, com palavras voltadas ao cotidiano das pessoas, fazendo-as participarem da descoberta da verdade. Sua vida era o testemunho do que ensinava, por isso, o povo percebeu ‘um ensinamento novo, e com autoridade’ (Mc 1,27). O testemunho deve ser a primeira ação da Evangelização nas paróquias.

8- A nova Páscoa. Na Páscoa de Jesus, a morte foi vencida. A nova comunidade, reunida pelo Ressuscitado, é a expressão e o anúncio de uma nova e eterna aliança selada na nova Páscoa. Ela promove o perdão dos pecados para reconciliar o mundo com Cristo e expandir a mensagem da Boa Nova a toda humanidade. “Todo aquele que nele crer não morrerá, mas terá a vida eterna” (Jo 10, 3,36). Toda paróquia deve ser geradora de vida humana, vida de fé e esperança.

9- Pentecostes: o novo Povo de Deus. O poder do Espírito Santo, recebido no dia de Pentecostes (At 2), que realiza nos corações a condição para que alguém se torne seguidor de Jesus Cristo, concede diversos carismas que acompanham o verdadeiro anúncio evangélico, e guia as decisões da Igreja para ser uma comunidade evangelizadora. Na paróquia todos são responsáveis: padres e leigos têm a mesma importância; sobretudo quando aceita a colaboração de cada um, de modo a dar oportunidade para todos.

10- A nova comunidade cristã. A inspiração para toda comunidade cristã parte de quatro colunas básicas: a) Perseverança em ouvir o ensinamento dos apóstolos (1Ts 2,13); b) A Comunhão fraterna (Gl 3,28; Cl 3,11; 1Cor 12,13),  c) A fração do pão (Eucaristia) (Lc 24,30-35); d) As orações (At 5,12b). São esses gestos que tornam a comunidade cada vez mais apaixonada pelo Deus de Jesus Cristo e pela sua proposta de vida.

11- A missão. Os discípulos de Jesus são reconhecidos por viverem em comunhão (Jo 13,34), tornando-se testemunhas pascais que recebem o mandato missionário para realizar pregações, curas e formar comunidades. A mística desta comunhão deve ser o grande ideal de uma paróquia.

12- A nova esperança: a comunidade eterna. A esperança no Reino de Deus, anunciado por Cristo, desperta nos cristãos o compromisso de trabalhar por um mundo melhor e esperar a plena realização dos novos céus e da nova terra (2Pd 3,13), onde Deus será tudo em todos. Cada comunidade cristã deve ser testemunha e anunciadora desta realidade futura, atualizando, através dos séculos, a mensagem de esperança de Cristo. Eis o agir em comunidade!

 Para criar a convicção e uma cultura de Comunidade de Comunidades é preciso que surja uma nova forma da paróquia ser e de se organizar. Ela deve expressar a comunhão de pequenos grupos e comunidades que buscam a fidelidade ao projeto de Jesus através da atualidade da Palavra de Deus e da adesão ao Reino, ao mundo novo, ao novo estado de coisas, à nova maneira de ser, de viver, de estar junto com os outros, que o Evangelho inaugura. Para esta renovação, a Igreja precisa cuidar do amadurecimento da fé de seus membros, principalmente através da formação bíblica, que deve ser permanente. É a formação que fortalece a fé e a vida comunitária, para que ela seja sinal e instrumento do Reino, afinal, evangelizar é também uma tarefa comunitária.

 Gravura: ‘A Ceia’ de Ir. Adélia Carvalho (confira a explicação do quadro pela artista)

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 Para Refletir:

1) Qual a importância da Palavra de Deus na vida do Discípulos Missionário e na Missão?

2) Você considera que a formação cristã oferecida pela Paróquia/Comunidade deve ser mantida como está? Por quê?

3) O que se pode propor como novidade ou aprimoramento para transformar a paróquia numa verdadeira escola de comunhão: Comunidade de Comunidades?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá  interagir na sala de aula virtual  “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.

 Aguarde a publicação da próxima ficha: 13 novembro –  Estudo 104 – CNBB – “Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia” (II) – Perspectiva Teológica

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