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18ª Ficha: Uma Igreja atenta às alegrias, angústias e esperanças da humanidade – GS (1ª)

| 11/04/2012 | 3 Comentários

Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES

Sobre a Igreja no mundo de hoje 


 

Com esta 18ª Ficha, iniciamos o estudo da Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” (GS), sobre a Igreja no mundo de hoje. Ela, juntamente com as Constituições Sacrosanctum Concilium (SC), Lumen Gentium (LG) e Dei Verbum (DV) formam o que podemos chamar de “Corpo Constitucional” do Concílio Vaticano II, a partir do qual emanaram todos os demais Documentos Conciliares.

Promulgada pelo Papa Paulo VI, no dia 07 de Dezembro de 1965, esta Constituição se abre pelas palavras latinas Gaudium et Spes que se traduzem por Alegrias e Esperanças, e que lhe dão o título, de acordo com a tradição eclesiástica [1].

Trata-se de um longo documento, que abrange 93 artigos, dividido de acordo com o seguinte plano: Proêmio: Solidariedade da Igreja com a Família Humana Universal, que é destinatária das palavras do Concílio, e para quem a Igreja se põe a serviço; Introdução: A Condição do Homem no Mundo de Hoje; I Parte: “A Igreja e a Vocação do Homem”, dividida em quatro capítulos: Cap. I: A Dignidade da Pessoa Humana, Cap. II: A Comunidade Humana, Cap. III: Sentido da Atividade Humana no Mundo, Cap. IV: Função da Igreja no Mundo de Hoje; e, II Parte: ”Alguns Problemas mais Urgentes”, dividida em outros quatro capítulos: Cap. I: A Promoção da Dignidade do Matrimônio e da Família, Cap. II: A Reta Promoção da Cultura, Cap. III: Vida Econômico-social, Cap. IV: A Vida da Comunidade Política [2].

Em nosso estudo, o Documento será dividido em cinco Fichas: GS-01 – Uma Igreja atenta às alegrias, angústias e esperanças da humanidade; GS-02 – A pessoa e a Comunidade Humana segundo a Igreja; GS-03 – A vocação do homem e a função da Igreja no mundo contemporâneo; GS-04 – A dignidade do Matrimônio e da Família, e a promoção da Cultura; e GS-5 – Desenvolvimento econômico, político e social: o novo nome da Paz.

A GS é denominada Constituição Pastoral, porque seu conteúdo, a partir do Proêmio, demonstra a clara intenção de apresentar uma nova autocompreensão da vocação da Igreja como serviço (diaconia) ao mundo e à humanidade e, embora na sua primeira parte trate de questões doutrinárias, na segunda, vai tratar de vários aspectos da vida de hoje e da sociedade humana, enfatizando os problemas mais urgentes que atingem a humanidade, portanto, questões pastorais (Nota 1 da GS). Ela revela a tendência inovadora de grande parte dos Bispos conciliares que desejavam uma renovação pastoral na Igreja, com a clara intenção de torná-la mais próxima do mundo moderno, fazendo brotar e alimentar a esperança da humanidade num mundo melhor. Nesta perspectiva, é muito significativa a visita que o Papa Paulo VI fez à Sede da  ONU, em 4 de outubro de 1965, quando, em seu discurso aos representantes dos vários países, quase antecipou aquilo que seria a linha mestra da GS e da futura Encíclica  Populorum Progressio, ao dizer que: ‘esta Organização (ONU) representa o caminho obrigatório da civilização moderna e da paz mundial’.

De fundamental importância para o aggiornamento preconizado pelo Papa João XXIII, e assumido por Paulo VI, a GS e a LG trouxeram uma nova visão da Igreja para o mundo e do mundo para a Igreja. Na sua abertura ao diálogo com toda a humanidade, a Igreja ‘Povo de Deus’ se faz presente na história humana buscando a reformulação das estruturas pecaminosas que são as causas da injustiça, da opressão e da exclusão social. Não sem razão, o Padre Alfredo J. Gonçalves se refere à GS como a “Carta Magna da Pastoral Social” [3], pois ela foi a base para o surgimento das chamadas pastorais sociais, implantadas nos últimos cinquenta anos, cuja ação se dá em função da consciência de que a Igreja somente será sinal do Reino, na história humana, se anunciar, com suas práticas e consequências, o Evangelho de Cristo a todos (GS43).

Na Mensagem de Natal de 1965, o Papa Paulo VI citando à GS, lembra que  “As páginas dessa constituição levam de novo a Igreja ao meio da vida contemporânea, não para dominar  a sociedade, nem para dificultar o autônomo e honesto  desenvolvimento  de  suas atividades, mas  para iluminá-la,  sustentá-la  e  consolá-la” , no  destino  transcendente  de  salvação e  de  felicidade “aberto  aos  homens por  esse   Cristo   cujo  humilde e  glorioso nascimento celebramos”.  Embora publicada há quase 50 anos, ela continua trazendo elementos preciosos para entender as transformações às quais passa a sociedade moderna.

No Proêmio, o Concílio Vaticano II, colocando-se em completa solidariedade com a humanidade, dirige a sua palavra a todos os homens, e deseja expor-lhes o seu modo de conceber a presença e atividade da Igreja no mundo de hoje (GS2). Demonstra a sua solidariedade, respeito e amor para com a família humana, estabelecendo com ela um diálogo iluminado à luz do Evangelho, fornecendo os recursos que a própria Igreja recebe de seu Fundador, na perspectiva de salvação da pessoa humana e renovação da sociedade. E, embora  a humanidade seja destinatária de suas palavras e de sua mensagem, a Igreja se dirige, principalmente, à sua parcela mais sofrida, a exemplo de Cristo (GS3).

Na Introdução, a GS delineia alguns problemas que afetam a humanidade, e a própria condição do homem e da mulher no mundo atual (GS4); as profundas mudanças ocorridas nos últimos tempos no campo social, psicológico, moral e religioso, bem como os avanços da ciência e da técnica (GS5); as mudanças sociais (GS6); as mudanças Psicológicas, Morais e Religiosas (GS7); e, sobretudo, os desequilíbrios pessoais familiares e sociais do mundo moderno (GS8). Elabora ainda uma síntese das aspirações mais universais da humanidade, convencida de que o gênero humano pode e deve dominar mais intensamente as coisas criadas para estabelecer uma ordem política, social e econômica que sirva para o bem de toda humanidade, sem esquecer que as nações em desenvolvimento, e aquelas que obtiveram sua independência em tempos recentes, desejam participar dos bens universais no campo político e econômico, aspirando ao seu livre desempenho no plano mundial.

Observa, todavia, o aumento cada vez maior da dependência econômica das nações mais pobres em relação às mais ricas e de progresso mais rápido – os oprimidos e famintos interpelam os povos mais ricos; que as mulheres, onde ainda não conseguiram, reivindicam a igualdade de direito e de fato com os homens;  que os trabalhadores almejam não apenas ganhar o necessário para sobreviver, mas desenvolver, pelo trabalho, as próprias qualidades e personalidades, e também, participar na organização da vida econômica, social, política e cultural. Surge, pela primeira vez na história humana o convencimento de todos os povos de que os bens da cultura podem e devem estender-se a todos. Sob todas estas reivindicações lateja uma aspiração mais profunda e universal: as pessoas e os grupos desejam uma vida plena e livre, digna do homem, colocando ao seu próprio serviço tudo quanto o mundo moderno lhes pode oferecer com tanta abundância. Além disso, as nações se esforçam cada vez mais para edificar uma comunidade universal.

Diante do mundo moderno que se apresenta simultaneamente poderoso e débil, capaz de realizar o melhor e o pior, ao homem se abre o caminho da liberdade ou escravidão, do progresso ou do regresso, da fraternidade ou do ódio. Em face deste conflito entre a busca de um mundo melhor por uma parte da humanidade e ambição desenfreada de outra parte, os homens de boa vontade se interrogam sobre sua vocação (GS9).

Finalizando a Introdução, a GS firma a convicção de que, somente à luz da opção evangélica de vida, a humanidade encontrará a chave para a solução dos problemas que a afetam, pois os desequilíbrios que atormentam o mundo moderno estão vinculados ao desequilíbrio mais fundamental radicado no coração do ser humano, expondo que:

A Igreja, por sua parte, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todos, oferece aos homens, pelo seu Espírito, a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação; nem foi dado aos homens sob o céu outro nome, no qual devam ser salvos. Acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre. E afirma, além disso, que, subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre. Quer, portanto, o Concílio, à luz de Cristo, imagem de Deus invisível e primogênito de toda a criação, dirigir-se a todos, para iluminar o mistério do homem e cooperar na solução das principais questões do nosso tempo (GS10).

Obs.: As citações textuais foram retiradas do texto da GS postado no site do Vaticano


Notas

[1] Todos os documentos pontifícios assumem como título as primeiras palavras de sua introdução.

[2] Dependendo da edição ou da editora, podem ocorrer pequenas mudanças nos títulos, sem alterar, no entanto, seu sentido.

[3] Gonçalves, Alfredo J., A Carta Magna da Pastoral Social

Referências Eletrônicas

Constituição Pastoral Gaudium et Spes

Encíclica Populorum Progressio

Discurso do papa  Paulo  VI na sede da O.N.U.

Gonçalves, Alfredo J., A Carta Magna da Pastoral Social

Hackmann, Geraldo Luiz Borges, Pe., A Igreja da Lumen Gentium e  A Igreja da Gaudium et Spes

Hummes, D. Cláudio, Cardeal, Contribuições da Gaudium et Spes para a compreensão Pastoral do Homem de Hoje

Para refletir:

1. Sabendo que a GS tem a clara intenção de exprimir as relações da Igreja com o mundo e a humanidade, você acha que esta preocupação do Concílio é procedente,  por quê?

2. De que forma você julga que a Igreja pode colaborar com a humanidade no sentido de auxiliar na resolução dos problemas que a afligem?

3. Qual a importância das pastorais sociais na vida da Igreja e na sociedade?


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Aguarde a publicação da próxima ficha: 25 de abril – A pessoa e a Comunidade Humana segundo a Igreja – ( GS 2)

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