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Ficha 42: A Conferência Episcopal de Santo Domingo (II)

| 15/05/2013 | 1 Comentário

SD2Na primeira ficha sobre Santo Domingo, percebe-se  que a Conferência não avançou muito na reflexão do compromisso eclesial, fortemente presente em Medellín e Puebla. Marcada por avanços e retrocessos, ela remete à comunidade eclesial latino-americana a manutenção da proposta de uma Igreja comprometida com os pobres, cuja realidade dinâmica vem acontecendo. Nesta segunda ficha, são retomados, com mais profundidade os temas da “Promoção Humana” e da “Cultura Cristã”.

O Documento de Santo Domingo dedica o segundo capítulo à Promoção Humana, considerada como dimensão privilegiada da Nova Evangelização. Embora se afirme que a Conferência ao proceder assim, tenha preterido as questões ligadas a OPP e a Teologia da Libertação como sua expressão teológica, é possível perceber o esforço que os bispos fizeram para manter, ainda que implicitamente, as preocupações de Medellín e Puebla. O destaque da ‘Promoção Humana’, em si, não representa uma novidade. Todavia, é a articulação da prática da caridade às exigências do Evangelho e por isso, representa um eixo teológico importante na interpretação dos ‘sinais dos tempos’, que o Vaticano II indicou. De outro lado, o documento alarga a noção de Promoção Humana e contempla os novos desafios para esta tradicional exigência cristã. Dentre os sinais dos tempos, levanta temas como ‘direitos humanos’, ‘ecologia’, ‘terra’, ‘empobrecimento’, ‘solidariedade e trabalho’, ‘mobilidade humana’, ‘ordem democrática’, ‘nova ordem econômica’, ‘integração latino-americana’ e ‘família e vida’. Todos estes tópicos podem, e devem, ser lidos à luz das opções pastorais das Conferências precedentes que, por sua vez, estão embasados na Doutrina Social da Igreja. Ao abordar os ‘Direitos Humanos’, seguindo os passos da DH, reconhece a igualdade dos seres humanos em sua dignidade, por serem criados à imagem e semelhança de Deus,e destaca que as crianças, os doentes, os jovens, os idosos, as mulheres, os camponeses, os indígenas e os afrodescendentes são os que mais sofrem. No tema da ‘ecologia’, alerta para as graves questões do meio ambiente e da sustentabilidade, fortemente ligados às políticas econômicas neoliberais, que em última análise atingem os que estão na periferia do mundo. Sobre a questão da ‘terra’, lembra que, para os cristãos, ela é dom de Deus e não mera mercadoria em vista de lucro do mercado. O documento recorda os povos espoliados e a urgente redistribuição de terras, que ainda não foi suficientemente enfrentada pelos países latino-americanos. Ao tratar de ‘empobrecimento e solidariedade’ o documento retoma a OPP e afirma a sua importância, declarando a sua irrevogabilidade na ação eclesial, segundo a opção de Puebla. No tema ‘trabalho’, Santo Domingo alerta para o desrespeito aos direitos dos trabalhadores; as poucas oportunidades de trabalho para os jovens; o desemprego e falta de cumprimento de leis e normas estabelecidas. Isso clama pela valorização do ser humano no trabalho, em seus legítimos direitos. Destaca ainda que o neoliberalismo esvaziou o sentido do trabalho como vocação co-criadora do homem, reduzindo-o à mercadoria e que, diante disso, a Igreja deve defender e promover o valor humano do trabalho. Ao abordar a ’mobilidade humana’ lembra que, nos países da AL e do Caribe, é notória a migração, na busca de melhores oportunidades de trabalho. Quanto à ‘ordem democrática’, o documento afirma que a instabilidade política, econômica e social é responsável pelo insuficiente desenvolvimento das grandes maiorias dos países do continente. Considerando transformar as estruturas que não respondam às necessidades dos povos, no item da ‘nova ordem econômica’, o documento destaca que as soluções devem ser buscadas mundialmente, através de uma economia de comunhão e participação dos bens.Assinala a necessidade de ações concretas dos poderes públicos para que a economia de mercado não se converta em algo absoluto, ao qual se sacrifique tudo, acentuando a desigualdade e a marginalização. Quando trata da ‘integração latino-americana’, a considera como um grande desafio a partir de uma perspectiva de solidariedade, que promova a participação, a educação e o fortalecimento de organismos de colaboração mútua.  Por fim, este capítulo discute ‘família e vida’ como pontos de especial urgência na Promoção Humana, pois da família depende a vida em seu sentido duplo, tanto no que diz respeito à criação, como no cuidado e na formação de seus membros. O documento lembra as famílias que sofrem pela miséria, fome, desemprego, serviços básicos, educação, e defende a existência de uma pastoral familiar abrangente, que atinja todos os aspectos citados e seja profética na defesa da vida, principalmente na violência contra a mulher e o aborto.

Em seu terceiro capítulo, o documento aborda A cultura cristã, o que representa uma novidade na forma de tratar a temática dos excluídos, nas linhas das Conferências anteriores. Ao se debruçar sobre a condição dos povos indígenas, afrodescendentes e mestiços, reconhece que eles foram os que mais sofreram com os projetos eurocentristas das elites coloniais e depois com as políticas neoliberais adotadas pelos diversos países.O documento fundamenta que a adesão a Cristo e a vivência da doutrina cristã produzem uma cultura cristã, que por sua vez é reproduzida através da ação missionária da Igreja. O Encontro do Evangelho com as diversas culturas nem sempre foi tranquilo pois, muitas vezes, foi interpretado como imposição da cultura cristã e europeia. Deve-se lembrar que esta discussão aparece em SD em função dos 500 anos de presença da Igreja neste continente. Muitos esperavam que a Igreja fizesse uma leitura critica do processo histórico, mas a Conferência, embora reconhecendo os problemas do passado, optou por atenuar os conflitos e destacar a importância da fé cristã. A teologia latino americana, fazendo a leitura do texto a partir do Vaticano II, enxergou aí a questão da “inculturação”, cujo processopressupõe o diálogo, o reconhecimento dos valores evangélicos presentes na cultura que se evangeliza e o anúncio da doutrina cristã. Quanto ao impacto da cultura moderna, o documento o identifica como um desafio à cultura cristã, pois se refere ao homem urbano das grandes e das pequenas cidades, das periferias e dos grupos marginalizados, todos necessitados do anúncio, da assimilação e da expressão da fé. Também, neste ambiente e principalmente nas cidades, a Igreja deve se fazer presente e promover os autênticos valores do Evangelho, denunciando as injustiças, o vazio ético, as diversas formas de  exploração e a violência urbana como estruturas do pecado na modernidade. Cabe à Igreja buscar formas de Evangelizar a cidade com novas metodologias pastorais, especialmente a Pastoral Urbana. Ao tratar de outro desafio, o das escolas e universidades católicas que em função de serem particulares muitas vezes, na prática, acabam favorecendo os que têm maior poder econômico, o documento lança luzes para o resgate da missão educativa, na perspectiva da formação de uma cultura solidária e includente. Por fim, lembra que os Meios de Comunicação Social têm também a missão de promover uma nova cultura e integrar comunidades e paróquias.

Ao final da leitura do documento, salta aos olhos a quantidade de propostas feitas pelos bispos para o trabalho missionário dos leigos, dos religiosos e do clero. O Documento de Santo Domingo é filho de seu tempo e revela os questionamentos que as comunidades se faziam por ocasião do 500 anos de presença na América Latina e da chegada do Novo Milênio. Especialmente no Brasil, o Projeto Rumo ao Novo Milênio dinamizou a vida das comunidades e paróquias na esperança de que o porvir de um novo tempo renovasse a Igreja. Santo Domingo, como as outras Conferências, deixou sua contribuição ao magistério da Igreja Latino Americana. Importa o conjunto deste magistério que anima e incentiva o povo cristão a caminhar.

Referências eletrônicas

Celam, Documento de Santo Domingo

Afonso Murad, Documento de Santo Domingo: Princípios Hermenêuticos de Leitura

Antoniazzi, Alberto,  O que Santo Domingo trouxe de novo?

Libanio, J. Batista, Memória de Santo Domingo até nossos dias

Para refletir:

1) Dos tópicos citados na Promoção Humana, qual você julga mais importantes e por quê?

2) A partir do texto, como você define inculturação?

3) Como você entende a existência de uma cultura cristã, no que ela difere de outras culturas?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 29/05 – A Conferência Episcopal de Aparecida   (I Parte)

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