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Ficha 36: A Repercussão do Concílio Vaticano II no Brasil

| 20/02/2013 | 2 Comentários

Esta Ficha tem por objeto de estudo refletir sobre a recepção e a repercussão do Concílio Vaticano II no Brasil. O organismo que viabilizou isto foi a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB[1] que fora criada em 1952, antes mesmo do Concílio, com a missão de fomentar a comunhão e o diálogo entre os bispos, para maior unidade no processo de evangelização. As orientações das Constituições Conciliares Lumen Gentium e Gaudium et Spes, contribuíram para atualizar e solidificar os propósitos das primeiras Conferências Latino-Americanas, e dar novos passos na organização pastoral e da evangelização da Igreja no Brasil, provocando uma participação ativa de bispos; presbíteros; religiosos(as); agentes de pastoral; e mulheres e homens de fé. Todos os envolvidos nesta recente história foram não só abertos e receptivos às novas ideias e transformações trazidas pelo Concílio mas, também, operadores ativos deste processo histórico, garantindo, assim, a presença da Igreja na sociedade brasileira.

O Plano de Emergência (PE), criado em 1962, foi de fundamental importância para a recepção do Concílio no Brasil por ter quatro propostas desafiadoras, sobre aspectos da vida da Igreja, considerados fundamentais, como: a renovação da Paróquia, do Ministério Presbiteral, da Escola Católica, e a promoção da ação da Igreja no campo socioeconômico. Também foi fundamental, a experiência das Campanhas da Fraternidade- (CF) [2], desde 1964, as quais, progressivamente, foram assumindo a Doutrina Social da Igreja, contribuindo para o surgimento e o fortalecimento das Pastorais Sociais.

Na sequencia, em 1965, a CNBB propôs o Plano Pastoral de Conjunto (PPC), com o objetivo de implementar as decisões do Concílio e promover o seu espírito renovador do Concílio, em todo o país. O Plano enfatizava a evangelização como missão principal da Igreja, reconhecendo o papel dos leigos e dando importância específica à solidariedade a todos, particularmente aos pobres. O PPC previsto para 1966-1970, e depois prorrogado até 1975, definiu orientações expressas em seis Objetivos Específicos ou Linhas de Trabalho: 1. Promover a plena unidade visível, através da promoção da comunhão e participação na Igreja Católica (Constituição Dogmática LG, Decretos AA, PC e CD); 2. Promover a Ação Missionária (Decretos AG e PC); 3. Promover a Ação Catequética, o aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica (Constituição Dogmática DV e Decreto CD); 4. Promover a Ação Litúrgica (Constituição SC e Decreto CD); 5. Promover a Ação Ecumênica (Decreto UR); e 6. Promover a melhor inserção do povo de Deus como fermento na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus (Constituição Pastoral GS).

Em 1968, as orientações da Conferência de Medellín contribuíram para que se efetivasse uma prática pastoral mais ligada à promoção social, que viabilizou o PPC, através do método ‘ver, julgar e agir’, com base na realidade social, para orientar a ação da Igreja. O PPC investiu na formação, treinamento e reciclagem de bispos, sacerdotes, religiosos (as) e leigos (as), e responsáveis pelos cursos de preparação dos sacramentos, envolvidos diretamente nas atividades da Igreja. Medellín influenciou também uma das resoluções mais importantes deste Plano que propôs um novo modo de ser Igreja, facilitando a plena participação de todos os batizados na base da sociedade e da Igreja, com a implantação das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), no território paroquial, alimentando o sonho de uma Igreja mais próxima dos meios populares e suas significativas representações, como os Movimentos Sociais, Sindicatos e Partidos Políticos.

Como a experiência do PPC mostrou-se idealista para uma Igreja presente num país com diversas realidades sociais e eclesiais que revelavam grandes diferenças organizacionais e pastorais, tornou-se inviável um plano comum. Desta forma, para manter o princípio de colegialidade e da unidade pastoral entre os bispos, a Assembleia da CNBB substituiu o Plano de Pastoral de Conjunto, por um conjunto de orientações, chamadas de Diretrizes, com o objetivo de assegurar a unidade pastoral nas Dioceses.  A estrutura básica das seis linhas de trabalhos foram mantidas e adotadas nas “Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil (DGAP)”, que, a partir de 1975, ofereceram luzes para o agir eclesial.

A ação profética desencadeada em Medellín (1968) e as  reflexões críticas de Puebla (1979), sobre a situação sócio-política, econômica e cultural do Continente Latino-Americano, incluindo a Opção Preferencial pelos Pobres e pelos Jovens reforçaram as opções pastorais da CNBB. Na luta em favor da reforma agrária, dos direitos à terra foi criada a Comissão Pastoral da Terra (CPT); em favor da cultura e autonomia das populações indígenas, criou-se o Conselho Indigenista Missionário (CIMI); e em favor da educação pública e gratuita para todos, com direitos mais amplos aos trabalhadores, mulheres, jovens, crianças e idosos, criou-se a Comissão Brasileira de Justiça e Paz e os Centros de Defesa dos Direitos Humanos. No âmbito eclesial, o destaque foi para a renovação da Catequese, através da publicação do Documento Catequese Renovada, em 1983, que desencadeou a criação dos subsídios de estudo, a reflexão para as Semanas Nacionais de Catequese e os vários Encontros Nacionais de Catequese em prol de uma evangelização permanente nas Dioceses, paróquias e comunidades.

A partir de 1995, as DGAP passaram a ser chamadas “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE”, as quais, partindo da  inculturação, deram nova ênfase e destaque para a Evangelização, isto é: viver a mesma fé do Evangelho em culturas diferentes, missão de todos os batizados, através do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, em nossas terras e para além fronteiras, tal como sugeria a Conferência de Santo Domingo (1992), que valorizou a evangelização inculturada e o protagonismo dos leigos nesta missão.

No século XXI, a CNBB lançou as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – 1999-2002, propondo que toda a ação pastoral da Igreja esteja sempre atenta a três eixos: a promoção humana, a renovação da comunidade e a presença da Igreja na sociedade.

Em 2004, foi lançado o Projeto Nacional de Evangelização (2004-2007): “Queremos ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6).  Partindo desta experiência do encontro com Cristo é que a Conferência de Aparecida (2007) propõe uma retomada da força evangelizadora de todas as vocações eclesiais, nomeando-as de discípulos missionários, que irão revitalizar a vida de fé no continente, para que a evangelização exerça uma ação transformadora sobre o mundo desde dentro da Igreja. Atualmente as “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2011-2015)” são um convite para que todos os batizados, como discípulos missionários, assumam o mandato de Jesus Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura!” (Mc 16,15).

É inegável que desde o Plano de Emergência até as DGAE vigentes a Igreja presente no Brasil construiu um projeto eclesial moldado nas orientações do Vaticano II. A maciça maioria das comunidades eclesiais de base, paróquias, comunidades novas e/ou  movimentos vivencia uma realidade eclesial embasada em uma articulação pastoral orgânica que respeita os princípios de comunhão e de participação do Povo de Deus (LG e GS). Isto não significa dizer que não há dificuldades de ordens diversas, até porque a Igreja é, também; uma instituição humana, mas na diversidade de funções e na comunhão da mesma fé  em Jesus Cristo; o Senhor da História, o povo de Deus vai concretizando o Reino de Deus.

Notas

[1] No dia 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro,  ocorreu a fundação da CNBB como ação conjunta de vários bispos, tendo Dom Hélder Câmara como o grande articulador.  Contou com a presença do Núncio Apostólico, de dois Cardeais e cerca de vinte Bispos. […].O Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota como escolhido como Presidente e Dom Helder Câmara como Secretário-Geral. A expressão máxima da CNBB acontece anualmente em uma assembleia realizada sempre depois da Páscoa, que expressa o pensamento do episcopado brasileiro, considerado um dos maiores colegiados do mundo.

[2] A Campanha da Fraternidade, criada em 1964, única no mundo, tem conscientizado os leigos sobre seu papel na edificação da Igreja e foi se transformando num momento forte de alerta sobre problemas sociais, políticos e econômicos que afligem toda a população, sobretudo aos mais pobres. Desde a Campanha de 1995: “A Fraternidade e os Excluídos” tem sido realizado o “Grito dos Excluídos” que perdura até os dias de hoje,  comemorado, sempre, no dia da independência do Brasil – 7 de setembro.

Referências Eletrônicas

BEOZZO, J. O. A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil.

BRIGHENTI, Agenor. O Documento de Medellín: Uma Ousadia que continua fazendo caminho.

COMBLIN, J.  O Vaticano II, 50 anos depois.  

 GODOY, Pe. Manoel. Posições e respostas da Igreja no Brasil diante dos desafios populacionais e de pobreza.  

LIBÂNIO, J. B. O Concílio Vaticano II: Tarefas pendentes para a Igreja no Brasil hoje.  

Documentos da CNBB.

 [download_box]Arquivo PDF – Se desejar “baixar” o texto, clique em: download[/download_box]

Para Refletir

1)  Quais pastorais você julga mais importantes para efetivar a presença da Igreja no século XXI ?

2) Você percebe que a sua comunidade  ou paróquia está ligada, organicamente, às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil. Quais os sinais disso?

3)Você considera que é importante a existência de estruturas, organização e projetos na Igreja? Por quê?

 

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

c) Por fim, você poderá interagir na sala de aula virtual  “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese.  Acesse http://www.avf.org.br/e siga as orientações.

Aguarde a publicação da próxima ficha: 06/03 –  A Conferência Episcopal de Medellín (I Parte)

 

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