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Ficha 39: A Conferência Episcopal de Puebla (I)

| 03/04/2013 | 1 Comentário


CP 
Com o tema “EVANGELIZAÇÃO no presente e no futuro da América Latina”, realizou-se em Puebla de Los Angeles, México, no período de 27/01 a 13/02/1979, a III Conferência do Episcopado Latino-Americano, no décimo primeiro ano da Conferência de Medellín. Puebla vai reconsiderar as conclusões daquela Conferência e, a partir do tradicional método “ver, julgar e agir”, assumir novos compromissos sob a inspiração do Evangelho de Cristo e da Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (EN), de Paulo VI, 1975, publicada no décimo ano do aniversário do Concílio Vaticano II. A EN retomou o tema da Evangelização como um desafio contínuo para todos os cristãos batizados, cuja divisão serviu de base para Puebla,  e também inspirou o ministério do Papa João Paulo II, o qual abriu esta Conferência.

Não há como negar que o contexto eclesial entre Medellín e Puebla sofreu forte influência do agravamento da situação sociopolítica da maioria dos países e de suas políticas econômicas que só fizeram aumentar o número dos empobrecidos, fazendo crescer as injustiças sociais. Nesse contexto, a Igreja Católica, devido à sua renovação desde o Concílio e à profética posição em favor dos pobres, presentes em Medellín, passou a representar uma das únicas organizações capazes de se colocar contrária à ordem estabelecida. Concomitantemente, a Teologia da Libertação reconstruía um dos conceitos que seriam fundamentais em Puebla. Nela se resgatava o termo “pobre” do conceito bíblico do Antigo Testamento “anawin” em hebraico, ou seja, “o escravo, o estrangeiro, o perseguido, o cativo”, assumidos e escolhidos por Jesus Cristo. E Puebla vem confirmar este compromisso eclesial.

O número de pessoas desaparecidas ou mortas pelos regimes militares, e o aumento da pobreza, dos problemas urbanos e da fome, exigiam da Igreja uma tomada de posição. Esta realidade não passou despercebida aos olhos do Papa João Paulo II que constatou, antes dos debates da Conferência, a urgente necessidade da Igreja tomar partido. Nesta perspectiva, embora não façam parte do texto das Conclusões da Conferência, as homilias do Papa, e dentre estas, especialmente o discurso de abertura, são importantes reforços para uma clara posição da Igreja que muito colaborou na definição do Magistério latino-americano na Opção Preferencial pelos Pobres (OPP). Ao abordar a missão da Igreja e dos bispos como “Defensores e Promotores da Dignidade”, o Papa João Paulo II afirmou a existência de mecanismos materialistas  que,  em nível internacional, produzem  “ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres”, realidade que não seria mudada por regras econômicas, mas pelos ‘princípios da ética, da justiça e do amor’. Segundo o Papa, a Evangelização da América não poderia prescindir do imperativo da justiça e do desenvolvimento humano. Consoante com as palavras do Papa, o episcopado, nas pegadas da EN que reverberava a Gaudium et Spes, assume que não existe  evangelização sem promoção humana. A palavra chave da Conferência foi libertação, que somente na primeira alocução do papa apareceu 21 vezes, confirmando um conceito que deveria ser colocado em prática. É, pois, neste contexto conflituoso, no qual uma tomada de posição da Igreja se fazia urgente, que acontece a Conferência de Puebla e surge sua conclusão de índole libertadora, enfocando a comunhão e a participação do Povo de Deus.

O Documento é composto de cinco partes: a primeira, inserida no “ver”, traz uma visão pastoral da realidade da América Latina desde seus primórdios, lembrando grandes nomes da evangelização no continente (ver a realidade analiticamente); a segunda parte, dentro do “julgar”, cuida dos desígnios de Deus sobre a América Latina (julgar com os critérios da fé); e as três últimas partes, já no contexto do “agir” pastoralmente para transformar, cuidam da Evangelização na Igreja da América Latina, que deve se orientar pela comunhão e participação da Igreja missionária a serviço da evangelização e das opções pastorais que deverão guiar todo o seu serviço.

Segundo o Pe. Beni dos Santos, atual Bispo de Lorena, SP, é preciso ter em conta que Puebla é um Documento pastoral, que pretende ser fonte de inspiração para a caminhada da Igreja no Continente latino-americano. Ele abre pistas, ilumina, denuncia, anuncia e reflete no seu todo, dez anos de prática de uma Igreja que se definiu em favor da libertação dos pobres. Em resumo, é tudo o que os agentes de pastoral, os profetas, os pobres da América Latina e os teólogos esperavam dessa Assembleia. Seus limites evitam que se pare nela como se fosse um ponto de chegada, incitam a criatividade, o pros­seguimento e posteriores desenvolvimentos práticos e teó­ricos. Ele contém propósitos e in­centivos libertadores, mas não fornece projetos e nem procura detectar os movimentos existentes na América Latina, e essa é uma tarefa, do pós Puebla, que compete aos cristãos engajados, às comunidades eclesiais de base, às Igrejas particulares. Riscos existem, porém eles são uma dimensão da fé. A ca­minhada da fé está sempre envolta em obscuridade e penumbra: “Agora vemos em espelho e de maneira con­fusa” (1Cor 13,12). Conforme disse Dom Beni dos Santos, é correndo riscos que realizamos a entrega pessoal a Deus e ao próximo” (Introdução a uma Leitura do Documento a partir da Opção Preferencial pelos Pobres).

Puebla lembra que, desde Medellín, a parte hierárquica e ministerial da Igreja, bem como os religiosos e setores leigos mudaram de lugar social, caminhando para a periferia, assumindo a causa dos pobres. A ‘comunhão’ e a ‘informação’ aparecem como temas frequentes, envolvendo e iluminando outros temas. Ela vê a ‘comunhão’ como ação do mundo que transforma tudo aquilo que nega a união e, nesta comunhão e participação, vê um processo contínuo de construção da fraternidade que busca, sobretudo, eliminar as estruturas de pecado que corroem a humanidade.

Esta Conferência retoma e promove a importância das Comunidades Eclesiais de Base – CEB’s, (cf. Fichas 37 e 38), como lugar onde os pobres celebram a vida e a fé,  confirmando que a fé deve levar a um compromisso social. Elas demonstram um jeito simples de viver essa fé através de celebrações despojadas e de um engajamento social que brota a partir da mesma fé.

O Documento vê a necessidade de criar no povo latino-americano uma sã consciência social, um sentido evangélico crítico face à realidade, um espírito comunitário e um compromisso social que tornará possível uma participação livre e responsável, verdadeiramente humana, penetrada de valores evangélicos e modelada em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, dando respostas aos sofrimentos e aspirações dos povos cheios de uma esperança que não poderá ser iludida. Vê também SINAIS DE ESPERANÇA E DE ALEGRIA na vitalidade das CEB’s em comunhão com seus pastores; nos movimentos de apostolado leigo organizados, como os movimentos de casais, de juventude e outros; na consciência mais esclarecida dos leigos a respeito de sua própria identidade e missão eclesial; nos novos ministérios e serviços; na intensa atividade pastoral comunitária dos sacerdotes, religiosos e religiosas nas regiões mais pobres; na presença cada vez maior e mais simples dos bispos no meio do povo; na colegialidade episcopal mais vivida; na sede de Deus e na procura da oração e da contemplação, à imitação de Maria; e na consciência cada vez mais clara da dignidade do homem em sua visão cristã.

Puebla afirma que as ações evangelizadoras devem revelar a confiança total em Deus e questionar as falsas seguranças prometidas pelas facilidades socioeconômicas. Além disso, apresenta uma preocupação do episcopado latino-americano com a situação da juventude inserida num mundo que lhe oferece poucas perspectivas e que precisa ser valorizada, principalmente no que diz respeito ao seu potencial de transformar o mundo futuro.

Todos estes aspectos são sinais de esperança e alegria para quem vive imerso no mistério pascal de Cristo e sabe que unicamente o Evangelho vivido e proclamado, como Ele o fez, leva à autêntica e total libertação da humanidade: “E em nenhum outro se encontra a salvação; pois, debaixo do céu não foi dado aos homens outro nome pelo qual possamos salvar-nos” (At 4, 12).

É somente em Cristo que o homem encontra sua alegria perfeita. Ele é a plenitude de todo o ser!

Referencia Eletrônicas

Documento de Puebla

Comblin, J,  Puebla de Los Angeles

Comblin, J. Puebla, Vinte Anos Depois

Manzato, Antonio  As Primeiras Conferências do CELAM

Vida Pastoral: Entrevista:  Dom Luciano fala sobre Puebla

 Para refletir:

1) Quais os sinais do Concílio Vaticano II que podem ser encontrados em Puebla?

2) A Conferência de Puebla tem como referência a OPP. Você julga que esta opção ainda é válida para a igreja latino-americana? Por quê?

3) Como você vê a OPP presente nas ações eclesiais?

 

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 17/04 – A Conferência Episcopal de Puebla (II Parte)

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