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Ficha 45: A Conferência Episcopal de Aparecida (III)

| 26/06/2013 | 1 Comentário

Dap3Esta Ficha de Estudos aborda a última parte do documento de Aparecida que se refere ao “agir”, com o título “A Vida de Jesus Cristo para nossos Povos”.  O Concílio Vaticano II já ressaltara que a Igreja precisava se renovar para dialogar com o mundo e para realizar a missão dada pelo Seu fundador. Todas as Conferências latino-americanas anteriores se preocuparam com a questão da missão para além da compreensão da missão externa (ad gentes), mas não com a clareza como fez Aparecida, que colocou este tema no centro das reflexões dos bispos latino-americanos, as quais desencadearam a proposta da grande missão Latino-Americana. Nos três capítulos que integram esta terceira parte, pode-se visualizar o caminho traçado pela Conferência para a concretização deste projeto missionário.

O sétimo capítulo, com o título “Missão dos discípulos missionários a serviço da vida plena”, ingressa inteiramente na missão atual da Igreja Latino-Americana e Caribenha, e aponta a proposta da Conferência, de converter a Igreja em uma comunidade mais missionária, com o fomento da conversão pastoral e a renovação missionária das Igrejas Particulares, das comunidades eclesiais e dos organismos pastorais.

 O oitavo capítulo, com o tema “Reino de Deus e promoção da dignidade humana”, destaca âmbitos e prioridades da missão dos discípulos entre nossos povos. A opção preferencial pelos pobres e excluídos, que remete a Medellín como norteadora da Missão, constata a necessidade de uma renovada Pastoral Social para a promoção humana integral, que busque a globalização da solidariedade e da justiça, leve a reconhecer novos rostos dos pobres e sofredores que doem em nós (desempregados, migrantes, abandonados, enfermos e outros). Fica claro, portanto, que fazer missão ou Evangelizar é ‘testemunhar’ através do anúncio e da denúncia daquilo que vai contra o projeto de Deus. Esta visão tem provocado grandes reflexões nos agentes, sobre qual missão queremos. Não basta cair no ativismo e organizar atividades pastorais para as Paróquias e Comunidades como tantas vezes são feitas, mas mudar uma mentalidade na comunidade eclesial, que desperte a consciência de que tudo o que os cristãos fazem contribui, ou não, para a Evangelização. Num segundo momento, esta reflexão faz pensar na presença pública da Igreja através dos cristãos que estão no mundo, e isto está diretamente vinculado com a LG e a GS, quando afirmam que os evangelizadores são os leigos e leigas, não porque pregam o texto bíblico, mas porque dão testemunho de vida onde estão, na família, na sociedade, no trabalho, na politica etc. Para aprofundar e colocar em prática o Documento de Aparecida, no que se refere à consciência da renovação das paróquias, a CNBB lançou, em 2013, o Estudo 104 “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. Este texto reflete o tema central da última Assembleia e, como texto de estudo, está aberto a receber as contribuições das Regionais, considerando os diversos contextos das comunidades cristãs que vivem o Evangelho.

 O nono capítulo, “Família, Pessoas e Vida”, apresenta algumas questões que alcançaram relevância nos últimos tempos e que se constituem como exigência para a missão centralizada na promoção da pessoa, que a Igreja se propõe a realizar. São muitas as questões que integram a atividade pastoral da Igreja e que continuam a desafiar não só esta Conferência, nos seguintes aspectos:

O matrimônio e a família, um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora da Igreja, requer uma Pastoral Familiar “intensa e vigorosa” para proclamar o ‘Evangelho da Família’, que promova a cultura da vida, e os direitos das famílias; que se empenhe para que o cuidado das crianças e dos adolescentes seja priorizado na Igreja bem como se faz necessário estimular a pastoral da juventude, com suas próprias características, que garanta sua perseverança e o crescimento na fé. No que diz respeito ao bem estar dos idosos, a Igreja precisa dar atenção humana integral a todos, para que vivam o seguimento de Cristo em sua atual condição.

Quanto à dignidade e a participação das mulheres, o documento lembra que elas são corresponsáveis junto com os homens, pelo presente e futuro de nossa sociedade humana. A cultura da vida, sua proclamação e defesa, são prioridades carregadas de problemáticas, que são debatidas nas questões éticas e na bioética, e exigem ser iluminadas pelo Evangelho e pelo Magistério da Igreja, promovendo o diálogo entre ciência e fé.

Com relação ao cuidado com o meio ambiente, a Igreja propõe e orienta evangelizar o povo para que descubra o dom da criação e o que o Deus da vida confiou-lhes para que “cultivasse e guardasse” (Gn 2,15); agradece a todos os que se ocupam com a defesa da vida e do ambiente, valoriza especialmente os indígenas por seu respeito à natureza e pelo amor à mãe terra como fonte de alimento, casa comum e altar da partilha humana.

 O décimo e último capítulo, “Nossos povos e a cultura”, destaca as opções pela evangelização da cultura e a evangelização inculturada de Puebla e de Santo Domingo, que transversalmente devem estar presentes na Missão que a Conferência de Aparecida propõe. Elas são atualizadas, buscando a educação como bem público nos desafios pastorais da educação e da comunicação social, dos novos areópagos e centros de decisão, a pastoral das grandes cidades, a presença dos cristãos na vida pública, especialmente o compromisso político dos leigos por uma cidadania plena na sociedade democrática, a solidariedade com os povos indígenas e afrodescendentes e, uma ação evangelizadora que aponte caminhos de reconciliação, fraternidade e integração entre nossos povos, para formar uma comunidade regional de nações na América Latina e no Caribe. É como comunidade, aos pés de Maria, Mãe da Igreja, que aprendemos a ser “Discípulos missionários de Jesus Cristo” para que nele os nossos povos tenham vida. Vida para todos os homens e mulheres, vida para todas as criaturas, vida para a natureza. Enfim, para que tudo tenha vida!

 Concluindo, o documento de Aparecida recorda que a missão deve ser a razão da Igreja, ter como ponto fundante a “Opção pelos pobres”, estar em função da ‘promoção da Pessoa e da Vida Humana’ e da ‘Evangelização da cultura’. A Conferência de Aparecida pretendeu dar um novo impulso missionário à Igreja com a finalidade de envolver toda a Comunidade Cristã Católica, onde cada discípulo missionário descubra a sua importância na transformação e na divulgação da Boa Notícia do Reino de Deus, ‘renovando a doce e confortadora alegria de evangelizar’ (EN 80).

 Referências Eletrônicas

 Documento de Aparecida

Comblin,  José, O Projeto de Aparecida

CNBB, Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia

Costa, Dom Paulo Cezar,  Evangelização e Inculturação

Elisangela Cavalheiro, O Desafio da Inculturação na Evangelização

Terra, Dom João Evangelista Martins, Inculturação e Evangelização das Culturas

 Para Refletir

1- Qual é, para você,  o conteúdo da missão proposta por Aparecida?

2- Dentre as prioridades lançadas no documento como objetivos da missão, qual lhe parece ser a mais urgente? Por quê?

3- Aparecida indica a necessidade de evangelização da cultura e evangelização inculturada. Como você e sua comunidade entendem estas duas opções?

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