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Ficha 16: O Antigo e o Novo Testamentos – DV (4ª)

| 15/03/2012 | 0 Comentário

Constituição Dogmática DEI VERBUM

Sobre a Revelação Divina

 

 

Esta décima sexta ficha, quarta da DV, refere-se aos capítulos IV e V que informam sobre o Primeiro e Segundo Testamentos da Bíblia, comumente conhecidos como Antigo e Novo Testamentos.

 Segundo Santo Agostinho, Deus escreveudois Livros para a Humanidade: “o primeiro foi a Criação, a Vida, que é um livro aberto que revela toda a beleza da mensagem de Deus, pois Ele sempre quis se comunicar com as pessoas. Com o passar do tempo, as fraquezas humanas foram impedindo as pessoas de perceberem a primeira mensagem e Deus decidiu escrever o segundo livro que é a Bíblia, através de pessoas escolhidas para este sagrado fim.” A Bíblia não foi escrita para substituir o Livro da Vida, mas para ser um ‘guia’ que ajude o leitora entendê-lo melhor. Ela é o livro da comunidade que dá ao povo a esperança no Reino de Deus. É como uma grande carta de amor que só pode ser compreendida se lida com o mesmo sentimento com o qual foi escrito. O foco principal é Jesus Cristo, Ele é o centro da Bíblia e, por isso, devemos ler todos os textos a partir d’Ele. Antes de ser escrita, a Sagrada Escritura foi vivida e transmitida oralmente; assim, desde o início da formação do Povo de Deus, com o chamado de Abraão, até a finalização do último texto do Novo Testamento, a III Carta de João, somam-se quase dois milênios de história plenos da Revelação de Deus. Convém destacar que, no cânon da Bíblia, os livros não foram organizado na ordem em que foram escritos e nem na ordem em que os fatos relatados ocorreram.

A importância do Primeiro Testamento reside em  preparar e anunciar a espera do Reino de Deus, a chegada do Filho do Homem por meio do próprio Deus que se manifesta justo e misericordioso na caminhada junto à humanidade criada. Ele é venerado pelos cristãos como verdadeira Palavra de Deus porque a Antiga Aliança nunca foi revogada. Seus textos são divinamente inspirados pelo Espírito Santo, são partes indispensáveis da Sagrada Escritura e revelam a ‘divina pedagogia’ do amor salvífico de Deus (CIC 121-123) [1] (DV 15), entendida pela Igreja como a forma gradual de Deus Se revelar e preparar a humanidade, por etapas, para receber a Revelação que faz de Si próprio, e que vai culminar na Pessoa e missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo (CIC 53). Ele inicia-se com a criação do universo e do homem; descreve a queda da humanidade, a depuração pelo dilúvio, o “arrependimento” de Deus e a restauração da humanidade em Noé e sua descendência; testemunha a presença de Deus junto ao povo de Israel; contém a Antiga Aliança de Deus com aquele povo e o prepara para a vinda de Cristo.

Baseado em Lucas 24,44 –  “Jesus disse: é preciso que se cumpra tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” – a tradição cristã dividiu o Primeiro Testamento em quatro grandes blocos de livros: Leis, Proféticos, Escritos, e acrescentou os livros Históricos. Na atual divisão da Bíblia, os blocos seguem a seguinte ordem: Leis ou ‘Torá’, mais conhecido como Pentateuco, que contém os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Os livros Históricos: Josué,  Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus. Os livros Proféticos que estão divididos em Profetas maiores, que são os livros longos: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel; e Profetas menores, livros menores: Baruc, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. E os Escritos, com os diversos livros Poéticos ou Sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico e Lamentações, sendo que este último se encontra no bloco dos livros proféticos por ser Jeremias (profeta) atribuído como o seu autor.

 A Igreja considera como Palavra de Deus escrita na linguagem humana, tanto o Primeiro Testamento quanto o Segundo, onde este dá continuidade e reafirma o valor e a atualidade do Primeiro. E, apesar de Cristo ter alicerçado a Nova Aliança no Seu sangue, os livros do Primeiro Testamento integralmente aceitos na pregação evangélica, adquirem e manifestam a sua significação completa no Segundo Testamento, e este os iluminam e explicam (DV 16).

 O Segundo Testamento tem como objetivo central a Palavra de Deus que se apresenta de modo especial na pessoa de Jesus Cristo, o Seu Filho feito Homem, com seus atos, ensinamentos, paixão e glorificação que se encontram nos quatro Evangelhos e que são o coração de toda a Bíblia. Eles ocupam o primeiro lugar nas Escrituras porque dão o testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado (CIC 124-125).

 A Igreja defendeu e defende, sempre e em toda a parte, a origem apostólica dos quatro Evangelhos na certeza de que, aquilo que os apóstolos ouviram de Cristo, eles mesmos pregaram e, juntamente com os seus seguidores, deixaram por escrito, sob a ação do Espírito Santo, como fundamento da fé, após a Ascensão do Senhor. Eles comunicam coisas verdadeiras e sem engano, daquilo que se lembravam, e com base no testemunho daqueles que viram e foram ministros da palavra, com a intenção de dar a conhecer a verdade dos ensinamentos a que foram instruídos. Transmitem, também, com fidelidade, o que Jesus, o Filho de Deus, realmente praticou e ensinou durante a sua vida terrena até o dia em que foi elevado ao céu (At 1,1-2) (DV 17-19).

 No Segundo Testamento, além dos Evangelhos Mateus, Marcos, Lucas e João, estão também os Atos dos Apóstolos; as Cartas Paulinas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon; a Carta aos Hebreus e Cartas universais: Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas; e o Apocalipse. Todos foram redigidos por inspiração do Espírito Santo e revelam o início da Igreja de Cristo e a sua difusão; confirmam o que diz respeito a Cristo Senhor e explicam, mais ainda, a Sua genuína doutrina; e anunciam a Sua consumação gloriosa (DV20).

No Evangelho de Jo 1,3 está escrito: ”o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos!”. Esta frase expressa a intenção dos Textos Sagrados, pois a Palavra de Deus vivida e testemunhada foi codificada para que a memória da comunidade não se perdesse, e a Bíblia é o resultado desse esforço. Entretanto, ela não encerra toda a Revelação, pois, como lemos em Jo 21,25: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos.”

Notas

[1] Catecismo da Igreja Católica

Gravura: Bíblia: O Evangelho não se adapta ao nosso jeito

 Referências Eletrônicas

A Sagrada Escritura, Palavra de Deus aos homens

Bíblia Edição Pastoral, A Leitura da Bíblia

Dei Verbum e a Formação do antigo Testamento

 Para refletir:

  1. O que esta ficha acrescentou no seu conhecimento sobre a Bíblia?
  2. Como você entende a relação entre o Primeiro e o Segundo Testamentos?
  3. Que relação você faz, entre os dois Testamentos, no que diz respeito à experiência do deserto e à liberdade do homem?
  4. Para você, qual é a importância do Primeiro Testamento?
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Orientações para a interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a ‘caixa’ de comentários abaixo.

d) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual   “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: A Sagrada Escritura na vida da Igreja– 28 de março

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