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Ficha 44: A Conferência Episcopal de Aparecida (II)

| 12/06/2013 | 1 Comentário

missãoEsta segunda ficha sobre a Conferência de Aparecida, adentra mais profundamente nas duas primeiras partes do Documento, que correspondem ao “ver” e ao “julgar”. Seguindo as orientações da GS, conhecer a realidade é condição fundamental para que ação eclesial seja eficaz, além de um grande desafio. Trata-se do primeiro passo que os discípulos missionários devem dar para o serviço a Deus através dos irmãos. Este é o primeiro passo da tarefa evangelizadora.

A primeira parte, “A Vida de nossos povos hoje”, reflete as grandes mudanças que ocorrem no nosso continente e no mundo e as interpelações que elas ‘colocam’, à evangelização e à atuação da Igreja. O capítulo “Os discípulos missionários”, aborda a alegria de ser discípulo e missionário de Jesus Cristo, e enfatiza que a missão da Igreja é Evangelizar.

O capítulo “Olhar dos Discípulos missionários sobre a realidade”, analisa a globalização em seus pontos positivos e negativos. Não há como negar que os avanços científicos contribuíram muito para a melhoria da qualidade de vida e das relações sociais. Entretanto, como este fenômeno também atinge todas as dimensões da vida humana e de forma especial o nível mais profundo da ‘mudança de época’ em que vivemos, que é o cultural, ele acaba dissolvendo a concepção integral do ser humano, a sua relação com o mundo e com Deus, colocando os valores individuais acima dos valores sociais e comunitários, pois as leis do mercado funcionam como critério norteador para as sociedades, o que se configura como um grande desafio à Evangelização. O documento traz ainda uma análise da realidade eclesial, tanto para reconhecer o que foi feito, como perceber o que ainda deve ser realizado, reconhecendo que a Igreja Latino-Americana cresceu em sua consciência eclesial graças aos esforços das Conferências Episcopais de cada país e do CELAM na implantação das orientações do Concilio Vaticano II. Inicia destacando: catequese, liturgia, missão, organicidade pastoral, renovação das paróquias, formação de agentes, especialmente na DSI que despertou para as Pastorais Sociais. De outro lado, reafirma o que precisa ser melhorado: o insuficiente número de agentes de pastorais, religiosos e padres para atender à demanda de fiéis e serviços na Igreja e na Comunidade; as resistências às orientações do Vaticano II; a falta de apoio aos cristãos engajados nas pastorais sociais e politicas, entre outros. Ainda se constata que há uma dicotomia na vida dos cristãos quando estão no mundo, isto é, muitas vezes se comportam como se não o fossem, e poucos assumem o ‘ser fermento na massa’, na sociedade.

A segunda parte, “A vida de Jesus Cristo nos Discípulos Missionários”, à luz da Sagrada Escritura, nos apresenta Jesus Cristo e o magistério católico universal, especialmente o Latino-Americano.

O capítulo “A alegria de sermos discípulos missionários para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo”, se dirige de forma direta aos cristãos, enfatizando a alegria da fé no anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Seguir a Cristo é estar em permanente confronto com a realidade, na ‘con-vocação’ de caminhar juntos, quando o mundo se expressa no individualismo; na defesa dos direitos dos fracos, na promoção de uma vida digna a todo o ser humano e o cuidado do planeta, diante das ameaças à natureza. Ressalta a família, como ‘escola da fé e Igreja doméstica’ e uma preparação para a vida na comunidade. O discípulo missionário estará atento, também, à responsabilidade de promover a dignidade do trabalhador, o reconhecimento de seus direitos e deveres e a denúncia de toda a injustiça.

O capítulo  “A vocação dos discípulos missionários à santidade”, apresenta o tema como uma graça e um compromisso, em virtude dos sacramentos (Batismo, Confirmação e Eucaristia), que torna os discípulos partícipes da comunhão trinitária na Igreja. Deus, que é Santo e nos ama, nos chama por meio de Jesus Cristo a sermos santos (Ef 1,4-5) e através do Espírito Santo, identificados com Jesus-Caminho, com Jesus-Verdade e com Jesus-Vida.

O capítulo “A Comunhão dos discípulos missionários na Igreja” aborda que a comunhão da Igreja, é o ponto mais alto da vida cristã, onde todos os discípulos compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora. Apresenta as Dioceses como os primeiros espaços da comunhão e da missão, seguidos pelas Paróquias, chamadas a ser casas e escolas de comunhão, rede de comunidades e de formação de leigos missionários. Destaca que as CEB’s, em comunhão com os projetos pastorais diocesanos, têm sido verdadeiras escolas formadoras de cristãos comprometidos com sua fé e espaço para o surgimento de novos serviços leigos.  Reforça, ainda, que a compreensão e a prática dessa eclesiologia de comunhão nos conduzem ao diálogo ecumênico, um caminho irrenunciável para o discípulo missionário. “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste” (Jo 17,21). Destaca também a importância do diálogo inter-religioso, porque abre caminhos ao testemunho cristão, estimula a colaboração para o bem comum, supera a violência motivada por atitudes religiosas fundamentalistas, educa para a paz e a convivência cidadã, um campo de bem aventuranças assumidas pela DSI.

No capítulo ‘O Caminho da Formação dos Discípulos Missionários’, os bispos apresentam como devem ser preparadas as pessoas que se dispõem a colaborar na missão. O ponto de partida é a ‘espiritualidade’, que deve ser trinitária e marcada pelo encontro com Jesus  que acontece na Igreja, pois ela é a ‘nossa’ casa; na Sagrada Escritura, o alimento da caminhada,  através da leitura orante ou Lectio Divina (leitura, meditação, oração e contemplação); na Sagrada Liturgia, especialmente nos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação; na oração pessoal e comunitária, na Comunidade; de modo especial nos pobres, aflitos e enfermos; na piedade popular; na Virgem Maria, discípula e missionária; e no testemunho dos apóstolos e santos.

Ao abordar o ‘processo de formação’ o documento destaca a importância dos seguintes aspectos para aquele que se sente chamado por Jesus Cristo a ser missionário do Pai:

1) A tomada de consciência de que o seguimento ao Senhor antes de ser uma escolha pessoal é um chamado realizado através do Querigma (anuncio do Cristo feito pela Igreja) que convida o fiel a um Encontro pessoal com o Senhor para percorrer o caminho do discipulado (processo de iniciação cristã permanente);

2) A conversão, pois aquele que ouve constantemente o chamado, é induzido, pela fé, a se converter cotidianamente;

3) O Discipulado que impõe-se colocar a caminho para fazer crescer os dons recebidos;

4) A comunhão com a comunidade, onde se forma e se alimenta, no testemunho dos irmãos e na liturgia, buscando viver e dando testemunho do que professa;

5) A Missão, compartilhando os dons que recebeu, especialmente com os mais necessitados é como uma exigência do discipulado e não apenas uma etapa posterior à formação.

Ao apresentar os critérios gerais da formação, a Conferência destaca que ela deve: a) ser integral, ou seja, que contemple as várias dimensões; querigmática, cuja base será o primeiro anúncio do mistério da fé; e permanente, porque não é para um só momento; b) privilegiar a dimensão humana-comunitária contribuindo para que o cristão enfrente a pluralidade do mundo, a  dimensão espiritual (certeza de ter sido chamado por Deus), a dimensão intelectual (que possua discernimento, senso critico e saiba dialogar) e as  dimensões pastoral e missionária (serviço à comunidade e aos pobres); c) respeitar os processos pessoais e eclesiais, seguindo etapas, sem pressa na formação); d) estar próximo dos discípulos, especialmente os que estão no mundo da política; e) desenvolver uma formação voltada para a espiritualidade da ação missionária, para servir onde precisa e não onde se deseja.

O processo de formação está intimamente ligado à ‘Iniciação à vida cristã e à catequese permanente’, vistos como campo missionário vasto, pois se percebe a necessidade de uma iniciação mais eficaz e objetiva, a exemplo do catecumenato nas comunidades primitivas, bem como extensão deste processo aos muitos católicos afastados, aí a necessidade de missionários (catequistas), assunto enfocado no Estudo 97 da CNBB: ‘Iniciação à Vida Cristã’.

Também os ‘lugares de formação dos discípulos missionários’ foi objeto da preocupação episcopal que, a partir das experiências já realizadas, verificou que ela pode e deve ocorrer em vários ambientes e etapas, a saber: na família, a Igreja domestica; nas paróquias; nas pequenas comunidades eclesiais; nos movimentos eclesiais e novas comunidades; nos seminários e casas de formação religiosa; e nas escolas católicas, especialmente nas Universidades.

Ao encerramos esta segunda ficha sobre a Conferência de Aparecida nota-se a importância da analise da realidade julgada à luz da Palavra de Deus e do Magistério para descobrirmos caminhos que nos conduzem à construção do Reino apregoado por Jesus desde o início de sua vida pública. Tais caminhos são necessariamente marcados pela comunhão de vida dos discípulos, que se tornam missionários exatamente por força do testemunho desta comunhão, resultando na máxima cristã: “A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão”.

 Referências Eletrônicas:

Documento de Aparecida

Comblin,  José, O Projeto de Aparecida

Ferraro, Benedito, Conversa sobre a Conferência de Aparecida

Libanio, João B., Formação dos Discípulos Missionários

Para Refletir

1- Qual é a prioridade do Documento de Aparecida?

2- O que você considera fundamental no processo formativo do discipulado proposto no Documento?

3- Como ser discípulo missionário diante da sociodiversidade e pluralidade cultural e religiosa do nosso continente?

 

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Aguarde a publicação da próxima ficha: 26/06 –  A Conferência Episcopal de Aparecida  (III)

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