2º Encontro: As Marcas do nosso Tempo (na Arquidiocese de Campinas)

2º EPPOProvavelmente você já ouviu falar que no Concílio Vaticano II a Igreja percebeu a necessidade de se atualizar para melhor servir ao povo. Os 16 documentos aprovados apontaram ‘pistas’ para a Igreja se renovar para dar testemunho profético no mundo em que está inserida. De fundamental importância, há quatro Constituições: 1. Lumen Gentium, sobre a natureza da Igreja, que destacou que a Igreja é composta por todos os batizados e não somente o clero; 2. Dei Verbum, sobre a Divina Revelação, que destacou que da mesma forma como Deus se revelou ao povo de Israel, Ele continua a se revelar no tempo presente; para isso é de fundamental importância que o povo conheça a Sagradas Escrituras; 3. Sacrosanctum Concilium, sobre a Liturgia, que recuperou a centralidade do Cristo nas ações litúrgicas e, para isso, autorizou que as celebrações fossem realizadas na língua de cada país; e, 4. Gaudium et Spes, sobre a presença da Igreja no mundo, que destacou que a Igreja deve participar das alegrias e esperanças do povo. Os outros documentos também foram importantes, mas todos eles representaram desdobramentos dessas quatro Constituições. O Concílio insistiu que, para realizar a Evangelização, a Igreja precisava se preparar, planejar suas ações e promover ações conjuntas; por isso sugeriu que todas as dioceses do mundo planejassem a sua ação pastoral.

Importante: Foi o Concílio que deu impulso para que todas as Dioceses tivessem um Plano de Pastoral e mostrou que para elaborar e executar o Plano de Pastoral é de fundamental importância conhecer a realidade que se deseja Evangelizar; por isso, desde então, a CNBB, ao incentivar todas as dioceses a produzirem seus Planos de Pastoral, apresenta a realidade em que a Igreja está inserida, o que o Documento 102 chamou de “Marcas do nosso Tempo”.

AS “MARCAS DO NOSSO TEMPO”

Cada tempo possui suas marcas e nenhum deles é igual ao outro, mas os últimos tempos têm sido marcados por mudanças tão rápidas que as DGAE, de 2011, enfatizaram que vivemos uma “mudança de época”, com transformações profundam, que atingem a todos. De um lado, grandes conquistas e avanços tecnológicos possibilitaram melhores condições de vida e acesso aos bens, mas, de outro, e, talvez em função desses avanços, cresceram, também, o individualismo e o relativismo que geram insegurança e vazio em muitas pessoas.

A busca pelo sentido da vida é cada vez maior e, ao mesmo tempo, tudo parece ser relativizado, nada mais é duradouro. Na expressão de um autor moderno, o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, ‘vivemos numa sociedade líquida’, em que não se tem certeza de mais nada.

Importante: As noções de liberdade, autonomia e verdade colocam em cheque as convicções pessoais e isso traz uma grande confusão na cabeça das pessoas, pois se tudo é certo, o que é errado? Há, portanto, uma crise de valores!

Por outro lado, a globalização e a internacionalização da economia causaram o empobrecimento de muitas pessoas e o mercado passou a determinar as relações socais, em que o TER se tornou mais importante que o SER. Em função disso, a vida humana foi e, continua sendo, banalizada, pois o que mais importa para o sistema é a capacidade de produzir e de consumir. Nessa visão, os idosos, os doentes, as crianças e os pobres não são respeitados em a sua dignidade humana e são deixados à margem da sociedade, como se fossem coisa descartável. A Igreja afirma, então, que a sociedade pós-moderna vive uma crise antropológica que inverte os valores norteadores da vida e, à luz da fé cristã, isso se caracteriza como rejeição da ética e de Deus.

Esses novos comportamentos podem ser vistos, inclusive, nas religiões as quais não se enfraqueceram; pois o número delas até aumentou. Porém, o aumento desses movimentos religiosos indica a existência de uma visão da religião mais individualista, intimista e sentimentalista, em que existe apenas a relação vertical entre a pessoa que diz ter fé no “seu” deus. Algumas religiões chegam a destacar uma teologia do mérito e da prosperidade que acaba legitimando as estruturas socais injustas. O mesmo acontece no catolicismo. Muitas comunidades católicas continuam agindo da mesma forma que no passado, como se nada tivesse mudado; cada vez mais é maior o individualismo e a existência de fé sentimentalista. Predomina-se, em muitas comunidades, uma “pastoral de manutenção” quando as DGAE apontam para as urgentes necessidades pastorais que pedem uma Igreja missionária, que tenha a coragem de ir ao encontro dos que mais precisam. Predomina, também, mais uma Igreja prestadora de serviço do que uma Igreja promotora da vivência da fé entre irmãos que se conhecem e crescem juntos. Grande parte das celebrações litúrgicas é, ainda, bastante ritualista e não transmite uma espiritualidade viva e esperançosa que pouco toca o coração das pessoas. Por fim, as DGAE destacam que, em muitos lugares, ainda há forte centralização do clero em vez da comunhão e da participação, tão pedida pelo Concílio Vaticano II. Enfim, sente-se a necessidade de uma Igreja mais acolhedora e eclesial.

As DGAE destacam que, em uma época de crise das instituições, cresce a responsabilidade pessoal dos cristãos, isto é, não basta mais a alguém dizer que é cristão, que recebe os sacramentos, que faz as orações. O Evangelho destaca que os discípulos de Jesus são “sal e luz” do mundo, isto é, o que acontece no interior da Igreja, deve repercutir no mundo. Ora, se a sociedade não percebe a presença dos cristãos em meio a ela, será que, de fato, os cristãos estão sendo verdadeiros discípulos missionários de Jesus? O Evangelho diz que “ninguém põe uma lâmpada embaixo da cadeira”! A lâmpada é para iluminar. Pode-se entender, portanto, que as diversas realidades: mundo do trabalho, educação, sociedade e política são espaços que precisam ser iluminados. São como massa de pão que precisa ser levedada. O levedo, isto é, o fermento, ou a luz, são os cristãos. As pessoas e a sociedade esperam, e precisam que os discípulos missionários deem testemunho de vida e de fidelidade ao Evangelho.

Nesse contexto, os discípulos missionários deveriam reagir segundo o espírito das bem-aventuranças (Mt 5,1ss) e serem portadores da alegria e esperança que brotam do Cristo ressuscitado.

Não obstante essa realidade eclesial, as DGAE também reconhecem que na maioria das comunidades há quem dê testemunho de fé, esperança e de alegria no Cristo ressuscitado; cresce a presença de leigos e leigas na Igreja e na sociedade, há quem se dedique e surgem novas comunidades e agentes…

Por fim, as DGAE afirmam que os desafios não devem assustar as comunidades, pois existem para serem superados. Eles se convertem em oportunidades para os discípulos missionários discernirem os apelos de Deus na realidade, que, segundo o documento, são as urgências da ação Evangelizadora. É tempo de respostas firmes e convictas, de pessoas esperançosas que busquem soluções para as questões atuais. O ponto de partida sempre é Jesus cristo, Ele inspira a Igreja com um “novo ardor, novos métodos e nova expressão”. A criatividade pastoral depende da comunidade dos discípulos missionários. É tempo de semear com generosidade.

– As “Marcas do Nosso Tempo na Arquidiocese de Campinas”

A Arquidiocese de Campinas está inserida na Região Metropolitana de Campinas, lugar desafiador à missão da Igreja. Ela não foge à regra da realidade social de outras regiões metropolitanas. Se de um lado a macrorregião de Campinas é um grande polo tecnológico, industrial e cultural, o que gera riqueza, bairros ricos, condomínios fechados e grandes shopping-centers, de outro, ela contempla realidades de pobreza e miséria extrema, de falta de escolas e de hospitais, de informalidade no comércio e no trabalho, de violência, de insegurança e de tantos outros problemas próprios de uma metrópole.

Essa realidade promove valores individualistas e subjetivos, que provocam o isolamento das pessoas, a desintegração das famílias e a constituição de novas configurações familiares, o pluralismo religioso e a violência urbana. No plano religioso há a separação entre fé e vida e a privatização da fé. Ao indicar chocantes contrastes sociais de desigualdade e exclusão, a configuração de nossa região demonstra que a globalização não é uma realidade para todos! Ao lado de tantas riquezas, há muitas pessoas que são excluídas sem as mínimas condições para manter a dignidade da vida.

Como todas as outras dioceses brasileiras, a Arquidiocese de Campinas sente-se interpelada pela dura realidade do povo que clama por justiça. O 7o PPO foi articulado para pensar ações pastorais por meio de três grandes eixos: “Igreja que Acolhe”, “Igreja que se Renova” e “Igreja do Serviço Solidário”. Para cada um desses eixos, o Plano propôs uma série de ações. Algumas dessas foram implementadas, outras estão sendo e outras nem saíram do papel. Precisamos refletir as razões pelas quais isso ainda não aconteceu.

As DGAE de 2011-2015, e as atuais, de 2015-2019, propõem cinco desafios da Evangelização, já apontados no primeiro encontro, que são denominadas de “urgências” que são: 1. ‘Igreja em estado permanente de missão’; 2. ‘Igreja: casa da iniciação à vida Cristã’; 3. ‘Igreja: lugar de animação Bíblica da vida e da pastoral’; 4. ‘Igreja: comunidade de comunidades’; e 5. ‘Igreja a serviço da vida plena para todos’.

Atenção: Não se trata de abandonar os três eixos do 7o PPO, mas de fazê-los convergir com as urgências apontadas pelas DGAE. Como estamos nos preparando para participar do Encontro Arquidiocesano de Formação, é conveniente que cada pessoa vá pensando qual na articulação dos três eixos do 7o PPO e as cinco urgências e perspectivas apontadas pelas DGAE 2015-2019. Com certeza, o Encontro, que será realizado em 19 de setembro de 2015, no Colégio Notre Dame, em Campinas, nos ajudará a refletir sobre isso.

Faça o download dos dois Encontros:  

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Esta publicação se refere  Estudo proposto pela Coordenação de Pastoral  aos agentes de pastoral da Arquidiocese de Campinas que participarão do Encontro Arquidiocesano de Formação, que será realizado em 19 de setembro, no Colégio Notre Dame, em Campinas.

Acesse O 7º Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas.

Recorde os passos dados.

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