1º Encontro: As DGAE: 2015 – 2019 e o 7o PPO da Arquidiocese de Campinas

1º EPPORecentemente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), para o quadriênio 2015-2019, que devem nortear os Planos de Pastoral de todas as Dioceses brasileiras para esse período.

Desde 2010, a Arquidiocese de Campinas é guiada pelo 7o Plano de Pastoral Orgânica (PPO), que foi aprovado no governo pastoral de Dom Bruno Gamberini e assumido por Dom Airton José dos Santos, que se tornou Arcebispo Metropolitano de Campinas, em 2012. Em função disso, o 7o PPO se prolongou e está em sua fase conclusiva.

Nesta fase, convém retomar alguns pontos.

1) O que são diretrizes?

Segundo o documento 102, as “Diretrizes” são um farol a iluminar o caminhar da Igreja nos vários contextos das inúmeras dioceses brasileiras. As Diretrizes existem na Igreja do Brasil desde 1975, quando a CNBB passou a indicar linhas (eixos) fundamentais que norteariam os Planos de Pastoral das diversas (arqui) dioceses brasileiras. Naquela época, elas ainda eram chamadas de “Diretrizes Gerais da Ação Pastoral” (DGAP). Somente em 1995, a CNBB, percebendo que a expressão “Evangelização” era mais ampla que “Pastoral”, optou pelas “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil” (DGAE).

Dica: Para aprofundar esse tema, confira as Fichas de Estudo sobre as DGAE 2011-15 preparadas pelo Ambiente Virtual de Formação da Arquidiocese de Campinas (AVF).

A partir da Conferência de Aparecida, que resgatou a essência evangelizadora e missionária da Igreja latino-americana e passou a chamar-nos de discípulos missionários, as DGAE 2011-2015 definiram os cinco desafios da Evangelização, denominados também de “urgências”, quais sejam: 1. ‘Igreja em estado permanente de missão’; 2. ‘Igreja: casa da iniciação à vida Cristã’; 3. ‘Igreja: lugar de animação Bíblica da vida e da pastoral’; 4. ‘Igreja: comunidade de comunidades’; e 5. ‘Igreja a serviço da vida plena para todos’.

– As Diretrizes 2015-2019

Em 2015, a CNBB decidiu não elaborar novas diretrizes para o quadriênio 2015-2019, mas atualizar os cinco desafios/urgências adotadas em 2011, à luz de dois importantes documentos escritos pelo Papa Francisco, a Exortação “Evangelii Gaudium”, e a Bula “Misericordiae Vultus” e à luz do magistério da Igreja no Brasil e das próprias experiências pastorais realizadas nas diversas Dioceses brasileiras.

Historicamente, as DGAE sempre trazem dois elementos de fundamental importância para a organização dos Planos de Pastoral. O primeiro deles é a existência de um Objetivo Geral, que é como uma síntese das Diretrizes. O Objetivo Geral aprovado para 2015-2019 é: EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo. O segundo elemento, sempre explicitado logo no início das DGAE, é a  centralidade Cristológica da Igreja, que deve estar presente nas diretrizes e nos respectivos Planos de Pastoral. O fundamento de todo DGAE é a pessoa de Jesus Cristo e o Reino que Ele anunciou.

A ordem dada por Jesus a seus discípulos, continua sendo dada à Igreja. “Ide a todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Portanto, a eclesiologia das DGAE e de todo Plano de Pastoral é se constituir em uma Igreja ‘em saída’, isto é, sempre pronta a levar Jesus a todos os lugares. Padre José Comblin lembrou que: “O cristão do século XXI, antes de tudo, deve ser um místico”. O desafio da ação pastoral exige uma conversão pessoal e comunitária para discernir os apelos de Deus na realidade. Exige tomarmos consciência que somos cristãos em função do e para o Reino e não para satisfazer nossas vontades. Jesus Cristo nos vocacionou para sermos os construtores do reino, mas ele, independentemente de nós, acontecerá, pois “se as pessoas não falarem, as pedras falarão” (Lc 19,40).

A Conferência de Aparecida (2007) destacou que o lugar privilegiado para o encontro com a pessoa de Jesus é a comunidade. Por meio do contato com a Palavra de Deus, com os Sacramentos e na vivência comunitária, os cristãos assumem o seguinte a Jesus Cristo; por isso, a Conferência de Aparecida os chamou de “Discípulos Missionários”.

No que as DGAE 2015-2019 são diferentes das anteriores? Dentre as principais mudanças nas DGAE estão a reorganização das cinco urgências na ação Evangelizadora (indicadas no capítulo III do documento) e novas proposições para as propostas de ações, as quais, por sua vez, correspondem a cada uma das urgências evangelizadoras que o documento denominou de “Perspectivas de Ação” (indicadas no capítulo IV do documento).

 2) O que é um Plano de Pastoral Orgânica (PPO)?

 Segundo o Documento 102, “os Planos de Pastoral são o conjunto de atividades articuladas entre si para chegar a um objetivo, no caso, o indicado pelas “Diretrizes”. Sem um plano, os sonhos não conseguem tocar o chão da realidade […]. Os Planos respondem às questões: COMO? (passos ou etapas), QUEM? (responsáveis), COM O QUÊ? (recursos) e QUANDO? (prazos). É a partir da articulação entre esses itens que surgem os Planos. Sem respostas adequadas a esses itens, os Planos não saem do papel” (p. 89).

O PPO existe em função da unidade pastoral da Igreja, por isso, o denominamos Pastoral Orgânica. Todo Plano busca organizar e adequar a ação evangelizadora à realidade em que a Igreja está inserida.

O Plano de Pastoral é fruto de uma eclesiologia de comunhão e participação, concebida e assumida pela Igreja no Concílio Vaticano II e acolhida pela Igreja no Brasil.

A partir da concepção de uma Igreja do Povo de Deus, inserida no mundo como sinal e instrumento da salvação, surge a necessidade do Planejamento Pastoral para orientar e organizar a Ação Pastoral dos trabalhos que serão realizados.

Dica: O Plano de Pastoral não é apenas um texto, mas um importante instrumento que guia os organismos eclesiais a reverem sua metodologia pastoral, isto é, a verificarem por que algumas práticas eclesiais não produzem mais resultados. Cada Organismo Arquidiocesano deverá elaborar e realizar os projetos referentes aos seus desafios pastorais. O Plano de Pastoral só será de fato, Orgânico, se cada organismo eclesial assumir a sua execução com espírito de comunhão e de corresponsabilidade!

 Desde 1975, a Arquidiocese de Campinas, seguindo as orientações da CNBB, elaborou e implantou seis Planos de Pastoral Orgânica. Atualmente, implanta o sétimo PPO.

4) O que é o 7º Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas?

O 7o Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas nasceu depois de dois anos de trabalhos, muitas reuniões e encontros de formação envolvendo várias instâncias pastorais, tais como: Comunidades, Paróquias, Foranias, Áreas Pastorais e Organismos Arquidiocesanos.

Na perspectiva dos quatro últimos planos de pastoral, a Arquidiocese assumiu o Objetivo Geral da CNBB, optou pelo planejamento participativo, pela metodologia do “Ver, Iluminar e Agir”, o qual, por sua vez, busca envolver todos os membros da Igreja.

No 7º Plano, o “Ver” foi denominado: “Pés no chão”, pois é preciso conhecer a realidade que se deseja Evangelizar, tomar consciência dos desafios para, depois, planejar a Ação Evangelizadora. O “Ver”, ou os “Pés no chão”, lembra que a Igreja deve estar atenta aos sinais dos tempos, o que as DGAE chamaram de “Marcas de nosso tempo”. Essa reflexão será retomada no segundo Encontro.

O “Iluminar” foi denominado como “Olhos no horizonte”. A fé na Revelação de Deus, presente na Palavra de Deus e nos Documentos da Igreja, nos remete ao horizonte do reino de Deus. É o reino de Deus que impõe critérios próprios para planejarmos nossa ação evangelizadora.

A iluminação da Ação Pastoral está fundamentada na Teologia e no Magistério da Igreja, retomado no Concílio Vaticano II, nas Conferências do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e nas Diretrizes apontadas pela CNBB. O texto do 7o PPO está permeado pela compreensão de que a Igreja é o Povo de Deus e, ao mesmo tempo, um Mistério de Comunhão, que impulsiona a comunidade à missão. “No Povo de Deus, a comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si. A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão… Nas Igrejas particulares, todos os membros do Povo de Deus, segundo suas vocações, somos convocados à santidade na comunhão e na missão” (DA 163). Essa teologia exige que os membros da Igreja exerçam a corresponsabilidade na vida das comunidades, nos vários ministérios, no interior da Igreja e no serviço ao mundo, segundo o múnus (ofício) profético, sacerdotal e pastoral de toda ação evangelizadora. A própria elaboração do texto-base do Plano, seguindo a Metodologia Participativa, já se configura como um exercício de corresponsabilidade e colegialidade, características de uma Igreja Povo de Deus em Comunhão.

Por fim, o “Agir”, foi denominado “Mãos na massa”. Tal com o texto expressa, ele é o momento em que, efetivamente, realizamos aquilo que nos propusemos (no caso, os dezesseis pontos indicados no 7o PPO). A Igreja de Campinas está nesse terceiro momento, isto é, está buscando implantar aquilo o que foi decidido.

5)O Rever”

Em todo Plano de Pastoral está implícito uma quarta ação, que é o “Rever”, isto é, enquanto o Plano de Pastoral é implantado, a Igreja diocesana avalia os resultados e propõe ajustes no próprio Plano de Pastoral. É isso que estamos realizando agora enquanto o Plano é implementado, por isso, fomos convocados pela Igreja a participar da Encontro Arquidiocesano de Formação, em setembro.

Como sempre surge gente nova no “Caminho”, não são todos que têm a clareza dos passos dados. Essa é a razão deste estudo.

Reflexão FinalNossa Igreja é convocada, como em Pentecostes, a ser missionária do Pai, pelo Filho. Que o mesmo Espírito, que iluminou os Apóstolos no Cenáculo de Jerusalém, nos guie na caminhada e nos faça perseverantes na execução, acompanhamento e avaliação deste Plano de Pastoral.Que este compromisso seja a marca da execução deste Plano. “Que a Virgem Imaculada nos mostre os caminhos e nos alcance a disposição necessária para enfrentarmos os desafios na construção do Reino de Deus já presente na História” (CP, 58).

Faça o download dos dois Encontros:  

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Esta publicação se refere  Estudo proposto pela Coordenação de Pastoral  aos agentes de pastoral da Arquidiocese de Campinas que participarão do Encontro Arquidiocesano de Formação, que será realizado em 19 de setembro, no Colégio Notre Dame, em Campinas.

Acesse O 7º Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas.

Recorde os passos dados.

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