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Ficha 41: A Conferência Episcopal de Santo Domingo (I)

| 02/05/2013 | 3 Comentários

JC-AL

A 4ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, ou simplesmente ‘A Conferência Episcopal de Santo Domingo’ (SD) foi realizada em outubro de 1992, na cidade de Santo Domingo (República Dominicana). Ela reflete um momento singular eclesial, pois na comemoração do trigésimo aniversário do Concílio Vaticano II e dos quinhentos anos de presença eclesial, na América Latina, com suas luzes e sombras, a Igreja se questionava sobre forma de realizar a missão da Evangelização no novo milênio que se aproximava.

Duas realidades marcaram o Documento conclusivo: a primeira, o discurso inaugural do Papa João Paulo II com muitos trechos ambíguos na proposta da ‘Nova Evangelização’, revelando a mudança de rumo do eixo fundamental da Evangelização, proposto nas Conferências anteriores; e a segunda a preocupação de tantos bispos comprometidos com os projetos das Conferências precedentes, no intuito de garantir que o texto final não se esquecesse dos compromissos da Igreja com o povo latino-americano, preocupações que constaram nos documentos preparatórios, de Consulta e de Trabalho, mas que não foram considerados pela direção da Assembleia. O  Documento enfatiza o aspecto espiritual, sem abandonar as diretrizes das Conferências anteriores, e traz novidades importantes! Se, em Medellín e Puebla os termos “libertação” e “opressão” estiveram muito presentes, em Santo Domingo emergem conceitos novos como a “cultura de morte e cultura de vida”. As preocupações ligadas à OPP, despertadas nas Conferências anteriores, foram contempladas nas reflexões sobre a promoção humana e a evangelização inculturada, tornando-se chaves com as quais devem ser compreendidas as opções tomadas em Santo Domingo.

A primeira parte do Documento, ‘Jesus Cristo, Evangelho do Pai’, apresenta uma Profissão de Fé, lembrando os princípios cristãos; confessa a centralidade cristológica; destacaa missão da Igreja de evangelizar ea conversão das situações extremas às forças de morte. Além disso, faz uma leitura positiva da presença histórica da Igreja e afirma que o momento era de agradecimento por todos os que testemunharam a fé no Continente.

A segunda parte, ‘Jesus Cristo evangelizador vivo em sua Igreja’, apresenta um plano global de evangelização, denominado no primeiro capítulo como ‘Nova Evangelização’, com dois desdobramentos: ‘A Promoção Humano’ desenvolvido no segundo capítulo e o desafio do diálogo entre o Evangelho e as Culturas, no terceiro capítulo denominado ‘A cultura cristã’. O ‘método ver, julgar e agir’, amplamente utilizado em Medellín e Puebla, foi abandonado na sua leitura materialista, principalmente na questão do ‘ver’, atenuando a realidade social confrontativa, presente no Continente. Nos três capítulos, realiza-se a apresentação do tema, a iluminação teológica, e a indicação dos desafios e propostas pastorais.

O primeiro capítulo, a ‘Nova Evangelização (1), sugerido pelo Papa João Paulo II na Comissão Pontifícia para a AL, traz em seu título uma polêmica. Embora o Documento insista que a expressão “Nova” não seja uma crítica da Evangelização praticada até então, por si só, ela é uma nova proposta que implica em um reavivamento da Igreja, um novo impulso evangelizador, que põe Cristo no coração e nos lábios, na ação e na vida de todos os latino-americanos. A Evangelização será nova nos métodos e na expressão, quando forem de testemunho e encontro pessoal, e de presença do cristão no humano como um todo, bem como de confiança no anúncio salvador (querigma); e quando tiver por base a Boa Nova proclamada em linguagem que a torne sempre mais próxima das novas realidades culturais. Resumindo, “a chamada à Nova Evangelização é, antes de tudo, uma chamada à conversão” (João Paulo II, no Discurso de inauguração).

Uma das grandes novidades de Santo Domingo é sugerir que a paróquia se transforme em uma rede de comunidades, o que foi retomado em Aparecida e usado como tema da última Conferência dos Bispos no Brasil, em 2013. Aos leigos é dedicado um espaço que lança a ideia de incrementar uma vivência da Igreja-comunhão, fomentando a participação deles nos diversos níveis da estrutura eclesial, tornando-os protagonistas da transformação da sociedade, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.  E reconhece a participação das mulheres, através da cooperação ativa, livre e animadora da sociedade.

O segundo capítulo, ‘Promoção Humana’, se apresenta como a dimensão privilegiada da Evangelização, e lembra a necessidade da fé e do amor aos irmãos que devem ser traduzidos em obras concretas. Salienta a falta de coerência na prática cristã como uma das causas que gera a situação de pobreza e injustiça social, e aponta os novos sinais dos tempos: Direitos Humanos, Ecologia, Terra como dom de Deus, Empobrecimento e Solidariedade, Trabalho e Mobilidade Humana, Ordem Democrática, Integração Latino-Americana, e apresenta também  os desafios da Evangelização da Família.

Considerando a ‘Cultura Cristã’, o terceiro capítulo trata da necessidade de inculturar o Evangelho à luz dos três grandes mistérios da salvação:  Natividade,  Páscoa e Pentecostes. Chama a atenção para o cristão se empenhar na formação da própria consciência, tanto individual como coletiva e do amadurecimento da mentalidade para essa responsabilidade. Essa inculturação compreende a pluralidade das culturas indígenas, afro-americanas e mestiças, ao lado da urbana e da moderna, e apresenta o desafio da cultura urbana, a presença da Igreja na Educação e nos Meios de Comunicação Social (RM 52).

A terceira parte, ‘Jesus Cristo, Vida e Esperança da América Latina’, resume as Linhas Pastorais prioritárias: uma nova Evangelização de nossos povos à qual todos estão chamados, com ênfase na Pastoral Vocacional; o especial protagonismo dos Leigos e a atenção especial aos Jovens “mediante a educação contínua da fé e sua celebração”; a Catequese; e a Liturgia.

A ação evangélica e a renovada opção pelos pobres possibilitarão uma América Latina Missionária, com a promoção integral do povo, que esteja a serviço da vida e da família, que encarne as culturas indígenas, afro-americanas e urbanas em uma eficaz ação educativa, e uma moderna comunicação. Um dos pontos positivos de Santo Domingo foi justamente a Inculturação com a valorização destas culturas, acenando para a temática da solidariedade latino-americana e mundial. As propostas do Documento refletem ainda duas mensagens do Papa João Paulo II: aos indígenas, lembrando os sofrimentos que a população passou durante os tempos de conquista e colonização; e aos afro-americanos, quando se refere ao tráfico de escravos, “um dos episódios mais tristes da história latino-americana e caribenha”.   

Santo Domingo não avançou na reflexão do compromisso eclesial firmado em Medellín e Puebla, mas por  outro lado também não significou ruptura, porque não negou as suas afirmações. Como filha de seu tempo, esta Conferência foi marcada pelos avanços e retrocessos. Coube, e cabe, à comunidade eclesial latino-americana manter viva a proposta de uma Igreja comprometida com os pobres, cuja realidade dinâmica vem acontecendo. Ela deseja que a partir da Igreja, e entre os povos da América Latina e Caribe, haja reconciliação, solidariedade, integração e profunda comunhão, colocando Jesus Cristo, o Evangelizador vivo, como Aquele que conduz à nova evangelização, à promoção humana e à realização da cultura cristã. O maior mérito de Santo Domingo foi trazer à Igreja a reflexão sobre a necessária relação entre Evangelho e Cultura, e somente em razão disto, ela já se torna importante.

 Nota

(1) Quando se fala de Nova Evangelização, não quer se referir à anterior como não válida, porém o objetivo é salientar a resposta aos novos desafios da vida e aos problemas apresentados pela realidade do Continente. Implica enfrentar a grandiosa tarefa de infundir energias ao cristianismo da América Latina. O sujeito da Nova Evangelização é todo o Povo de Deus, e a sua finalidade, é formar pessoas maduras na fé, que sejam capazes de responder às mudanças sociais e culturais, levando em conta a urbanização, a pobreza e a marginalização.

 Referências eletrônicas

 Documento de Santo Domingo

Afonso Murad, Documento de Santo Domingo: Princípios Hermenêuticos de Leitura

Antoniazzi, Alberto,  O que Santo Domingo trouxe de novo?

Lorscheider,Aloísio, Visão histórico-teológico-pastoral de Santo Domingo

Libanio, J. Batista, Memória de Santo Domingo até nossos dias

IHU, Medellín, Puebla, Aparecida e Santo Domingo: a luta pelos pobres. (Entrevista com Paulo Suess)

 Para refletir:

1) Qual a importância de uma ‘nova evangelização’ para a atualidade?

2) O que você considera como o maior desafio desta IV Conferência de Santo Domingo? Por quê?

3) Quais as diferenças entre SD e as Conferências precedentes?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 15/05 – A Conferência Episcopal de Sto Domingo  (II Parte)

 

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