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Ficha 40: A Conferência Episcopal de Puebla (II)

| 17/04/2013 | 1 Comentário

Puebla 2Esta segunda ficha sobre Puebla, numa abordagem analítica, mostra como se articulou o Documento conclusivo, em suas cinco partes. Como eixo fundamental, destaca as seguintes exigências: a comunhão e a participação expressas na LG, e ratifica a Opção Preferencial pelos Pobres (OPP) e Jovens, sinalizada em Medellín.

Seguindo a metodologia do ‘Ver, Julgar e Agir’, Puebla aborda o ‘ver’ na primeira parte: “Visão Pastoral da Realidade” em quatro Capítulos. O primeiro, “Visão Histórica da Realidade: Os Grandes Momentos da Evangelização” aborda a presença da Igreja no Continente e reconhece que tanto ocorreram equívocos nos séculos precedentes, como também a presença dos frutos do Espírito na sua história. O Capítulo II, “Visão sociocultural da realidade”, analisa a formação dos países construídos na confluência das três raças, sempre com prejuízo dos mais pobres, marcados pelas opções econômicas e políticas na época colonial, e pelas opções liberais das elites nos séculos XIX e XX. O Capítulo III, “Visão da realidade eclesial”, lembra a importância do Vaticano II, do CELAM e de Medellín como um novo paradigma que promoveu a reestruturação da Igreja para o serviço pastoral e evangelizador. O último Capítulo, “As Tendências da Evangelização no Futuro” reflete, à luz do Evangelho, sobre a realidade das grandes cidades, da tecnização, a exigência da pluralidade, o individualismo e o exacerbado antropocentrismo, e  os apelos da DSI.

O segundo item da metodologia, o ‘julgar’, foi abordado na segunda parte: “Desígnio de Deus sobre a realidade”, dividida em dois Capítulos: “Os conteúdos da Evangelização” e “O que é Evangelizar?”. O primeiro explicita o conteúdo transversal do documento, apresentado nas três verdades que o Papa João Paulo II citou em seu discurso de abertura: ‘A verdade sobre Cristo’, que recorda a centralidade dafé cristã, o mistério da vida, morte e ressurreição do Senhor (DV); ‘A verdade sobre a Igreja’ que trata da presença da Instituição na História, a qual deve se esforçar para transmitir as verdades da fé aos homens como uma Igreja servidora e de comunhão entre os cristãos e destes com as outras culturas e religiões  (OE, UR e NA); e ‘A verdade sobre o homem: a dignidade humana’, tema caro ao Vaticano II, expresso na GS e na  DH, como imperativo da missão da Igreja em defender a Pessoa Humana, pois assim é da vontade do próprio Deus que também se fez humano e, retomando Medellín, reafirma que a Dignidade Humana deve estar acima de qualquer visão ou modelo social, politico e econômico, isto é, a Vida Humana deve ser defendida sempre. O Capítulo II aborda cinco temas, sendo que os dois primeiros ‘Evangelização: Dimensão Universal e Critérios’ e ‘Evangelização e Cultura’, retomam a EN. O primeiro relembra as exigências da Evangelização no século XX, e o segundo destaca que ela deve considerar as diferentes culturas e se dar a partir do mistério de Cristo. O terceiro tema ‘Evangelização e religiosidade popular’, retoma a valorização da religiosidade popular. O tema seguinte, ‘Evangelização, Libertação e Promoção Humana’, aborda a DSI e os desafios à defesa da Dignidade Humana, e o último tema, ‘Evangelização, ideologias e política’ retoma a GS, afirma a importância e a necessidade da participação ativa do povo de Deus, em nome da fé e dos valores cristãos, na construção da sociedade, inclusive, através do engajamento político.

O terceiro item da metodologia, o ‘agir’, foi abordado nas três últimas partes do Documento. A terceira: “A Evangelização na Igreja da América Latina – Comunhão e Participação” foi desenvolvida em quatro Capítulos. O Capítulo I, “Centros de Comunhão e Participação”, destaca a ‘Família’ como o primeiro centro evangelizador e, mesmo considerando que haja novas interpretações e novas realidades familiares, afirma que ela continua a merecer a atenção da Igreja, ratificando a prioridade da Pastoral familiar. O segundo conjunto de centros de comunhão e participação são as CEB’s, a Paróquia e a Igreja particular, onde as pessoas são chamadas a viver na comunhão fraterna e, na participação com os irmãos, oferecer uma valiosa contribuição para a construção de uma nova sociedade. O Capítulo II apresenta os principais “Agentes de Comunhão e Participação”, os ministros ordenados, os religiosos e religiosas, e os leigos, de modo especial pela contribuição da mulher na vida da Igreja e no mundo. No Capítulo III, o Documento aborda os “Meios de Comunicação e Participação”, sendo eles: a ‘Liturgia, oração particular e a piedade popular’ como expressão da fé comunitária e pessoal do povo de Deus, segundo a  SC; o ‘Testemunho’ como primeira ação evangelizadora a fim de provocar a ‘catequese’ para uma renovação profunda da vida cristã e por extensão, da sociedade, segundo a AA, LG, SC e DV, entre outros; a ‘Educação’, como uma das missões tradicionais da Igreja, segundo a GE; e a ‘Comunicação Social’ (rádio, tv, internet etc.) como importante fator de comunhão e integração, expansão e democratização da cultura, segundo a IM. Finalizando esta parte, destaca o ‘Diálogo para a comunhão e participação’ entre as religiões, buscando participação para o anúncio universal da salvação, segundo OE, UR e NA.

A quarta parte: “Igreja Missionária a serviço da Evangelização”, o documento lembra que  a Missionariedade é sustentada pelo Espírito do Senhor que impele o Povo de Deus a discernir os sinais dos tempos e a descobrir o plano de Deus sobre a vocação do homem na construção da Sociedade; que os pobres e os jovens constituem a riqueza e a esperança da Igreja e a prioridade da sua evangelização. O Capítulo I, ‘Opção Preferencial pelos Pobres”, retoma Medellín e afirma a necessidade da Igreja,  em função da evangélica opção de Jesus,  ter um olhar voltado para a real situação de pobreza e miséria da imensa maioria do povo latino-americano. Nesta perspectiva os pobres são os primeiros destinatários e agentes da missão, pois o testemunho deles, de fidelidade e apego a Deus, pode evangelizar os ricos libertando-os da escravidão gerada pelo apego às riquezas. A OPP impõe à Igreja a revisão de suas estruturas e da vida de seus membros, de modo que comunique coerentemente a proposta do Evangelho. A partir disso, enumera várias ações concretas, entre elas o esforço para conhecer e denunciar os mecanismos geradores da pobreza; unir-se a outras igrejas e aos homens de boa vontade para erradicar a miséria, criando um mundo mais justo e fraterno; reivindicar o direito de criação de organizações de defesa e promoção, além de advogar a defesa de culturas, especialmente as indígenas, entre outras. No Capítulo II, ‘‘Opção preferencial pelos Jovens”, destaca que eles manifestam sinais de esperan­ça ao continente, porém, de outro lado, a realidade social e econômica dos jovens pobres, abandonados pelo Estado e pela sociedade civil, merece uma atenção especial da Igreja. No Capítulo III, “Ação da Igreja junto aos construtores da sociedade pluralista na AL”, manifesta a preocupação com a transformação das estruturas sociais, cuja realidade apresenta duas tendências que se contrapõem e que são citadas pelo Papa João Paulo II em seu discurso inaugural: A crescente riqueza de alguns poucos corre paralela com a crescente miséria das massas”. Assim, Puebla exige o direito do testemunho e da palavra profética de anúncio e denúncia, e defende o direito de colaboração dos organismos intermediários, inclusive daqueles criados pela própria Igreja. O Capítulo IV, “Ação em prol da pessoa na sociedade nacional e internacional”, retoma a questão da Dignidade Humana e lembra que a promoção da justiça é ‘parte integrante da evangelização’; denuncia a existência de uma violência institucionalizada gerada pela política desenvolvimentista, como por exemplo, o desemprego e o subemprego, a desnutrição infantil, o abandono prematuro, a carência de assistência médica, educação e moradia, que propiciam uma desordem constante, colaborando com a proliferação da criminalidade, da prostituição e da dependência química; lembra que, em nome da segurança nacional, em vários países se viu atentados à liberdade de opinião e religiosa, à integridade física, e afirma que o desenvolvimento não pode ser alcançado à custa dos pobres. Em nível internacional, destaca que a Igreja conclama os organismos promotores da vida a se perfilarem na defesa dos direitos humanos e na ajuda mútua nas calamidades; afirma que o Continente, como um todo, é explorado pelas empresas transnacionais preocupadas apenas com o lucro e nada, ou pouco, contribuem para o desenvolvimento das nações, e em razão disto, a Igreja ‘deve ser a voz daqueles que não têm voz’ através da afirmação, da divulgação e da cobrança da efetivação dos Direitos Humanos já existentes e assumidos pela maioria das nações, e também através da mobilização social, por meio da educação e conscientização das pessoas, na defesa de uma ordem nacional e internacional que coloque a vida humana acima dos interesses econômicos.

Finalmente, a quinta parte, “Sob o Dinamismo do Espírito: Opções Pastorais”, Puebla apresenta ‘as grandes linhas ou opções’ como referências norteadoras da ação pastoral, que recuperam a eclesiologia da LG e as orientações da GS que indicam uma Igreja sacramento de comunhão. Lembra da necessidade do planejamento pastoral participativo que contempla a análise da realidade à luz do Evangelho, que opta por uma ação evangelizadora eficaz. Essas atitudes fundamentais do ‘ser pastoral’ exigem que a Igreja esteja em permanente processo de evangelização, ajudando a construir uma nova sociedade em total fidelidade a Cristo e ao homem no Espírito Santo, denunciando as situações de pecado, chamando à conversão e comprometendo os fiéis na ação de transformar o mundo, através de uma pastoral planejada com uma resposta específica, consciente e intencional às exigências da evangelização.

As Conferências Episcopais de Medellín e de Puebla constroem um novo paradigma na história da Igreja latino-americana que se configura como um patrimônio da Igreja Universal e constitui, certamente, a contribuição mais significativa oferecida pela Igreja e teologia latino-americanas.  Trata-se de uma proposta renovada do aprofundamento da fé, ativa e operante, sobretudo na família, na juventude, nas Comunidades Eclesiais de Base, as quais animadas pelo espírito missionário testemunham a fidelidade a Boa Notícia de Jesus Cristo a todos os Povos.

 Referencias Eletrônicas

Documento de Puebla

Comblin, J,  Puebla de Los Angeles

Comblin, J. Puebla, Vinte Anos Depois

Manzato, Antonio  As Primeiras Conferências do CELAM

Vida Pastoral: Entrevista:  Dom Luciano fala sobre Puebla

Gravura

 Para Refletir

1)     Qual o eixo estruturante da reflexão pastoral de Puebla?

2)     O que você considera como desafios para a Evangelização na AL hoje?

3)     Que parte desta ficha despertou sua atenção? Por quê?

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 01/05 – A Conferência Episcopal de Sto Domingo  (I Parte)

 

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